Dias decisivos

No Campo e na cidade, é hora de ir para a base.

O dia 18 de março, com a ampla adesão à mobilização encabeçada pelas organizações dos trabalhadores, demonstrou que é possível derrotar o golpe em marcha. As condições para isso existem. Em primeiro lugar porque as organizações que representam os amplos setores oprimidos do país, conscientes do que está em jogo, mobilizam suas bases, cujos direitos e conquistas são o primeiro alvo da ação golpista.

A força do dia 18 fez espraiar e aprofundar as manifestações de repúdio e resistência ao golpe, um dos fatores de aprofundamento da recessão econômica no país.

Manifestos de juristas, advogados, intelectuais e artistas, começaram a se multiplicar. Nas universidades, docentes, alunos e funcionários se mobilizam e, em vários casos, ultrapassam as direções esquerdistas de suas entidades que, ao recusar a frente única contra o golpe, faz papel auxiliar às forças golpistas.

Em 22 de março, os quatro mil metalúrgicos da Ford de São Bernardo em assembleia convocada pelo sindicado levantaram as duas mãos respondendo sim à pergunta: “Vocês querem lutar contra o golpe e em defesa dos direitos trabalhistas? ”.

Isso indica o caminho.

Nos próximos dias não há tarefa mais urgente: “É hora de, no campo e na cidade, ir aos locais de trabalho e moradia, às periferias das regiões metropolitanas, para ajudar o nosso povo a compreender a manipulação a qual está sendo submetido por aqueles que o exploram e venha a somar-se à luta contra o golpe”, chama o Manifesto aprovado no 2º Encontro Nacional do Diálogo e Ação Petista (ENDAP).

As manipulações através da Operação Lava Jato e do fraudulento processo de impeachment, tudo bem adubado pela grande imprensa, sempre fiel porta-voz dos interesses dos partidos e entidades burguesas golpistas, visam o governo Dilma, mas muito mais!

Elas visam aniquilar todos os avanços da classe trabalhadora brasileira desde o movimento que derrubou a ditadura militar; visam principalmente suas organizações que, para os golpistas, são um obstáculo para o “futuro” que desejam ao país.

José Pastore, colunista do jornal O Estado de São Paulo – jornal em campanha aberta pelo impeachment e para destruir o PT – expõe com perguntas diretas o que eles pretendem: “o que impede que empregados e empregadores concordem com a remuneração diferenciada por mérito, em vez de horas trabalhadas; o que impede reduzir o horário de almoço de 60 para 30 minutos? ”, e por aí vai. Numa palavra, o que impede aos proprietários dos grandes meios de produção esfolarem a classe trabalhadora como escravos modernos? As organizações que a classe construiu! Por isso precisam aniquilá-las.

Lula tem razão quando disse aos cerca de mil sindicalistas em São Paulo, no último dia 23 que ele era “resultado da consciência política de homens e mulheres, trabalhadores desse país”.

Consciência cujo passo mais elevado foi construir um partido para lutar e representar os interesses da classe trabalhadora. É por isso que o alvo é Lula e o PT!

Em que pese a intensificação da marcha golpista, a consciência da classe trabalhadora encarnada nas organizações por ela construídas pode sim levantar todos os setores oprimidos e derrotar o golpe.

“A saída positiva para a crise está na mobilização para barrar o golpe e na aplicação imediata pelo governo Dilma do programa de emergência do PT, não na busca ilusória de acordos com uma coalizão que desmoronou e com a oposição em torno do ajuste fiscal que ataca direitos e promove o desemprego” (Manifesto do ENDAP).

Com essa convicção, com o Diálogo e Ação Petista, nos engajamos com toda força na construção dos comitês contra o golpe, na luta em defesa dos direitos e das organizações dos trabalhadores.

Trata-se de uma questão que diz respeito à luta de todos os povos para barrar a ofensiva imperialista tem conquistado apoio em vários países, que têm respondido rápida e positivamente, ao chamado do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos.

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