Dilma contra o PT, Rui Falcão e Lula

A única conclusão, se ela não muda, é o PT, por outra política, mudar a relação com ela

Após meses de ranger de dentes nas bases e 1 milhão de desempregados depois, com manifestos de entidades como a CUT e o MST, além da própria Fundação Perseu Abramo, intelectuais e parlamentares como o senador Lindberg, finalmente, foi a vez do presidente do PT, Rui Falcão, sugerir a saída do ministro Levy. Com tudo que significa.

Alarmado, o Valor, jornal patronal, intitulou um editorial “PT está brincando com fogo ao defender a saída de Levy” (20.10)!

A sugestão de Rui que a Folha de S. Paulo de domingo (18.10) pôs na capa, precipitou a reação de Dilma, na Suécia.

Mas Rui, vários decibéis abaixo de Lula no Congresso Nacional da CUT, defendeu pálidas mudanças econômicas, aliás, as mesmas de Lula, como mais “crédito consignado, eventualmente mexer com o compulsório para que os bancos privados possam liberar crédito”. Ressalvando “é impressão minha, ela (Dilma) não disse isso”.

E concluiu “se Levy não quiser seguir a orientação da presidente, deve ser substituído. Se ele não quiser, caso ela determine”…

Dilma virou Levysta?

Era, portanto, uma sugestão, moderada, do presidente do partido à mandatária, cuja reação foi brutal: “a partir de agora, não vou mais responder sobre o ministro Levy. Se ele fica, é porque nós concordamos com ela (a política econômica)”, precisa a BBC Brasil, de Estocolmo.

Então, Dilma vestiu a fantasia, é “levyista”, ela é que concorda com ele!

Afirmou que “respeita a opinião do presidente do PT, porque é o presidente do partido que integra a base aliada (SIC), mas isso não significa que é a opinião do governo. Vivemos uma democracia. A pessoa tem direito de externar que não concorda. No passado, quando a gente divergia, ia para a cadeia” – é inacreditável! O que será que passa em sua cabeça?

“Sobre seu antecessor”, registra a BBC, Dilma desmentiu a imprensa, “ele (Lula) nunca lhe cobrou a demissão de Levy”.

E agora? Política!

Não é tudo “novo”, mas, convenhamos, Dilma extrapolou com Levy, é um salto de qualidade.

A sobrevivência do PT – já ameaçado pela criminalização da Lava Jato – depende de sair da espiral “grega” que Dilma quer arrastá-lo: o partido de esquerda, como o moribundo Pasok, aplica o ajuste no governo e perde a sua base social. Não precisa esperar 2016 para decidir sair dessa!

De nossa parte, junto com o Dialogo e Ação Petista (DAP) no seu Manifesto de Alarme, vamos “lutar por outra política, com o fim do superávit primário, a derrubada dos juros e a centralização do câmbio, para proteger a economia nacional e recuperar a indústria, combater a terceirização, e avançar a reforma política que uma constituinte deve fazer para abrir caminho às reformas populares”.

Outra política, porque não se trata de trocar seis por meia-dúzia, Levy por Meirelles…

O Diretório Nacional do PT reúne dia 29. Veremos se é capaz de se alçar e dizer a Dilma que muda relação se ela não mudar.

Nós vamos, desde já, avançar as reuniões dos grupos de base do Diálogo e Ação Petista (DAP) para agir como o PT agia. Ajudando, por exemplo, a realizar o Encontro Nacional de Sindicalistas convocado por 31 dirigentes da Executiva da CUT.

A continuidade do movimento da classe trabalhadora que formou o PT passa por aí.

Markus Sokol

Artigo originalmente publicado na edição nº 775 do jornal O Trabalho de 22 de outubro de 2015

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