É hora do voto Lula

Desde Londres, enquanto faz campanha no enterro da Rainha da Inglaterra, Bolsonaro ameaça.

Durante entrevista ao SBT, afirma: “Se nós não ganharmos no primeiro turno, algo de anormal aconteceu dentro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”. Isso depois do TSE ceder um pouco mais aos militares que agem conforme lhes convém (ver página 7).

Haverá resposta à altura?

Dificilmente ela virá dessas Instituições que, nos últimos quatro anos, frente aos inúmeros ataques de Bolsonaro, se notabilizaram, ora pelo silêncio cúmplice, ora pelas notinhas de repúdio, recheadas de discursos altivos e pomposos e nenhuma ação.

É que no frigir dos ovos, apesar das diferenças que possa haver entre os condutores do leme de cada um dos três poderes da República, eles estão todos unidos no essencial: atacar os direitos do povo. É o que explica a decisão do STF contra os trabalhadores da enfermagem, que suspendeu o piso nacional conquistado com muita luta e contra a qual haverá resistência (ver página 9).

É também o que explica que Bolsonaro e o Congresso tenham acumulado já cinco anos sem reajustar o valor da merenda escolar, deixando crianças e jovens na base de suco e bolacha nas escolas (ver página 2).
Finalmente, é o que permite que Bolsonaro se sinta à vontade para avançar as privatizações, com a cumplicidade do Tribunal de Contas da União, como no caso dos Metrôs de Belo Horizonte e de Recife (ver página 8), que retire ainda mais dinheiro da ciência (veja aqui na página 3) e ameace de demissões trabalhadores que ousem resistir aos desmandos do governo (ver página 8).

O clima que se pretende criar com a desconfiança e a ameaça ao resultado soberano das urnas passa, é claro, por desacreditá-las com mentiras. O roteiro Bolsonarista está pronto. As pesquisas seriam todas fajutas. O que importaria é o “datapovo”, medido pela presença, realmente notável e perigosa, nas manifestações de 7 de setembro, indevidamente apropriadas pelo Bolsonarismo e os militares e financiada por empresários e pela campanha do genocida.

O que se vê nas ruas e mostram as pesquisas é a disposição dos trabalhadores e da maioria do povo oprimido em eleger Lula presidente para se livrar de Bolsonaro. Mesmo com uma campanha morna, com um programa rebaixado pelas alianças sem porteira e apesar da intimidação, que inclui xingamentos, agressões físicas e até assassinatos, Lula tem arrastado milhares de pessoas em diferentes comícios, até onde Bolsonaro lidera nas pesquisas (ver página 6).

E quem tem ido às ruas fazer campanha, de norte a sul do país, pode sentir a vontade desesperada do povo por mudança, traduzida na esperança de eleger Lula presidente.
Esse desespero tem uma razão de ser. Ninguém suporta mais um governo como esse, que permite a fome, o desemprego, demissões, o fechamento de fábricas, que fala até em retirar dinheiro dos remédios mais elementares, que ataca cotidianamente os interesses do povo trabalhador.

E só o povo pode dar uma resposta a altura aos ataques, ameaças e provocações de Bolsonaro e seus generais, e assim, abrir caminho para varrer este governo. Uma resposta a altura passa, nos próximos dias, necessariamente, por batalhar até o último minuto pelo voto em Lula, 13, no dia 2 de outubro.

Para isso é necessário discutir com o povo as medidas urgentes e necessárias para reconstruir e transformar este país. É a serviço desta luta que os candidatos apoiados pelo Diálogo e Ação Petista estão (ver página 5).

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