Encontro Nacional de O Trabalho

Editorial da edição 899 do Jornal O Trabalho

Três fatos notáveis:

Domingo, 17 de abril, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Okonjo-Iweala, sai da reunião do Fundo Monetário Internacional com o Banco Mundial pós guerra de Putin na Ucrânia,  e chega ao Brasil para iniciar a “cruzada contra o protecionismo”, “preocupada com a iminente crise alimentar global”. 

Primeira agenda, churrasco em Brasília (“seus filhos nos EUA frequentam churrascaria brasileira, ‘é maravilhoso’”, Valor 14/4). Segunda agenda, o inominável do Planalto. A pauta: “apelo para que o Brasil exporte parte de seus estoques reguladores”, e “se o Brasil liberar mais milho no mercado mundial, ajudaria. Os EUA estão liberando suas reservas de petróleo por seis meses”. 

Recorde de cinismo! Com a barriga cheia de churrasco, a OMC compara a fome atual dos brasileiros, com o business yankee no lugar da produção russa, graças às sanções de governos “socialistas” e de direita da Europa.

Falta alguém no mundo político do Brasil que, em defesa da nossa soberania alimentar, mande essa senhora passear!

Domingo, 17 de abril, se publicam trechos das 10 mil horas de gravação de sessões do Superior Tribunal Militar de 1975 a 1985, obtidas por um advogado e um historiador após 20 anos de interdição. Nelas, o então general-ministro Rodrigo Octávio, relata detalhes do aborto de uma presa política por “choques elétricos em seu aparelho genital”. Como se sabe, ninguém foi punido por este e milhares de crimes sabidos das autoridades. Vem, então, a público o atual presidente do Supremo Tribunal Militar, general Luís Carlos de Mattos, qualificar o documento histórico de “notícia tendenciosa”, “não estragou a Páscoa de ninguém”, “varrem de um lado, não varrem o outro”.

Não, general! Vocês, generais, brigadeiros e almirantes, é que em breve serão varridos da cena e devolvidos aos quartéis. Seu esdrúxulo tribunal corporativo será dissolvido e os que, dentre vocês, são responsáveis por crimes – do perjúrio à tortura e morte – serão julgados pela nova justiça, condenados, presos, e terão a alma exposta às famílias brasileiras.

É tempo do PT pronunciar-se, ainda antes da campanha eleitoral.

Domingo, dia 17 de abril, termina o 36º Encontro Nacional da Corrente O Trabalho do PT, seção brasileira da 4ª Internacional, o primeiro após dois anos de pandemia e 10% maior que o anterior, com delegados de 21 plenárias de 17 Estados. Encontro presencial, já é por isso um ponto de apoio para a organização da luta dos trabalhadores, da juventude e do povo: No Brasil a ‘Constituinte com Lula’ está na ordem do dia no sentido de que a eleição de uma Assembleia Constituinte Soberana é a maior tarefa de um novo governo comprometido com a soberania popular, com Lula presidente. Não que se possa convocá-la, simplesmente. Hoje falta determinação revolucionária e não há condição institucional sob os “Três Poderes” podres. Mas rapidamente as massas poderão compreendê-lo em seu próprio movimento – com o concurso do Diálogo e Ação Petista, e de outros – e se impor ao escombro das instituições em frangalhos. ‘Só o povo salva o povo’, disse a grande Revolução Mexicana de 1910.

Para abrir caminho à ‘Reconstrução e Transformação do Brasil’ conforme os programas do PT do 6º e 7º Congressos preveem: a Constituinte Soberana, resumindo concretamente, para revogar as contrarreformas Trabalhista e Previdenciária e, acrescentamos, restabelecer o Monopólio estatal da Petrobras e abolir a Tutela militar (artigo 142 da Constituição)” – adotado por unanimidade.

Junte-se a nós!

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