Equador: um golpe sem tanques

Em 18 de agosto o comitê internacional do DSA – Socialistas Democráticos da América – dos Estados Unidos emitiu uma declaração intitulada “Equador: quando os juízes se unem a uma das equipes”.

“O que está sucedendo no Equador é um golpe de Estado levado a cabo sem tanques”, diz a declaração, explicando que o governo do direitista Daniel Noboa está utilizando conselhos eleitorais e tribunais que controla para eliminar qualquer possibilidade da oposição, em particular a Revolução Cidadã (RC) do ex-presidente Rafael Correa, agir no terreno político.

Em 15 de julho, o Conselho Nacional Eleitoral negou-se a publicar os formulários para recolher assinaturas para um referendo revocatório de Noboa – um direito inscrito na Constituição adotada em 2008 durante o mandato de Correa – inviabilizando a iniciativa da oposição. Dias antes o Tribunal Constitucional havia se negado a considerar uma apelação feita pela Revolução Cidadã contra a sua própria suspensão como organização política. Na sequência o mesmo tribunal suspendeu o movimento AMIGO, sob o qual a suspensa RC pretendia apresentar candidatos às eleições regionais de 29 de novembro, um dia antes da data limite para a inscrição de listas.

Como afirmou a declaração do DSA: “o resultado é o que busca todo golpe de Estado: um governo que já não precisa enfrentar os seus oponentes em igualdade de condições.”

Trump e Noboa em Washington

O ex-presidente Correa reagindo, desde o seu exílio na Bélgica, ao anúncio do fechamento do escritório de coordenação da bancada de seu partido no parlamento, ocorrido em 18 de agosto, postou no X a seguinte mensagem:

“A RC 5 (sigla de Revolução Cidadã), o maior partido do Equador, não terá mais escritório no Palácio Legislativo. Isso nunca se viu. Vivemos uma verdadeira ditadura. Nos governam delinquentes.”

Curiosamente Daniel Noboa, parceiro de Trump no “Escudo das Américas”, que convidou os EUA a agir em conjunto com a polícia e exército de seu país no combate aos “narcotraficantes”, estava no mesmo 18 de agosto em visita à China, onde foi recebido por Xi Jinping que falou no “direito dos países da América Latina a fazer respeitar a sua independência”. Um conselho que certamente não será seguido pelo atual presidente do Equador.

Julio Turra

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