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	<title>O Trabalho</title>
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		<title>O Dr. Abu Safiya corre risco de morte iminente!</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 16:05:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Médico palestino está há mais de 550 dias nas masmorras de Israel Recentemente a associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI) alertou: “o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan de Gaza, preso pelo Estado israelense há mais de 550 dias, corre risco imediato de vida”. A PHRI divulgou o depoimento de seu [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Médico palestino está há mais de 550 dias nas masmorras de Israel</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente a associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI) alertou: “o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan de Gaza, preso pelo Estado israelense há mais de 550 dias, corre risco imediato de vida”. A PHRI divulgou o depoimento de seu advogado, Nasser Odeh, a quem o Dr. Abu Safiya apareceu durante sua última visita, no início de julho, com as mãos e os pés algemados, apresentando ferimentos recentes e contusões na cabeça, no rosto e no pescoço. O médico também apresentava dificuldades para respirar e falar. Ele se encontrava em um estado de exaustão grave que o fez quase perder a consciência em várias ocasiões. Também foi confirmado que ele é submetido a agressões diárias, que perdeu a consciência várias vezes e que não recebeu os cuidados médicos necessários. O Dr. Abu Safiya disse ao seu advogado: “Esta é a última vez que você vai me ver… Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo vivo. É o fim.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza já ultrapassou os<br>1.000 dias, quase três anos. Várias estimativas apontam que o número de mortos pode ser maior do que 100 mil, dos quais um terço crianças. Há mais de 1,5 milhão de deslocados, que hoje sobrevivem em barracas. Os bombardeios e as destruições cometidos pelo exército genocida israelense são diários. Quase 10 mil habitantes de Gaza continuam confinados em prisões, entre os quais várias centenas de profissionais de saúde. Entre esses prisioneiros, 1.320 deles, como é o caso do doutor Abu Safiya, são classificados como “combatentes ilegais” e detidos sem julgamento. O próprio jornal israelense Haaretz noticiou o caso de Safiya, submetido a tortura e privações por seus carcereiros.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0e943122a0b9b11aebc2f2d229ad4f50 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Manifestações pelo mundo pedem a libertação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas semanas ocorreram manifestações pela libertação imediata do Dr. Abu Safiya. <strong>Em Tel Aviv (Israel)</strong> em 6 de julho manifestantes ergueram faixas nas quais podia-se ler: “O Dr. Hussam Abu Safiya está agonizando sob tortura na prisão israelense” e “Onde estão as 150 crianças sequestradas?”. Uma declaração da campanha “Libertem os sequestrados palestinos” foi divulgada à imprensa durante o comício.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="452" height="209" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2.png" alt="" class="wp-image-22342" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2.png 452w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2-300x139.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2-150x69.png 150w" sizes="(max-width: 452px) 100vw, 452px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em Lima, no Peru,</strong> o Comitê de San Marcos de Solidariedade com a Palestina realizou um protesto em frente ao portão principal do campus universitário da Universidade Nacional Maior de San Marcos. A iniciativa, em 10/7, contou com a participação de diversos coletivos e organizações sociais peruanas, que convidaram a comunidade universitária a apoiar a iniciativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em Paris</strong>, em 15 e 16/7, duas manifestações foram realizadas. Primeiro em frente ao Hospital Necker e, em seguida, nas proximidades do Ministério das Relações Exteriores. A Dra. Souad Kout, pediatra e membro do Sindicato Nacional dos Médicos Hospitalares (SNMH FO), lembrou que os relatos sobre as condições de detenção dos palestinos são arrepiantes: assassinatos, amputações sem anestesia, torturas e outros abusos graves. E os médicos e profissionais de saúde não são exceção. O Dr. Patrick Pelloux, presidente da Associação dos Médicos de Emergência da França (AMUF), também presente, pediu que se conceda a nacionalidade francesa ao Dr. Abu Safiya, que se vá resgatá-lo e que o nomeie cidadão de honra da França. Deputados, entre eles Jérôme Legavre, da LFI, estiveram presentes e apoiaram a mobilização e o pedido um de audiência no Ministério. Depois da mobilização, a delegação foi contatada e uma data para uma audiência foi marcada para 24/7. Também em <strong>Nova York </strong>e em<strong> Perth, Austrália</strong>, ocorreram manifestações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Simesp </strong>(Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo) &#8211; que desde a prisão de Safiya integra a campanha por sua libertação – lançou nova nota que apela: “O Simesp apoia a campanha da anistia internacional pela libertação do médico palestino Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, detido desde dezembro de 2024. Enquanto Gaza enfrenta o colapso de seu sistema de saúde, hospitais são destruídos, profissionais seguem sendo mortos, presos ou impedidos de exercer a profissão e milhões de pessoas têm o acesso ao atendimento comprometido. A defesa da liberdade do Dr. Hussam Abu Safiya é também a defesa do trabalho de médicas e médicos em cenários de conflito e do direito da população à assistência em saúde.” </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Conferência Internacional Contra a Guerra, realizada em Londres em 20 de junho (ver OT 965), aprovou uma declaração que inclui um apelo para um dia coordenado de manifestações em todos os países em prol da Palestina, no sábado, <strong>10 de outubro.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assine e divulgue a petição: </strong><a href="https://freedrabusafiya.com/"><strong>https://freedrabusafiya.com</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tiago Maciel</strong></p>
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		<title>A “Bancada da Esquerda Radical”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 15:53:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Partido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um Manifesto inconclusivo A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) publicou no dia 3 de julho o Manifesto da Bancada de Esquerda Radical. É uma articulação dos três deputados federais do MES/PSOL num conjunto de sete aspirantes à reeleição ou à eleição (um deles do PT). Eles apresentam 10 simpáticos pontos de programa, alguns que nem são [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Um Manifesto inconclusivo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) publicou no dia 3 de julho o Manifesto da Bancada de Esquerda Radical. É uma articulação dos três deputados federais do MES/PSOL num conjunto de sete aspirantes à reeleição ou à eleição (um deles do PT).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles apresentam 10 simpáticos pontos de programa, alguns que nem são muito lembrados, como a “revogação da reforma da previdência, revogação da reforma trabalhista, programa nacional de reestatização e revogação do novo teto de gastos”. O único reparo é a ausência das guerras, a guerra em Gaza e no Líbano que pede a ruptura com Israel, a agressão ao Irã, a paz na Ucrânia e o bloqueio de Cuba.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas vamos ao seu centro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa define: “Neste ano de eleição, derrotar a extrema direita exige enfrentá-la para além das urnas: é preciso combatê-la no campo das ideias e ganhar o povo para a defesa de um projeto soberano, comprometido com a justiça social e do equilíbrio da vida em nossos biomas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida, é preciso ir “para além da urnas”, boas palavras de candidatos despojados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como avançar na realização dos 10 pontos? Eleito Lula, na melhor hipótese, a de se elegerem os sete candidatos, isso não vai mudar essencialmente o Congresso Nacional reacionário. Eles sabem disso. Devem saber que um programa deve indicar como, quem pode realizá-lo. Como, então?</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-7ce5d68b04edff7359a5b079960a59e0 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br>“<strong>Assombração é o pavor causado por algo inexplicável” (do Google)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um candidato radical no Brasil deve questionar o sistema eleitoral podre. Mas não há no texto uma palavra sobre reforma política. Nem voto em lista, revisão da desproporcionalidade do voto ou financiamento público exclusivo. É inquietante. Não se toca no escandaloso sistema corrupto das emendas parlamentares impositivas. É inexplicável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É verdade, como disse o poeta, que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena. Mas aqui, as almas parecem assombradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PT, pelo menos, levanta o fim das emendas parlamentares impositivas que este ano são R$ 38 bilhões. Não se sabe o que acontecerá com R$ 23 bilhões das outras emendas parlamentares. O PT ao menos propõe uma reforma político-eleitoral com voto em lista pré-ordenada. É pouco em face da desproporcionalidade da representação, e muito pouco frente ao financiamento bilionário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se espera de Lula um quarto mandato engajado com as reformas estruturais pendentes (como os 10 pontos). Essa é uma condição necessária, mas não é suficiente, face ao Congresso inimigo do povo. Como pode um radical silenciar a respeito do sistema que, afinal, vai participar?</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-f2d35f93c427f0384c7bde5d6451b9f6 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Discussão livre</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós apoiamos a Declaração por uma Reforma Política Radical de ruptura com o sistema atual para abrir o caminho para uma Assembleia Constituinte Soberana. Com o papel do novo governo, é esta Assembleia, não este Congresso, que pode realizar os 10 pontos. Não há outro caminho democrático a perseguir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este é um debate incontornável. Se há outra saída nos digam. Senão, arriscamos a ficar com as apostas perdidas de “mudar a relação de forças no Congresso”, como dizem certos setores governistas, ou ficar ouvindo uma fraseologia de esquerda desacreditada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Declaração de fato abriu um debate, ela é apoiada por sindicalistas e lideranças populares, parlamentares do PT, do PSOL, e militantes sem partido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Markus Sokol</strong></p>
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		<title>“Sem teoria revolucionária não há prática revolucionária”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 16:58:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinco anos publicando uma revista clandestina, A Luta de Classe A frase do título, de Lênin, era uma divisa para a Organização Socialista Internacionalista (OSI), nascida em 1976. Desde 1978, a OSI editou a revista A Luta de Classe (LC), clandestina sob ditadura militar (1964/1985). Saíram “regular irregularmente” 10 edições em cinco anos, com muito [&#8230;]</p>
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<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-45c769be76e7e4e5c91bc1b639133e78 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><em>Cinco anos publicando uma revista clandestina, A Luta de Classe</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A frase do título, de Lênin, era uma divisa para a Organização Socialista Internacionalista (OSI), nascida em 1976. Desde 1978, a OSI editou a revista A Luta de Classe (LC), clandestina sob ditadura militar (1964/1985).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saíram “regular irregularmente” 10 edições em cinco anos, com muito cuidado e não sem percalços. O que testemunha o apego à teoria, e a própria prática teórica para “expor o nosso ponto de vista às demais correntes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No curso da reconstituição da 4ª Internacional, LC foi depois substituída pelas revistas Tribuna Internacional e A Verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Editorial do número 1 traz este compromisso:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="179" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1024x179.png" alt="" class="wp-image-22380" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1024x179.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-300x52.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-150x26.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-768x134.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-696x122.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1068x187.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image.png 1351w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com esse espírito, levanta questões que vão marcar o movimento operário, a bandeira do partido operário, assim formulado, isto é, ruptura com o sistema ARENA (situação) + MDB (oposição) criado pelo regime militar em 1965 e, também, a luta por uma central sindical independente, contra a estrutura sindical atrelada ao Ministério do Trabalho. Por fim, ao lado de resoluções do Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional (CORQUI), traz o balanço da greve dos mineiros da Bolívia e da greve geral no Peru de 1976.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A 1ª edição de LC vinha sob uma capa falsa de publicação de um certo “CEC – Centro Editorial de Cultura”, de modo que só na sexta página se chegava ao órgão da OSI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas desde maio de 1978, a OSI impulsionava com jovens jornalistas, sindicalistas e militantes, a edição do jornal legal O Trabalho. Seu jornal nasceu nas condições do regime militar, não poderia ser partidário da 4ª Internacional. A discussão programática era feita, pois a 4ª Internacional não se dissolve, através do órgão clandestino do Comitê Central da OSI, A Luta de Classe.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-65d54227414bd79721c7f1b2075c585c wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Ampliação sob o impulso do movimento de massas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A edição nº2, graficamente mais acabada, dá espaço ao “Novo Momento da Revolução Proletária no Irã”, a revolução dos conselhos operários e greves com ocupação que derrubou o odiado regime do Xá Reza Pahlevi, apesar de que a traição do Tudeh (PC) facilitasse a assunção do poder dos mulás e a república islâmica. A OSI clandestina puxou um ato público de solidariedade à revolução iraniana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O internacionalismo é uma marca: a edição nº 3 (janeiro de 1980) abriu para a inspiradora vitória revolução da FLSN na Nicarágua, a edição nº 5 (outubro de 1980), por sua vez, avançou à quente na revolução política na Polônia que marca a crise do stalinismo, temas que incidiram para marcar a trajetória inicial independente do PT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltando, a edição nº 2 abre com o editorial “Quem Somos Nós”, claramente dedicado a um público ampliado pelo ascenso das lutas sindicais e estudantis. Ele analisa a “espontaneidade presente na onda de greves de 1979 por reivindicações salariais”. Daí, conclui “os trabalhadores em movimento estão hoje se chocando frontalmente com o aparelho de Estado” e, polemiza, “jogando por terra as concepções derrotistas segundo as quais a classe trabalhadora devia primeiro ser ‘conscientizada’”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência vem a partir da ação – ganhava então as ruas o movimento político contra o regime, pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, alimentado pela irrupção dos operários.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-75d355a016a35a0118b9bbb151c943c4 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>A necessidade de um programa político</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a espontaneidade não dispensa um programa político (teoria). O Editorial afirma que A Luta de Classe, mesmo nome do órgão dos trotskistas dos anos 30, reivindica a sua “luta contra os ataques de Vargas que visavam destruir os sindicatos independentes, e a luta por uma Constituinte Democrática e Soberana após 1930 e em 1945, quando os stalinistas do PCB (muitos deles hoje no PCdoB) apoiavam o ditador e a Constituinte com Vargas”. Ora, “com Vargas” queria dizer continuidade, e a não ruptura democrática para realizar as aspirações de justiça social e democracia travadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Justamente, uma trava da espontaneidade são as barreiras e as armadilhas montadas pelas classes dominantes, que já nos anos 30 dependiam do apoio de aparelhos contrarrevolucionários com audiência, como o stalinismo e o nacionalismo burguês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema não é brasileiro, os atores mudaram um pouco desde a queda da URSS, mas os termos da equação permanecem – é necessário um verdadeiro partido operário independente e comprometido, que não seja freio nem conciliador.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-d0de39e7ef440974fca3951e90ec88a1 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Uma constante: pelo partido operário</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A edição nº 7 de novembro de 1981 aborda “O PT, as eleições (de 1982) e a luta de classes”. A OSI tivera teve uma discussão interna em 1979 sobre a questão de um partido operário (o PT) sem base prévia sindical independente. Mas ela decidiu colocar 10% dos seus militantes no PT já na sua fundação no Colégio Sion, em fevereiro de 1980. Completados os debates, no seu 4º Congresso, em outubro, a OSI decidiu integrar plenamente no PT. Pouco depois, adiada de 1982 para 1983, veio a fundação da CUT na via da ruptura com a estrutura sindical – como se vê, a dialética supera a mecânica.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="787" height="1024" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-787x1024.png" alt="" class="wp-image-22382" style="aspect-ratio:0.7684403422185747;width:373px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-787x1024.png 787w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-231x300.png 231w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-115x150.png 115w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-768x999.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-1180x1536.png 1180w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-1574x2048.png 1574w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-323x420.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-696x906.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-1068x1390.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-1920x2499.png 1920w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-2-scaled.png 1967w" sizes="(max-width: 787px) 100vw, 787px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na discussão eleitoral, LC apoiou a decisão do PT de lançar “candidatos próprios” nas eleições de 1982, e acrescenta a posição “contra coligações”, que prevaleceu (o voto foi vinculado em todos os níveis). Alguns “explicam” esta opção como política de afirmação do novo partido. Mas a verdade é que não havia partidos legais de esquerda (PCB e PCdoB enfurnados no MDB) para uma política de frente, e os outros eram partidos burgueses comprometidos “transição lenta, gradual e segura” da ditadura (continuidade), e não com as aspirações populares (ruptura).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1976, a OSI havia chamado ao Voto Nulo e, em 1978, “Nem Arena Nem MDB, Voto Nulo por um Partido Operário”. Não obstante o voto ser de fato obrigatório, o total de abstenções, brancos e nulos, chegou a 40% dos eleitores inscrito, lembra a edição nº 7.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="416" height="545" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png" alt="" class="wp-image-22381" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png 416w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1-229x300.png 229w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1-114x150.png 114w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1-321x420.png 321w" sizes="(max-width: 416px) 100vw, 416px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse terreno que o PT vingou. A revista LC avaliou com realismo revolucionário a estratégica vitória do PT sobre os obstáculos à sua legalização, tanto do regime (processos, crimes e prisões), quanto da parte dos stalinistas que o acusavam de dividir a “oposição” do velho MDB colaboracionista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta edição de 1981, com essa avaliação, trazia uma vacina. Era claro que a eleição de 1982 não iria ser um passeio. O PT saiu como partido nacional com uma bancada de 8 deputados federais, embora sem governadores ou senadores. Mas houve ingênuos e fantasistas que saíram frustrados. Só que o PT seguiu crescendo e a luta por um partido operário digno do nome ficou ainda mais crucial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Markus Sokol</strong></p>
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		<title>Espanha, 19 de julho de 1936: a resposta popular ao golpe de Estado dos militares fascistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 17:28:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Revista A Verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Abaixo trechos do artigo sobre os 90 anos do início da Guerra Civil Espanhola, de Manuel Cusó e Josep Pozo. A íntegra está na revista A Verdade 118, que pode ser adquirida conforme instruções no anúncio (card) abaixo. “Dentre aqueles que se reconhecem politicamente nas organizações que se opuseram à revolução social em nome da [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Abaixo trechos do artigo sobre os 90 anos do início da Guerra Civil Espanhola, de <strong>Manuel Cusó e Josep Pozo</strong>. A íntegra está na revista A Verdade 118, que pode ser adquirida conforme instruções no anúncio (card) abaixo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="724" height="1024" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-724x1024.jpg" alt="" class="wp-image-22335" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-724x1024.jpg 724w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-212x300.jpg 212w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-106x150.jpg 106w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-768x1086.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-297x420.jpg 297w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av-696x984.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/av.jpg 794w" sizes="(max-width: 724px) 100vw, 724px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Dentre aqueles que se reconhecem politicamente nas organizações que se opuseram à revolução social em nome da República burguesa, uma das explicações mais comuns atribui quase que exclusivamente o sucesso de Franco à ajuda dada tanto pela Alemanha nazista quanto pela Itália fascista. Estes são, certamente, fatos incontestáveis. Sabe-se como os aviões alemães e italianos transportaram o exército da África, a partir do Marrocos, até o sul da Espanha para ajudar o golpe de Estado contra a República a vencer em certas zonas e a se consolidar em outras. […] Alguns acrescentam também, vantagem que representou para os militares rebeldes o fato de que as “democracias” da época – ou seja, o governo conservador britânico e o governo da Frente Popular na França – tenham decidido, cada qual por suas próprias razões, a estabelecer uma igualdade entre o governo legítimo da República e os militares que se levantaram contra ele. […]</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-adc45c34d4a54d59fe181ee0eb946b0d" style="font-size:21px"><strong>A URSS seria uma exceção?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aqueles que atribuem a um ou a outro destes fatores a causa principal da derrota do proletariado espanhol colocam, geralmente, a ênfase sobre “a exceção” russa, exaltando a ajuda fornecida por este país e omitindo de especificar que ela foi entregue a conta-gotas, visando sobretudo impedir a revolução social de triunfar na Espanha. Da mesma forma, passa-se em silêncio – quando não se oculta categoricamente – a “reticência” inicial da União Soviética durante os dois primeiros meses decisivos do conflito, nos quais a resposta popular à insurreição militar fez com que ela fracassasse em dois terços do país, bem como nas principais cidades (Madri, Barcelona, Valência e Bilbao). Foram dois meses durante os quais, como se pôde constatar posteriormente, os rebeldes se recuperaram de seu fracasso inicial e se reorganizaram. […] Seja como for, um fato é certo: as “democracias”, com a colaboração inestimável de Stálin, encarregaram&#8211;se de violar o direito internacional ao patrocinar o acordo de não-intervenção que subscreveram – exemplo inigualável do cinismo que reinava e ainda reina nas relações e nos tratados internacionais –, obrigando a República a ter de recorrer ao mercado clandestino no para obter armas, geralmente duas vezes mais caras e em péssimo estado. Enquanto isso, a Alemanha e a Itália forneciam, sem nenhum entrave, ajuda militar a Franco. […]</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-a6e7fd7d39aaf7364c30f488820b9f6a" style="font-size:21px"><strong>O acordo de não intervenção: antes o fascismo do que a revolução social</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No verão de 1936, a insurreição militar contra a República – à qual o próprio governo espanhol não soube nem quis cortar as asas, chegando inclusive a se recusar, num primeiro momento, a fornecer armas às milícias operárias que as solicitavam, enquanto buscava um acordo com os golpistas – provocou uma resposta popular que acabou por desaguar em uma revolução social. Para os operários e camponeses que foram às ruas, não havia outro meio de deter o fascismo do que atacar de frente a sua base social e econômica. Assim, em todo o território no qual o golpe de estado fracassou, o movimento defensivo transformou-se rapidamente em um poderoso movimento ofensivo, que se dirigiu não somente contra os militares insurgentes e contra os inimigos políticos da República, mas também contra os inimigos de classe. Inscrita em um mesmo movimento, a resposta aos militares insurgentes se combinou com a ocupação de fábricas e de terras, e não parou no terreno da defesa estrita da legalidade republicana atacada, mas foi além. Foram criados órgãos de poder revolucionário que, em escala local, assumiram o controle da situação. […] Paralelamente à tomada do poder político, houve também uma ofensiva generalizada contra a propriedade privada sob suas múltiplas formas: a apreensão, a intervenção ou a coletivização das indústrias e dos serviços, e a instauração do controle operário como regra geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revolução social foi um fato que os aparelhos do Komintern e da social-democracia não apenas tentaram ocultar desde aquela época, mas que também combateram. Assim, a revolução operária foi inicialmente apresentada aos olhos do movimento operário internacional como uma tentativa do proletariado espanhol de defender a causa da democracia burguesa contra o fascismo. […] o imperialismo, tanto inglês quanto estadunidense, não tinha qualquer interesse em combater o fascismo – no plano diplomático, permaneceu orientado na prática pela política dita do “appeasement” <em>(do “apaziguamento” em relação a Hitler, NdT) </em>até 1939 e a invasão nazista da Polônia – de forma muito semelhante à burguesia francesa, à qual havia se subordinado o governo da Frente Popular presidido por Léon Blum. Por sua vez, Stálin participava do mesmo dispositivo de “segurança” sustentado pela Grã-Bretanha e pela França, desde o pacto de não-intervenção até a Sociedade das Nações. Subordinado como estava ao imperialismo em razão da política do “socialismo num só país”, que visava consolidar o poder da burocracia – mesmo ao preço de sacrificar a causa do proletariado mundial. Stálin não queria a revolução em nenhum país do mundo. […]</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-8826f735124dcd069cf8fbc913d552cb" style="font-size:21px"><strong>O movimento operário internacional e a causa da Revolução Espanhola</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não é de se estranhar, portanto, que o Komintern tenha permanecido em silêncio durante as primeiras semanas, enquanto, paralelamente, os diferentes partidos comunistas recebiam instruções para liderar iniciativas em favor da República burguesa ameaçada por Franco. […] Uma contradição evidente com a política conduzida por Stálin, mas que era certamente inevitável: entre os trabalhadores russos, 12 milhões de rublos foram rapidamente arrecadados em uma coleta organizada pelos sindicatos. Inúmeros comícios de apoio e coletas foram organizados na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos, contrastando com a cumplicidade dos signatários do acordo de não-intervenção. Centenas de militantes operários vindos da França, da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, da Bélgica, da Irlanda, do Canadá e de numerosos outros países foram em socorro de seus irmãos na Espanha, muito antes da chegada das Brigadas Internacionais. Era igualmente evidente que a imensa simpatia que a luta contra o fascismo na Espanha despertava entre</p>



<p class="wp-block-paragraph">os trabalhadores do mundo inteiro impunha certos gestos. E esses gestos entravam em contradição com a política de não-intervenção. Por exemplo, em 30 de julho de 1936, apenas cinco dias após o governo francês ter tornado público o seu compromisso de não enviar ajuda militar à República, uma multidão imensa reunida na sala Wagram, em Paris – por iniciativa, entre outros, do PCF (Partido Comunista Francês) – interrompia sem cessar o discurso do último orador, que não era ninguém menos do que Léon Blum, entoando em coro o slogan: <em>“Aviões para a Espanha! Canhões para a Espanha!”</em>. No entanto, quando, em outubro de 1936, a burocracia do Kremlin se viu forçada a fornecer ajuda militar à República, diante do escândalo que representava a ajuda descarada da Alemanha e da Itália e diante da impossibilidade de o “país do socialismo” continuar a desviar o olhar, os partidos comunistas – e, por lógica evidente, em particular o Partido Comunista Espanhol (PCE) – engajaram-se inteiramente em combater a maneira como os trabalhadores espanhóis lutavam contra o fascismo: a ajuda militar russa iria contribuir para isso, e ela foi usada para forçar todas as organizações a aceitarem a defesa incondicional da República burguesa contra qualquer tentativa de revolução social. […]</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra de ordem “Primeiro a guerra e depois a revolução”, defendida pelo stalinismo na Espanha com o apoio dos socialistas de direita e do anarquismo governamental, bem como de todas as facções do republicanismo burguês, serviu para desviar a atenção e, sobretudo, para mascarar o papel de Stálin. […] A única chance de vitória residia na vitória da revolução social. Mas a revolução social havia sido sacrificada para não assustar as “democracias” e não contrariar Moscou.”</p>
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		<title>Conferência Internacional Contra a Guerra, Londres 20 de junho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 18:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fixo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra! Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-6345ce9c8df35543fa7d86fb174b4b36" style="font-size:21px"><strong>Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa e dos Estados Unidos. Um fim de semana que materializou, indiscutivelmente, uma ampliação e um aprofundamento consideráveis na necessária articulação de todas as forças disponíveis para deter a política de guerra em escala internacional a serviço das necessidades do imperialismo em crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização britânica Counterfire apresentou um relato do evento que reproduzimos na sequência. Com base nessa força reunida, um elemento atravessou a discussão: a necessidade de passar à ação! Essa é a conclusão apresentada pela conferência de sábado e pelo apelo que nela foi adotado. Sim, a necessidade de passar à ação em nível internacional com as forças capazes de bloquear a guerra, suas entregas de armas, seus orçamentos de guerra, a militarização da juventude e o alistamento obrigatório, seus cortes em todos os orçamentos sociais. “O inimigo de cada um encontra-se, antes de tudo, em seu próprio país”, destacou Lindsay German, da organização Stop the War Coalition, convidando os participantes tanto a ação coordenada em nível internacional como a ação de cada um contra seu próprio governo, pois bloquear a guerra significa bloquear os governos responsáveis pela guerra. Essa é a tarefa central que se trata de organizar.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-abc42c57a42fc975bbf1873318d1fe3f" style="font-size:21px"><strong>Relato da organização britânica Counterfire sobre a Conferência (trechos)</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="942" height="483" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2.jpg" alt="" class="wp-image-22284" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2.jpg 942w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-300x154.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-150x77.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-768x394.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-819x420.jpg 819w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-696x357.jpg 696w" sizes="(max-width: 942px) 100vw, 942px" /><figcaption class="wp-element-caption">Faixas marcam presença de sindicatos britânicos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de 3.000 delegados vindos de toda a Europa se reuniram no Central Hall de Westminster. Na véspera, um clima de entusiasmo predominava, enquanto cerca de 200 delegados vindos da Europa e de outras regiões se reuniam na sede do NEU (sindicato dos professores da Grã-Bretanha), para a reunião preparatória. Lindsey German, da Stop the War, destacou um ponto essencial: a resposta ao projeto imperialista americano não está no rearmamento europeu, e o principal inimigo de cada um encontra-se antes de tudo em seu próprio país. (…) Militantes vindos da Ucrânia e da Rússia defenderam a solidariedade com os dissidentes dos dois países. Estudantes franceses e alemães engajados contra o serviço militar obrigatório, assim como sindicalistas e organizações de vários países, defenderam a ideia de mobilizar o movimento operário contra os recorrentes cortes orçamentários destinados a financiar gastos militares cada vez maiores. Entre os temas prioritários figuravam a condenação do genocídio em curso na Palestina e a necessidade de prosseguir com a solidariedade internacional. Kevin Courtney, presidente da Cuba Solidarity Campaign, também tomou a palavra para destacar o agravamento da crise em Cuba devido ao bloqueio americano e à crescente ameaça de uma intervenção militar dos Estados Unidos. A situação no Sudão também foi abordada, assim como suas ligações com o imperialismo ocidental. (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exemplos de resistência também foram destacados: as imensas manifestações de solidariedade à Palestina, as greves estudantis na Alemanha contra o serviço militar obrigatório, bem como as ações da flotilha internacional Global Sumud (&#8230;). Sukana Rhawani, mãe da prisioneira política de Filton, Fatema Zainab Rajwani, condenada como terrorista por um juiz na semana anterior, prestou um emocionante testemunho sobre o crescente autoritarismo exercido contra o movimento de solidariedade à Palestina no Reino Unido.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Campanhas contra o alistamento militar</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Estudantes e jovens militantes se reuniram para discutir o lançamento de uma campanha de massa contra o alistamento militar. Felix Kreklow Rojas, estudante alemão em greve, compartilhou sua experiência na organização de greves estudantis contra o alistamento na Alemanha. Estudantes da França, da Espanha, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos também apresentaram suas campanhas. Parlamentares vindos de toda a Europa denunciaram os aumentos dos orçamentos militares decididos por seus governos.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Baixem as armas e aumentem nossos salários</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro também deu voz a vários dirigentes sindicais, entre eles Ian Hodson (BFAWU – sindicato dos trabalhadores da alimentação), Jo Grady (UCU – sindicato das universidades) e Fran Heathcote (PCS – sindicato dos funcionários públicos). Todos mencionaram os efeitos dos salários estagnados e da queda do padrão de vida sobre seus filiados, bem como a necessidade de se opor a novas deteriorações destinadas a financiar as guerras das classes dominantes. Jo Grady, que havia apresentado com sucesso a moção “Salários, não armas” durante o congresso do TUC (central sindical britânica), destacou a necessidade de os sindicatos intensificarem suas campanhas contra o aumento dos gastos militares. O ponto alto desta sessão foi o discurso contundente de Mustafa Barghouti, médico palestino e dirigente da Iniciativa Nacional Palestina, recebido com uma calorosa ovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda sessão foi dedicada à escalada das tensões de guerra na Europa. Entre os palestrantes estava Jérôme Legavre, deputado da França Insubmissa, que desempenhou um papel decisivo na organização da conferência pela paz de Paris e denunciou o aumento dos gastos militares decidido por Emmanuel Macron. Os delegados franceses, acompanhados por outros participantes, entoaram “Macron, renuncie”.&nbsp; A conferência continuou pelas ruas ao redor do Central Hall, em uma atmosfera que misturava entusiasmo e determinação.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-b40a19404aab4362014b133e99ef1dd2" style="font-size:21px"><strong>Chamada para uma campanha de apoio a desertores na Europa</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="946" height="395" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3.jpg" alt="" class="wp-image-22285" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3.jpg 946w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-300x125.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-150x63.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-768x321.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-696x291.jpg 696w" sizes="(max-width: 946px) 100vw, 946px" /><figcaption class="wp-element-caption">Igor Romanchuk (ucraniano) e Andreï Demidov (russo)  / Matthew M.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As autoridades da União Europeia discutem atualmente medidas severas destinadas a restringir a entrada de cidadãos russos que participaram dos combates, incluindo aqueles que se recusaram a continuar a guerra. Essas medidas já estão se tornando realidade: vários Estados europeus recusam sistematicamente asilo a desertores russos, acusando-os de “cumplicidade” e privando-os de qualquer possibilidade de refúgio seguro. E isso ocorre mesmo quando muitos cidadãos russos foram forçados a servir no exército — uma pressão que não para de se intensificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, a deserção e o abandono não autorizado de posto dentro do exército russo aumentam em resposta a uma guerra sem fim e aos crimes do regime. Segundo estimativas de jornalistas independentes e da comunidade OSINT, entre 100.000 e 120.000 casos de recusa em participar da violência e dos massacres foram registrados desde o início da invasão em grande escala. Apenas 15% a 20% desses casos resultaram em processos judiciais. A maioria dos desertores permanece na Rússia em medo constante: em caso de prisão, eles correm o risco de tortura, encarceramento, envio para “batalhões de assalto” ou morte na linha de frente. Apenas uma ínfima minoria consegue chegar a um país seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A deserção é um instrumento poderoso contra a guerra: ela enfraquece a máquina militar do regime e salva vidas. Apoiar aqueles e aquelas que escolhem a vida e a paz pode acelerar o fim do conflito e se tornar um forte sinal em favor de mudanças internas na Rússia. Conceder o direito de asilo é uma questão de soberania dos Estados nacionais. No entanto, a Europa lhes fecha quase todas as portas. Mesmo na França, onde a CNDA reconheceu que a deserção pode constituir motivo para asilo, apenas algumas pessoas obtiveram proteção. Na Alemanha, no início de 2026, as autoridades começaram a multiplicar as recusas de asilo dirigidas a desertores russos. Paralelamente, vários países da UE consideram uma proibição total de entrada para todos os cidadãos russos que participaram da guerra, privando assim indivíduos do direito à vida e à proteção humanitária. Da mesma forma, por razões humanitárias, reconhecemos o direito dos desertores ucranianos à proteção na UE. O direito à vida e à liberdade prevalece sobre os direitos do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exigimos medidas imediatas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Reconhecer a recusa em participar da guerra (deserção e abandono não autorizado de posto) como motivo legítimo para obter o direito de asilo em cada um dos países e proteção da União Europeia. Trata-se de um ato de consciência e de uma recusa em participar de crimes.<br>● Emitir documentos de viagem humanitários (salvo-condutos) para pessoas sem passaporte internacional, para que possam viajar com segurança para a UE e apresentar um pedido de proteção.<br>● Informar amplamente a população russa sobre as possibilidades de proteção, para que a deserção se torne uma escolha realmente acessível, e não um ato desesperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada recusa de proteção coloca uma vida em perigo. Cada porta aberta é uma oportunidade para a paz e para transformações internas. A Europa deve abrir suas portas àqueles que escolhem a vida e a humanidade — e não reforçar a guerra e a repressão.</p>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#f2f2f2"><img decoding="async" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.10-IO0905.jpeg" style="width:177px;height:auto"><br><strong>Apelo adotado pela Conferência</strong><br>Não à militarização e ao recrutamento obrigatório!<br>Recursos para o bem-estar, não para a guerra!<br>Desde esta conferência internacional contra a guerra, elevamos nossas vozes unidas: contra a guerra e o genocídio, contra a ameaça nuclear crescente, e pela paz. Nós nos reunimos para tocar o alarme: para parar o avanço rumo à guerra, assim como o nacionalismo e o racismo que ela gera. Juntos, dizemos NÃO ao rearmamento e ao alistamento obrigatório, e SIM a sistemas de saúde, educação e serviços públicos devidamente financiados, a empregos dignos e a salários mais altos.<br>Reconhecemos e condenamos a cumplicidade dos governos que facilitaram e continuam a permitir o genocídio na Palestina, que alimentaram o terrível banho de sangue e impediram um cessar-fogo na Ucrânia, que atacaram o Irã soberano, o Líbano e o Iêmen, e que continuam a conduzir guerras e intervenções militares em todo o mundo. Milhões de pessoas morreram ou ficaram feridas, as infraestruturas foram destruídas, vidas e esperanças foram arrasadas, a fim de salvar o sistema capitalista que gera a guerra e a barbárie.<br>Não aceitamos o regresso ao caos e à guerra, da qual grande parte pode ser atribuída ao imperialismo americano. Rejeitamos absolutamente a intervenção política e militar de Trump na Venezuela, suas ameaças de guerra contra Cuba, e afirmamos nossa solidariedade com os povos de todos os países ameaçados por Trump e seus aliados. Reconhecemos e condenamos também o papel dos governos europeus, em particular os de Starmer, Macron e Merz, na escalada do avanço rumo à guerra: nós rejeitamos sua preparação ativa para a guerra, que se desenvolve em todo o continente, o aumento constante dos gastos militares da Otan, e nos comprometemos a nos opor a isso e a fazê-los recuar.<br>Rejeitamos a degeneração de nossas sociedades provocada pelo saque das riquezas públicas, retiradas de nossos territórios e de nossos serviços públicos para serem colocadas nos bolsos dos fabricantes de armas. Não somos enganados pela falsa narrativa de que os gastos com armamentos permitiriam regenerar nossas indústrias e nossas economias. Apoiaremos e incentivaremos a mobilização sindical contra os gastos militares. Defendemos investimentos verdadeiros em nossas sociedades, a fim de garantir uma segurança real aos trabalhadores e a toda a população: para nossos sistemas de saúde, para salários e condições de trabalho dignos, para os transportes, a educação e a moradia. Não aceitaremos nem o alistamento militar nem a militarização da educação: não permitiremos que nossos filhos e nossas filhas sejam enviados para matar e morrer.<br>Enfrentamos obstáculos formidáveis e desafios sem precedentes. Hoje, reconhecemos que a única maneira de sermos eficazes diante das forças poderosas que se levantam contra nós é nos organizarmos internacionalmente e agirmos de maneira estratégica no interesse dos povos. A solidariedade é crucial, assim como é igualmente importante a coordenação internacional, com o movimento operário, para responder aos governos belicistas e ao aumento dos gastos militares. Trabalharemos juntos na elaboração de uma estrutura que permita avançar.<br>Construir esse movimento é essencial para garantir um futuro para nosso planeta e para a humanidade. Esse é nosso compromisso hoje: organizar um movimento forte pela paz, contra o projeto imperialista americano, e lutar pela vida e pelos meios de subsistência de todos os trabalhadores, por um outro mundo, melhor.<br>Convocamos a participar de:<br>– o dia 10 de outubro pela Palestina, para pôr fim a três anos de genocídio e a décadas de ocupação e apartheid;<br>– um fim de semana de ação contra a militarização e o recrutamento obrigatório, nos dias 21 e 22 de novembro;<br>– o dia de ação dos trabalhadores portuários contra a guerra, em outubro, cuja data ainda está por confirmar.<br>Também convocamos a promover o logotipo da conferência – de Paris e de Londres – para dar às nossas ações uma visibilidade e um conteúdo internacionais, e para apoiar as reuniões e iniciativas que se baseiam neste apelo.</p>
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		<title>Um olho na luta dos povos e outro na Copa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 17:56:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">No último 11 de junho, enquanto a Copa do Mundo de Futebol era aberta na Cidade do México, um precário acordo entre Estados Unidos e Irã era celebrado, para, nos dias seguintes, ser violado diretamente, com novos ataques a alvos iranianos e, indiretamente, pela ofensiva israelense contra o Líbano. Enquanto a bola rola, o genocídio na Faixa de Gaza prossegue e a Europa segue ampliando os orçamentos para alimentar a guerra entre Ucrânia e Rússia, uma necessidade econômica incontornável do imperialismo. No mesmo momento em que os meios se concentram na transmissão de jogos e eventos relativos à Copa, a intervenção aberta dos EUA na América Latina não cessa, como no caso do sufocamento assassino do povo cubano.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-12f2ab04945d10e39d13ccbcb95f9e2f" style="font-size:21px"><strong>Trump e Infantino, muy amigos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O evento, uma gigantesca operação de marketing que tem pouco a ver propriamente com campo e bola, uma orgia das grandes multinacionais de diversos ramos, em especial das bets, foi inaugurado ao cabo de um ano e meio de uma duríssima guerra desencadeada por Donald Trump contra os migrantes em território norte-americano. Meses antes da abertura do torneio, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, havia agraciado Trump com o “prêmio da paz da FIFA”. A bizarra homenagem pretendia aliviar o peso de realizar a Copa nos EUA, em pleno momento de maior agressividade de Trump contra os povos e contra a classe trabalhadora estadunidense.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-f9a9b2116a226bcb69fb2a27083695b7" style="font-size:21px"><strong>Agressões de Trump durante a Copa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A política de ataque à fração migrante do proletariado vem tendo sua versão antes e no curso do torneio. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan teve sua entrada negada no Aeroporto de Miami e foi cortado da Copa do Mundo, pela FIFA. Milhares de torcedores de países em conflito com o imperialismo tiveram seus vistos negados. A própria seleção do Irã, classificada para o torneio regularmente pelas regras da FIFA ficou ameaçada de ser cortada e não pode pernoitar nos lugares onde joga a fase inicial da Copa, tendo de se deslocar após seus jogos para o México, numa violação flagrante até mesmo da isonomia esportiva. Incrivelmente, até poucos dias antes do início do evento, a FIFA não ofereceu tradução para os jornalistas que cobrem o torneio em língua espanhola, o que fez apenas depois de intensa denúncia internacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-63541252da340d4528f9039edf2e73cd" style="font-size:21px"><strong>Protestos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, mesmo no quadro estritamente controlado imposto pelas polícias locais e pelo ICE, torcidas como a da Argélia, Bósnia, Escócia e Coreia do Sul têm ido aos jogos com bandeiras da Palestina e cantando “Palestina livre” em inglês. As meninas mortas pelos bombardeios numa escola de Minab, no Irã, também foram lembradas e se sucedem protestos no México que têm entrelaçado reivindicações populares e demonstrações contra o regime israelense pelo genocídio palestino. Mesmo nas delegações, diante de abordagens humilhantes na recepção de algumas equipes (revista ostensiva ainda no campo de pouso, com agentes armados e cães), há manifestações de resistência. O técnico do Irã já disse que não vai abrir mão de chegar ao local do jogo da terceira rodada com uma mínima antecipação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como em todas as Copas, a classe trabalhadora aproveita a atenção internacional para levantar suas bandeiras que, neste caso, unem as lutas dos povos com a batalha da classe contra o ICE e Trump no interior dos EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não menos emblemática foi a realização neste último 20 de junho, nos dias da Copa, em Londres do comício de mais de 3 mil representantes de toda a Europa contra a guerra (ver págs. 6 e 7), um contraponto ao espetáculo de subserviência dos governos e federações nacionais, bem como da FIFA, a Trump nesta pantomina que encobre o espetáculo genuíno do futebol que Messi, Mbappé, Mané e uma imensidão de imigrados que povoam as seleções nos proporcionam.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Eudes Baima</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>“A Constituição de 88 já nasceu sob o veto da classe dominante”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 14:04:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Partido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publicamos abaixo a íntegra da entrevista de Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, Pepê, da direção nacional do Luta Pelo Socialismo, PT-MG. Ela feita por Markus Sokol, para a edição 964, 11 de junho, do jornal O Trabalho. O Trabalho – Os trabalhadores a juventude rejeitam a política bárbara de Trump que respalda a extrema-direita, mas não [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Publicamos abaixo a íntegra da entrevista de Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, Pepê, da direção nacional do Luta Pelo Socialismo, PT-MG. Ela feita por Markus Sokol, para a edição 964, 11 de junho, do jornal O Trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f999ca9c3563ea40404298aab2429e1" style="font-size:21px"><strong>O Trabalho</strong> – <em>Os trabalhadores a juventude rejeitam a política bárbara de Trump que respalda a extrema-direita, mas não é imbatível, a começar nos próprios Estados Unidos. É da solidariedade internacional, e não de outro lugar, que deve emergir a força capaz de reverter a situação. O que vc acha desta situação?</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pepê&nbsp;</strong>&#8211; Concordamos plenamente com a assertiva. Até mesmo porque a extrema-direita não é um fenômeno de política nacional, mas um polo organizado internacionalmente. Trump e Netanyahu funcionam como o centro gravitacional desse sistema — o primeiro fornecendo o peso econômico e militar do imperialismo norte-americano, o segundo operando como sua ponta de lança no Oriente Médio — enquanto uma constelação de figuras menores orbita ao seu redor: Milei, Orbán, Meloni, os herdeiros do bolsonarismo, a AfD alemã. Trata-se, em termos leninistas, de uma articulação própria da fase imperialista: como Lenin demonstrou em “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, o capital financeiro não conhece fronteiras e organiza suas alianças políticas em escala mundial. Seria ingenuidade analisar cada um desses governos isoladamente, como patologias nacionais, quando constituem uma frente coordenada de guerra social contra os trabalhadores, os povos do Sul global e a própria juventude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas esse polo não é imbatível. Os sinais estão à vista: governos progressistas continuam sendo eleitos, inclusive no quintal imediato do imperialismo; a juventude estadunidense se mobiliza massivamente contra o genocídio palestino, abrindo fissuras no coração do próprio império; e o eixo Washington-Tel Aviv descobriu que encontra resistência militar efetiva no Irã e no Libano, não dispondo mais do monopólio incontestado da força que imaginava possuir.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui chegamos ao ponto decisivo. Se a extrema-direita se organiza internacionalmente, a resposta não pode ser nacional. Quando Marx e Engels encerraram o Manifesto com a palavra de ordem &#8220;Proletários de todos os países, uni-vos!”, temos uma tese científica: o capital é uma relação social mundial, e portanto sua superação só pode ser mundial. Uni-vos todos — não uma parcela, não os trabalhadores do Norte contra os do Sul, não os de um país contra os do vizinho. A história do movimento operário demonstra que cada vez que o internacionalismo foi abandonado em nome de acomodações nacionais, a classe trabalhadora pagou com derrotas catastróficas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nós, do Sul global, essa exigência tem um conteúdo adicional, que a teoria da dependência formulou com precisão: a espoliação imperialista não é acidente, a transferência de valor da periferia ao centro é a condição mesma de reprodução do capitalismo mundial. Disso decorre que a unidade dos povos do Terceiro Mundo não é opção sentimental, mas necessidade: nenhum país dependente rompe sozinho o cerco do imperialismo. A solidariedade internacional de que fala a pergunta — dos sindicatos norte-americanos em greve à resistência palestina, dos governos progressistas latino-americanos aos movimentos de massa africanos — é a única força material capaz de reverter a situação. Não virá de outro lugar: não virá dos organismos multilaterais capturados, não virá da diplomacia das classes dominantes, não virá da espera. Virá, como sempre veio, da organização independente dos trabalhadores e dos povos oprimidos em escala internacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-667630622c57fee672431ee5fd15b017" style="font-size:21px"><strong>OT </strong>– <em>O PT nasceu socialista. Mas parece que, como a CUT, deixou certas bandeiras pelo caminho. Por exemplo, a luta pelo fim da escala 6X1 que agora avança, veio do VAT, de fora das centrais e do PT. Como você vê isso?</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pepê&nbsp;</strong>&#8211; Quando a bandeira mais elementar da classe trabalhadora &#8211; a melhora nas condições trabalhistas -, precisa ser levantada por fora das estruturas construídas justamente para isso, algo se cristalizou nessas estruturas. O nome desse algo é conhecido: são os limites do reformismo. Embora as reformas tenham, sim, importância, o reformismo e a famigerada governabilidade opera por uma lógica de conciliação permanente: cede-se hoje para preservar a aliança, modera-se amanhã para acalmar o mercado, negocia-se depois para garantir a base parlamentar. O problema é que essa lógica tem um custo cumulativo, e a história recente o demonstrou com brutalidade pedagógica: a negativa do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF mostrou que os acordos com o centrão e a direita fisiológica não compram lealdade. Compram apenas tempo, e tempo emprestado a juros extorsivos. No fim, a &#8220;governabilidade&#8221; construída pela conciliação revelou-se uma armadilha, uma vez que as concessões foram embolsadas, e na hora decisiva o aliado de ocasião votou contra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais que isso, como sabemos, esse reformismo não atacará o ponto central, porque o ponto central é precisamente o que a conciliação proíbe tocar. Pautas que atendam de fato os interesses dos trabalhadores brasileiros — fim da 6&#215;1, taxação séria das grandes fortunas, reversão das contrarreformas trabalhista e previdenciária, soberania sobre recursos estratégicos — colidem frontalmente com os interesses do capital financeiro e do agronegócio que sustentam a &#8220;governabilidade&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nós, o momento é de pressão. Campanha eleitoral é um momento fundamental para exigir que os representantes eleitos assumam compromissos com as pautas trabalhistas. E precisamos ter algo muito claro: nós, da esquerda, não temos banco. Não temos os fundos do mercado financeiro, os recursos do agronegócio, o aparato midiático das classes dominantes. Nossa única fonte de força na política eleitoral, na política sindical, nos movimentos sociais é a organização e a mobilização da própria classe. Fenômenos como a VAT como pressão externa, combinada com a pressão da própria base da militância petista por dentro, que pode empurrar o PT para a esquerda, até para reencontrar as bandeiras com que nasceu.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-16549d844309bee516573b73f0d84f08" style="font-size:21px"><strong>OT</strong> – <em>Você assinou a Declaração que propõe um Reforma Política Radical no caminho de uma Constituinte Soberana para fazer as reformas estruturais. Como vc explicaria essa questão para um trabalhador mais consciente?</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pepê&nbsp;</strong>&#8211; Um trabalhador mais consciente já sabe, pela experiência, que algo está travado: ele vota, elege, e as pautas que importam à sua vida nunca chegam a ser decididas. A Declaração nomeia o porquê com todas as letras: o Congresso Nacional bloqueia as pautas populares e chantageia o governo; o orçamento público foi sequestrado pelas emendas parlamentares; expedientes antidemocráticos que oligarquizam a representação e replicam sua lógica clientelista nas Assembleias e Câmaras. E por trás dessa engrenagem está o que o documento chama de nó górdio do sistema: o agronegócio, a mineração exportadora e o capital financeiro da Faria Lima, amparados nos privilégios do Judiciário e sob a sombra da tutela militar do Artigo 142. O resultado é a desigualdade abissal que os números da Declaração escancaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É daí que vem a Reforma Política radical. As reformas populares não podem continuar sendo adiadas, e a Declaração as enumera: reversão das privatizações da Eletrobrás e do sistema Petrobras — BR Distribuidora, refinarias, fertilizantes —, porque não há soberania nacional sem controle dos recursos estratégicos, num momento em que o imperialismo pressiona abertamente o continente; revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária; reformas no Judiciário e no Exército; Imposto sobre Grandes Fortunas, sobre patrimônio e renda, como fizeram outros países; salário mínimo no nível do Dieese em quatro anos; e libertar a economia do arcabouço fiscal, derrubando os juros que devoram R$ 1 trilhão por ano do orçamento público.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso a Constituinte Soberana. Trata-se de uma ruptura pela via democrática e não de repetir o Congresso Constituinte de 88, aquele arranjo em que parlamentares comuns, eleitos sob as regras velhas e acumulando funções, produziram uma Constituição já nascida sob veto das classes dominantes.&nbsp;Soberana quer dizer duas coisas: soberana frente ao imperialismo e ao capital financeiro, livre para decidir sobre os recursos e o destino do país; e soberana frente às instituições apodrecidas, convocada com poderes reais para fazer as transformações sociais e econômicas profundas que o Brasil precisa. A burguesia brasileira nunca fez e nunca fará a reforma agrária, a soberania energética, a taxação das grandes fortunas. Quem pode fazê-las é o povo trabalhador organizado — e a Constituinte Soberana é o instrumento. É essa discussão que precisa ser aprofundada com os trabalhadores de nossa base e de todo o país.</p>
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		<title>Rebelião popular na Bolívia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 13:19:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por <strong>EVERALDO DE OLIVEIRA ANDRADE</strong> (<em>professor do Departamento de História da USP. Autor, entre outros livros, de</em> Bolívia: democracia e revolução. A Comuna de La Paz de 1971 [<em>Alameda</em>])</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz. Mais do que uma explosão conjuntural de descontentamento econômico, a crise atual revela contradições acumuladas ao longo de duas décadas e recoloca em movimento uma das mais profundas tradições de luta popular do continente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eleição de Rodrigo Paz ocorreu em meio ao desgaste político do bloco construído em torno de Evo Morales e do Movimiento al Socialismo desde 2006. Durante quase vinte anos, o MAS foi capaz de derrotar eleitoralmente as agendas neoliberais tradicionais, ampliar direitos sociais, fortalecer a presença estatal sobre recursos naturais estratégicos e criar empresas públicas fundamentais para a economia do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, porém, o projeto político do MAS buscou permanentemente uma estratégia de conciliação com setores empresariais e do agronegócio boliviano. A nova Constituição de 2009, apesar de incorporar importantes demandas indígenas e populares, já expressava os limites desse pacto. As políticas neodesenvolvimentistas implementadas nos anos seguintes permitiram crescimento econômico e certa estabilidade social, mas mantiveram forte dependência da exportação de commodities, especialmente do gás natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise internacional de 2008 atingiu duramente essa base econômica. O projeto de diversificação produtiva não chegou a produzir efeitos estruturais duradouros, e os limites do modelo tornaram-se cada vez mais evidentes. Paralelamente, medidas de ajuste implementadas ainda sob os governos do MAS, sobretudo durante a gestão econômica de Luís Arce, aprofundaram o desgaste junto a setores populares urbanos e camponeses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse cenário de fragmentação política e insatisfação social que Rodrigo Paz construiu sua vitória eleitoral, apresentando-se como alternativa de renovação política. Mas o novo governo rapidamente abandonou qualquer ambiguidade. Seu alinhamento com o programa liberal continental e com a extrema direita latino-americana tornou-se imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O decreto 5503 inaugurou um conjunto de medidas de choque contra a economia popular. Em seguida, o governo aderiu ao projeto “Escudo das Américas”, impulsionado pelos Estados Unidos, aprofundou cortes nos subsídios aos combustíveis e promoveu a chamada Lei 1720, que facilitava a concentração fundiária e ameaçava diretamente as terras comunitárias indígenas e camponesas ao permitir sua financeirização. A forte reação popular obrigou o governo a recuar parcialmente e revogar a legislação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, a deterioração das condições de vida continuou avançando. Inflação, desemprego, queda do poder de compra e aumento do custo dos combustíveis produziram um cenário explosivo. O estopim veio em 1º de maio, quando o governo se recusou a conceder reajuste salarial. A partir daí, multiplicaram-se as mobilizações em todo o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhadores urbanos, camponeses, organizações indígenas, transportistas e sindicatos passaram a organizar marchas, paralisações e bloqueios de estradas. A Central Obrera Boliviana apresentou uma pauta unificada de 22 pontos em defesa dos salários, contra privatizações e medidas liberais, incorporando também a exigência de renúncia do presidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão continental da crise boliviana é evidente. Rodrigo Paz converteu-se rapidamente em aliado estratégico do projeto hemisférico impulsionado por Donald Trump e pela extrema direita latino-americana. A integração da Bolívia ao “Escudo das Américas” não possui apenas dimensão militar ou diplomática: trata-se da tentativa de enquadrar recursos estratégicos do país – gás, lítio, terras raras e territórios agrícolas – aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e das grandes corporações multinacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As elites bolivianas historicamente mantiveram profunda dependência econômica e política em relação ao capital internacional. Os grandes proprietários do agronegócio em Santa Cruz e grupos financeiros urbanos acreditavam que a vitória eleitoral de Paz permitiria desmontar rapidamente as conquistas sociais e os mecanismos de organização popular construídos desde as jornadas insurrecionais da Guerra da Água e da Guerra do Gás, no início dos anos 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a atual rebelião demonstra justamente o contrário. A tradição de luta popular boliviana permanece viva. Os bloqueios e assembleias populares reaparecem como instrumentos centrais de resistência e auto-organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os chamados comitês de bloqueio surgidos em regiões como El Alto, Senkata, Ventilla e Puente Vela possuem enorme significado político. Esses espaços articulam trabalhadores urbanos, camponeses, povos indígenas e setores populares em formas de deliberação coletiva e coordenação territorial profundamente enraizadas na história boliviana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata apenas de instrumentos táticos de mobilização. Sua emergência revela a permanência de tradições de democracia direta e organização comunitária que remontam à Revolução de 1952, à Comuna de La Paz de 1971 e às grandes jornadas populares do início do século XXI.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses organismos expressam uma crítica prática à burocratização de parte da Central Obrera Boliviana e de importantes sindicatos históricos. A pressão das bases e o desenvolvimento de formas autônomas de organização impulsionam uma possível recomposição do caráter combativo do movimento operário boliviano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria pauta de 22 pontos da COB demonstra esse movimento ao conectar reivindicações econômicas imediatas – salários, subsídios, defesa dos serviços públicos – com uma luta política aberta contra o governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência boliviana recoloca no centro da discussão latino-americana uma questão decisiva: os limites das estratégias exclusivamente institucionais diante do avanço da extrema direita. As eleições seguem sendo terreno importante de disputa, mas encontram-se cada vez mais condicionadas pelo poder econômico, pelo controle das plataformas digitais e pela intervenção geopolítica das grandes potências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vitória de Rodrigo Paz capturou momentaneamente a crise do bloco popular organizado em torno do MAS, mas não eliminou as transformações sociais e políticas produzidas desde 2006. O próprio MAS carrega limites profundos em seu modelo econômico e em suas práticas políticas, porém consolidou-se historicamente como principal instrumento de oposição às agendas neoliberais da direita boliviana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande erro do novo governo foi imaginar que sua vitória eleitoral representava autorização irrestrita para aplicar um programa ultraliberal de choque. A resposta popular recoloca em cena a memória das jornadas de 2003, que derrubaram Gonzalo Sánchez de Lozada após as guerras da água e do gás e abriram caminho para a ascensão de Evo Morales.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Brasil e para toda a América Latina, a rebelião boliviana traz uma lição política central: a resistência às agendas ultraliberais e autoritárias depende da capacidade de organização da classe trabalhadora, da unidade entre sindicatos, movimentos populares e coletivos territoriais, e da construção de formas concretas de poder social enraizadas nas necessidades das maiorias exploradas e oprimidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://aterraeredonda.com.br/rebeliao-popular-na-bolivia/" type="link" id="https://aterraeredonda.com.br/rebeliao-popular-na-bolivia/">Artigo originalmente publicado na revista eletrônica A Terra é Redonda</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Vladimir se foi, mas nossa viagem continua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:39:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Inexorável, a morte é sempre brutal quando retira de nosso convívio pessoas que deveriam continuar entre nós.<br>Na segunda-feira dia 11 de maio, em uma atividade do Cemap (Centro de documentação do movimento operário Mário Pedrosa), Vladimir Sacchetta indicado para seu conselho consultivo estava presente na sala da Praça da República 468, sala Fulvio Abramo (um militante do trotskismo no Brasil, contemporâneo de Hermínio Sacchetta, pai de Vladimir). Cachecol vermelho e com uma aparência debilitada, sentado no plenário, uma fileira à minha frente, saiu durante o decorrer da atividade, antes de seu fim. E se foi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 15 de maio, consternados, recebemos a notícia de seu falecimento, aos 75 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Filho da história do trotskismo no Brasil, com a atenção voltada para os problemas sociais, Vladimir dedicava-se à documentação e jornalismo, sempre imbrincado ao combate de seu pai. A família Sacchetta é parte estruturante da história do trotskismo no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1986, foi esta identidade com o trotskismo que nos levou a nos encontramos na coordenação da campanha de Florestan Fernandes a deputado federal pelo PT. Ali conheci de perto o Vladimir. A campanha de Florestan que coordenamos era um espaço de discussão e iniciativas políticas entusiásticas. Eleito, Florestan Fernandes, sua companheira, dona Miriam, seu filho Florestan Junior, mantiveram uma relação com o comitê que integrávamos que que ajudou na vitória. Desta época, aos dias de hoje, minha estima pelo jovem Vladimir (eu também jovem à época) manteve-se intacta. Lembro quando nos encontrávamos em hotéis de São Paulo enquanto aguardávamos a apuração das eleições presidenciais, evidentemente torcendo pela vitória de Lula, mas ao mesmo tempo preocupados com nossa responsabilidade com as demandas populares. Não havia oba, oba, havia a preocupação com as tarefas do PT com o povo brasileiro. Nós estávamos preocupados com isso. Vladimir, que sempre honrou as sua origem, herdada do pai, também. Foi um baita companheiro de viagem. Sacchetta você se foi, mas nossa viagem comum continua. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Misa Boito</strong></p>
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