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	<title>O Trabalho</title>
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		<title>“O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições!”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 13:22:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fixo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Começou a circular uma Declaração à Militância do PT, encabeçada por personalidades e dirigentes (abaixo). Subscrevem militantes independentes, do DAP e de agrupamentos como o Quilombo Socialista, Luta Pelo Socialismo e o Chão. A Declaração está aberta à adesões. “Companheiras e companheiros, O PT realizou seu 8° Congresso numa situação mundial caótica. Queremos ser claros [&#8230;]</p>
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<p>Começou a circular uma Declaração à Militância do PT, encabeçada por personalidades e dirigentes (abaixo). Subscrevem militantes independentes, do DAP e de agrupamentos como o Quilombo Socialista, Luta Pelo Socialismo e o Chão. A Declaração está aberta à adesões.</p>



<p>“Companheiras e companheiros,</p>



<p>O PT realizou seu 8° Congresso numa situação mundial caótica. Queremos ser claros e diretos sem palavrório cansativo.</p>



<p>Os povos do mundo já sofrem as consequências da escalada de guerras dos EUA e de Israel, agora contra o Irã e o Líbano, além da guerra na Ucrânia e no Sudão. O fardo, seja em termos de alta de preços, seja de milhões deslocados, feridos e mortos, é lançado nas costas dos trabalhadores, enquanto um punhado de bilionários acumula fortunas, inclusive no Brasil. É preciso dizê-lo sem meios termos.&nbsp;</p>



<p>Trump quer mostrar que pode tudo. Mas é o imperialismo em crise que tenta manter militarmente sua hegemonia. Internamente Trump está confrontado. Milhões saem às ruas no “No Kings”, contra a guerra, contra os cortes, e protestam contra a caçada desumana de imigrantes.</p>



<p>O Brasil não está à parte do tumulto, não é viável um “equilíbrio”. Trump quer acabar com a soberania nacional no continente, por isso sequestrou o presidente Maduro, bloqueia Cuba, e pressiona o Brasil, o México e a Colômbia, a se alinharem à sua pauta, de entrega de riquezas naturais e de competição com a China.</p>



<p>O governo Trump exortou os generais do continente a não dar bola aos advogados (as leis) para combater a migração em massa e o narcoterrorismo.</p>



<p>É preciso encarar as ameaças defendendo a soberania nacional com uma pauta popular mobilizadora, sem temer as oligarquias. Apoio do povo não faltará.</p>



<p>Pelo mundo, Trump respalda a extrema-direita. Mas ela não é imbatível, a começar nos próprios Estados Unidos. O PT tem lado, é o da solidariedade internacional com os trabalhadores e os povos, que é de onde pode emergir a força capaz de resistir e reverter a marcha à barbárie que este sistema arrasta a humanidade. Não há outro caminho.</p>



<p>Companheiras e companheiros,&nbsp;</p>



<p>Esse cenário é desafiador para a reeleição de Lula.</p>



<p>Trump chantageou o país com alucinadas tarifas de importação, e agora ameaça enquadrar o PCC e CV como narcoterroristas para uma eventual intervenção, pregada pelos bolsonaristas.</p>



<p>A extrema-direita pretende atrair os votos explorando a frustração que existe em setores populares.</p>



<p>Os governos do PT, sem dúvida, foram os melhores. Mas a desigualdade social segue abissal: o 1% mais rico tem 37% da renda nacional; os 10% mais ricos têm 59% da renda; e os 50% mais pobres só tem 9%!!!</p>



<p>Isso porque não foi cortado o nó górdio do sistema que se assenta no agronegócio, na mineração e no capital financeiro da Faria Lima. São eles que comandam o show no Congresso Nacional, amparados nos privilégios do judiciário, sob a sombra da tutela militar (Art.142).</p>



<p>Nos últimos anos, foram retomados os programas sociais mutilados e criaram-se novos (Pé-de-meia). A elevação do piso do Imposto de Renda foi positiva, mas tímida – por que não retomar taxação de 40% sobre os mais ricos, extinta pela Ditadura Militar?&nbsp;</p>



<p>Houve crescimento econômico e queda do desemprego, mas grande parcela da população não sente melhora substancial. O salário não alcança os preços nos supermercados e nos alugueis, vitais para as camadas populares. Os jovens só conseguem empregos com baixos salários e desregulamentados. Daí o seu movimento pelo Fim da Escala 6&#215;1, com redução de jornada e sem redução de salário.</p>



<p>Lula é que deve ser o candidato antissistema. O PT veio à luz socialista. Mas não pode ser socialista em dias de festa, e celebrar as PPPs e OSs no resto do ano.</p>



<p>Estamos preocupados. O PT que nasceu contra esse sistema e não pode ir “para a vala comum da política deste país”, como disse o presidente Lula no aniversário do PT.</p>



<p>O sistema está podre, as instituições estão em crise. O Congresso bloqueia as pautas populares. O Orçamento foi sequestrado pelas emendas parlamentares, no seu conjunto, não só as “impositivas”.&nbsp;</p>



<p>Essas emendas absurdas de R$ 50 bilhões, com o enorme Fundo Eleitoral de R$ 5 bilhões, são expedientes antidemocráticos que oligarquizam os partidos, inclusive o nosso.</p>



<p>O PT deve, sem hesitar, abraçar a plataforma antissistema e, nesse caminho, desobstruir seus canais. O PT deve apresentar uma alternativa à bagunça dos conflitos permanentes de poderes institucionais, e não ser parte dela.&nbsp;</p>



<p>O PT deve apresentar a pauta popular para constituir alianças em defesa da Soberania Nacional, ela inclui a reversão de privatizações da Eletrobrás e do sistema Petrobrás, as reformas no judiciário, no exército, a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária; inclui libertar a economia do arcabouço fiscal derrubando os juros que comem R$ 1 trilhão por ano; o imposto sobre grandes fortunas (patrimônio e renda), e o aumento do salário mínimo ao nível do Dieese em quatro anos.</p>



<p>Nós vamos fazer a maior campanha eleitoral para Lula e os candidatos do PT. Mas com essas regras eleitorais é muito difícil mudar a relação de forças no Congresso. E não vai ser colando figurinhas do Centrão, que fecharemos o álbum do bloco das mudanças.</p>



<p>O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições que deve ser um tema eleitoral. É como o PT pode se qualificar como o genuíno partido antissistema, propondo a luta por uma Reforma Política que institua, pelo menos, o financiamento público exclusivo de campanha, o voto em lista partidária pré-ordenada e a representação proporcional (uma pessoa = um voto). Essa plataforma será desenvolvida com os aliados que encontraremos nos movimentos populares, em associações, outras forças políticas, sociais e na opinião pública.</p>



<p>Sim, é uma ruptura pela via democrática. Queremos contribuir para um movimento por uma Constituinte Soberana, que faça as transformações sociais e econômicas profundas que o Brasil precisa. Não se trata de repetir o Congresso Constituinte de 88.</p>



<p>Desde já, lançamos a ideia deste movimento em reuniões e intercâmbios, em vista de um grande debate nacional pela Assembleia Constituinte Soberana no mês de agosto.&nbsp;</p>



<p>É hora de reunir as forças para a dura batalha pela frente.&nbsp;</p>



<p>Nessa batalha nos encontraremos com toda a militância do PT.&nbsp;</p>



<p>São Paulo, 24 de abril de 2026</p>



<p class="has-background" style="background-color:#eeeeeeed"><strong>Primeiros signatários</strong><br>José Genoíno, ex-presidente do PT; Rui Falcão, ex-presidente e deputado federal do PT; Luiz Eduardo Greenhalgh, fundador do PT; Markus Sokol, fundador do PT; Misa Boito, fundadora do PT; Betão, deputado estadual PT MG; Lino Peres, Setorial de Combate ao Racismo PT-SC; Bruno Zillioto, vereador do PT em Florianópolis-SC; Marcos Antônio Pereira -Steve Biko, DM-PT Conde-PB; Sumara Ribeiro, Executiva estadual PT MG; Claudinho Silva, ex-Ouvidor da Polícia do Estado de SP; Priscilla Chandretti, membro do DN-PT; Milton Alves, PT PR; Paulo Riela, PT BA; José Américo Dias, ex-deputado estadual PT SP; Júlio Turra, Setorial Sindical nacional PT; Leda Gonçalves, PT DF; Marcelo Carlini, PT RS; Rosane Cordeiro, Sindados MG; Robson Gomes Silva, Presidente do Sintect MG; Pedro Paulo Pinheiro, PT MG; Hélio Barreto, PT-DF; Adelino Oliveira, PT Piracicaba SP; Auxiliadora Souza, PT Salvador BA; Dagna Costa, PT Juiz de Fora-MG; Luís Eduardo, PT Porto Alegre-RS; José Luis Sobrinho, Presidente do PT Ipojuca-PE; Ancelmo Rodrigues, Presidente do PT Conde-PB.</p>
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		<title>Terrabras e o futuro da soberania nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 21:28:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um projeto (PL-1754) para a criação da Terrabras, empresa estatal responsável pela prospecção e extração dos chamados minerais críticos, foi articulado pela bancada de deputados do PT. Até o presente, contudo, o governo Lula não encampou nem tampouco apoiou o projeto: o ministro das Minas e Energias, Alexandre Silveira (PSD-MG), ligado e financiado pelo grande [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um projeto (PL-1754) para a criação da Terrabras, empresa estatal responsável pela prospecção e extração dos chamados minerais críticos, foi articulado pela bancada de deputados do PT. Até o presente, contudo, o governo Lula não encampou nem tampouco apoiou o projeto: o ministro das Minas e Energias, Alexandre Silveira (PSD-MG), ligado e financiado pelo grande empresariado da mineração, exigiu do governo a rejeição prévia de qualquer estatal no setor.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-7b9b9f86ca3e24cf191210d34d9f16e3" style="font-size:21px"><strong>O que são as “terras raras”</strong></h2>



<p>Os chamados “minerais de terras raras” representam um conjunto de metais que têm tomado importância crescentemente à atual indústria da fronteira tecnológica, ocupando também um papel estratégico central aos complexos militares-industriais das potências capitalistas e, portanto, da política imperialista. Alguns de tais minerais são menos abundantes, outros mais – todos eles, contudo, são encontrados de forma muito dispersa na crosta terrestre e, por isso, são de difícil extração e processamento pela indústria de mineração, sendo assim chamados de “raros”.</p>



<p>Esses elementos minerais são indispensáveis à fabricação de smartphones, baterias de carros elétricos, ou turbinas eólicas – mercadorias cada vez mais centrais às cadeias de produção e consumo globais, bem como à chamada “economia da transição climática”. Tais minerais são também matéria-prima indispensável aos equipamentos (hardware) de superprocessadores eletrônicos e outros componentes utilizados por empresas de Inteligência Artificial, de robótica, drones etc. Ademais, têm se tornado cada vez mais essenciais à indústria bélica, na produção de radares, sistemas de orientação e uma miríade de outras aplicações em tecnologias de defesa e segurança militar.</p>



<p>Como pode ser visto no gráfico k, a China, além de deter cerca de 50% das reservas mundiais de “terras raras”, controla também seus mercados. Ela sozinha é responsável por 60% de sua mineração global – quase seis vezes superior à dos EUA. Mais importante ainda, a indústria chinesa domina quase 90% do processamento de tais metais e é igualmente responsável pelo grosso da fabricação de vários de seus derivados. Sua indústria de transformação produz, por exemplo, mais de 90% de ímãs permanentes (usados em turbinas, celulares, etc).</p>



<p>E é a competição pelo controle de tais mercados, assim como de toda a cadeia de produção, que tem levado os EUA – seus governos e suas grandes corporações tecnológicas (as Big Techs) – a deslanchar uma disputa encarniçada não apenas contra a vasta proeminência da China, mas sobretudo pelo livre acesso das reservas globais &#8211; 23% das quais encontram-se em território brasileiro. Embora seja a segunda mundial no ranking, essas reservas do país são ainda pouquíssimo exploradas.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-79dc13190f62c1d5ea5333b2b84fb744" style="font-size:21px"><strong>Estatal, soberania e desenvolvimento</strong></h2>



<p>É em meio a essa verdadeira tentativa de assalto imperialista sobre as riquezas nacionais que tramita no Congresso o Marco Legal dos Minerais Críticos, o PL-2480. Sob a batuta do Centrão e, portanto, do lobby de mineradoras e multinacionais, tal projeto é centrado em enormes concessões ambientais, creditícias e de isenções tributárias ainda maiores do que as atuais. As mineradoras brasileiras estão dentre as que menos pagam impostos e royalties no mundo – apenas de 1% a 3,5% de Compensação Financeira pela Exploração Mineral. Além disso, suas isenções resultam em gasto fiscal de R$ 20 bilhões nos últimos anos.&nbsp;</p>



<p>O deputado Pedro Uczai (PT-SC), articulador do projeto da Terrabras, pediu o adiamento da entrega do parecer do PL. Ele diz tentar convencer o presidente Lula a reconsiderar o apoio do governo à criação da estatal. Pelo projeto da bancada petista, a estatal seria voltada à exploração de minerais críticos e teria exclusividade na operação, com regime de partilha (com empresas privadas) – algo similar à Lei do Pré-Sal de 2010. Isso asseguraria “participação direta do Estado, promovendo segurança nacional, conteúdo local, preservação ambiental e transparência, além de fomentar o desenvolvimento tecnológico e industrial. Ao potencializar e incentivar o beneficiamento dos recursos extraídos, o modelo inibe a prática de exportar matérias-primas minerais sem valor agregado”.&nbsp;</p>



<p>Há exemplos recentes viáveis de medidas similares, inclusive em países latino-americanos. Em 2022 o presidente mexicano, Lopes Obrador, implementou lei que criou a LitioMx, uma estatal que passou a ter o monopólio na extração e comercialização do lítio, metal fundamental usado em baterias e outros equipamentos cada vez em maior demanda internacional. No Chile, o então presidente Boric reformou as concessões concedidas às mineradoras estrangeiras (chinesas no caso), exigindo participação paritária e elevando a 12% o pagamento de royalties.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-24b2df09fa4bbce6943df06d888f6472" style="font-size:21px"><strong>Serra Verde, Caiado e Trump</strong></h2>



<p>Enquanto isso, em Goiás, a mineradora Serra Verde foi comprada pela “USA Rare Earth” (USRE), empresa norte-americana ligada ao secretário do Comércio do governo Trump, Howard Lutnick. A Serra Verde, proprietária da mina goiana de Pela Ema, é a única a operar em terras-raras no Brasil e a única a extrair elementos magnéticos críticos em larga escala fora da Ásia. A conclusão do negócio, entusiasticamente intermediada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), está prevista para o terceiro trimestre de 2026. A USRE tem sido pesadamente financiada com fundos públicos pela Casa Branca.</p>



<p>Desde que a China suspendeu a exportação de minerais críticos aos EUA, em retaliação à guerra tarifária de Trump, este tem investido agressivamente no setor. A capitalização estatal da USRE e seu avanço sobre as reservas brasileiras faz parte dessa estratégia. Um pouco antes de ser vendida, a Serra Verde havia obtido um financiamento de meio bilhão de dólares de uma agência pública (USIDFC), ligada ao Departamento de Estado dos EUA. Os recursos estão condicionados a “cláusulas de offtake”, que garantiam prioridade de fornecimento dos minérios extraídos a empresas norte-americanas. A “prioridade” converteu-se em “exclusividade” após a venda da Serra Verde, que se comprometeu contratualmente assim a fornecer por 15 anos 100% de sua produção a uma empresa privada de propósito específico, também capitalizada pelo governo dos EUA.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-2ecec0ca928e9d37fd89888954e6d8ce" style="font-size:21px"><strong>Inconstitucionalidade e campanha eleitoral</strong></h2>



<p>Um mês antes da venda, o governador Caiado havia assinado um memorando de entendimento para exploração do potencial minerário de Goiás com um encarregado de negócios dos EUA, garantindo a tal país acesso exclusivo e confidencial ao mapeamento geológico estadual. Tudo isso é claramente inconstitucional, já que a competência de regular a gestão de minerais estratégicos é exclusiva do Estado brasileiro e a propriedade do subsolo pertence à União, e não aos estados. Caiado usurpa assim funções da Presidência da República.</p>



<p>A despeito disso, o governo federal não tomou qualquer medida para questionar legalmente a venda da mineradora e muito menos o memorando de Caiado. O STF já recebeu Ação, apresentada pela Rede, questionando a legalidade da venda da Serra Verde. O partido alega que tal operação desloca o poder de decisão sobre a exploração de terras raras a um grupo estrangeiro à revelia do Artigo 176 da Constituição. A Ação solicita ainda que a União e a Agência Nacional de Mineração apresentem pareceres e análises sobre a venda, incluindo avaliação do interesse nacional, dos impactos tecnológicos e da soberania econômica.&nbsp;</p>



<p>O tema precisa estar no centro do debate eleitoral. E Lula necessita urgentemente romper com o cerco das mineradoras privadas e dos EUA no interior de seu próprio governo. Ele precisa rejeitar a venda da Serra Verde e defender abertamente a criação da estatal Terrabras. E deve colocar isso no centro de sua campanha à reeleição. Tais bandeiras são as da defesa da soberania nacional e, por isso, se bem impulsionadas serão capazes de mobilizar contra a direita “patriótica” dos Caiados e Bolsonaros da vida.</p>



<p><strong>Alberto Handfas</strong></p>



<p></p>
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		<title>Centrar fogo pelo fim da escala 6&#215;1!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 14:09:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A medida que aumenta a possibilidade de votação de lei ou emenda constitucional que põe fim a escala 6&#215;1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44h para 40h, empresários e seus porta-vozes têm reagido com uma campanha que busca colocar o medo do desemprego e da “quebradeira” generalizada nos trabalhadores. Essa onda de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A medida que aumenta a possibilidade de votação de lei ou emenda constitucional que põe fim a escala 6&#215;1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44h para 40h, empresários e seus porta-vozes têm reagido com uma campanha que busca colocar o medo do desemprego e da “quebradeira” generalizada nos trabalhadores. Essa onda de mentiras precisa ser enfrentada nos locais de trabalho para afastar quaisquer dúvidas sobre a justeza da reivindicação e a ausência de risco do caos anunciado fraudulentamente pelas associações empresariais. Os atos de 1º de Maio pelo Brasil devem impulsionar a luta na base das categorias.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-4a78fb3e7b330f90e85c4b3c148808f4" style="font-size:21px"><strong>Pauta de longa data </strong></h2>



<p>Diferentemente do que dizem os empresários, a redução da jornada não está sendo discutida de maneira açodada. Na Constituinte de 1986/88, por exemplo, esta reivindicação já estava na pauta dos trabalhadores e foi negada pela maioria dos deputados e senadores. Portanto, já são quase 40 anos de atraso.</p>



<p>Já em relação à “quebradeira” os argumentos oferecidos no estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) são irrefutáveis. O órgão analisou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, referentes a 2023 e dá, entre outras coisas, a dimensão do número de beneficiados e o impacto nos setores com mais de 500 mil trabalhadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-65392db3c072b9123b3db6af1bb6ae96" style="font-size:21px"><strong>Mais de 30 milhões beneficiados</strong></h2>



<p>O Ipea tabulou 44 milhões de trabalhadores celetistas em 2023. Excluindo-se os que não tinham informações sobre jornada, 74% (31,7 milhões) tinham jornada de exatamente 44 horas semanais contratuais, independente das horas extras, além de outros 3% (1,1 milhão) que tinham jornada registrada acima de 44 horas. Ou seja, a redução da jornada de trabalho para 40h beneficiará mais de 30 milhões de trabalhadores. É razoável projetar que os que tem escala 6&#215;1 estão entre estes grupos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-624a3a03377bf0fe3511e890a3dc58cc" style="font-size:21px"><strong>Exemplos de setores comprovam custos irrisórios</strong></h2>



<p>Entre outros indicadores, o estudo do Ipea explora o impacto nos ramos que empregam mais de 500 mil trabalhadores. Esses dados ajudam a desmascarar as ameaças vazias feitas pelos empresários.&nbsp;</p>



<p>O comércio varejista, por exemplo, em 2023 tinha 6,7 milhões de vínculos. O aumento de custo da hora trabalhada seria de 9,26%, contudo o percentual do total de despesas gastas com trabalho seria de 11,24%. A conclusão é que o aumento total de gastos seria de míseros 1,04%. O setor de fabricação de produtos alimentícios por sua vez, que empregou 1,7 milhão no mesmo ano, teria um aumento de custo de hora trabalhada estimado em 9,46% e um total de despesas com trabalho de 7,81% deixando o aumento total de gastos em 0,74%. Outros exemplos como esses podem ser acessados no QR code</p>



<p>Os números provam que o custo da redução da jornada de trabalho não é motivo para a “quebradeira” ou o desemprego anunciado pelos empresários. Na verdade, é o passado escravagista das elites econômicas que não aceitam nenhuma conquista dos trabalhadores, ainda mais durante o governo Lula há poucos meses das eleições. É a sacrossanta margem de lucro que não pode ser mexida.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-67cd5dd063a0acfd0bc89e3ce1c73a86" style="font-size:21px"><strong>Empresários preparam “jabutis”</strong></h2>



<p>No dia 14 de abril, Lula enviou para o Congresso em regime de urgência (tranca a pauta em 45 dias) o PL 1838/26 que acaba com a escala 6&#215;1 e reduz a jornada semanal para até 40h. A iniciativa de Lula é positiva e obrigou o presidente da Câmara, Hugo Motta (REP), a pautar o tema que conta com mais de 70% de apoio popular. Apesar da resistência, principalmente vinda dos empresários, em pautar os projetos em ano eleitoral a resposta de Motta foi acelerar as PECs.</p>



<p>Em 22 de abril, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou parecer pela admissibilidade das propostas de emenda à Constituição (PECs). Contudo, há riscos reais de&nbsp; transformação das PECs vindos do Centrão à extrema-direita com a introdução de “jabutis” que não só podem desfigurar os projetos com uma redução da jornada a perder de vista ou a criação de compensações fiscais ameaçando a Previdência Social e o financiamento dos serviços públicos como podem trazer retrocessos com uma “reforma trabalhista” anunciada pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-3debf53d73a1fb4d5e04657c455e0cc1" style="font-size:21px"><strong>Mobilizar</strong></h2>



<p>Esse conjunto de riscos traz ainda mais importância do impulsionamento do PL 1838/26 enviado por Lula na medida em que o governo poderia vetar “jabutis” enxertados pelas associações empresariais. A tática legislativa é importante, mas é a mobilização social que pode garantir a provação da redução da jornada e o fim da escala 6&#215;1.</p>



<p><strong>Marcelo Carlini</strong></p>



<p class="has-background" style="background-color:#eeeeee"><span class="wp-rich-text-font-awesome-icon wp-font-awesome-icon"><svg aria-hidden="true" focusable="false" data-prefix="fas" data-icon="circle-plus" class="svg-inline--fa fa-circle-plus " role="img" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" viewBox="0 0 512 512" style="font-size:1.8em" color="#a2a2a2"><path fill="currentColor" d="M256 512a256 256 0 1 0 0-512 256 256 0 1 0 0 512zM232 344l0-64-64 0c-13.3 0-24-10.7-24-24s10.7-24 24-24l64 0 0-64c0-13.3 10.7-24 24-24s24 10.7 24 24l0 64 64 0c13.3 0 24 10.7 24 24s-10.7 24-24 24l-64 0 0 64c0 13.3-10.7 24-24 24s-24-10.7-24-24z"></path></svg></span><br><br>
<img decoding="async" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.3-682554690_18097183475119747_8131310967407291743_n-e1777557831212.jpg"> 
<strong>Audiência pública na Bahia pelo fim da escala 6X1</strong><br><em>Ponto de apoio na luta</em><br>No dia 22 de abril, na Câmara de Cruz das Almas/BA, ocorreu a audiência pública com 100 presentes pelo fim da escala 6&#215;1, proposta pelo mandato do Prof. Lilo Lordelo (PT) em articulação com grupo de base do Diálogo e Ação Petista na cidade. A atividade contou com a colaboração de estudantes de publicidade da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia que fizeram a cobertura da atividade.<br>Na fábrica de calçados da cidade a panfletagem que preparava o evento permitiu tratar de questões concretas com os trabalhadores. Havia muitas dúvidas sobre o que era o projeto de lei, como estava sua tramitação, e como se aplicaria a cada caso concreto. No diálogo presencial foi possível explicar e convencer que era possível e necessária a aprovação desta medida.&nbsp;<br>No dia da audiência, presentes sindicalistas, advogados, parlamentares e dirigentes partidários, entidades estudantis e jovens. Presentes também professoras das creches municipais que reivindicam o enquadramento por parte da prefeitura que se recusa fazer.&nbsp; A participação da comunidade, em especial dos jovens representantes do grêmio estudantil do IF de Mangabeira, ressaltando as várias formas como esta escala 6&#215;1 afeta a eles e a seus familiares, foi um momento alto do debate, trazendo a esperança desta força jovem para a luta.<br>Como encaminhamentos desta audiência pública foram aprovados: o apoio a Medida Provisória do presidente Lula sobre a escala 6&#215;1 e a proposta de lei a ser encaminhada pelo Vereador Prof. Lilo, que propõe que, assim como no governo federal, todas as empresas terceirizadas que prestem serviços ao executivo municipal de Cruz das Almas, BA, estejam com seu regime de trabalho enquadrado na escala 5&#215;2, sem redução de salário.</p>
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		<title>A guerra de Trump e Netanyahu tem que terminar!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 13:58:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 7 de abril, Trump numa ameaça genocida disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, a civilização persa de três mil anos, porque o governo do Irã não capitulou às suas exigências. À noite, ele anunciou e o Irã confirmou um cessar-fogo provisório de 15 dias. Mas já no dia seguinte, Netanyahu, com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia 7 de abril, Trump numa ameaça genocida disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, a civilização persa de três mil anos, porque o governo do Irã não capitulou às suas exigências. À noite, ele anunciou e o Irã confirmou um cessar-fogo provisório de 15 dias. Mas já no dia seguinte, Netanyahu, com a complacência de Trump, disse que não estava no acordo e fazia seu mais selvagem ataque ao Líbano &#8211; 160 mísseis mataram 354 pessoas em vários pontos do país em menos de 15 minutos.&nbsp;</p>



<p>Nos dois países já passam de dezenas de milhares o número de mortos e feridos, e mais de um milhão de deslocados. No Irã, o New York Times que analisou registros de satélites, mostra que os destroços são frequentemente causados por ataques em bairros densamente povoados, em particular Teerã, capital com 10 milhões de habitantes, com densidade comparável à Nova York.&nbsp;</p>



<p>Em resposta ao bombardeio, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do gás e do petróleo produzidos no mundo. As primeiras negociações entre os EUA e o Irã no Paquistão em 11 de abril, fracassaram, mas parecem continuar discretamente. Israel continuou os ataques no Líbano.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-c5d2de55bc579e04592991c360192afd" style="font-size:21px"><strong>Tentativa de bloquear os portos iranianos</strong></h2>



<p>Os EUA tentam, agora, fechar o Estreito de Ormuz para os navios vindos de portos iranianos, e não de outros, com o objetivo de bloquear as receitas de petróleo do Irã. O que também é uma ameaça à China que compra 40% do seu petróleo no Irã.&nbsp;</p>



<p>Durante a guerra no Irã, o foco está no preço do petróleo, não apenas para afirmar, com a ajuda de Israel, seu controle sobre o Oriente Médio, mas também para aumentar a pressão sobre a China, desafiando sua posição no mercado global e tentando afirmar uma &#8220;ordem mundial&#8221;.</p>



<p>Tudo isso num contexto de crise generalizada, na qual o bloqueio do Golfo já provocou uma nova alta exponencial nos preços do petróleo.</p>



<p>E diante das políticas de Trump e Netanyahu, as manifestações e a rejeição a uma escalada militar ainda maior se aprofundam em todo o mundo, causando contradições e crises em alguns governos — inclusive na administração estadunidense.</p>



<p><strong>Markus Sokol</strong></p>



<p class="has-background" style="background-color:#eeeeee"><span class="wp-rich-text-font-awesome-icon wp-font-awesome-icon"><svg aria-hidden="true" focusable="false" data-prefix="fas" data-icon="circle-plus" class="svg-inline--fa fa-circle-plus " role="img" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" viewBox="0 0 512 512" style="font-size:1.8em" color="#a2a2a2"><path fill="currentColor" d="M256 512a256 256 0 1 0 0-512 256 256 0 1 0 0 512zM232 344l0-64-64 0c-13.3 0-24-10.7-24-24s10.7-24 24-24l64 0 0-64c0-13.3 10.7-24 24-24s24 10.7 24 24l0 64 64 0c13.3 0 24 10.7 24 24s-10.7 24-24 24l-64 0 0 64c0 13.3-10.7 24-24 24s-24-10.7-24-24z"></path></svg></span><br><strong>Resistência e solidariedade no Brasil</strong><br>No mesmo dia 7 do discurso genocida de Trump, no Brasil, em resposta ao apelo do reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã (IUST), Dr. Mahmoud Mehrdad Shokrieh, 37 sindicatos e quatro sociedades científicas, repudiaram em nota pública (abaixo) as ações bárbaras dos EUA e de Israel. A iniciativa veio dos militantes do DAP no movimento Renova Andes e recolheu amplo apoio. Com relação ao Líbano, fica a demanda de que o governo Lula rompas as relações com Israel.<br><br>“Repúdio aos bombardeios dos EUA e de Israel às Universidades e Escolas do Irã<br>O ataque militar unilateral lançado pelos EUA e por Israel contra o Irã em 28/02/2026 têm escalado a cada dia e cada vez mais alvejado sua população civil e instituições sociais. Várias universidades e centros de estudos do Irã têm sido deliberadamente bombardeadas.<br>Entre as instituições criminosamente atingidas pelos mísseis dos EUA-Israel, destacam-se a Universidade Imam, Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã e Universidade de Tecnologia de Isfahan.  Logo no primeiro dia desta guerra, aliás, a Escola Feminina Shajareh Tayyebeh (Minab) foi devastada com os brutalmente destrutivos mísseis norte-americanos Tomahawk, tendo mais de 150 de suas jovens estudantes assassinadas. Tais atos de destruição seguem, pois, o mesmo padrão daqueles ocorridos, recentemente em Gaza, quando as Forças Armadas de Israel (FDI) destruíram as 12 universidades ali existentes – o mesmo padrão também contra o Líbano.<br>Repudiamos com veemência tais ataques e interpelamos toda a comunidade acadêmica brasileira a denunciar o escolasticídio que EUA e Israel têm desenvolvido contra o Irã. Por meio da destruição de escolas, universidades, bibliotecas e centros de pesquisas pretendem apagar a memória, a cultura, a soberania científica e tecnológica e o futuro do povo e da nação iraniana. A barbárie cultural em curso contra o Irã – nação dotada de uma rica e milenar cultura é, definitivamente, um crime contra a humanidade.<br>Pelo fim imediato dos bombardeios contra o Irã! <br>Toda solidariedade aos docentes, pesquisadores, acadêmicos e estudantes iranianos!”<br><br><strong>Assinam sindicatos de docentes, associações científicas e dirigentes:<br></strong>Cláudio Mendonça, presidente do ANDES – SN (Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior); Francivaldo Alves Nunes, presidente da Anpuh (Associação Nacional de História); Beatriz Macchione Saes, presidente da EcoEco (Sociedade Brasileira de Economia Ecológica); Carlos Fidelis da Ponte, presidente do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde); Marisa Silva Amaral, presidente da SEP (Sociedade Brasileira de Economia Política), Adcac (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Catalão); Aduemg (Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Minas Gerais); Aduems (da Universidade do Estado de Mato Grosso do Sul); Aduenp (da Universidade Estadual do Norte do Paraná); Adufabc (da Universidade Federal do ABC); Aduferpe (da Universidade Federal Rural de Pernambuco); Adufepe (da Universidade Federal de Pernambuco); Adufmat (da Universidade Federal de Mato Grosso); Adufms (da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul); Adufop (da Universidade Federal de Ouro Preto); Adufpel (da Universidade Federal de Pelotas); Adufpb (da Universidade Federal da Paraíba); Adufrj (da Universidade Federal do Rio de Janeiro); Adufs (da Universidade Federal de Sergipe); Adufscar (da Universidade Federal de São Carlos); Adufu (da Universidade Federal de Uberlândia); Adunemat (da Universidade Estadual do Mato Grosso); Adunicamp (da Universidade Estadual de Campinas); Adunicentro (da Universidade do Cento-Oeste do Paraná); Adunifesp (da Universidade Federal de São Paulo); Adunioeste (da Universidade Federal do Oeste do Paraná); ApesJF (Associação dos Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora); Apropuc (da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Apur (da Universidade Federal do Recôncavo); Asduerj (da Universidade Estadual do Rio de Janeiro); Sesduem (Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Maringá); Sedufsm (Universidade Federal de Santa Maria); Sindcefet-MG (do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais);Sesunila (da Universidade Federal da Integração Latino Americana); Sindiprol/Aduel (da Universidade Estadual de Londrina); Sinduece (da Universidade Estadual do Ceará);Sinduepg (da Universidade Estadual de Ponta Grossa); Sindunespar (da Universidade Estadual do Paraná); Sindufap (da Universidade Federal do Amapá); SindsIFCE (do Instituto Federal de Educação C&amp;T do Ceará)</p>
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		<title>Mensagem da seção libanesa da 4ª Internacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 16:46:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste dia 8 de abril de 2026, o Líbano sofreu a pior agressão militar de toda a sua história. Durante menos 15 minutos, no final da manhã, mais de 150 aviões de guerra do exército sionista genocida bombardearam o Líbano, destruindo em grande escala infraestruturas, escolas e hospitais. No momento em que estas linhas são [&#8230;]</p>
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<p>Neste dia 8 de abril de 2026, o Líbano sofreu a pior agressão militar de toda a sua história. Durante menos 15 minutos, no final da manhã, mais de 150 aviões de guerra do exército sionista genocida bombardearam o Líbano, destruindo em grande escala infraestruturas, escolas e hospitais. No momento em que estas linhas são escritas, o balanço dos bombardeamentos ascende a 254 mártires e 1165 feridos.</p>



<p>Beirute e os seus subúrbios do sul, Baalbek, Hermel, Nabatieh, Aley, Sidon e Tiro foram bombardeados. Xiitas, sunitas, cristãos, drusos… todas as comunidades foram afetadas.<br>A entidade sionista decidiu destruir o Líbano, tal como faz com a Palestina.</p>



<p>A seção libanesa da 4ª Internacional, que tinha perdido dois dos seus membros durante os bombardeios de 2024, acaba de perder três dos seus camaradas nos ataques de hoje. Jad Safa, de 27 anos, estudante de licenciatura em Matemática, Ali Mikdad, de 23 anos, estudante de licenciatura em Literatura Árabe, e Riyad El Husseini, de 32 anos, engenheiro e arquiteto, foram mortos.</p>



<p>Riyad encontrava-se na aldeia de Shmestar, situada no vale da Bekaa, enquanto assistia a um funeral que reunia cerca de uma centena de pessoas. Junto a ele, doze pessoas foram massacradas, na sua maioria jovens.</p>



<p>Vivemos tempos difíceis e dolorosos. A perda dos nossos camaradas é imensa, mas não<br>desesperamos. Transformamos a nossa dor em força. Partilhamos uma causa com todos os combatentes pela liberdade em todo o mundo, e a defenderemos até o nosso último suspiro.</p>



<p>O futuro nos pertence, e o imperialismo está condenado.</p>



<p><strong>Beirute, 8 de abril de 2026.</strong></p>
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		<title>Recentemente deportada pelo governo Trump, jovem brasileira conta a sua história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 17:33:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivian, brasileira, nascida em Governador Valares (MG), vivia nos EUA desde 2019, com processo de legalização em fase de aprovação. Ainda assim, foi presa em agosto de 2024 permanecendo por oito meses sob custódia do ICE (sigla em inglês da polícia migratória de Trump) até a sua deportação. Ela participou da Jornada Continental em Defesa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vivian, brasileira, nascida em Governador Valares (MG), vivia nos EUA desde 2019, com processo de legalização em fase de aprovação. Ainda assim, foi presa em agosto de 2024 permanecendo por oito meses sob custódia do ICE (sigla em inglês da polícia migratória de Trump) até a sua deportação.</p>


<div class="wp-block-image is-style-default">
<figure class="alignright size-full is-resized td-caption-align-center"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="460" height="641" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed.jpg" alt="" class="wp-image-21727" style="aspect-ratio:0.717663421418637;width:168px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed.jpg 460w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed-215x300.jpg 215w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed-108x150.jpg 108w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed-301x420.jpg 301w" sizes="(max-width: 460px) 100vw, 460px" /><figcaption class="wp-element-caption">Vivian</figcaption></figure>
</div>


<p>Ela participou da Jornada Continental em Defesa do Direito de Migrar, na audiência pública, realizada na Câmara Municipal de Governador Valadares e convocada pela vereadora Sandra Perpétuo (PT). Entrevistada por O Trabalho, ela contou a sua história.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-07086df805c5424a02590096e2d1a557" style="font-size:21px"><strong>OT: Ainda que seja doloroso falar sobre a sua deportação, você tem dito que faz questão que todos conheçam a sua história e entendam o que acontece com os imigrantes naquele país. Então, a palavra é sua.</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Reviver tudo o que eu passei dói, mexe com tudo, com o corpo, com a mente, com a dignidade. Mas, eu escolhi falar porque o silêncio protege o sistema, não as pessoas.</p>



<p>O que acontece com imigrantes nos Estados Unidos, principalmente dentro dos centros de detenção, está muito longe do que mostram. Pessoas são tratadas como números e durante oito meses eu fui o número A22 12 17 27. Não somos seres humanos. E não estou falando só por mim, falo por todas as pessoas que estiveram comigo, que sofreram, que foram ignoradas, que não tiveram voz.</p>



<p>Eu vi mulheres sendo abusadas de todas as formas possíveis, muitas delas fugindo da guerra, de regimes de opressão, da violência dentro das próprias casas. Mulheres fortes, mas completamente vulneráveis dentro de um sistema profundamente violento.</p>



<p>Foram oito meses de tortura. Fomos privadas de comida, água, medicamentos e, como se não bastasse, vi mulheres com ossos quebrados pela brutalidade de guardas. Questionar qualquer direito se transformava em “castigo”. Éramos colocadas em salas escuras e isoladas ou em “celas” de vidro totalmente nuas, sendo observadas noite e dia, como um aviso às outras detentas para não reclamarem.&nbsp;</p>



<p>Fomos privadas de tanta coisa e sofremos tanta brutalidade nas prisões controladas pelo ICE, que ficaríamos falando só disso nessa entrevista. E se tenho a oportunidade de contar a minha história, tenho também a responsabilidade de expor o que está errado. Penso que só existe mudança quando a verdade vem à tona. Então, sim, é doloroso, mas necessário!</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-6a8e8fceacff97481f0e3cafe9f564af" style="font-size:21px"><strong>OT: Durante a audiência pública, você destacou em sua intervenção que o direito de migrar é uma questão de soberania. Pode nos falar sobre isso?</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Quando eu falo que o direito de migrar é uma questão de soberania, eu estou dizendo que nenhum ser humano deveria ter sua dignidade retirada por atravessar uma fronteira. Migrar é um direito humano. As pessoas não saem dos seus países por acaso, saem por necessidade, por sobrevivência, por busca de dignidade. E isso precisa ser respeitado.</p>



<p>Existe uma contradição muito grande no mundo em que vivemos hoje. O capital atravessa fronteiras livremente, o dinheiro circula livremente, as mercadorias circulam livremente, mas quando um trabalhador atravessa uma fronteira em busca de dignidade, ele é tratado como criminoso. Isso precisa ser questionado e denunciado. Migrar não é crime, buscar dignidade não é crime. Migrantes não são números. Controlar fronteiras é um direito dos países, mas isso não pode vir acima da vida, da integridade e do respeito às pessoas. Então, defender o direito de migrar também é defender que a soberania seja exercida com responsabilidade, humanidade e dentro dos limites dos direitos fundamentais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized td-caption-align-center"><img decoding="async" width="984" height="656" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump.jpg" alt="" class="wp-image-21728" style="width:558px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump.jpg 984w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-300x200.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-150x100.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-768x512.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-630x420.jpg 630w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-696x464.jpg 696w" sizes="(max-width: 984px) 100vw, 984px" /><figcaption class="wp-element-caption">Prisão de imigrantes na Flórida, EUA / Reprodução</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-d9292f4dd058b4a41e03ff4e1a641dee" style="font-size:21px"><strong>OT: O governo Lula organizou um serviço de recepção aos brasileiros deportados no aeroporto de Confins (MG).&nbsp; Conte-nos como foi a sua acolhida.</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Antes quero agradecer publicamente ao Consulado Brasileiro, ao Palácio do Itamaraty e à Polícia Federal Brasileira, que intermediaram a minha deportação. Só depois dessa intermediação é quefui levada algemada para avião<strong>.</strong></p>



<p>A recepção no aeroporto de Confins também foi importante. Existe, sim, uma estrutura que oferece um acolhimento inicial, e isso faz diferença quando você chega depois de uma experiência tão difícil. Mas, o problema começa quando você sai dali.</p>



<p>Depois que deixei o aeroporto, não tive nenhum tipo de acompanhamento. Não recebi ligação, orientação, nem apoio para recomeçar. Procurei órgãos públicos na minha cidade e também não encontrei suporte ou informações claras. Tudo o que consegui fazer foi por conta própria e com muita dificuldade. Como tirar novamente meus documentos. E isso é muito difícil quando você chega sem celular, sem dinheiro e, muitas vezes, sem nenhum tipo de referência ou rede de apoio.</p>



<p>No site do governo existem várias informações sobre suporte, mas, na prática, isso não alcança quem realmente precisa. Existe uma desconexão muito grande entre o que está no papel e o que acontece na vida real. O acolhimento precisa ser contínuo, até que a pessoa consiga se reintegrar na sociedade e no mercado de trabalho com dignidade. Porque o retorno não é o fim, muitas vezes é só o começo de outro desafio.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-3a78ce5f670eccd9164ae0beb0c0d1b9" style="font-size:21px"><strong>OT: Antes de terminarmos, pode nos contar como tomou conhecimento da Jornada Continental? Acha que foi uma iniciativa válida?</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Eu tomei conhecimento da Jornada Continental no ato de comemoração do Dia Internacional da Mulher, que denunciou a violência contra as mulheres. Foi ali que conheci a vereadora Sandra Perpétuo, que ouviu a minha história e me convidou para participar da audiência pública e me integrar ao comitê pelo direito de migrar. Acredito que é uma iniciativa mais do que válida.</p>



<p>Não podemos nos calar diante de tantas injustiças. Precisamos nos fortalecer como povo, nos unir, para enfrentar um sistema que, muitas vezes, só gera dor, exclusão e desigualdade. Movimentos como esse são fundamentais para dar visibilidade, para criar rede, para transformar dor em luta e em mudança real.</p>



<p>Espero, de verdade, que mais países se juntem a essa causa e que a gente consiga construir juntos um mundo onde, mesmo com tanta tecnologia, a gente não perca a nossa essência. Não somos máquinas, não somos feitos de ferro. Nós temos sentimentos, temos direitos, queremos dignidade. E como eu disse na Câmara: não existe nenhum ser humano ilegal.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-941f58e1f9143be1e77a7077aa6c6617"><strong>OT: Agradecemos imensamente a sua entrevista!</strong></p>
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		<title>No Ceará policial vira interventor e vítima oposição!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 21:29:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), assinou decreto (6/02/ 2026) alterando o tratamento jurídico de policiais que matam em serviço, passando a tratá-los como “interventores” e a outra parte (vítimas), como “opositores”. O decreto chegou no mesmo dia em que um confronto envolvendo policiais militares resultou na morte de cinco suspeitos em Monsenhor Tabosa no interior [&#8230;]</p>
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<p>O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), assinou decreto (6/02/ 2026) alterando o tratamento jurídico de policiais que matam em serviço, passando a tratá-los como “interventores” e a outra parte (vítimas), como “opositores”. O decreto chegou no mesmo dia em que um confronto envolvendo policiais militares resultou na morte de cinco suspeitos em Monsenhor Tabosa no interior do estado.</p>



<p>&#8220;Assinei decreto que muda a forma como policiais são tratados em inquéritos de lesão corporal ou morte decorrente de intervenção. Em vez de autor do crime, o policial passa a ser colocado como interventor, enquanto a outra parte sai de vítima para opositor, até prova ao contrário&#8221;, disse Elmano. Até prova em contrário! Mata primeiro e prova vem depois! O que sabemos é que, muitíssimas vezes, em operações da polícia, sim são praticados assassinatos pelos policiais que seguem impunes.&nbsp; É por isso que uma campanha nacional exige a federalização das investigações de chacinas na Bahia, Rio e Guarujá (SP).</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-95f6b3f548005191802212b529345960" style="font-size:21px"><strong>Em retaliação, policiais assassinam 11 jovens inocentes</strong></h2>



<p>De que polícia estamos falando? A PM do Ceará é, por exemplo, responsável por uma das chacinas mais violentas de que se tem notícia, a chacina do Curió, bairro periférico de Fortaleza, na região da Grande Messejana. A PM cearense praticou uma sequência de assassinatos, em novembro de 2015 que, num intervalo de três horas, na madrugada de 11 para 12 daquele mês, eliminou 11 jovens. Segundo sítio Brasil de Direitos, “a investigação aponta ter-se tratado de uma operação de retaliação: os policiais queriam vingar a morte de um agente, ocorrida naquela mesma data. Nenhuma das vítimas da chacina, no entanto, tinha qualquer relação com a morte do policial.” .</p>



<p>O decreto que, antes de qualquer investigação ou julgamento, absolve os agentes da repressão tende a servir de cobertura para a violência policial.</p>



<p>Como lembra os ex-deputado petista e antigo subsecretário de direitos humanos no primeiro governo Lula, Mário Mamede, a tentativa de alterar os protocolos por parte do governador “atenta contra os principais protocolos internacionais de investigação”. Se aplicado ao caso Curió, os PMs seriam simplesmente “interventores” e as vítimas inocentes, “opositores”. Mas para o governador são opositores, “até prova em contrário”, já mortos, como os 11 jovens em Curió?</p>



<p>Como pede Mamede, é preciso que Elmano revogue a medida que o coloca na vala comum do populismo penal dos governadores da extrema-direita. É o que também exigem mais de 100 organizações do estado. Incluindo petistas. Afinal, “bandido bom é bandido morto”, nunca foi um lema do PT!</p>



<p>No Ceará segundo dados da Superintendência de Pesquisa de Segurança pública, em 2025 ocorreram 200 mortes por intervenção policial.</p>



<p>“O crescimento contínuo destas mortes pode indicar o uso ilegítimo da força, especialmente em um contexto no qual o governo amplia operações policiais letais, investe massivamente em um modelo meramente repressivo e sustenta um discurso que trata a letalidade como sinônimo de eficiência”, diz o manifesto assinado por estas entidades.</p>



<p><strong>Eudes Baima</strong></p>
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		<title>“Dois Procuradores” relembra a farsa criminosa dos Processos de Moscou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2026 12:15:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Michail Kornev graduou-se advogado há apenas três meses e acaba de ser nomeado pela Promotoria Pública da URSS ao cargo de procurador da oblast (província) de Briansk. Seu antecessor fora preso algumas semanas antes pela NKVD[1]. Algo comum naqueles anos, em que profissionais técnicos, quadros dirigentes e importantes militantes comunistas desapareciam e eram substituídos por [&#8230;]</p>
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<p>Michail Kornev graduou-se advogado há apenas três meses e acaba de ser nomeado pela Promotoria Pública da URSS ao cargo de procurador da <em>oblast</em> (província) de Briansk. Seu antecessor fora preso algumas semanas antes pela NKVD<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Algo comum naqueles anos, em que profissionais técnicos, quadros dirigentes e importantes militantes comunistas desapareciam e eram substituídos por novatos. Mal toma posse, Kornev recebe misteriosamente um bilhete de um prisioneiro político, Ivan Stepniak, conhecido dirigente local do Partido Comunista, herói da Revolução de Outubro. Alquebrado pelas ininterruptas sessões de tortura e confinado numa solitária, ele havia escrito com seu próprio sangue num pedaço de cartolina amarrotada um pedido de recurso de seu caso à procuradoria regional. O bilhete deveria ter sido queimado junto com todas as demais cartas de prisioneiros do “Bloco Especial” do presídio – reservado aos enquadrados no “Artigo 58”<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>. Mas conseguiu driblar os grossos muros do campo prisional e encontrar seu muito improvável destino.</p>



<p>O ano é 1937, o terror stalinista está para atingir seu ápice, com já bem mais de um milhão de militantes comunistas arrastados a prisões e campos de trabalho forçado, onde são torturados e enclausurados até definharem. Muitos, assim que presos, já são executados sumariamente pela NKVD. Outros tantos – incluindo os principais dirigentes históricos do partido bolchevique e da Revolução de Outubro &#8211; são antes levados a um tribunal farsesco, onde são chantageados e obrigados a “confessar” algum crime “contrarrevolucionário” que jamais cometeram.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-aede58a384cc70ccad4742b50338acea" style="font-size:21px"><strong>“Fascistas na NKVD”?</strong></h2>



<p>O jovem Kornev, embora mal saído dos bancos da universidade, assume seu novo cargo com muita disposição e seriedade profissional. Diligente e persistente, ele vai à procura da verdade. Dirige-se ao presídio e faz de tudo para cumprir sua missão de defender aquilo que considera ser a democracia operária e o Direito soviético. A despeito de inúmeras tentativas em dissuadi-lo com embromação e sobretudo com muita intimidação, a direção do presídio não consegue impedi-lo de ter uma conversa a sós com o velho Stepniak. Contorcido de dor, este explica ao procurador que ele, bem como milhares de “camaradas comunistas de primeira ordem” daquela região, “haviam sido injustamente presos por um grupo de traidores, fascistas infiltrados na NKVD” local.</p>



<p>“Meu rapaz”, diz Stepniak, “eu já estou praticamente morto. Não faço isso por mim, mas pela defesa da Revolução. Se você é realmente um bolchevique, não um covarde; se você é um procurador soviético honesto, vá a Moscou ainda hoje. Consiga uma audiência com Stalin. Ou ao menos com um dos membros do Politburo — Yezhov, Vorochilov, Molotov… Relate a eles que aqui neste presídio, a nata do Partido Comunista está sendo exterminada.” O veterano comunista não percebia, contudo, que seu pedido levaria o jovem Kornev a uma missão, se não suicida, ao menos para lá de arriscada. Afinal, todo Politburo – a começar por Stalin e os três nomes por ele sugeridos &#8211; estava absolutamente comprometido com a política que ele mesmo convocava a combater.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-1335d0e2b03fd02ba6186f1c086ab70b" style="font-size:21px"><strong>Ilusões no Politburo</strong></h2>



<p>Nicolai Yezhov, era o chefe da NKVD desde 1936. Dali, comandou prisões em massa, torturas e fuzilamentos. Em 1938, porém, viria a cair em desgraça junto a Stalin. Preso, seria forçado a confessar “atividades antissoviéticas”, sendo assim executado em 1940. Kliment Vorochilov era um militar pouco expressivo, mas alçado ao marechalato exclusivamente por ser um bajulador de Stalin – sem preparo técnico-militar, substituiu os aclamados marechais Tukachevsky, Blyuker e Yegorov, todos executados às vésperas da invasão nazista na II GM. Já Viatcheslav&nbsp;Molotov, além de primeiro ministro, era ministro das Relações Exteriores – foi ele quem negociou o pusilânime Pacto com Hitler assinado por Stalin em 1939.</p>



<p>Tanto Kornev quanto Stepniak tinham pouca ou nenhuma noção de que essas monstruosidades que pretendiam combater não apenas envolviam, mas partiam do próprio Politburo. Militante comunista comprometido, o jovem procurador assume a tarefa dada a ele pelo velho camarada. Consegue uma audiência com o todo poderoso Andrey Vyshinsky, Procurador Geral da URSS, que estava naquele exato momento presidindo os “Julgamentos” do Grande Expurgo stalinista. Vyshisnky foi um membro do partido menchevique. Mas acabou dedicando-se à advocacia e, assim atuando regularmente junto ao regime czarista. Após a queda do czar, em fevereiro de 1917, retomou posição dirigente no menchevismo, assumindo cargo no Governo Provisório de Kerensky. Dali combateu ferozmente a Revolução de Outubro: foi ele quem assinou a ordem para prender Lenin logo após as Jornadas de Julho mediante a falsa acusação do bolchevique ser “agente do imperialismo alemão”. Após a tomada do poder pelos sovietes em outubro de 1917, ele aproxima-se de Stalin, sendo por este convidado a aderir ao partido dos bolcheviques (Comunista). Só veio a fazê-lo ao fim da Guerra Civil, quando notou que a vitória deles era irreversível. Alguns anos mais tarde, aceitou do mesmo Stalin a tarefa de presidir os “tribunais” farsantes para de forma implacável humilhar e exterminar toda velha guarda bolchevique, toda a geração que dirigiu a Revolução de Outubro.</p>



<p>Tal impostor, o infame anticomunista Vyshinsky, recebe em sua suntuosa sala da Procuradoria Geral da URSS sua persistente contraparte, o honesto comunista Korniev. Reunidos, enfim, são eles os “Dois Procuradores”.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-13ba1d04abf0723b0f1a74120ec85029" style="font-size:21px"><strong>Cadeados, burocratas e canções alegres</strong></h2>



<p>Com este filme, o premiado cineasta Sergei Loznitsa produziu uma obra magistral. De forma intensa e cativante, ele projeta na tela do cinema o pesado e claustrofóbico clima do período. Envolve a audiência na evolução dos dramáticos eventos, mantendo-a, porém, como observadora externa. Não há movimentos de câmaras. Suas lentes não expõem cores mais vivas. O sombrio autoritarismo da burocracia se faz sentir em intermináveis e estridentes abrir e fechar de cadeados, portões e livros de registros no presídio em Briansk. Personagens bizarras, que nos lembram romances de Dostoievsky, aparecem do nada, marcando uma presença grotesca e sinistra a um só tempo: de burocratas estatais arrogantes e mal encarados a camponeses maltrapilhos e falastrões. A desconfiança e o medo de tudo e de todos contaminam os poros da sociedade de alto a baixo.</p>



<p>O filme termina tenebroso, mas ironicamente ao som de uma alegre e contagiante canção, tornada muito popular à época: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=M7EroSwIMYo">“O Contra Plano”</a>. Ela mesma, aliás, fora a música tema de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VMTJqoOSjTU">filme com o mesmo título</a> , o qual era peça importante da massiva propaganda stalinista do período. Produzido em 1932 bem ao estilo do “Realismo Socialista”, ele foi o primeiro filme inteiramente falado da URSS. Em plena brutalidade da fome camponesa resultante da Coletivização Forçada e do atraso na industrialização com o atabalhoado Plano Quinquenal, o filme era parte de campanha governamental voltada a culpabilizar supostos “sabotadores contrarrevolucionários” por todos os problemas e fracassos econômicos e industriais soviéticos. A burocracia instrumentalizava tal campanha tanto para se esquivar de suas responsabilidades frente a seus próprios erros e incompetências, quanto para desenvolver implacável perseguição política a críticos ou rivais &#8211; reais, potenciais ou imaginários.</p>



<p>A jovial canção, não custa lembrar, foi escrita por Boris Kornilov e sua melodia composta pelo famoso maestro Dimitri Shostakovich. Ambos perseguidos pela NKVD nos anos seguintes, o primeiro foi “julgado” nos Processos de 1937, condenado e fuzilado no início de 1938.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0444edc7c789cb9be1292217cec82f67" style="font-size:21px"><strong>Cientistas contra o fascismo</strong></p>



<p>O roteiro de “Dois Procuradores” elabarado por Loznitsa é todo baseado no livro de mesmo título, escrito por Georgy Demidov. Jovem físico promissor, em sua vida real, ele mesmo fora preso pela NKVD em 1938 junto com vários outros cientistas soviéticos &#8211; incluindo seu orientador, o futuro recipiente do Nobel de Física Lev Landau. Por serem comunistas críticos do stalinismo, foram todos acusados de “trotskismo”.</p>



<p>Pesquisadores do renomado Instituto de Física e Tecnologia da Ucrânia Soviética (IFTU), eles lançaram um panfleto ao ato de 1º de maio de 1938. Chamando “trabalhadores do mundo a unirem-se” contra o fascismo, acusavam o governo soviético de ter “traído a grande causa da Revolução de Outubro, inundado o país em rios de sangue e lama. A camarilha stalinista cometeu um golpe de tipo fascista. O socialismo existe apenas nas páginas de jornais repletos de mentiras. Em seu ódio furioso ao verdadeiro socialismo, Stalin, para preservar seu poder, prefere destruir o país, tornando-o presa fácil ao nazismo alemão”<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>. Dezesseis pesquisadores do IFTU, incluindo Demidov, foram presos.</p>



<p>Condenado a 18 anos de prisão, Demidov foi enviado ao campo de concentração de Kolyma, Sibéria. Foi retirado de lá em 1951 para, mantido em prisão administrativa, trabalhar como físico experimental em projeto da corrida atômica soviética. Reabilitado em 1958, ele começou a escrever artigos e livros sobre suas experiências nas prisões de Stalin. Concluiu “Os Dois Procuradores” nos anos 1960. Mas seus escritos acabaram todos censurados e confiscados pela KGB. Após a sua morte, sua filha conseguiu resgatar cópias de seus livros e publica-los – quase meio século após terem sido escritos.</p>



<p>O roteiro desenvolvido por Loznitsa é articulado de maneira inteligente e, no geral, fiel ao enredo de Demidov. Ainda assim, o cineasta parece não ter enfatizado a problematizção do stalinismo &#8211; não sendo ele mesmo um socialista, tal questão tende a ser menos central em sua obra. Em entrevista, o diretor explica psicologicamente suas personagens, mas politicamente parece não ir muito além de um certo fatalismo: “A Revolução foi concebida e realizada por um grupo de pessoas, mas seus frutos foram usurpados por outro grupo. Stalin, em sua luta pelo poder, destruiu quase todos os seus próprios camaradas. Nosso protagonista, um jovem promotor recém-formado, pertence à primeira geração pós-revolucionária, criada em um espírito romântico e idealista [&#8230;] destemido e entusiasmado da sociedade do futuro, confiante em sua própria retidão. Ele nem sequer suspeita [&#8230;]. Tais personagens frequentemente se tornavam vítimas do regime [&#8230;]. Aqueles que tiveram a sorte de sobreviver foram libertados de suas ilusões por décadas no Gulag” <a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a>.</p>



<p>O fato é que a ingenuidade de Stepniak e sobretudo de Kornev (interpretados no filme pelos excelentes atores A. Filippenko e A. Kusnetsov) é patente tanto no livro quanto no filme. Ambas personagens acreditam que as injustas prisões em massa seriam apenas circunstanciais e decorrentes de uma corrupção pontual – alguma infiltração de elementos contrarrevolucionários de tipo fascista na NKVD. Ambos queriam crer que a cúpula partidária, Stalin à frente, não estaria sabendo o que o ocorria. A dificuldade de ambos superarem tal ilusão quase lúdica, de fato, não era incomum à época. Ela decorria da incompreensão do que era o processo contrarrevolucionário e termidoriano da burocratização stalinista que assolava a União Soviética.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0fd5edc3ae0ecd44477aa2a0984da433" style="font-size:21px"><strong>O que explica a violência stalinista?</strong></p>



<p>O programa da Revolução de Outubro visava a rápida superação do atraso econômico russo, com acelerado avanço técnico-científico, por meio da socialização dos meios de produção e da planificação econômica. Tudo isso para tornar possível a construção de uma sociedade sem distinções de classe que, portanto, pudesse ser gerida pelo próprio povo trabalhador, no lugar da tecnocracia estatal-profissional. De fato, a economia planificada, a despeito de certa procrastinação burocrática, havia permitido considerável avanço em pouco mais de uma década. Todavia, o isolamento internacional da Revolução na Rússia e o enorme desgaste na organização de sua classe trabalhadora, esmagada por uma impiedosa guerra civil, acabou por esvaziar os sovietes no avançar dos anos 1920. Tais estruturas, expressão outrora do legítimo poder operário-camponês, tornaram-se ocas de democracia interna e, assim, foram sendo controladas por uma casta de burocratas estatais cada vez mais empoderada e que passou a estorvar o caminho ao socialismo. Pois as diferenças sociais, ao invés de serem progressivamente superadas, reapareceram e intensificaram-se com o fortalecimento dessa casta. Privilegiada e concentradora do poder, ela passou a auferir crescentes parcelas da renda nacional às expensas do povo trabalhador.</p>



<p>Stalin e seus comparsas instalados na cúpula partidária e estatal eram apenas os representantes na esfera público-política de tal casta de funcionários e carreiristas do aparato institucional. As ações e orientações políticas que implementavam eram expressão das necessidades e desejos de tal casta. Para garantir a estabilidade no poder da burocracia que representavam, preferiam evitar confronto com as potências imperialistas. Eram mansos e colaboradores com elas – tendo, aliás, tentando a todo o custo conciliação com o nazi-fascismo às vésperas da Guerra. Brutais e irreconciliáveis mesmo, eles eram com comunistas e com as massas trabalhadoras – cujos interesses revolucionários não defendiam, nem nacional, muito menos internacionalmente.</p>



<p>Líder da Revolução ao lado de Lenin, Trotsky explicava que “essa casta encontra-se em uma posição contraditória. Em palavras, diz defender o comunismo; em atos, luta por seu próprio poder ilimitado e por colossais privilégios materiais. Cercada pela desconfiança e pelo ódio das massas enganadas, a nova aristocracia não pode tolerar a menor brecha em seu sistema. Em nome da autopreservação, vê-se compelida a sufocar o menor sinal de crítica e oposição [&#8230;] e é sistematicamente compelida a mentir, a se maquiar, a usar uma máscara e a atribuir aos críticos e oponentes motivações diametralmente opostas às que os impulsionam. Qualquer um que se manifeste em defesa dos trabalhadores contra a oligarquia [estatal] é imediatamente rotulado pelo Kremlin como apoiador da restauração capitalista”<a href="#_ftn5" id="_ftnref5">[5]</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0d5aa6df9ed2d777fc3b61ec805dd00b" style="font-size:21px"><strong>Expurgos contra o socialismo</strong></h2>



<p>É isso o que explica a lógica dos Grandes Expurgos stalinistas. Eles foram implementados por meio de um conjunto de processos pseudo-judiciais nos quais milhões de cidadãos soviéticos eram farsescamente julgados e condenados. A maioria deles eram militantes comunistas e simpatizantes, incluindo alguns estrangeiros, dirigentes de partidos comunistas de outros países que visitavam a URSS. Os “tribunais” eram montados na forma de um “show” para o público: embora o veredito já tivesse sido decidido antecipadamente, as sessões acusatórias eram filmadas (com presença da imprensa internacional) e amplamente divulgadas. Os acusados eram previamente torturados, chantageados e, por fim, desmoralizados. Para tentar desesperadamente salvar sua vida e de sua própria família, muitos confessavam crimes que jamais haviam cometido (como comprovado décadas adiante, após a abertura de arquivos oficiais), tais como o de serem “espiões nazistas” ou “sabotadores imperialistas”.</p>



<p>A despeito de vários tribunais-show terem sido deslanchados no decorrer de décadas, dentre eles, destacam-se por sua magnitude os chamados “Processos de Moscou”, ocorridos respectivamente em 1936, 1937 e 1938. A eles adiciona-se ainda o de 1939-41, voltado ao <a href="https://otrabalho.org.br/80-anos-da-operacao-barbarossa-a-invasao-nazista-e-a-politica-stalinista/">extermínio do grosso dos quadros militares</a>. No Comitê Central (CC) do Partido Bolchevique eleito em 1917 – aquele que deslanchou a Revolução de Outubro -, dos treze membros que sobreviveram a Guerra Civil, dez foram assassinados por Stalin nos anos 1930. Algo similar ocorreu com os CCs eleitos nos Congressos partidários seguintes, bem como com os Comitês Regionais. Essa dinâmica manteve-se mesmo quando o partido já estava bastante stalinizado, como no caso do 17º Congresso (1934). Ali, os dois mil delegados competiam entre si nos elogios ao “Grande Líder” Stalin e, não obstante, sua imensa maioria viria a ser perseguida pela NKVD já nos três anos seguintes: quase 60% deles foram condenados, presos e/ou – boa parte – fuzilados; dos 139 membros – plenos e suplentes – eleitos ao CC, 97 foram fuzilados nos Processos de 1937 e 1938.</p>



<p>De acordo com dados oficias da KGB e da Comissão de Controle do PCUS desclassificados no início dos anos 1990, o número de pessoas presas e condenadas por razões políticas entre 1929 e 1954 &#8211; período em que Stalin centralizou mais diretamente o poder em suas mãos – aproximava-se dos 3,7 milhões. Dessas, 643 mil foram fuziladas<a href="#_ftn6" id="_ftnref6">[6]</a>. A grande maioria era de militantes comunistas. Apenas entre 1936 e 1939, mais de 1,2 milhões de comunistas foram presos, metade dos quais foram fuzilados ou mortos devido a maus-tratos nos campos prisionais<a href="#_ftn7" id="_ftnref7">[7]</a>.</p>



<p>A burocratização stalinista gerou um duplo resultado: o terror termidoriano e o enfraquecimento da URSS e da luta internacional dos trabalhadores. Havia uma alternativa que poderia evitar a ambos. Ela pressupunha a mobilização da própria classe trabalhadora russa e do internacionalismo anti-imperialista e socialista que combatesse e derrotasse o stalinismo, revertendo a burocratização. Algo que, entretanto, não ocorreu. O falecimento de Stalin manteve essencialmente inalterada a natureza da “nomenclatura” governante. Antes e depois dele, a degeneração que ela gradativamente impunha ao regime produzido pela Revolução de 1917 foi se tornando irreversível. Sedenta por poder e privilégios e sonhando cada vez mais em tornar-se burguesa no limite, ela só poderia fazê-lo se destruísse antes a própria URSS para, enfim, restaurar a grande propriedade privada no país. Um feito que, ao final, tal nomenclatura stalinista acabou por realizar em 1991. Ao revisitar algumas páginas mais críticas e dramáticas dessa longa história, o filme “Dois Procuradores” nos ajuda a refletir sobre os desafios que os trabalhadores e a humanidade enfrentaram à época bem como os que ainda seguem por enfrentar.</p>



<p><strong>Alberto Handfas</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) era a polícia política e agência secreta stalinista, antecessora da KGB.<br><a id="_ftn2" href="#_ftnref2">[2]</a> O “Artigo 58” do Código Penal da Rússia soviética referia-se a casos (supostamente) relacionados a &nbsp;“atividades contrarrevolucionárias”.<br><a id="_ftn3" href="#_ftnref3">[3]</a> ROGOVIM, “<em>Stalin´s Terror of 1937-1938: Political Genocide in the USSR</em>”. Mehring Books, 2009, pp. 267-9.<br><a id="_ftn4" href="#_ftnref4">[4]</a> <a href="https://cdn.festival-cannes.com/media/uploads/2025/05/188907.pdf">Entrevista no Festival de Cannes com Sergei Loznista, 2025</a>.<br><a id="_ftn5" href="#_ftnref5">[5]</a> TROTSKY, L., “Writings of Leon Trotsky: 1939-1940”, pp. 349-50. Pathfinder Press Inc. New York. 2<sup>nd</sup> Ed., 1972.<br><a id="_ftn6" href="#_ftnref6">[6]</a> ROGOVIM, V., Op.Cit., pp. 443-4<br><a id="_ftn7" href="#_ftnref7">[7]</a> Idem, pp. 448-9.</p>
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		<title>Jornada Continental de março</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 17:54:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A política fascista do ICE, com robusto financiamento projetado em 30 bilhões de dólares para este ano, assombra os milhões de migrantes que moram nos EUA. As deportações sejam as feitas diretamente pelo ICE somadas as “auto-deportações” já ultrapassam dois milhões de pessoas. O número de vagas nos centros de detenção pode chegar 100.000 leitos. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A política fascista do ICE, com robusto financiamento projetado em 30 bilhões de dólares para este ano, assombra os milhões de migrantes que moram nos EUA. As deportações sejam as feitas diretamente pelo ICE somadas as “auto-deportações” já ultrapassam dois milhões de pessoas. O número de vagas nos centros de detenção pode chegar 100.000 leitos.</p>



<p>O resultado se vê diariamente pela imprensa americana: perseguições, prisões arbitrárias, medo de sair às ruas mesmo entre os que possuem cidadania americana, e agora assassinatos em plena luz do dia como de Renee Nicole Good em Minnessota. O ano de 2025 registrou o maior número de pessoas mortas sob custódia do ICE desde 2004, segundo o jornal The Guardian.</p>



<p>A ação do ICE e a política de expulsão dos migrantes é parte da nova política nacional de segurança do governo Trump, a mesma que deflagrou a invasão militar na Venezuela e sequestrou o presidente Nicolas Maduro e sua esposa Cilla Flores.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-17cdfca8e4c312c5ed0157e3d2e7d241" style="font-size:21px">A preparação da Jornada</h2>



<p>A Conferência realizada em setembro na Cidade do México, que convocou a Jornada Continental de 08 a 14 de março de 2026, em sua declaração final denunciava e explicava que a defesa da soberania da Venezuela e dos países da América Latina se combinava na ação em defesa do direito a migração. Aqui no Brasil uma série de atividades está sendo realizada.</p>



<p>Em <strong>Recife</strong> está em construção junto à vereadora Kari Santos (PT), a realização de uma audiência pública em fevereiro de 2026. No <strong>Paraná</strong> uma atividade chamada pelo DAP em discussão com o mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) dirigida ao movimento sindical e popular está programada para o inicio de fevereiro para organizar uma audiência publica na ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná) na semana da Jornada Continental.</p>



<p>No <strong>Ceará</strong> uma atividade do DAP em dezembro apresentou o Apelo à Jornada de Março, com a presença de delegados ao encontro da JPT. Em <strong>Minas Gerais</strong> o DAP junto com mandato do deputado estadual Betão realizará atividades em Valadares e em Belo Horizonte a partir da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais).</p>



<p>Em <strong>Santa Catarina</strong> foi constituído um comitê local para preparação da Jornada em Florianópolis que reúne sindicatos, DAP, mandatos da vereadora Carla Ayres (PT) e Bruno Zilioto (PT), movimentos populares e lideranças de associações de imigrantes. Um ato na rodoviária da cidade para defender o direito a migração foi realizado em 14/12 em oposição à política do prefeito Topázio Neto (PSD) de tentar estabelecer uma espécie de controle migratório para deportar, ao estilo Trump, pessoas que chegam de outras regiões do país para morar em Florianópolis e que não possuem residência ou emprego na cidade. A atividade prevista para Jornada é a realização de um ato de rua no centro da cidade no dia 14 de março.</p>



<p>Em <strong>São Paulo</strong> também foi organizado um comitê local que reúne sindicatos, associações de imigrantes, movimentos populares, mandatos parlamentares e o DAP. O Comitê Paulista já participou da Marcha do Migrante em dezembro do ano passado e decidiu realizar a atividade da Jornada no dia 14 de março ato na histórica escadaria do Teatro Municipal. Na <strong>Bahia</strong> está sendo organizado um ato no consulado dos EUA em Salvador e está prevista uma reunião dia 26/1, e em Feira de Santana uma reunião dia 22/1 para preparar audiência pública em fevereiro na Câmara Municipal.</p>



<p>As mobilizações que ocorrem em várias cidades dos EUA, além de serem um fator de impulsão importante para as reuniões e atividades que ocorrem, demonstram que luta em defesa da migração é uma questão que diz respeito a todos os trabalhadores e povos.</p>



<p>Uma importante vitória, neste terreno foi campanha de boicote à Avelo Airlines. O Comitê Brasileiro que organizou a delegação ao México e prepara a Jornada no Brasil integrou na discussão em nosso país da campanha de boicote a empresa Avelo que opera os voos de deportados e anunciou uma compra milionária de aeronaves brasileiras da Embraer. A campanha realizada nos EUA por militantes DSA em conjunto com grupos de imigrantes, sindicatos, organizações religiosas estudantis e progressistas&nbsp; pressionou a empresa que anunciou o fim de voos de deportação dos imigrantes presos pelo ICE a partir do dia 27 de janeiro.</p>



<p>As ações para realização da Jornada Continental se espalham pelo país, nas próximas semanas entramos na reta final e a organização de comitês locais será decisiva em nossa contribuição nesta luta internacional contra o governo Trump e sua política imperialista.</p>



<p><strong>Renê Munaro</strong></p>
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