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	<title>O Trabalho</title>
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		<title>Conferência Internacional Contra a Guerra, Londres 20 de junho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 18:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fixo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra! Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-6345ce9c8df35543fa7d86fb174b4b36" style="font-size:21px"><strong>Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa e dos Estados Unidos. Um fim de semana que materializou, indiscutivelmente, uma ampliação e um aprofundamento consideráveis na necessária articulação de todas as forças disponíveis para deter a política de guerra em escala internacional a serviço das necessidades do imperialismo em crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização britânica Counterfire apresentou um relato do evento que reproduzimos na sequência. Com base nessa força reunida, um elemento atravessou a discussão: a necessidade de passar à ação! Essa é a conclusão apresentada pela conferência de sábado e pelo apelo que nela foi adotado. Sim, a necessidade de passar à ação em nível internacional com as forças capazes de bloquear a guerra, suas entregas de armas, seus orçamentos de guerra, a militarização da juventude e o alistamento obrigatório, seus cortes em todos os orçamentos sociais. “O inimigo de cada um encontra-se, antes de tudo, em seu próprio país”, destacou Lindsay German, da organização Stop the War Coalition, convidando os participantes tanto a ação coordenada em nível internacional como a ação de cada um contra seu próprio governo, pois bloquear a guerra significa bloquear os governos responsáveis pela guerra. Essa é a tarefa central que se trata de organizar.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-abc42c57a42fc975bbf1873318d1fe3f" style="font-size:21px"><strong>Relato da organização britânica Counterfire sobre a Conferência (trechos)</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="942" height="483" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2.jpg" alt="" class="wp-image-22284" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2.jpg 942w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-300x154.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-150x77.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-768x394.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-819x420.jpg 819w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-696x357.jpg 696w" sizes="(max-width: 942px) 100vw, 942px" /><figcaption class="wp-element-caption">Faixas marcam presença de sindicatos britânicos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de 3.000 delegados vindos de toda a Europa se reuniram no Central Hall de Westminster. Na véspera, um clima de entusiasmo predominava, enquanto cerca de 200 delegados vindos da Europa e de outras regiões se reuniam na sede do NEU (sindicato dos professores da Grã-Bretanha), para a reunião preparatória. Lindsey German, da Stop the War, destacou um ponto essencial: a resposta ao projeto imperialista americano não está no rearmamento europeu, e o principal inimigo de cada um encontra-se antes de tudo em seu próprio país. (…) Militantes vindos da Ucrânia e da Rússia defenderam a solidariedade com os dissidentes dos dois países. Estudantes franceses e alemães engajados contra o serviço militar obrigatório, assim como sindicalistas e organizações de vários países, defenderam a ideia de mobilizar o movimento operário contra os recorrentes cortes orçamentários destinados a financiar gastos militares cada vez maiores. Entre os temas prioritários figuravam a condenação do genocídio em curso na Palestina e a necessidade de prosseguir com a solidariedade internacional. Kevin Courtney, presidente da Cuba Solidarity Campaign, também tomou a palavra para destacar o agravamento da crise em Cuba devido ao bloqueio americano e à crescente ameaça de uma intervenção militar dos Estados Unidos. A situação no Sudão também foi abordada, assim como suas ligações com o imperialismo ocidental. (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exemplos de resistência também foram destacados: as imensas manifestações de solidariedade à Palestina, as greves estudantis na Alemanha contra o serviço militar obrigatório, bem como as ações da flotilha internacional Global Sumud (&#8230;). Sukana Rhawani, mãe da prisioneira política de Filton, Fatema Zainab Rajwani, condenada como terrorista por um juiz na semana anterior, prestou um emocionante testemunho sobre o crescente autoritarismo exercido contra o movimento de solidariedade à Palestina no Reino Unido.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Campanhas contra o alistamento militar</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Estudantes e jovens militantes se reuniram para discutir o lançamento de uma campanha de massa contra o alistamento militar. Felix Kreklow Rojas, estudante alemão em greve, compartilhou sua experiência na organização de greves estudantis contra o alistamento na Alemanha. Estudantes da França, da Espanha, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos também apresentaram suas campanhas. Parlamentares vindos de toda a Europa denunciaram os aumentos dos orçamentos militares decididos por seus governos.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Baixem as armas e aumentem nossos salários</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro também deu voz a vários dirigentes sindicais, entre eles Ian Hodson (BFAWU – sindicato dos trabalhadores da alimentação), Jo Grady (UCU – sindicato das universidades) e Fran Heathcote (PCS – sindicato dos funcionários públicos). Todos mencionaram os efeitos dos salários estagnados e da queda do padrão de vida sobre seus filiados, bem como a necessidade de se opor a novas deteriorações destinadas a financiar as guerras das classes dominantes. Jo Grady, que havia apresentado com sucesso a moção “Salários, não armas” durante o congresso do TUC (central sindical britânica), destacou a necessidade de os sindicatos intensificarem suas campanhas contra o aumento dos gastos militares. O ponto alto desta sessão foi o discurso contundente de Mustafa Barghouti, médico palestino e dirigente da Iniciativa Nacional Palestina, recebido com uma calorosa ovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda sessão foi dedicada à escalada das tensões de guerra na Europa. Entre os palestrantes estava Jérôme Legavre, deputado da França Insubmissa, que desempenhou um papel decisivo na organização da conferência pela paz de Paris e denunciou o aumento dos gastos militares decidido por Emmanuel Macron. Os delegados franceses, acompanhados por outros participantes, entoaram “Macron, renuncie”.&nbsp; A conferência continuou pelas ruas ao redor do Central Hall, em uma atmosfera que misturava entusiasmo e determinação.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-b40a19404aab4362014b133e99ef1dd2" style="font-size:21px"><strong>Chamada para uma campanha de apoio a desertores na Europa</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="946" height="395" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3.jpg" alt="" class="wp-image-22285" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3.jpg 946w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-300x125.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-150x63.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-768x321.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-696x291.jpg 696w" sizes="(max-width: 946px) 100vw, 946px" /><figcaption class="wp-element-caption">Igor Romanchuk (ucraniano) e Andreï Demidov (russo)  / Matthew M.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As autoridades da União Europeia discutem atualmente medidas severas destinadas a restringir a entrada de cidadãos russos que participaram dos combates, incluindo aqueles que se recusaram a continuar a guerra. Essas medidas já estão se tornando realidade: vários Estados europeus recusam sistematicamente asilo a desertores russos, acusando-os de “cumplicidade” e privando-os de qualquer possibilidade de refúgio seguro. E isso ocorre mesmo quando muitos cidadãos russos foram forçados a servir no exército — uma pressão que não para de se intensificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, a deserção e o abandono não autorizado de posto dentro do exército russo aumentam em resposta a uma guerra sem fim e aos crimes do regime. Segundo estimativas de jornalistas independentes e da comunidade OSINT, entre 100.000 e 120.000 casos de recusa em participar da violência e dos massacres foram registrados desde o início da invasão em grande escala. Apenas 15% a 20% desses casos resultaram em processos judiciais. A maioria dos desertores permanece na Rússia em medo constante: em caso de prisão, eles correm o risco de tortura, encarceramento, envio para “batalhões de assalto” ou morte na linha de frente. Apenas uma ínfima minoria consegue chegar a um país seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A deserção é um instrumento poderoso contra a guerra: ela enfraquece a máquina militar do regime e salva vidas. Apoiar aqueles e aquelas que escolhem a vida e a paz pode acelerar o fim do conflito e se tornar um forte sinal em favor de mudanças internas na Rússia. Conceder o direito de asilo é uma questão de soberania dos Estados nacionais. No entanto, a Europa lhes fecha quase todas as portas. Mesmo na França, onde a CNDA reconheceu que a deserção pode constituir motivo para asilo, apenas algumas pessoas obtiveram proteção. Na Alemanha, no início de 2026, as autoridades começaram a multiplicar as recusas de asilo dirigidas a desertores russos. Paralelamente, vários países da UE consideram uma proibição total de entrada para todos os cidadãos russos que participaram da guerra, privando assim indivíduos do direito à vida e à proteção humanitária. Da mesma forma, por razões humanitárias, reconhecemos o direito dos desertores ucranianos à proteção na UE. O direito à vida e à liberdade prevalece sobre os direitos do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exigimos medidas imediatas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Reconhecer a recusa em participar da guerra (deserção e abandono não autorizado de posto) como motivo legítimo para obter o direito de asilo em cada um dos países e proteção da União Europeia. Trata-se de um ato de consciência e de uma recusa em participar de crimes.<br>● Emitir documentos de viagem humanitários (salvo-condutos) para pessoas sem passaporte internacional, para que possam viajar com segurança para a UE e apresentar um pedido de proteção.<br>● Informar amplamente a população russa sobre as possibilidades de proteção, para que a deserção se torne uma escolha realmente acessível, e não um ato desesperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada recusa de proteção coloca uma vida em perigo. Cada porta aberta é uma oportunidade para a paz e para transformações internas. A Europa deve abrir suas portas àqueles que escolhem a vida e a humanidade — e não reforçar a guerra e a repressão.</p>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#f2f2f2"><img decoding="async" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.10-IO0905.jpeg" style="width:177px;height:auto"><br><strong>Apelo adotado pela Conferência</strong><br>Não à militarização e ao recrutamento obrigatório!<br>Recursos para o bem-estar, não para a guerra!<br>Desde esta conferência internacional contra a guerra, elevamos nossas vozes unidas: contra a guerra e o genocídio, contra a ameaça nuclear crescente, e pela paz. Nós nos reunimos para tocar o alarme: para parar o avanço rumo à guerra, assim como o nacionalismo e o racismo que ela gera. Juntos, dizemos NÃO ao rearmamento e ao alistamento obrigatório, e SIM a sistemas de saúde, educação e serviços públicos devidamente financiados, a empregos dignos e a salários mais altos.<br>Reconhecemos e condenamos a cumplicidade dos governos que facilitaram e continuam a permitir o genocídio na Palestina, que alimentaram o terrível banho de sangue e impediram um cessar-fogo na Ucrânia, que atacaram o Irã soberano, o Líbano e o Iêmen, e que continuam a conduzir guerras e intervenções militares em todo o mundo. Milhões de pessoas morreram ou ficaram feridas, as infraestruturas foram destruídas, vidas e esperanças foram arrasadas, a fim de salvar o sistema capitalista que gera a guerra e a barbárie.<br>Não aceitamos o regresso ao caos e à guerra, da qual grande parte pode ser atribuída ao imperialismo americano. Rejeitamos absolutamente a intervenção política e militar de Trump na Venezuela, suas ameaças de guerra contra Cuba, e afirmamos nossa solidariedade com os povos de todos os países ameaçados por Trump e seus aliados. Reconhecemos e condenamos também o papel dos governos europeus, em particular os de Starmer, Macron e Merz, na escalada do avanço rumo à guerra: nós rejeitamos sua preparação ativa para a guerra, que se desenvolve em todo o continente, o aumento constante dos gastos militares da Otan, e nos comprometemos a nos opor a isso e a fazê-los recuar.<br>Rejeitamos a degeneração de nossas sociedades provocada pelo saque das riquezas públicas, retiradas de nossos territórios e de nossos serviços públicos para serem colocadas nos bolsos dos fabricantes de armas. Não somos enganados pela falsa narrativa de que os gastos com armamentos permitiriam regenerar nossas indústrias e nossas economias. Apoiaremos e incentivaremos a mobilização sindical contra os gastos militares. Defendemos investimentos verdadeiros em nossas sociedades, a fim de garantir uma segurança real aos trabalhadores e a toda a população: para nossos sistemas de saúde, para salários e condições de trabalho dignos, para os transportes, a educação e a moradia. Não aceitaremos nem o alistamento militar nem a militarização da educação: não permitiremos que nossos filhos e nossas filhas sejam enviados para matar e morrer.<br>Enfrentamos obstáculos formidáveis e desafios sem precedentes. Hoje, reconhecemos que a única maneira de sermos eficazes diante das forças poderosas que se levantam contra nós é nos organizarmos internacionalmente e agirmos de maneira estratégica no interesse dos povos. A solidariedade é crucial, assim como é igualmente importante a coordenação internacional, com o movimento operário, para responder aos governos belicistas e ao aumento dos gastos militares. Trabalharemos juntos na elaboração de uma estrutura que permita avançar.<br>Construir esse movimento é essencial para garantir um futuro para nosso planeta e para a humanidade. Esse é nosso compromisso hoje: organizar um movimento forte pela paz, contra o projeto imperialista americano, e lutar pela vida e pelos meios de subsistência de todos os trabalhadores, por um outro mundo, melhor.<br>Convocamos a participar de:<br>– o dia 10 de outubro pela Palestina, para pôr fim a três anos de genocídio e a décadas de ocupação e apartheid;<br>– um fim de semana de ação contra a militarização e o recrutamento obrigatório, nos dias 21 e 22 de novembro;<br>– o dia de ação dos trabalhadores portuários contra a guerra, em outubro, cuja data ainda está por confirmar.<br>Também convocamos a promover o logotipo da conferência – de Paris e de Londres – para dar às nossas ações uma visibilidade e um conteúdo internacionais, e para apoiar as reuniões e iniciativas que se baseiam neste apelo.</p>
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		<title>Um olho na luta dos povos e outro na Copa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 17:56:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No último 11 de junho, enquanto a Copa do Mundo de Futebol era aberta na Cidade do México, um precário acordo entre Estados Unidos e Irã era celebrado, para, nos dias seguintes, ser violado diretamente, com novos ataques a alvos iranianos e, indiretamente, pela ofensiva israelense contra o Líbano. Enquanto a bola rola, o genocídio [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No último 11 de junho, enquanto a Copa do Mundo de Futebol era aberta na Cidade do México, um precário acordo entre Estados Unidos e Irã era celebrado, para, nos dias seguintes, ser violado diretamente, com novos ataques a alvos iranianos e, indiretamente, pela ofensiva israelense contra o Líbano. Enquanto a bola rola, o genocídio na Faixa de Gaza prossegue e a Europa segue ampliando os orçamentos para alimentar a guerra entre Ucrânia e Rússia, uma necessidade econômica incontornável do imperialismo. No mesmo momento em que os meios se concentram na transmissão de jogos e eventos relativos à Copa, a intervenção aberta dos EUA na América Latina não cessa, como no caso do sufocamento assassino do povo cubano.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-12f2ab04945d10e39d13ccbcb95f9e2f" style="font-size:21px"><strong>Trump e Infantino, muy amigos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O evento, uma gigantesca operação de marketing que tem pouco a ver propriamente com campo e bola, uma orgia das grandes multinacionais de diversos ramos, em especial das bets, foi inaugurado ao cabo de um ano e meio de uma duríssima guerra desencadeada por Donald Trump contra os migrantes em território norte-americano. Meses antes da abertura do torneio, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, havia agraciado Trump com o “prêmio da paz da FIFA”. A bizarra homenagem pretendia aliviar o peso de realizar a Copa nos EUA, em pleno momento de maior agressividade de Trump contra os povos e contra a classe trabalhadora estadunidense.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-f9a9b2116a226bcb69fb2a27083695b7" style="font-size:21px"><strong>Agressões de Trump durante a Copa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A política de ataque à fração migrante do proletariado vem tendo sua versão antes e no curso do torneio. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan teve sua entrada negada no Aeroporto de Miami e foi cortado da Copa do Mundo, pela FIFA. Milhares de torcedores de países em conflito com o imperialismo tiveram seus vistos negados. A própria seleção do Irã, classificada para o torneio regularmente pelas regras da FIFA ficou ameaçada de ser cortada e não pode pernoitar nos lugares onde joga a fase inicial da Copa, tendo de se deslocar após seus jogos para o México, numa violação flagrante até mesmo da isonomia esportiva. Incrivelmente, até poucos dias antes do início do evento, a FIFA não ofereceu tradução para os jornalistas que cobrem o torneio em língua espanhola, o que fez apenas depois de intensa denúncia internacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-63541252da340d4528f9039edf2e73cd" style="font-size:21px"><strong>Protestos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, mesmo no quadro estritamente controlado imposto pelas polícias locais e pelo ICE, torcidas como a da Argélia, Bósnia, Escócia e Coreia do Sul têm ido aos jogos com bandeiras da Palestina e cantando “Palestina livre” em inglês. As meninas mortas pelos bombardeios numa escola de Minab, no Irã, também foram lembradas e se sucedem protestos no México que têm entrelaçado reivindicações populares e demonstrações contra o regime israelense pelo genocídio palestino. Mesmo nas delegações, diante de abordagens humilhantes na recepção de algumas equipes (revista ostensiva ainda no campo de pouso, com agentes armados e cães), há manifestações de resistência. O técnico do Irã já disse que não vai abrir mão de chegar ao local do jogo da terceira rodada com uma mínima antecipação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como em todas as Copas, a classe trabalhadora aproveita a atenção internacional para levantar suas bandeiras que, neste caso, unem as lutas dos povos com a batalha da classe contra o ICE e Trump no interior dos EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não menos emblemática foi a realização neste último 20 de junho, nos dias da Copa, em Londres do comício de mais de 3 mil representantes de toda a Europa contra a guerra (ver págs. 6 e 7), um contraponto ao espetáculo de subserviência dos governos e federações nacionais, bem como da FIFA, a Trump nesta pantomina que encobre o espetáculo genuíno do futebol que Messi, Mbappé, Mané e uma imensidão de imigrados que povoam as seleções nos proporcionam.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Eudes Baima</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>“A Constituição de 88 já nasceu sob o veto da classe dominante”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 14:04:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Partido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publicamos abaixo a íntegra da entrevista de Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, Pepê, da direção nacional do Luta Pelo Socialismo, PT-MG. Ela feita por Markus Sokol, para a edição 964, 11 de junho, do jornal O Trabalho. O Trabalho – Os trabalhadores a juventude rejeitam a política bárbara de Trump que respalda a extrema-direita, mas não [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Publicamos abaixo a íntegra da entrevista de Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, Pepê, da direção nacional do Luta Pelo Socialismo, PT-MG. Ela feita por Markus Sokol, para a edição 964, 11 de junho, do jornal O Trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f999ca9c3563ea40404298aab2429e1" style="font-size:21px"><strong>O Trabalho</strong> – <em>Os trabalhadores a juventude rejeitam a política bárbara de Trump que respalda a extrema-direita, mas não é imbatível, a começar nos próprios Estados Unidos. É da solidariedade internacional, e não de outro lugar, que deve emergir a força capaz de reverter a situação. O que vc acha desta situação?</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pepê&nbsp;</strong>&#8211; Concordamos plenamente com a assertiva. Até mesmo porque a extrema-direita não é um fenômeno de política nacional, mas um polo organizado internacionalmente. Trump e Netanyahu funcionam como o centro gravitacional desse sistema — o primeiro fornecendo o peso econômico e militar do imperialismo norte-americano, o segundo operando como sua ponta de lança no Oriente Médio — enquanto uma constelação de figuras menores orbita ao seu redor: Milei, Orbán, Meloni, os herdeiros do bolsonarismo, a AfD alemã. Trata-se, em termos leninistas, de uma articulação própria da fase imperialista: como Lenin demonstrou em “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, o capital financeiro não conhece fronteiras e organiza suas alianças políticas em escala mundial. Seria ingenuidade analisar cada um desses governos isoladamente, como patologias nacionais, quando constituem uma frente coordenada de guerra social contra os trabalhadores, os povos do Sul global e a própria juventude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas esse polo não é imbatível. Os sinais estão à vista: governos progressistas continuam sendo eleitos, inclusive no quintal imediato do imperialismo; a juventude estadunidense se mobiliza massivamente contra o genocídio palestino, abrindo fissuras no coração do próprio império; e o eixo Washington-Tel Aviv descobriu que encontra resistência militar efetiva no Irã e no Libano, não dispondo mais do monopólio incontestado da força que imaginava possuir.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui chegamos ao ponto decisivo. Se a extrema-direita se organiza internacionalmente, a resposta não pode ser nacional. Quando Marx e Engels encerraram o Manifesto com a palavra de ordem &#8220;Proletários de todos os países, uni-vos!”, temos uma tese científica: o capital é uma relação social mundial, e portanto sua superação só pode ser mundial. Uni-vos todos — não uma parcela, não os trabalhadores do Norte contra os do Sul, não os de um país contra os do vizinho. A história do movimento operário demonstra que cada vez que o internacionalismo foi abandonado em nome de acomodações nacionais, a classe trabalhadora pagou com derrotas catastróficas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nós, do Sul global, essa exigência tem um conteúdo adicional, que a teoria da dependência formulou com precisão: a espoliação imperialista não é acidente, a transferência de valor da periferia ao centro é a condição mesma de reprodução do capitalismo mundial. Disso decorre que a unidade dos povos do Terceiro Mundo não é opção sentimental, mas necessidade: nenhum país dependente rompe sozinho o cerco do imperialismo. A solidariedade internacional de que fala a pergunta — dos sindicatos norte-americanos em greve à resistência palestina, dos governos progressistas latino-americanos aos movimentos de massa africanos — é a única força material capaz de reverter a situação. Não virá de outro lugar: não virá dos organismos multilaterais capturados, não virá da diplomacia das classes dominantes, não virá da espera. Virá, como sempre veio, da organização independente dos trabalhadores e dos povos oprimidos em escala internacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-667630622c57fee672431ee5fd15b017" style="font-size:21px"><strong>OT </strong>– <em>O PT nasceu socialista. Mas parece que, como a CUT, deixou certas bandeiras pelo caminho. Por exemplo, a luta pelo fim da escala 6X1 que agora avança, veio do VAT, de fora das centrais e do PT. Como você vê isso?</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pepê&nbsp;</strong>&#8211; Quando a bandeira mais elementar da classe trabalhadora &#8211; a melhora nas condições trabalhistas -, precisa ser levantada por fora das estruturas construídas justamente para isso, algo se cristalizou nessas estruturas. O nome desse algo é conhecido: são os limites do reformismo. Embora as reformas tenham, sim, importância, o reformismo e a famigerada governabilidade opera por uma lógica de conciliação permanente: cede-se hoje para preservar a aliança, modera-se amanhã para acalmar o mercado, negocia-se depois para garantir a base parlamentar. O problema é que essa lógica tem um custo cumulativo, e a história recente o demonstrou com brutalidade pedagógica: a negativa do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF mostrou que os acordos com o centrão e a direita fisiológica não compram lealdade. Compram apenas tempo, e tempo emprestado a juros extorsivos. No fim, a &#8220;governabilidade&#8221; construída pela conciliação revelou-se uma armadilha, uma vez que as concessões foram embolsadas, e na hora decisiva o aliado de ocasião votou contra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais que isso, como sabemos, esse reformismo não atacará o ponto central, porque o ponto central é precisamente o que a conciliação proíbe tocar. Pautas que atendam de fato os interesses dos trabalhadores brasileiros — fim da 6&#215;1, taxação séria das grandes fortunas, reversão das contrarreformas trabalhista e previdenciária, soberania sobre recursos estratégicos — colidem frontalmente com os interesses do capital financeiro e do agronegócio que sustentam a &#8220;governabilidade&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nós, o momento é de pressão. Campanha eleitoral é um momento fundamental para exigir que os representantes eleitos assumam compromissos com as pautas trabalhistas. E precisamos ter algo muito claro: nós, da esquerda, não temos banco. Não temos os fundos do mercado financeiro, os recursos do agronegócio, o aparato midiático das classes dominantes. Nossa única fonte de força na política eleitoral, na política sindical, nos movimentos sociais é a organização e a mobilização da própria classe. Fenômenos como a VAT como pressão externa, combinada com a pressão da própria base da militância petista por dentro, que pode empurrar o PT para a esquerda, até para reencontrar as bandeiras com que nasceu.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-16549d844309bee516573b73f0d84f08" style="font-size:21px"><strong>OT</strong> – <em>Você assinou a Declaração que propõe um Reforma Política Radical no caminho de uma Constituinte Soberana para fazer as reformas estruturais. Como vc explicaria essa questão para um trabalhador mais consciente?</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pepê&nbsp;</strong>&#8211; Um trabalhador mais consciente já sabe, pela experiência, que algo está travado: ele vota, elege, e as pautas que importam à sua vida nunca chegam a ser decididas. A Declaração nomeia o porquê com todas as letras: o Congresso Nacional bloqueia as pautas populares e chantageia o governo; o orçamento público foi sequestrado pelas emendas parlamentares; expedientes antidemocráticos que oligarquizam a representação e replicam sua lógica clientelista nas Assembleias e Câmaras. E por trás dessa engrenagem está o que o documento chama de nó górdio do sistema: o agronegócio, a mineração exportadora e o capital financeiro da Faria Lima, amparados nos privilégios do Judiciário e sob a sombra da tutela militar do Artigo 142. O resultado é a desigualdade abissal que os números da Declaração escancaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É daí que vem a Reforma Política radical. As reformas populares não podem continuar sendo adiadas, e a Declaração as enumera: reversão das privatizações da Eletrobrás e do sistema Petrobras — BR Distribuidora, refinarias, fertilizantes —, porque não há soberania nacional sem controle dos recursos estratégicos, num momento em que o imperialismo pressiona abertamente o continente; revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária; reformas no Judiciário e no Exército; Imposto sobre Grandes Fortunas, sobre patrimônio e renda, como fizeram outros países; salário mínimo no nível do Dieese em quatro anos; e libertar a economia do arcabouço fiscal, derrubando os juros que devoram R$ 1 trilhão por ano do orçamento público.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso a Constituinte Soberana. Trata-se de uma ruptura pela via democrática e não de repetir o Congresso Constituinte de 88, aquele arranjo em que parlamentares comuns, eleitos sob as regras velhas e acumulando funções, produziram uma Constituição já nascida sob veto das classes dominantes.&nbsp;Soberana quer dizer duas coisas: soberana frente ao imperialismo e ao capital financeiro, livre para decidir sobre os recursos e o destino do país; e soberana frente às instituições apodrecidas, convocada com poderes reais para fazer as transformações sociais e econômicas profundas que o Brasil precisa. A burguesia brasileira nunca fez e nunca fará a reforma agrária, a soberania energética, a taxação das grandes fortunas. Quem pode fazê-las é o povo trabalhador organizado — e a Constituinte Soberana é o instrumento. É essa discussão que precisa ser aprofundada com os trabalhadores de nossa base e de todo o país.</p>
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		<title>Rebelião popular na Bolívia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 13:19:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por <strong>EVERALDO DE OLIVEIRA ANDRADE</strong> (<em>professor do Departamento de História da USP. Autor, entre outros livros, de</em> Bolívia: democracia e revolução. A Comuna de La Paz de 1971 [<em>Alameda</em>])</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz. Mais do que uma explosão conjuntural de descontentamento econômico, a crise atual revela contradições acumuladas ao longo de duas décadas e recoloca em movimento uma das mais profundas tradições de luta popular do continente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eleição de Rodrigo Paz ocorreu em meio ao desgaste político do bloco construído em torno de Evo Morales e do Movimiento al Socialismo desde 2006. Durante quase vinte anos, o MAS foi capaz de derrotar eleitoralmente as agendas neoliberais tradicionais, ampliar direitos sociais, fortalecer a presença estatal sobre recursos naturais estratégicos e criar empresas públicas fundamentais para a economia do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, porém, o projeto político do MAS buscou permanentemente uma estratégia de conciliação com setores empresariais e do agronegócio boliviano. A nova Constituição de 2009, apesar de incorporar importantes demandas indígenas e populares, já expressava os limites desse pacto. As políticas neodesenvolvimentistas implementadas nos anos seguintes permitiram crescimento econômico e certa estabilidade social, mas mantiveram forte dependência da exportação de commodities, especialmente do gás natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise internacional de 2008 atingiu duramente essa base econômica. O projeto de diversificação produtiva não chegou a produzir efeitos estruturais duradouros, e os limites do modelo tornaram-se cada vez mais evidentes. Paralelamente, medidas de ajuste implementadas ainda sob os governos do MAS, sobretudo durante a gestão econômica de Luís Arce, aprofundaram o desgaste junto a setores populares urbanos e camponeses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse cenário de fragmentação política e insatisfação social que Rodrigo Paz construiu sua vitória eleitoral, apresentando-se como alternativa de renovação política. Mas o novo governo rapidamente abandonou qualquer ambiguidade. Seu alinhamento com o programa liberal continental e com a extrema direita latino-americana tornou-se imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O decreto 5503 inaugurou um conjunto de medidas de choque contra a economia popular. Em seguida, o governo aderiu ao projeto “Escudo das Américas”, impulsionado pelos Estados Unidos, aprofundou cortes nos subsídios aos combustíveis e promoveu a chamada Lei 1720, que facilitava a concentração fundiária e ameaçava diretamente as terras comunitárias indígenas e camponesas ao permitir sua financeirização. A forte reação popular obrigou o governo a recuar parcialmente e revogar a legislação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, a deterioração das condições de vida continuou avançando. Inflação, desemprego, queda do poder de compra e aumento do custo dos combustíveis produziram um cenário explosivo. O estopim veio em 1º de maio, quando o governo se recusou a conceder reajuste salarial. A partir daí, multiplicaram-se as mobilizações em todo o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhadores urbanos, camponeses, organizações indígenas, transportistas e sindicatos passaram a organizar marchas, paralisações e bloqueios de estradas. A Central Obrera Boliviana apresentou uma pauta unificada de 22 pontos em defesa dos salários, contra privatizações e medidas liberais, incorporando também a exigência de renúncia do presidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão continental da crise boliviana é evidente. Rodrigo Paz converteu-se rapidamente em aliado estratégico do projeto hemisférico impulsionado por Donald Trump e pela extrema direita latino-americana. A integração da Bolívia ao “Escudo das Américas” não possui apenas dimensão militar ou diplomática: trata-se da tentativa de enquadrar recursos estratégicos do país – gás, lítio, terras raras e territórios agrícolas – aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e das grandes corporações multinacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As elites bolivianas historicamente mantiveram profunda dependência econômica e política em relação ao capital internacional. Os grandes proprietários do agronegócio em Santa Cruz e grupos financeiros urbanos acreditavam que a vitória eleitoral de Paz permitiria desmontar rapidamente as conquistas sociais e os mecanismos de organização popular construídos desde as jornadas insurrecionais da Guerra da Água e da Guerra do Gás, no início dos anos 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a atual rebelião demonstra justamente o contrário. A tradição de luta popular boliviana permanece viva. Os bloqueios e assembleias populares reaparecem como instrumentos centrais de resistência e auto-organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os chamados comitês de bloqueio surgidos em regiões como El Alto, Senkata, Ventilla e Puente Vela possuem enorme significado político. Esses espaços articulam trabalhadores urbanos, camponeses, povos indígenas e setores populares em formas de deliberação coletiva e coordenação territorial profundamente enraizadas na história boliviana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata apenas de instrumentos táticos de mobilização. Sua emergência revela a permanência de tradições de democracia direta e organização comunitária que remontam à Revolução de 1952, à Comuna de La Paz de 1971 e às grandes jornadas populares do início do século XXI.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses organismos expressam uma crítica prática à burocratização de parte da Central Obrera Boliviana e de importantes sindicatos históricos. A pressão das bases e o desenvolvimento de formas autônomas de organização impulsionam uma possível recomposição do caráter combativo do movimento operário boliviano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria pauta de 22 pontos da COB demonstra esse movimento ao conectar reivindicações econômicas imediatas – salários, subsídios, defesa dos serviços públicos – com uma luta política aberta contra o governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência boliviana recoloca no centro da discussão latino-americana uma questão decisiva: os limites das estratégias exclusivamente institucionais diante do avanço da extrema direita. As eleições seguem sendo terreno importante de disputa, mas encontram-se cada vez mais condicionadas pelo poder econômico, pelo controle das plataformas digitais e pela intervenção geopolítica das grandes potências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vitória de Rodrigo Paz capturou momentaneamente a crise do bloco popular organizado em torno do MAS, mas não eliminou as transformações sociais e políticas produzidas desde 2006. O próprio MAS carrega limites profundos em seu modelo econômico e em suas práticas políticas, porém consolidou-se historicamente como principal instrumento de oposição às agendas neoliberais da direita boliviana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande erro do novo governo foi imaginar que sua vitória eleitoral representava autorização irrestrita para aplicar um programa ultraliberal de choque. A resposta popular recoloca em cena a memória das jornadas de 2003, que derrubaram Gonzalo Sánchez de Lozada após as guerras da água e do gás e abriram caminho para a ascensão de Evo Morales.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Brasil e para toda a América Latina, a rebelião boliviana traz uma lição política central: a resistência às agendas ultraliberais e autoritárias depende da capacidade de organização da classe trabalhadora, da unidade entre sindicatos, movimentos populares e coletivos territoriais, e da construção de formas concretas de poder social enraizadas nas necessidades das maiorias exploradas e oprimidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://aterraeredonda.com.br/rebeliao-popular-na-bolivia/" type="link" id="https://aterraeredonda.com.br/rebeliao-popular-na-bolivia/">Artigo originalmente publicado na revista eletrônica A Terra é Redonda</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Vladimir se foi, mas nossa viagem continua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 13:39:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Inexorável, a morte é sempre brutal quando retira de nosso convívio pessoas que deveriam continuar entre nós.<br>Na segunda-feira dia 11 de maio, em uma atividade do Cemap (Centro de documentação do movimento operário Mário Pedrosa), Vladimir Sacchetta indicado para seu conselho consultivo estava presente na sala da Praça da República 468, sala Fulvio Abramo (um militante do trotskismo no Brasil, contemporâneo de Hermínio Sacchetta, pai de Vladimir). Cachecol vermelho e com uma aparência debilitada, sentado no plenário, uma fileira à minha frente, saiu durante o decorrer da atividade, antes de seu fim. E se foi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 15 de maio, consternados, recebemos a notícia de seu falecimento, aos 75 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Filho da história do trotskismo no Brasil, com a atenção voltada para os problemas sociais, Vladimir dedicava-se à documentação e jornalismo, sempre imbrincado ao combate de seu pai. A família Sacchetta é parte estruturante da história do trotskismo no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1986, foi esta identidade com o trotskismo que nos levou a nos encontramos na coordenação da campanha de Florestan Fernandes a deputado federal pelo PT. Ali conheci de perto o Vladimir. A campanha de Florestan que coordenamos era um espaço de discussão e iniciativas políticas entusiásticas. Eleito, Florestan Fernandes, sua companheira, dona Miriam, seu filho Florestan Junior, mantiveram uma relação com o comitê que integrávamos que que ajudou na vitória. Desta época, aos dias de hoje, minha estima pelo jovem Vladimir (eu também jovem à época) manteve-se intacta. Lembro quando nos encontrávamos em hotéis de São Paulo enquanto aguardávamos a apuração das eleições presidenciais, evidentemente torcendo pela vitória de Lula, mas ao mesmo tempo preocupados com nossa responsabilidade com as demandas populares. Não havia oba, oba, havia a preocupação com as tarefas do PT com o povo brasileiro. Nós estávamos preocupados com isso. Vladimir, que sempre honrou as sua origem, herdada do pai, também. Foi um baita companheiro de viagem. Sacchetta você se foi, mas nossa viagem comum continua. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Misa Boito</strong></p>
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		<title>“O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições!”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 13:22:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Começou a circular uma Declaração à Militância do PT, encabeçada por personalidades e dirigentes (abaixo). Subscrevem militantes independentes, do DAP e de agrupamentos como o Quilombo Socialista, Luta Pelo Socialismo e o Chão. A Declaração está aberta à adesões. “Companheiras e companheiros, O PT realizou seu 8° Congresso numa situação mundial caótica. Queremos ser claros [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Começou a circular uma Declaração à Militância do PT, encabeçada por personalidades e dirigentes (abaixo). Subscrevem militantes independentes, do DAP e de agrupamentos como o Quilombo Socialista, Luta Pelo Socialismo e o Chão. A Declaração está aberta à adesões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Companheiras e companheiros,</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PT realizou seu 8° Congresso numa situação mundial caótica. Queremos ser claros e diretos sem palavrório cansativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os povos do mundo já sofrem as consequências da escalada de guerras dos EUA e de Israel, agora contra o Irã e o Líbano, além da guerra na Ucrânia e no Sudão. O fardo, seja em termos de alta de preços, seja de milhões deslocados, feridos e mortos, é lançado nas costas dos trabalhadores, enquanto um punhado de bilionários acumula fortunas, inclusive no Brasil. É preciso dizê-lo sem meios termos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trump quer mostrar que pode tudo. Mas é o imperialismo em crise que tenta manter militarmente sua hegemonia. Internamente Trump está confrontado. Milhões saem às ruas no “No Kings”, contra a guerra, contra os cortes, e protestam contra a caçada desumana de imigrantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil não está à parte do tumulto, não é viável um “equilíbrio”. Trump quer acabar com a soberania nacional no continente, por isso sequestrou o presidente Maduro, bloqueia Cuba, e pressiona o Brasil, o México e a Colômbia, a se alinharem à sua pauta, de entrega de riquezas naturais e de competição com a China.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo Trump exortou os generais do continente a não dar bola aos advogados (as leis) para combater a migração em massa e o narcoterrorismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso encarar as ameaças defendendo a soberania nacional com uma pauta popular mobilizadora, sem temer as oligarquias. Apoio do povo não faltará.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo mundo, Trump respalda a extrema-direita. Mas ela não é imbatível, a começar nos próprios Estados Unidos. O PT tem lado, é o da solidariedade internacional com os trabalhadores e os povos, que é de onde pode emergir a força capaz de resistir e reverter a marcha à barbárie que este sistema arrasta a humanidade. Não há outro caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Companheiras e companheiros,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário é desafiador para a reeleição de Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trump chantageou o país com alucinadas tarifas de importação, e agora ameaça enquadrar o PCC e CV como narcoterroristas para uma eventual intervenção, pregada pelos bolsonaristas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A extrema-direita pretende atrair os votos explorando a frustração que existe em setores populares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os governos do PT, sem dúvida, foram os melhores. Mas a desigualdade social segue abissal: o 1% mais rico tem 37% da renda nacional; os 10% mais ricos têm 59% da renda; e os 50% mais pobres só tem 9%!!!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque não foi cortado o nó górdio do sistema que se assenta no agronegócio, na mineração e no capital financeiro da Faria Lima. São eles que comandam o show no Congresso Nacional, amparados nos privilégios do judiciário, sob a sombra da tutela militar (Art.142).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, foram retomados os programas sociais mutilados e criaram-se novos (Pé-de-meia). A elevação do piso do Imposto de Renda foi positiva, mas tímida – por que não retomar taxação de 40% sobre os mais ricos, extinta pela Ditadura Militar?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve crescimento econômico e queda do desemprego, mas grande parcela da população não sente melhora substancial. O salário não alcança os preços nos supermercados e nos alugueis, vitais para as camadas populares. Os jovens só conseguem empregos com baixos salários e desregulamentados. Daí o seu movimento pelo Fim da Escala 6&#215;1, com redução de jornada e sem redução de salário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lula é que deve ser o candidato antissistema. O PT veio à luz socialista. Mas não pode ser socialista em dias de festa, e celebrar as PPPs e OSs no resto do ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos preocupados. O PT que nasceu contra esse sistema e não pode ir “para a vala comum da política deste país”, como disse o presidente Lula no aniversário do PT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema está podre, as instituições estão em crise. O Congresso bloqueia as pautas populares. O Orçamento foi sequestrado pelas emendas parlamentares, no seu conjunto, não só as “impositivas”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas emendas absurdas de R$ 50 bilhões, com o enorme Fundo Eleitoral de R$ 5 bilhões, são expedientes antidemocráticos que oligarquizam os partidos, inclusive o nosso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PT deve, sem hesitar, abraçar a plataforma antissistema e, nesse caminho, desobstruir seus canais. O PT deve apresentar uma alternativa à bagunça dos conflitos permanentes de poderes institucionais, e não ser parte dela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PT deve apresentar a pauta popular para constituir alianças em defesa da Soberania Nacional, ela inclui a reversão de privatizações da Eletrobrás e do sistema Petrobrás, as reformas no judiciário, no exército, a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária; inclui libertar a economia do arcabouço fiscal derrubando os juros que comem R$ 1 trilhão por ano; o imposto sobre grandes fortunas (patrimônio e renda), e o aumento do salário mínimo ao nível do Dieese em quatro anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós vamos fazer a maior campanha eleitoral para Lula e os candidatos do PT. Mas com essas regras eleitorais é muito difícil mudar a relação de forças no Congresso. E não vai ser colando figurinhas do Centrão, que fecharemos o álbum do bloco das mudanças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições que deve ser um tema eleitoral. É como o PT pode se qualificar como o genuíno partido antissistema, propondo a luta por uma Reforma Política que institua, pelo menos, o financiamento público exclusivo de campanha, o voto em lista partidária pré-ordenada e a representação proporcional (uma pessoa = um voto). Essa plataforma será desenvolvida com os aliados que encontraremos nos movimentos populares, em associações, outras forças políticas, sociais e na opinião pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, é uma ruptura pela via democrática. Queremos contribuir para um movimento por uma Constituinte Soberana, que faça as transformações sociais e econômicas profundas que o Brasil precisa. Não se trata de repetir o Congresso Constituinte de 88.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde já, lançamos a ideia deste movimento em reuniões e intercâmbios, em vista de um grande debate nacional pela Assembleia Constituinte Soberana no mês de agosto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É hora de reunir as forças para a dura batalha pela frente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa batalha nos encontraremos com toda a militância do PT.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">São Paulo, 24 de abril de 2026</p>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#eeeeeeed"><strong>Primeiros signatários</strong><br>José Genoíno, ex-presidente do PT; Rui Falcão, ex-presidente e deputado federal do PT; Luiz Eduardo Greenhalgh, fundador do PT; Markus Sokol, fundador do PT; Misa Boito, fundadora do PT; Betão, deputado estadual PT MG; Lino Peres, Setorial de Combate ao Racismo PT-SC; Bruno Zillioto, vereador do PT em Florianópolis-SC; Marcos Antônio Pereira -Steve Biko, DM-PT Conde-PB; Sumara Ribeiro, Executiva estadual PT MG; Claudinho Silva, ex-Ouvidor da Polícia do Estado de SP; Priscilla Chandretti, membro do DN-PT; Milton Alves, PT PR; Paulo Riela, PT BA; José Américo Dias, ex-deputado estadual PT SP; Júlio Turra, Setorial Sindical nacional PT; Leda Gonçalves, PT DF; Marcelo Carlini, PT RS; Rosane Cordeiro, Sindados MG; Robson Gomes Silva, Presidente do Sintect MG; Pedro Paulo Pinheiro, PT MG; Hélio Barreto, PT-DF; Adelino Oliveira, PT Piracicaba SP; Auxiliadora Souza, PT Salvador BA; Dagna Costa, PT Juiz de Fora-MG; Luís Eduardo, PT Porto Alegre-RS; José Luis Sobrinho, Presidente do PT Ipojuca-PE; Ancelmo Rodrigues, Presidente do PT Conde-PB.</p>
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		<title>Terrabras e o futuro da soberania nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 21:28:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um projeto (PL-1754) para a criação da Terrabras, empresa estatal responsável pela prospecção e extração dos chamados minerais críticos, foi articulado pela bancada de deputados do PT. Até o presente, contudo, o governo Lula não encampou nem tampouco apoiou o projeto: o ministro das Minas e Energias, Alexandre Silveira (PSD-MG), ligado e financiado pelo grande [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um projeto (PL-1754) para a criação da Terrabras, empresa estatal responsável pela prospecção e extração dos chamados minerais críticos, foi articulado pela bancada de deputados do PT. Até o presente, contudo, o governo Lula não encampou nem tampouco apoiou o projeto: o ministro das Minas e Energias, Alexandre Silveira (PSD-MG), ligado e financiado pelo grande empresariado da mineração, exigiu do governo a rejeição prévia de qualquer estatal no setor.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-7b9b9f86ca3e24cf191210d34d9f16e3" style="font-size:21px"><strong>O que são as “terras raras”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os chamados “minerais de terras raras” representam um conjunto de metais que têm tomado importância crescentemente à atual indústria da fronteira tecnológica, ocupando também um papel estratégico central aos complexos militares-industriais das potências capitalistas e, portanto, da política imperialista. Alguns de tais minerais são menos abundantes, outros mais – todos eles, contudo, são encontrados de forma muito dispersa na crosta terrestre e, por isso, são de difícil extração e processamento pela indústria de mineração, sendo assim chamados de “raros”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses elementos minerais são indispensáveis à fabricação de smartphones, baterias de carros elétricos, ou turbinas eólicas – mercadorias cada vez mais centrais às cadeias de produção e consumo globais, bem como à chamada “economia da transição climática”. Tais minerais são também matéria-prima indispensável aos equipamentos (hardware) de superprocessadores eletrônicos e outros componentes utilizados por empresas de Inteligência Artificial, de robótica, drones etc. Ademais, têm se tornado cada vez mais essenciais à indústria bélica, na produção de radares, sistemas de orientação e uma miríade de outras aplicações em tecnologias de defesa e segurança militar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como pode ser visto no gráfico k, a China, além de deter cerca de 50% das reservas mundiais de “terras raras”, controla também seus mercados. Ela sozinha é responsável por 60% de sua mineração global – quase seis vezes superior à dos EUA. Mais importante ainda, a indústria chinesa domina quase 90% do processamento de tais metais e é igualmente responsável pelo grosso da fabricação de vários de seus derivados. Sua indústria de transformação produz, por exemplo, mais de 90% de ímãs permanentes (usados em turbinas, celulares, etc).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é a competição pelo controle de tais mercados, assim como de toda a cadeia de produção, que tem levado os EUA – seus governos e suas grandes corporações tecnológicas (as Big Techs) – a deslanchar uma disputa encarniçada não apenas contra a vasta proeminência da China, mas sobretudo pelo livre acesso das reservas globais &#8211; 23% das quais encontram-se em território brasileiro. Embora seja a segunda mundial no ranking, essas reservas do país são ainda pouquíssimo exploradas.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-79dc13190f62c1d5ea5333b2b84fb744" style="font-size:21px"><strong>Estatal, soberania e desenvolvimento</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É em meio a essa verdadeira tentativa de assalto imperialista sobre as riquezas nacionais que tramita no Congresso o Marco Legal dos Minerais Críticos, o PL-2480. Sob a batuta do Centrão e, portanto, do lobby de mineradoras e multinacionais, tal projeto é centrado em enormes concessões ambientais, creditícias e de isenções tributárias ainda maiores do que as atuais. As mineradoras brasileiras estão dentre as que menos pagam impostos e royalties no mundo – apenas de 1% a 3,5% de Compensação Financeira pela Exploração Mineral. Além disso, suas isenções resultam em gasto fiscal de R$ 20 bilhões nos últimos anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O deputado Pedro Uczai (PT-SC), articulador do projeto da Terrabras, pediu o adiamento da entrega do parecer do PL. Ele diz tentar convencer o presidente Lula a reconsiderar o apoio do governo à criação da estatal. Pelo projeto da bancada petista, a estatal seria voltada à exploração de minerais críticos e teria exclusividade na operação, com regime de partilha (com empresas privadas) – algo similar à Lei do Pré-Sal de 2010. Isso asseguraria “participação direta do Estado, promovendo segurança nacional, conteúdo local, preservação ambiental e transparência, além de fomentar o desenvolvimento tecnológico e industrial. Ao potencializar e incentivar o beneficiamento dos recursos extraídos, o modelo inibe a prática de exportar matérias-primas minerais sem valor agregado”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há exemplos recentes viáveis de medidas similares, inclusive em países latino-americanos. Em 2022 o presidente mexicano, Lopes Obrador, implementou lei que criou a LitioMx, uma estatal que passou a ter o monopólio na extração e comercialização do lítio, metal fundamental usado em baterias e outros equipamentos cada vez em maior demanda internacional. No Chile, o então presidente Boric reformou as concessões concedidas às mineradoras estrangeiras (chinesas no caso), exigindo participação paritária e elevando a 12% o pagamento de royalties.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-24b2df09fa4bbce6943df06d888f6472" style="font-size:21px"><strong>Serra Verde, Caiado e Trump</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso, em Goiás, a mineradora Serra Verde foi comprada pela “USA Rare Earth” (USRE), empresa norte-americana ligada ao secretário do Comércio do governo Trump, Howard Lutnick. A Serra Verde, proprietária da mina goiana de Pela Ema, é a única a operar em terras-raras no Brasil e a única a extrair elementos magnéticos críticos em larga escala fora da Ásia. A conclusão do negócio, entusiasticamente intermediada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), está prevista para o terceiro trimestre de 2026. A USRE tem sido pesadamente financiada com fundos públicos pela Casa Branca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde que a China suspendeu a exportação de minerais críticos aos EUA, em retaliação à guerra tarifária de Trump, este tem investido agressivamente no setor. A capitalização estatal da USRE e seu avanço sobre as reservas brasileiras faz parte dessa estratégia. Um pouco antes de ser vendida, a Serra Verde havia obtido um financiamento de meio bilhão de dólares de uma agência pública (USIDFC), ligada ao Departamento de Estado dos EUA. Os recursos estão condicionados a “cláusulas de offtake”, que garantiam prioridade de fornecimento dos minérios extraídos a empresas norte-americanas. A “prioridade” converteu-se em “exclusividade” após a venda da Serra Verde, que se comprometeu contratualmente assim a fornecer por 15 anos 100% de sua produção a uma empresa privada de propósito específico, também capitalizada pelo governo dos EUA.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-2ecec0ca928e9d37fd89888954e6d8ce" style="font-size:21px"><strong>Inconstitucionalidade e campanha eleitoral</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um mês antes da venda, o governador Caiado havia assinado um memorando de entendimento para exploração do potencial minerário de Goiás com um encarregado de negócios dos EUA, garantindo a tal país acesso exclusivo e confidencial ao mapeamento geológico estadual. Tudo isso é claramente inconstitucional, já que a competência de regular a gestão de minerais estratégicos é exclusiva do Estado brasileiro e a propriedade do subsolo pertence à União, e não aos estados. Caiado usurpa assim funções da Presidência da República.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A despeito disso, o governo federal não tomou qualquer medida para questionar legalmente a venda da mineradora e muito menos o memorando de Caiado. O STF já recebeu Ação, apresentada pela Rede, questionando a legalidade da venda da Serra Verde. O partido alega que tal operação desloca o poder de decisão sobre a exploração de terras raras a um grupo estrangeiro à revelia do Artigo 176 da Constituição. A Ação solicita ainda que a União e a Agência Nacional de Mineração apresentem pareceres e análises sobre a venda, incluindo avaliação do interesse nacional, dos impactos tecnológicos e da soberania econômica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tema precisa estar no centro do debate eleitoral. E Lula necessita urgentemente romper com o cerco das mineradoras privadas e dos EUA no interior de seu próprio governo. Ele precisa rejeitar a venda da Serra Verde e defender abertamente a criação da estatal Terrabras. E deve colocar isso no centro de sua campanha à reeleição. Tais bandeiras são as da defesa da soberania nacional e, por isso, se bem impulsionadas serão capazes de mobilizar contra a direita “patriótica” dos Caiados e Bolsonaros da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Alberto Handfas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Centrar fogo pelo fim da escala 6&#215;1!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 14:09:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A medida que aumenta a possibilidade de votação de lei ou emenda constitucional que põe fim a escala 6&#215;1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44h para 40h, empresários e seus porta-vozes têm reagido com uma campanha que busca colocar o medo do desemprego e da “quebradeira” generalizada nos trabalhadores. Essa onda de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A medida que aumenta a possibilidade de votação de lei ou emenda constitucional que põe fim a escala 6&#215;1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44h para 40h, empresários e seus porta-vozes têm reagido com uma campanha que busca colocar o medo do desemprego e da “quebradeira” generalizada nos trabalhadores. Essa onda de mentiras precisa ser enfrentada nos locais de trabalho para afastar quaisquer dúvidas sobre a justeza da reivindicação e a ausência de risco do caos anunciado fraudulentamente pelas associações empresariais. Os atos de 1º de Maio pelo Brasil devem impulsionar a luta na base das categorias.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-4a78fb3e7b330f90e85c4b3c148808f4" style="font-size:21px"><strong>Pauta de longa data </strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentemente do que dizem os empresários, a redução da jornada não está sendo discutida de maneira açodada. Na Constituinte de 1986/88, por exemplo, esta reivindicação já estava na pauta dos trabalhadores e foi negada pela maioria dos deputados e senadores. Portanto, já são quase 40 anos de atraso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em relação à “quebradeira” os argumentos oferecidos no estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) são irrefutáveis. O órgão analisou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, referentes a 2023 e dá, entre outras coisas, a dimensão do número de beneficiados e o impacto nos setores com mais de 500 mil trabalhadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-65392db3c072b9123b3db6af1bb6ae96" style="font-size:21px"><strong>Mais de 30 milhões beneficiados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Ipea tabulou 44 milhões de trabalhadores celetistas em 2023. Excluindo-se os que não tinham informações sobre jornada, 74% (31,7 milhões) tinham jornada de exatamente 44 horas semanais contratuais, independente das horas extras, além de outros 3% (1,1 milhão) que tinham jornada registrada acima de 44 horas. Ou seja, a redução da jornada de trabalho para 40h beneficiará mais de 30 milhões de trabalhadores. É razoável projetar que os que tem escala 6&#215;1 estão entre estes grupos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-624a3a03377bf0fe3511e890a3dc58cc" style="font-size:21px"><strong>Exemplos de setores comprovam custos irrisórios</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre outros indicadores, o estudo do Ipea explora o impacto nos ramos que empregam mais de 500 mil trabalhadores. Esses dados ajudam a desmascarar as ameaças vazias feitas pelos empresários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O comércio varejista, por exemplo, em 2023 tinha 6,7 milhões de vínculos. O aumento de custo da hora trabalhada seria de 9,26%, contudo o percentual do total de despesas gastas com trabalho seria de 11,24%. A conclusão é que o aumento total de gastos seria de míseros 1,04%. O setor de fabricação de produtos alimentícios por sua vez, que empregou 1,7 milhão no mesmo ano, teria um aumento de custo de hora trabalhada estimado em 9,46% e um total de despesas com trabalho de 7,81% deixando o aumento total de gastos em 0,74%. Outros exemplos como esses podem ser acessados no QR code</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os números provam que o custo da redução da jornada de trabalho não é motivo para a “quebradeira” ou o desemprego anunciado pelos empresários. Na verdade, é o passado escravagista das elites econômicas que não aceitam nenhuma conquista dos trabalhadores, ainda mais durante o governo Lula há poucos meses das eleições. É a sacrossanta margem de lucro que não pode ser mexida.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-67cd5dd063a0acfd0bc89e3ce1c73a86" style="font-size:21px"><strong>Empresários preparam “jabutis”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 14 de abril, Lula enviou para o Congresso em regime de urgência (tranca a pauta em 45 dias) o PL 1838/26 que acaba com a escala 6&#215;1 e reduz a jornada semanal para até 40h. A iniciativa de Lula é positiva e obrigou o presidente da Câmara, Hugo Motta (REP), a pautar o tema que conta com mais de 70% de apoio popular. Apesar da resistência, principalmente vinda dos empresários, em pautar os projetos em ano eleitoral a resposta de Motta foi acelerar as PECs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 22 de abril, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou parecer pela admissibilidade das propostas de emenda à Constituição (PECs). Contudo, há riscos reais de&nbsp; transformação das PECs vindos do Centrão à extrema-direita com a introdução de “jabutis” que não só podem desfigurar os projetos com uma redução da jornada a perder de vista ou a criação de compensações fiscais ameaçando a Previdência Social e o financiamento dos serviços públicos como podem trazer retrocessos com uma “reforma trabalhista” anunciada pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-3debf53d73a1fb4d5e04657c455e0cc1" style="font-size:21px"><strong>Mobilizar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse conjunto de riscos traz ainda mais importância do impulsionamento do PL 1838/26 enviado por Lula na medida em que o governo poderia vetar “jabutis” enxertados pelas associações empresariais. A tática legislativa é importante, mas é a mobilização social que pode garantir a provação da redução da jornada e o fim da escala 6&#215;1.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marcelo Carlini</strong></p>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#eeeeee"><span class="wp-rich-text-font-awesome-icon wp-font-awesome-icon"><svg aria-hidden="true" focusable="false" data-prefix="fas" data-icon="circle-plus" class="svg-inline--fa fa-circle-plus " role="img" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" viewBox="0 0 512 512" style="font-size:1.8em" color="#a2a2a2"><path fill="currentColor" d="M256 512a256 256 0 1 0 0-512 256 256 0 1 0 0 512zM232 344l0-64-64 0c-13.3 0-24-10.7-24-24s10.7-24 24-24l64 0 0-64c0-13.3 10.7-24 24-24s24 10.7 24 24l0 64 64 0c13.3 0 24 10.7 24 24s-10.7 24-24 24l-64 0 0 64c0 13.3-10.7 24-24 24s-24-10.7-24-24z"></path></svg></span><br><br>
<img decoding="async" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.3-682554690_18097183475119747_8131310967407291743_n-e1777557831212.jpg"> 
<strong>Audiência pública na Bahia pelo fim da escala 6X1</strong><br><em>Ponto de apoio na luta</em><br>No dia 22 de abril, na Câmara de Cruz das Almas/BA, ocorreu a audiência pública com 100 presentes pelo fim da escala 6&#215;1, proposta pelo mandato do Prof. Lilo Lordelo (PT) em articulação com grupo de base do Diálogo e Ação Petista na cidade. A atividade contou com a colaboração de estudantes de publicidade da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia que fizeram a cobertura da atividade.<br>Na fábrica de calçados da cidade a panfletagem que preparava o evento permitiu tratar de questões concretas com os trabalhadores. Havia muitas dúvidas sobre o que era o projeto de lei, como estava sua tramitação, e como se aplicaria a cada caso concreto. No diálogo presencial foi possível explicar e convencer que era possível e necessária a aprovação desta medida.&nbsp;<br>No dia da audiência, presentes sindicalistas, advogados, parlamentares e dirigentes partidários, entidades estudantis e jovens. Presentes também professoras das creches municipais que reivindicam o enquadramento por parte da prefeitura que se recusa fazer.&nbsp; A participação da comunidade, em especial dos jovens representantes do grêmio estudantil do IF de Mangabeira, ressaltando as várias formas como esta escala 6&#215;1 afeta a eles e a seus familiares, foi um momento alto do debate, trazendo a esperança desta força jovem para a luta.<br>Como encaminhamentos desta audiência pública foram aprovados: o apoio a Medida Provisória do presidente Lula sobre a escala 6&#215;1 e a proposta de lei a ser encaminhada pelo Vereador Prof. Lilo, que propõe que, assim como no governo federal, todas as empresas terceirizadas que prestem serviços ao executivo municipal de Cruz das Almas, BA, estejam com seu regime de trabalho enquadrado na escala 5&#215;2, sem redução de salário.</p>
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		<title>A guerra de Trump e Netanyahu tem que terminar!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 13:58:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 7 de abril, Trump numa ameaça genocida disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, a civilização persa de três mil anos, porque o governo do Irã não capitulou às suas exigências. À noite, ele anunciou e o Irã confirmou um cessar-fogo provisório de 15 dias. Mas já no dia seguinte, Netanyahu, com [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No dia 7 de abril, Trump numa ameaça genocida disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, a civilização persa de três mil anos, porque o governo do Irã não capitulou às suas exigências. À noite, ele anunciou e o Irã confirmou um cessar-fogo provisório de 15 dias. Mas já no dia seguinte, Netanyahu, com a complacência de Trump, disse que não estava no acordo e fazia seu mais selvagem ataque ao Líbano &#8211; 160 mísseis mataram 354 pessoas em vários pontos do país em menos de 15 minutos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos dois países já passam de dezenas de milhares o número de mortos e feridos, e mais de um milhão de deslocados. No Irã, o New York Times que analisou registros de satélites, mostra que os destroços são frequentemente causados por ataques em bairros densamente povoados, em particular Teerã, capital com 10 milhões de habitantes, com densidade comparável à Nova York.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta ao bombardeio, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do gás e do petróleo produzidos no mundo. As primeiras negociações entre os EUA e o Irã no Paquistão em 11 de abril, fracassaram, mas parecem continuar discretamente. Israel continuou os ataques no Líbano.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-c5d2de55bc579e04592991c360192afd" style="font-size:21px"><strong>Tentativa de bloquear os portos iranianos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os EUA tentam, agora, fechar o Estreito de Ormuz para os navios vindos de portos iranianos, e não de outros, com o objetivo de bloquear as receitas de petróleo do Irã. O que também é uma ameaça à China que compra 40% do seu petróleo no Irã.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a guerra no Irã, o foco está no preço do petróleo, não apenas para afirmar, com a ajuda de Israel, seu controle sobre o Oriente Médio, mas também para aumentar a pressão sobre a China, desafiando sua posição no mercado global e tentando afirmar uma &#8220;ordem mundial&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isso num contexto de crise generalizada, na qual o bloqueio do Golfo já provocou uma nova alta exponencial nos preços do petróleo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E diante das políticas de Trump e Netanyahu, as manifestações e a rejeição a uma escalada militar ainda maior se aprofundam em todo o mundo, causando contradições e crises em alguns governos — inclusive na administração estadunidense.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Markus Sokol</strong></p>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#eeeeee"><span class="wp-rich-text-font-awesome-icon wp-font-awesome-icon"><svg aria-hidden="true" focusable="false" data-prefix="fas" data-icon="circle-plus" class="svg-inline--fa fa-circle-plus " role="img" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" viewBox="0 0 512 512" style="font-size:1.8em" color="#a2a2a2"><path fill="currentColor" d="M256 512a256 256 0 1 0 0-512 256 256 0 1 0 0 512zM232 344l0-64-64 0c-13.3 0-24-10.7-24-24s10.7-24 24-24l64 0 0-64c0-13.3 10.7-24 24-24s24 10.7 24 24l0 64 64 0c13.3 0 24 10.7 24 24s-10.7 24-24 24l-64 0 0 64c0 13.3-10.7 24-24 24s-24-10.7-24-24z"></path></svg></span><br><strong>Resistência e solidariedade no Brasil</strong><br>No mesmo dia 7 do discurso genocida de Trump, no Brasil, em resposta ao apelo do reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã (IUST), Dr. Mahmoud Mehrdad Shokrieh, 37 sindicatos e quatro sociedades científicas, repudiaram em nota pública (abaixo) as ações bárbaras dos EUA e de Israel. A iniciativa veio dos militantes do DAP no movimento Renova Andes e recolheu amplo apoio. Com relação ao Líbano, fica a demanda de que o governo Lula rompas as relações com Israel.<br><br>“Repúdio aos bombardeios dos EUA e de Israel às Universidades e Escolas do Irã<br>O ataque militar unilateral lançado pelos EUA e por Israel contra o Irã em 28/02/2026 têm escalado a cada dia e cada vez mais alvejado sua população civil e instituições sociais. Várias universidades e centros de estudos do Irã têm sido deliberadamente bombardeadas.<br>Entre as instituições criminosamente atingidas pelos mísseis dos EUA-Israel, destacam-se a Universidade Imam, Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã e Universidade de Tecnologia de Isfahan.  Logo no primeiro dia desta guerra, aliás, a Escola Feminina Shajareh Tayyebeh (Minab) foi devastada com os brutalmente destrutivos mísseis norte-americanos Tomahawk, tendo mais de 150 de suas jovens estudantes assassinadas. Tais atos de destruição seguem, pois, o mesmo padrão daqueles ocorridos, recentemente em Gaza, quando as Forças Armadas de Israel (FDI) destruíram as 12 universidades ali existentes – o mesmo padrão também contra o Líbano.<br>Repudiamos com veemência tais ataques e interpelamos toda a comunidade acadêmica brasileira a denunciar o escolasticídio que EUA e Israel têm desenvolvido contra o Irã. Por meio da destruição de escolas, universidades, bibliotecas e centros de pesquisas pretendem apagar a memória, a cultura, a soberania científica e tecnológica e o futuro do povo e da nação iraniana. A barbárie cultural em curso contra o Irã – nação dotada de uma rica e milenar cultura é, definitivamente, um crime contra a humanidade.<br>Pelo fim imediato dos bombardeios contra o Irã! <br>Toda solidariedade aos docentes, pesquisadores, acadêmicos e estudantes iranianos!”<br><br><strong>Assinam sindicatos de docentes, associações científicas e dirigentes:<br></strong>Cláudio Mendonça, presidente do ANDES – SN (Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior); Francivaldo Alves Nunes, presidente da Anpuh (Associação Nacional de História); Beatriz Macchione Saes, presidente da EcoEco (Sociedade Brasileira de Economia Ecológica); Carlos Fidelis da Ponte, presidente do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde); Marisa Silva Amaral, presidente da SEP (Sociedade Brasileira de Economia Política), Adcac (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Catalão); Aduemg (Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Minas Gerais); Aduems (da Universidade do Estado de Mato Grosso do Sul); Aduenp (da Universidade Estadual do Norte do Paraná); Adufabc (da Universidade Federal do ABC); Aduferpe (da Universidade Federal Rural de Pernambuco); Adufepe (da Universidade Federal de Pernambuco); Adufmat (da Universidade Federal de Mato Grosso); Adufms (da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul); Adufop (da Universidade Federal de Ouro Preto); Adufpel (da Universidade Federal de Pelotas); Adufpb (da Universidade Federal da Paraíba); Adufrj (da Universidade Federal do Rio de Janeiro); Adufs (da Universidade Federal de Sergipe); Adufscar (da Universidade Federal de São Carlos); Adufu (da Universidade Federal de Uberlândia); Adunemat (da Universidade Estadual do Mato Grosso); Adunicamp (da Universidade Estadual de Campinas); Adunicentro (da Universidade do Cento-Oeste do Paraná); Adunifesp (da Universidade Federal de São Paulo); Adunioeste (da Universidade Federal do Oeste do Paraná); ApesJF (Associação dos Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora); Apropuc (da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Apur (da Universidade Federal do Recôncavo); Asduerj (da Universidade Estadual do Rio de Janeiro); Sesduem (Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Maringá); Sedufsm (Universidade Federal de Santa Maria); Sindcefet-MG (do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais);Sesunila (da Universidade Federal da Integração Latino Americana); Sindiprol/Aduel (da Universidade Estadual de Londrina); Sinduece (da Universidade Estadual do Ceará);Sinduepg (da Universidade Estadual de Ponta Grossa); Sindunespar (da Universidade Estadual do Paraná); Sindufap (da Universidade Federal do Amapá); SindsIFCE (do Instituto Federal de Educação C&amp;T do Ceará)</p>
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