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	<title>O Trabalho</title>
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		<title>Mensagem da seção libanesa da 4ª Internacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 16:46:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fixo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste dia 8 de abril de 2026, o Líbano sofreu a pior agressão militar de toda a sua história. Durante menos 15 minutos, no final da manhã, mais de 150 aviões de guerra do exército sionista genocida bombardearam o Líbano, destruindo em grande escala infraestruturas, escolas e hospitais. No momento em que estas linhas são [&#8230;]</p>
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<p>Neste dia 8 de abril de 2026, o Líbano sofreu a pior agressão militar de toda a sua história. Durante menos 15 minutos, no final da manhã, mais de 150 aviões de guerra do exército sionista genocida bombardearam o Líbano, destruindo em grande escala infraestruturas, escolas e hospitais. No momento em que estas linhas são escritas, o balanço dos bombardeamentos ascende a 254 mártires e 1165 feridos.</p>



<p>Beirute e os seus subúrbios do sul, Baalbek, Hermel, Nabatieh, Aley, Sidon e Tiro foram bombardeados. Xiitas, sunitas, cristãos, drusos… todas as comunidades foram afetadas.<br>A entidade sionista decidiu destruir o Líbano, tal como faz com a Palestina.</p>



<p>A seção libanesa da 4ª Internacional, que tinha perdido dois dos seus membros durante os bombardeios de 2024, acaba de perder três dos seus camaradas nos ataques de hoje. Jad Safa, de 27 anos, estudante de licenciatura em Matemática, Ali Mikdad, de 23 anos, estudante de licenciatura em Literatura Árabe, e Riyad El Husseini, de 32 anos, engenheiro e arquiteto, foram mortos.</p>



<p>Riyad encontrava-se na aldeia de Shmestar, situada no vale da Bekaa, enquanto assistia a um funeral que reunia cerca de uma centena de pessoas. Junto a ele, doze pessoas foram massacradas, na sua maioria jovens.</p>



<p>Vivemos tempos difíceis e dolorosos. A perda dos nossos camaradas é imensa, mas não<br>desesperamos. Transformamos a nossa dor em força. Partilhamos uma causa com todos os combatentes pela liberdade em todo o mundo, e a defenderemos até o nosso último suspiro.</p>



<p>O futuro nos pertence, e o imperialismo está condenado.</p>



<p><strong>Beirute, 8 de abril de 2026.</strong></p>
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		<title>Recentemente deportada pelo governo Trump, jovem brasileira conta a sua história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 17:33:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivian, brasileira, nascida em Governador Valares (MG), vivia nos EUA desde 2019, com processo de legalização em fase de aprovação. Ainda assim, foi presa em agosto de 2024 permanecendo por oito meses sob custódia do ICE (sigla em inglês da polícia migratória de Trump) até a sua deportação. Ela participou da Jornada Continental em Defesa [&#8230;]</p>
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<p>Vivian, brasileira, nascida em Governador Valares (MG), vivia nos EUA desde 2019, com processo de legalização em fase de aprovação. Ainda assim, foi presa em agosto de 2024 permanecendo por oito meses sob custódia do ICE (sigla em inglês da polícia migratória de Trump) até a sua deportação.</p>


<div class="wp-block-image is-style-default">
<figure class="alignright size-full is-resized td-caption-align-center"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="460" height="641" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed.jpg" alt="" class="wp-image-21727" style="aspect-ratio:0.717663421418637;width:168px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed.jpg 460w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed-215x300.jpg 215w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed-108x150.jpg 108w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/unnamed-301x420.jpg 301w" sizes="(max-width: 460px) 100vw, 460px" /><figcaption class="wp-element-caption">Vivian</figcaption></figure>
</div>


<p>Ela participou da Jornada Continental em Defesa do Direito de Migrar, na audiência pública, realizada na Câmara Municipal de Governador Valadares e convocada pela vereadora Sandra Perpétuo (PT). Entrevistada por O Trabalho, ela contou a sua história.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-07086df805c5424a02590096e2d1a557" style="font-size:21px"><strong>OT: Ainda que seja doloroso falar sobre a sua deportação, você tem dito que faz questão que todos conheçam a sua história e entendam o que acontece com os imigrantes naquele país. Então, a palavra é sua.</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Reviver tudo o que eu passei dói, mexe com tudo, com o corpo, com a mente, com a dignidade. Mas, eu escolhi falar porque o silêncio protege o sistema, não as pessoas.</p>



<p>O que acontece com imigrantes nos Estados Unidos, principalmente dentro dos centros de detenção, está muito longe do que mostram. Pessoas são tratadas como números e durante oito meses eu fui o número A22 12 17 27. Não somos seres humanos. E não estou falando só por mim, falo por todas as pessoas que estiveram comigo, que sofreram, que foram ignoradas, que não tiveram voz.</p>



<p>Eu vi mulheres sendo abusadas de todas as formas possíveis, muitas delas fugindo da guerra, de regimes de opressão, da violência dentro das próprias casas. Mulheres fortes, mas completamente vulneráveis dentro de um sistema profundamente violento.</p>



<p>Foram oito meses de tortura. Fomos privadas de comida, água, medicamentos e, como se não bastasse, vi mulheres com ossos quebrados pela brutalidade de guardas. Questionar qualquer direito se transformava em “castigo”. Éramos colocadas em salas escuras e isoladas ou em “celas” de vidro totalmente nuas, sendo observadas noite e dia, como um aviso às outras detentas para não reclamarem.&nbsp;</p>



<p>Fomos privadas de tanta coisa e sofremos tanta brutalidade nas prisões controladas pelo ICE, que ficaríamos falando só disso nessa entrevista. E se tenho a oportunidade de contar a minha história, tenho também a responsabilidade de expor o que está errado. Penso que só existe mudança quando a verdade vem à tona. Então, sim, é doloroso, mas necessário!</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-6a8e8fceacff97481f0e3cafe9f564af" style="font-size:21px"><strong>OT: Durante a audiência pública, você destacou em sua intervenção que o direito de migrar é uma questão de soberania. Pode nos falar sobre isso?</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Quando eu falo que o direito de migrar é uma questão de soberania, eu estou dizendo que nenhum ser humano deveria ter sua dignidade retirada por atravessar uma fronteira. Migrar é um direito humano. As pessoas não saem dos seus países por acaso, saem por necessidade, por sobrevivência, por busca de dignidade. E isso precisa ser respeitado.</p>



<p>Existe uma contradição muito grande no mundo em que vivemos hoje. O capital atravessa fronteiras livremente, o dinheiro circula livremente, as mercadorias circulam livremente, mas quando um trabalhador atravessa uma fronteira em busca de dignidade, ele é tratado como criminoso. Isso precisa ser questionado e denunciado. Migrar não é crime, buscar dignidade não é crime. Migrantes não são números. Controlar fronteiras é um direito dos países, mas isso não pode vir acima da vida, da integridade e do respeito às pessoas. Então, defender o direito de migrar também é defender que a soberania seja exercida com responsabilidade, humanidade e dentro dos limites dos direitos fundamentais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized td-caption-align-center"><img decoding="async" width="984" height="656" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump.jpg" alt="" class="wp-image-21728" style="width:558px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump.jpg 984w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-300x200.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-150x100.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-768x512.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-630x420.jpg 630w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/04/p.9-2025-07-01t160248z-441200484-rc2sdfadaolf-rtrmadp-3-usa-trump-696x464.jpg 696w" sizes="(max-width: 984px) 100vw, 984px" /><figcaption class="wp-element-caption">Prisão de imigrantes na Flórida, EUA / Reprodução</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-d9292f4dd058b4a41e03ff4e1a641dee" style="font-size:21px"><strong>OT: O governo Lula organizou um serviço de recepção aos brasileiros deportados no aeroporto de Confins (MG).&nbsp; Conte-nos como foi a sua acolhida.</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Antes quero agradecer publicamente ao Consulado Brasileiro, ao Palácio do Itamaraty e à Polícia Federal Brasileira, que intermediaram a minha deportação. Só depois dessa intermediação é quefui levada algemada para avião<strong>.</strong></p>



<p>A recepção no aeroporto de Confins também foi importante. Existe, sim, uma estrutura que oferece um acolhimento inicial, e isso faz diferença quando você chega depois de uma experiência tão difícil. Mas, o problema começa quando você sai dali.</p>



<p>Depois que deixei o aeroporto, não tive nenhum tipo de acompanhamento. Não recebi ligação, orientação, nem apoio para recomeçar. Procurei órgãos públicos na minha cidade e também não encontrei suporte ou informações claras. Tudo o que consegui fazer foi por conta própria e com muita dificuldade. Como tirar novamente meus documentos. E isso é muito difícil quando você chega sem celular, sem dinheiro e, muitas vezes, sem nenhum tipo de referência ou rede de apoio.</p>



<p>No site do governo existem várias informações sobre suporte, mas, na prática, isso não alcança quem realmente precisa. Existe uma desconexão muito grande entre o que está no papel e o que acontece na vida real. O acolhimento precisa ser contínuo, até que a pessoa consiga se reintegrar na sociedade e no mercado de trabalho com dignidade. Porque o retorno não é o fim, muitas vezes é só o começo de outro desafio.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-3a78ce5f670eccd9164ae0beb0c0d1b9" style="font-size:21px"><strong>OT: Antes de terminarmos, pode nos contar como tomou conhecimento da Jornada Continental? Acha que foi uma iniciativa válida?</strong></h2>



<p><strong>Vivian: </strong>Eu tomei conhecimento da Jornada Continental no ato de comemoração do Dia Internacional da Mulher, que denunciou a violência contra as mulheres. Foi ali que conheci a vereadora Sandra Perpétuo, que ouviu a minha história e me convidou para participar da audiência pública e me integrar ao comitê pelo direito de migrar. Acredito que é uma iniciativa mais do que válida.</p>



<p>Não podemos nos calar diante de tantas injustiças. Precisamos nos fortalecer como povo, nos unir, para enfrentar um sistema que, muitas vezes, só gera dor, exclusão e desigualdade. Movimentos como esse são fundamentais para dar visibilidade, para criar rede, para transformar dor em luta e em mudança real.</p>



<p>Espero, de verdade, que mais países se juntem a essa causa e que a gente consiga construir juntos um mundo onde, mesmo com tanta tecnologia, a gente não perca a nossa essência. Não somos máquinas, não somos feitos de ferro. Nós temos sentimentos, temos direitos, queremos dignidade. E como eu disse na Câmara: não existe nenhum ser humano ilegal.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-941f58e1f9143be1e77a7077aa6c6617"><strong>OT: Agradecemos imensamente a sua entrevista!</strong></p>
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		<title>No Ceará policial vira interventor e vítima oposição!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 21:29:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), assinou decreto (6/02/ 2026) alterando o tratamento jurídico de policiais que matam em serviço, passando a tratá-los como “interventores” e a outra parte (vítimas), como “opositores”. O decreto chegou no mesmo dia em que um confronto envolvendo policiais militares resultou na morte de cinco suspeitos em Monsenhor Tabosa no interior [&#8230;]</p>
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<p>O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), assinou decreto (6/02/ 2026) alterando o tratamento jurídico de policiais que matam em serviço, passando a tratá-los como “interventores” e a outra parte (vítimas), como “opositores”. O decreto chegou no mesmo dia em que um confronto envolvendo policiais militares resultou na morte de cinco suspeitos em Monsenhor Tabosa no interior do estado.</p>



<p>&#8220;Assinei decreto que muda a forma como policiais são tratados em inquéritos de lesão corporal ou morte decorrente de intervenção. Em vez de autor do crime, o policial passa a ser colocado como interventor, enquanto a outra parte sai de vítima para opositor, até prova ao contrário&#8221;, disse Elmano. Até prova em contrário! Mata primeiro e prova vem depois! O que sabemos é que, muitíssimas vezes, em operações da polícia, sim são praticados assassinatos pelos policiais que seguem impunes.&nbsp; É por isso que uma campanha nacional exige a federalização das investigações de chacinas na Bahia, Rio e Guarujá (SP).</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-95f6b3f548005191802212b529345960" style="font-size:21px"><strong>Em retaliação, policiais assassinam 11 jovens inocentes</strong></h2>



<p>De que polícia estamos falando? A PM do Ceará é, por exemplo, responsável por uma das chacinas mais violentas de que se tem notícia, a chacina do Curió, bairro periférico de Fortaleza, na região da Grande Messejana. A PM cearense praticou uma sequência de assassinatos, em novembro de 2015 que, num intervalo de três horas, na madrugada de 11 para 12 daquele mês, eliminou 11 jovens. Segundo sítio Brasil de Direitos, “a investigação aponta ter-se tratado de uma operação de retaliação: os policiais queriam vingar a morte de um agente, ocorrida naquela mesma data. Nenhuma das vítimas da chacina, no entanto, tinha qualquer relação com a morte do policial.” .</p>



<p>O decreto que, antes de qualquer investigação ou julgamento, absolve os agentes da repressão tende a servir de cobertura para a violência policial.</p>



<p>Como lembra os ex-deputado petista e antigo subsecretário de direitos humanos no primeiro governo Lula, Mário Mamede, a tentativa de alterar os protocolos por parte do governador “atenta contra os principais protocolos internacionais de investigação”. Se aplicado ao caso Curió, os PMs seriam simplesmente “interventores” e as vítimas inocentes, “opositores”. Mas para o governador são opositores, “até prova em contrário”, já mortos, como os 11 jovens em Curió?</p>



<p>Como pede Mamede, é preciso que Elmano revogue a medida que o coloca na vala comum do populismo penal dos governadores da extrema-direita. É o que também exigem mais de 100 organizações do estado. Incluindo petistas. Afinal, “bandido bom é bandido morto”, nunca foi um lema do PT!</p>



<p>No Ceará segundo dados da Superintendência de Pesquisa de Segurança pública, em 2025 ocorreram 200 mortes por intervenção policial.</p>



<p>“O crescimento contínuo destas mortes pode indicar o uso ilegítimo da força, especialmente em um contexto no qual o governo amplia operações policiais letais, investe massivamente em um modelo meramente repressivo e sustenta um discurso que trata a letalidade como sinônimo de eficiência”, diz o manifesto assinado por estas entidades.</p>



<p><strong>Eudes Baima</strong></p>
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		<title>“Dois Procuradores” relembra a farsa criminosa dos Processos de Moscou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2026 12:15:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Michail Kornev graduou-se advogado há apenas três meses e acaba de ser nomeado pela Promotoria Pública da URSS ao cargo de procurador da oblast (província) de Briansk. Seu antecessor fora preso algumas semanas antes pela NKVD[1]. Algo comum naqueles anos, em que profissionais técnicos, quadros dirigentes e importantes militantes comunistas desapareciam e eram substituídos por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Michail Kornev graduou-se advogado há apenas três meses e acaba de ser nomeado pela Promotoria Pública da URSS ao cargo de procurador da <em>oblast</em> (província) de Briansk. Seu antecessor fora preso algumas semanas antes pela NKVD<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Algo comum naqueles anos, em que profissionais técnicos, quadros dirigentes e importantes militantes comunistas desapareciam e eram substituídos por novatos. Mal toma posse, Kornev recebe misteriosamente um bilhete de um prisioneiro político, Ivan Stepniak, conhecido dirigente local do Partido Comunista, herói da Revolução de Outubro. Alquebrado pelas ininterruptas sessões de tortura e confinado numa solitária, ele havia escrito com seu próprio sangue num pedaço de cartolina amarrotada um pedido de recurso de seu caso à procuradoria regional. O bilhete deveria ter sido queimado junto com todas as demais cartas de prisioneiros do “Bloco Especial” do presídio – reservado aos enquadrados no “Artigo 58”<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>. Mas conseguiu driblar os grossos muros do campo prisional e encontrar seu muito improvável destino.</p>



<p>O ano é 1937, o terror stalinista está para atingir seu ápice, com já bem mais de um milhão de militantes comunistas arrastados a prisões e campos de trabalho forçado, onde são torturados e enclausurados até definharem. Muitos, assim que presos, já são executados sumariamente pela NKVD. Outros tantos – incluindo os principais dirigentes históricos do partido bolchevique e da Revolução de Outubro &#8211; são antes levados a um tribunal farsesco, onde são chantageados e obrigados a “confessar” algum crime “contrarrevolucionário” que jamais cometeram.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-aede58a384cc70ccad4742b50338acea" style="font-size:21px"><strong>“Fascistas na NKVD”?</strong></h2>



<p>O jovem Kornev, embora mal saído dos bancos da universidade, assume seu novo cargo com muita disposição e seriedade profissional. Diligente e persistente, ele vai à procura da verdade. Dirige-se ao presídio e faz de tudo para cumprir sua missão de defender aquilo que considera ser a democracia operária e o Direito soviético. A despeito de inúmeras tentativas em dissuadi-lo com embromação e sobretudo com muita intimidação, a direção do presídio não consegue impedi-lo de ter uma conversa a sós com o velho Stepniak. Contorcido de dor, este explica ao procurador que ele, bem como milhares de “camaradas comunistas de primeira ordem” daquela região, “haviam sido injustamente presos por um grupo de traidores, fascistas infiltrados na NKVD” local.</p>



<p>“Meu rapaz”, diz Stepniak, “eu já estou praticamente morto. Não faço isso por mim, mas pela defesa da Revolução. Se você é realmente um bolchevique, não um covarde; se você é um procurador soviético honesto, vá a Moscou ainda hoje. Consiga uma audiência com Stalin. Ou ao menos com um dos membros do Politburo — Yezhov, Vorochilov, Molotov… Relate a eles que aqui neste presídio, a nata do Partido Comunista está sendo exterminada.” O veterano comunista não percebia, contudo, que seu pedido levaria o jovem Kornev a uma missão, se não suicida, ao menos para lá de arriscada. Afinal, todo Politburo – a começar por Stalin e os três nomes por ele sugeridos &#8211; estava absolutamente comprometido com a política que ele mesmo convocava a combater.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-1335d0e2b03fd02ba6186f1c086ab70b" style="font-size:21px"><strong>Ilusões no Politburo</strong></h2>



<p>Nicolai Yezhov, era o chefe da NKVD desde 1936. Dali, comandou prisões em massa, torturas e fuzilamentos. Em 1938, porém, viria a cair em desgraça junto a Stalin. Preso, seria forçado a confessar “atividades antissoviéticas”, sendo assim executado em 1940. Kliment Vorochilov era um militar pouco expressivo, mas alçado ao marechalato exclusivamente por ser um bajulador de Stalin – sem preparo técnico-militar, substituiu os aclamados marechais Tukachevsky, Blyuker e Yegorov, todos executados às vésperas da invasão nazista na II GM. Já Viatcheslav&nbsp;Molotov, além de primeiro ministro, era ministro das Relações Exteriores – foi ele quem negociou o pusilânime Pacto com Hitler assinado por Stalin em 1939.</p>



<p>Tanto Kornev quanto Stepniak tinham pouca ou nenhuma noção de que essas monstruosidades que pretendiam combater não apenas envolviam, mas partiam do próprio Politburo. Militante comunista comprometido, o jovem procurador assume a tarefa dada a ele pelo velho camarada. Consegue uma audiência com o todo poderoso Andrey Vyshinsky, Procurador Geral da URSS, que estava naquele exato momento presidindo os “Julgamentos” do Grande Expurgo stalinista. Vyshisnky foi um membro do partido menchevique. Mas acabou dedicando-se à advocacia e, assim atuando regularmente junto ao regime czarista. Após a queda do czar, em fevereiro de 1917, retomou posição dirigente no menchevismo, assumindo cargo no Governo Provisório de Kerensky. Dali combateu ferozmente a Revolução de Outubro: foi ele quem assinou a ordem para prender Lenin logo após as Jornadas de Julho mediante a falsa acusação do bolchevique ser “agente do imperialismo alemão”. Após a tomada do poder pelos sovietes em outubro de 1917, ele aproxima-se de Stalin, sendo por este convidado a aderir ao partido dos bolcheviques (Comunista). Só veio a fazê-lo ao fim da Guerra Civil, quando notou que a vitória deles era irreversível. Alguns anos mais tarde, aceitou do mesmo Stalin a tarefa de presidir os “tribunais” farsantes para de forma implacável humilhar e exterminar toda velha guarda bolchevique, toda a geração que dirigiu a Revolução de Outubro.</p>



<p>Tal impostor, o infame anticomunista Vyshinsky, recebe em sua suntuosa sala da Procuradoria Geral da URSS sua persistente contraparte, o honesto comunista Korniev. Reunidos, enfim, são eles os “Dois Procuradores”.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-13ba1d04abf0723b0f1a74120ec85029" style="font-size:21px"><strong>Cadeados, burocratas e canções alegres</strong></h2>



<p>Com este filme, o premiado cineasta Sergei Loznitsa produziu uma obra magistral. De forma intensa e cativante, ele projeta na tela do cinema o pesado e claustrofóbico clima do período. Envolve a audiência na evolução dos dramáticos eventos, mantendo-a, porém, como observadora externa. Não há movimentos de câmaras. Suas lentes não expõem cores mais vivas. O sombrio autoritarismo da burocracia se faz sentir em intermináveis e estridentes abrir e fechar de cadeados, portões e livros de registros no presídio em Briansk. Personagens bizarras, que nos lembram romances de Dostoievsky, aparecem do nada, marcando uma presença grotesca e sinistra a um só tempo: de burocratas estatais arrogantes e mal encarados a camponeses maltrapilhos e falastrões. A desconfiança e o medo de tudo e de todos contaminam os poros da sociedade de alto a baixo.</p>



<p>O filme termina tenebroso, mas ironicamente ao som de uma alegre e contagiante canção, tornada muito popular à época: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=M7EroSwIMYo">“O Contra Plano”</a>. Ela mesma, aliás, fora a música tema de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VMTJqoOSjTU">filme com o mesmo título</a> , o qual era peça importante da massiva propaganda stalinista do período. Produzido em 1932 bem ao estilo do “Realismo Socialista”, ele foi o primeiro filme inteiramente falado da URSS. Em plena brutalidade da fome camponesa resultante da Coletivização Forçada e do atraso na industrialização com o atabalhoado Plano Quinquenal, o filme era parte de campanha governamental voltada a culpabilizar supostos “sabotadores contrarrevolucionários” por todos os problemas e fracassos econômicos e industriais soviéticos. A burocracia instrumentalizava tal campanha tanto para se esquivar de suas responsabilidades frente a seus próprios erros e incompetências, quanto para desenvolver implacável perseguição política a críticos ou rivais &#8211; reais, potenciais ou imaginários.</p>



<p>A jovial canção, não custa lembrar, foi escrita por Boris Kornilov e sua melodia composta pelo famoso maestro Dimitri Shostakovich. Ambos perseguidos pela NKVD nos anos seguintes, o primeiro foi “julgado” nos Processos de 1937, condenado e fuzilado no início de 1938.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0444edc7c789cb9be1292217cec82f67" style="font-size:21px"><strong>Cientistas contra o fascismo</strong></p>



<p>O roteiro de “Dois Procuradores” elabarado por Loznitsa é todo baseado no livro de mesmo título, escrito por Georgy Demidov. Jovem físico promissor, em sua vida real, ele mesmo fora preso pela NKVD em 1938 junto com vários outros cientistas soviéticos &#8211; incluindo seu orientador, o futuro recipiente do Nobel de Física Lev Landau. Por serem comunistas críticos do stalinismo, foram todos acusados de “trotskismo”.</p>



<p>Pesquisadores do renomado Instituto de Física e Tecnologia da Ucrânia Soviética (IFTU), eles lançaram um panfleto ao ato de 1º de maio de 1938. Chamando “trabalhadores do mundo a unirem-se” contra o fascismo, acusavam o governo soviético de ter “traído a grande causa da Revolução de Outubro, inundado o país em rios de sangue e lama. A camarilha stalinista cometeu um golpe de tipo fascista. O socialismo existe apenas nas páginas de jornais repletos de mentiras. Em seu ódio furioso ao verdadeiro socialismo, Stalin, para preservar seu poder, prefere destruir o país, tornando-o presa fácil ao nazismo alemão”<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>. Dezesseis pesquisadores do IFTU, incluindo Demidov, foram presos.</p>



<p>Condenado a 18 anos de prisão, Demidov foi enviado ao campo de concentração de Kolyma, Sibéria. Foi retirado de lá em 1951 para, mantido em prisão administrativa, trabalhar como físico experimental em projeto da corrida atômica soviética. Reabilitado em 1958, ele começou a escrever artigos e livros sobre suas experiências nas prisões de Stalin. Concluiu “Os Dois Procuradores” nos anos 1960. Mas seus escritos acabaram todos censurados e confiscados pela KGB. Após a sua morte, sua filha conseguiu resgatar cópias de seus livros e publica-los – quase meio século após terem sido escritos.</p>



<p>O roteiro desenvolvido por Loznitsa é articulado de maneira inteligente e, no geral, fiel ao enredo de Demidov. Ainda assim, o cineasta parece não ter enfatizado a problematizção do stalinismo &#8211; não sendo ele mesmo um socialista, tal questão tende a ser menos central em sua obra. Em entrevista, o diretor explica psicologicamente suas personagens, mas politicamente parece não ir muito além de um certo fatalismo: “A Revolução foi concebida e realizada por um grupo de pessoas, mas seus frutos foram usurpados por outro grupo. Stalin, em sua luta pelo poder, destruiu quase todos os seus próprios camaradas. Nosso protagonista, um jovem promotor recém-formado, pertence à primeira geração pós-revolucionária, criada em um espírito romântico e idealista [&#8230;] destemido e entusiasmado da sociedade do futuro, confiante em sua própria retidão. Ele nem sequer suspeita [&#8230;]. Tais personagens frequentemente se tornavam vítimas do regime [&#8230;]. Aqueles que tiveram a sorte de sobreviver foram libertados de suas ilusões por décadas no Gulag” <a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a>.</p>



<p>O fato é que a ingenuidade de Stepniak e sobretudo de Kornev (interpretados no filme pelos excelentes atores A. Filippenko e A. Kusnetsov) é patente tanto no livro quanto no filme. Ambas personagens acreditam que as injustas prisões em massa seriam apenas circunstanciais e decorrentes de uma corrupção pontual – alguma infiltração de elementos contrarrevolucionários de tipo fascista na NKVD. Ambos queriam crer que a cúpula partidária, Stalin à frente, não estaria sabendo o que o ocorria. A dificuldade de ambos superarem tal ilusão quase lúdica, de fato, não era incomum à época. Ela decorria da incompreensão do que era o processo contrarrevolucionário e termidoriano da burocratização stalinista que assolava a União Soviética.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0fd5edc3ae0ecd44477aa2a0984da433" style="font-size:21px"><strong>O que explica a violência stalinista?</strong></p>



<p>O programa da Revolução de Outubro visava a rápida superação do atraso econômico russo, com acelerado avanço técnico-científico, por meio da socialização dos meios de produção e da planificação econômica. Tudo isso para tornar possível a construção de uma sociedade sem distinções de classe que, portanto, pudesse ser gerida pelo próprio povo trabalhador, no lugar da tecnocracia estatal-profissional. De fato, a economia planificada, a despeito de certa procrastinação burocrática, havia permitido considerável avanço em pouco mais de uma década. Todavia, o isolamento internacional da Revolução na Rússia e o enorme desgaste na organização de sua classe trabalhadora, esmagada por uma impiedosa guerra civil, acabou por esvaziar os sovietes no avançar dos anos 1920. Tais estruturas, expressão outrora do legítimo poder operário-camponês, tornaram-se ocas de democracia interna e, assim, foram sendo controladas por uma casta de burocratas estatais cada vez mais empoderada e que passou a estorvar o caminho ao socialismo. Pois as diferenças sociais, ao invés de serem progressivamente superadas, reapareceram e intensificaram-se com o fortalecimento dessa casta. Privilegiada e concentradora do poder, ela passou a auferir crescentes parcelas da renda nacional às expensas do povo trabalhador.</p>



<p>Stalin e seus comparsas instalados na cúpula partidária e estatal eram apenas os representantes na esfera público-política de tal casta de funcionários e carreiristas do aparato institucional. As ações e orientações políticas que implementavam eram expressão das necessidades e desejos de tal casta. Para garantir a estabilidade no poder da burocracia que representavam, preferiam evitar confronto com as potências imperialistas. Eram mansos e colaboradores com elas – tendo, aliás, tentando a todo o custo conciliação com o nazi-fascismo às vésperas da Guerra. Brutais e irreconciliáveis mesmo, eles eram com comunistas e com as massas trabalhadoras – cujos interesses revolucionários não defendiam, nem nacional, muito menos internacionalmente.</p>



<p>Líder da Revolução ao lado de Lenin, Trotsky explicava que “essa casta encontra-se em uma posição contraditória. Em palavras, diz defender o comunismo; em atos, luta por seu próprio poder ilimitado e por colossais privilégios materiais. Cercada pela desconfiança e pelo ódio das massas enganadas, a nova aristocracia não pode tolerar a menor brecha em seu sistema. Em nome da autopreservação, vê-se compelida a sufocar o menor sinal de crítica e oposição [&#8230;] e é sistematicamente compelida a mentir, a se maquiar, a usar uma máscara e a atribuir aos críticos e oponentes motivações diametralmente opostas às que os impulsionam. Qualquer um que se manifeste em defesa dos trabalhadores contra a oligarquia [estatal] é imediatamente rotulado pelo Kremlin como apoiador da restauração capitalista”<a href="#_ftn5" id="_ftnref5">[5]</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-0d5aa6df9ed2d777fc3b61ec805dd00b" style="font-size:21px"><strong>Expurgos contra o socialismo</strong></h2>



<p>É isso o que explica a lógica dos Grandes Expurgos stalinistas. Eles foram implementados por meio de um conjunto de processos pseudo-judiciais nos quais milhões de cidadãos soviéticos eram farsescamente julgados e condenados. A maioria deles eram militantes comunistas e simpatizantes, incluindo alguns estrangeiros, dirigentes de partidos comunistas de outros países que visitavam a URSS. Os “tribunais” eram montados na forma de um “show” para o público: embora o veredito já tivesse sido decidido antecipadamente, as sessões acusatórias eram filmadas (com presença da imprensa internacional) e amplamente divulgadas. Os acusados eram previamente torturados, chantageados e, por fim, desmoralizados. Para tentar desesperadamente salvar sua vida e de sua própria família, muitos confessavam crimes que jamais haviam cometido (como comprovado décadas adiante, após a abertura de arquivos oficiais), tais como o de serem “espiões nazistas” ou “sabotadores imperialistas”.</p>



<p>A despeito de vários tribunais-show terem sido deslanchados no decorrer de décadas, dentre eles, destacam-se por sua magnitude os chamados “Processos de Moscou”, ocorridos respectivamente em 1936, 1937 e 1938. A eles adiciona-se ainda o de 1939-41, voltado ao <a href="https://otrabalho.org.br/80-anos-da-operacao-barbarossa-a-invasao-nazista-e-a-politica-stalinista/">extermínio do grosso dos quadros militares</a>. No Comitê Central (CC) do Partido Bolchevique eleito em 1917 – aquele que deslanchou a Revolução de Outubro -, dos treze membros que sobreviveram a Guerra Civil, dez foram assassinados por Stalin nos anos 1930. Algo similar ocorreu com os CCs eleitos nos Congressos partidários seguintes, bem como com os Comitês Regionais. Essa dinâmica manteve-se mesmo quando o partido já estava bastante stalinizado, como no caso do 17º Congresso (1934). Ali, os dois mil delegados competiam entre si nos elogios ao “Grande Líder” Stalin e, não obstante, sua imensa maioria viria a ser perseguida pela NKVD já nos três anos seguintes: quase 60% deles foram condenados, presos e/ou – boa parte – fuzilados; dos 139 membros – plenos e suplentes – eleitos ao CC, 97 foram fuzilados nos Processos de 1937 e 1938.</p>



<p>De acordo com dados oficias da KGB e da Comissão de Controle do PCUS desclassificados no início dos anos 1990, o número de pessoas presas e condenadas por razões políticas entre 1929 e 1954 &#8211; período em que Stalin centralizou mais diretamente o poder em suas mãos – aproximava-se dos 3,7 milhões. Dessas, 643 mil foram fuziladas<a href="#_ftn6" id="_ftnref6">[6]</a>. A grande maioria era de militantes comunistas. Apenas entre 1936 e 1939, mais de 1,2 milhões de comunistas foram presos, metade dos quais foram fuzilados ou mortos devido a maus-tratos nos campos prisionais<a href="#_ftn7" id="_ftnref7">[7]</a>.</p>



<p>A burocratização stalinista gerou um duplo resultado: o terror termidoriano e o enfraquecimento da URSS e da luta internacional dos trabalhadores. Havia uma alternativa que poderia evitar a ambos. Ela pressupunha a mobilização da própria classe trabalhadora russa e do internacionalismo anti-imperialista e socialista que combatesse e derrotasse o stalinismo, revertendo a burocratização. Algo que, entretanto, não ocorreu. O falecimento de Stalin manteve essencialmente inalterada a natureza da “nomenclatura” governante. Antes e depois dele, a degeneração que ela gradativamente impunha ao regime produzido pela Revolução de 1917 foi se tornando irreversível. Sedenta por poder e privilégios e sonhando cada vez mais em tornar-se burguesa no limite, ela só poderia fazê-lo se destruísse antes a própria URSS para, enfim, restaurar a grande propriedade privada no país. Um feito que, ao final, tal nomenclatura stalinista acabou por realizar em 1991. Ao revisitar algumas páginas mais críticas e dramáticas dessa longa história, o filme “Dois Procuradores” nos ajuda a refletir sobre os desafios que os trabalhadores e a humanidade enfrentaram à época bem como os que ainda seguem por enfrentar.</p>



<p><strong>Alberto Handfas</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) era a polícia política e agência secreta stalinista, antecessora da KGB.<br><a id="_ftn2" href="#_ftnref2">[2]</a> O “Artigo 58” do Código Penal da Rússia soviética referia-se a casos (supostamente) relacionados a &nbsp;“atividades contrarrevolucionárias”.<br><a id="_ftn3" href="#_ftnref3">[3]</a> ROGOVIM, “<em>Stalin´s Terror of 1937-1938: Political Genocide in the USSR</em>”. Mehring Books, 2009, pp. 267-9.<br><a id="_ftn4" href="#_ftnref4">[4]</a> <a href="https://cdn.festival-cannes.com/media/uploads/2025/05/188907.pdf">Entrevista no Festival de Cannes com Sergei Loznista, 2025</a>.<br><a id="_ftn5" href="#_ftnref5">[5]</a> TROTSKY, L., “Writings of Leon Trotsky: 1939-1940”, pp. 349-50. Pathfinder Press Inc. New York. 2<sup>nd</sup> Ed., 1972.<br><a id="_ftn6" href="#_ftnref6">[6]</a> ROGOVIM, V., Op.Cit., pp. 443-4<br><a id="_ftn7" href="#_ftnref7">[7]</a> Idem, pp. 448-9.</p>
<p>O post <a href="https://otrabalho.org.br/dois-procuradores-relembra-a-farsa-criminosa-dos-processos-de-moscou/">“Dois Procuradores” relembra a farsa criminosa dos Processos de Moscou</a> apareceu primeiro em <a href="https://otrabalho.org.br">O Trabalho</a>.</p>
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		<title>Jornada Continental de março</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 17:54:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A política fascista do ICE, com robusto financiamento projetado em 30 bilhões de dólares para este ano, assombra os milhões de migrantes que moram nos EUA. As deportações sejam as feitas diretamente pelo ICE somadas as “auto-deportações” já ultrapassam dois milhões de pessoas. O número de vagas nos centros de detenção pode chegar 100.000 leitos. [&#8230;]</p>
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<p>A política fascista do ICE, com robusto financiamento projetado em 30 bilhões de dólares para este ano, assombra os milhões de migrantes que moram nos EUA. As deportações sejam as feitas diretamente pelo ICE somadas as “auto-deportações” já ultrapassam dois milhões de pessoas. O número de vagas nos centros de detenção pode chegar 100.000 leitos.</p>



<p>O resultado se vê diariamente pela imprensa americana: perseguições, prisões arbitrárias, medo de sair às ruas mesmo entre os que possuem cidadania americana, e agora assassinatos em plena luz do dia como de Renee Nicole Good em Minnessota. O ano de 2025 registrou o maior número de pessoas mortas sob custódia do ICE desde 2004, segundo o jornal The Guardian.</p>



<p>A ação do ICE e a política de expulsão dos migrantes é parte da nova política nacional de segurança do governo Trump, a mesma que deflagrou a invasão militar na Venezuela e sequestrou o presidente Nicolas Maduro e sua esposa Cilla Flores.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-17cdfca8e4c312c5ed0157e3d2e7d241" style="font-size:21px">A preparação da Jornada</h2>



<p>A Conferência realizada em setembro na Cidade do México, que convocou a Jornada Continental de 08 a 14 de março de 2026, em sua declaração final denunciava e explicava que a defesa da soberania da Venezuela e dos países da América Latina se combinava na ação em defesa do direito a migração. Aqui no Brasil uma série de atividades está sendo realizada.</p>



<p>Em <strong>Recife</strong> está em construção junto à vereadora Kari Santos (PT), a realização de uma audiência pública em fevereiro de 2026. No <strong>Paraná</strong> uma atividade chamada pelo DAP em discussão com o mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) dirigida ao movimento sindical e popular está programada para o inicio de fevereiro para organizar uma audiência publica na ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná) na semana da Jornada Continental.</p>



<p>No <strong>Ceará</strong> uma atividade do DAP em dezembro apresentou o Apelo à Jornada de Março, com a presença de delegados ao encontro da JPT. Em <strong>Minas Gerais</strong> o DAP junto com mandato do deputado estadual Betão realizará atividades em Valadares e em Belo Horizonte a partir da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais).</p>



<p>Em <strong>Santa Catarina</strong> foi constituído um comitê local para preparação da Jornada em Florianópolis que reúne sindicatos, DAP, mandatos da vereadora Carla Ayres (PT) e Bruno Zilioto (PT), movimentos populares e lideranças de associações de imigrantes. Um ato na rodoviária da cidade para defender o direito a migração foi realizado em 14/12 em oposição à política do prefeito Topázio Neto (PSD) de tentar estabelecer uma espécie de controle migratório para deportar, ao estilo Trump, pessoas que chegam de outras regiões do país para morar em Florianópolis e que não possuem residência ou emprego na cidade. A atividade prevista para Jornada é a realização de um ato de rua no centro da cidade no dia 14 de março.</p>



<p>Em <strong>São Paulo</strong> também foi organizado um comitê local que reúne sindicatos, associações de imigrantes, movimentos populares, mandatos parlamentares e o DAP. O Comitê Paulista já participou da Marcha do Migrante em dezembro do ano passado e decidiu realizar a atividade da Jornada no dia 14 de março ato na histórica escadaria do Teatro Municipal. Na <strong>Bahia</strong> está sendo organizado um ato no consulado dos EUA em Salvador e está prevista uma reunião dia 26/1, e em Feira de Santana uma reunião dia 22/1 para preparar audiência pública em fevereiro na Câmara Municipal.</p>



<p>As mobilizações que ocorrem em várias cidades dos EUA, além de serem um fator de impulsão importante para as reuniões e atividades que ocorrem, demonstram que luta em defesa da migração é uma questão que diz respeito a todos os trabalhadores e povos.</p>



<p>Uma importante vitória, neste terreno foi campanha de boicote à Avelo Airlines. O Comitê Brasileiro que organizou a delegação ao México e prepara a Jornada no Brasil integrou na discussão em nosso país da campanha de boicote a empresa Avelo que opera os voos de deportados e anunciou uma compra milionária de aeronaves brasileiras da Embraer. A campanha realizada nos EUA por militantes DSA em conjunto com grupos de imigrantes, sindicatos, organizações religiosas estudantis e progressistas&nbsp; pressionou a empresa que anunciou o fim de voos de deportação dos imigrantes presos pelo ICE a partir do dia 27 de janeiro.</p>



<p>As ações para realização da Jornada Continental se espalham pelo país, nas próximas semanas entramos na reta final e a organização de comitês locais será decisiva em nossa contribuição nesta luta internacional contra o governo Trump e sua política imperialista.</p>



<p><strong>Renê Munaro</strong></p>
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		<title>Greve na TVT exige negociação e atendimento das reivindicações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 17:14:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os trabalhadores da TVT (TV dos Trabalhadores) paralisaram os trabalhos nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, em mobilização de um dia. A emissora é uma concessão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e também é mantida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Uma manifestação na manhã desta sexta-feira reuniu a maioria dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os trabalhadores da TVT (TV dos Trabalhadores) paralisaram os trabalhos nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, em mobilização de um dia. A emissora é uma concessão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e também é mantida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.</p>



<p>Uma manifestação na manhã desta sexta-feira reuniu a maioria dos profissionais &#8211; jornalistas e radialistas &#8211; da emissora em frente à redação, localizada na avenida Paulista.</p>



<p>Os apresentadores da TVT que fazem o Jornal da Manhã foram ao ar em um estúdio terceirizado, fora da emissora. No ar, explicaram aos telespectadores as razões da greve. As trabalhadoras e trabalhadores grevistas questionam o gasto que a TVT teve para contratar um estúdio terceirizado e outros trabalhadores durante a greve para substituir a mão-de-obra, em atitude antissindical.</p>



<p>A campanha salarial, iniciada em 2 de outubro, segue travada pela intransigência da empresa. Os trabalhadores mantêm suas reivindicações em torno de dois pontos essenciais para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho: a garantia do benefício do vale-refeição no valor de R$ 35 durante o período de férias e a estabilidade para um representante dos trabalhadores na empresa.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="574" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-1024x574.jpeg" alt="" class="wp-image-21509" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-1024x574.jpeg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-300x168.jpeg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-150x84.jpeg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-768x431.jpeg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-1536x861.jpeg 1536w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-749x420.jpeg 749w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-696x390.jpeg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58-1068x599.jpeg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-13.41.58.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Outra pauta levantada pelo Sindicato dos Jornalistas, para fins de negociação, é a regularização dos registros dos profissionais de jornalismo contratados como &#8220;analistas de mídias sociais&#8221;.</p>



<p>Girrana Rodrigues, diretora do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e trabalhadora da TVT, afirma que a representação precisa ter garantias para levar as pautas à direção com autonomia: &#8220;Em uma empresa como a TVT, uma fundação pública que também está apta, por exemplo, a receber emendas parlamentares, um representante pode ajudar no acompanhamento da transparência, da segurança do trabalho e auxiliar nas questões que o representante sindical também cuida, como pontos do próprio Acordo Coletivo de Trabalho&#8221;.</p>



<p>Alexandre Linares, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, falou no ato dos grevistas: &#8220;Seja um trabalhador bancário ou um trabalhador metalúrgico, há o direito a receber seu vale-refeição durante as férias. Por que os jornalistas e radialistas da TVT não devem receber o VR durante as férias? Estamos aqui para reivindicar um direito legítimo. E queremos o respeito à representação dos trabalhadores. Não custa nada reconhecer a estabilidade para um representante eleito no local de trabalho&#8221;.</p>



<p>Girrana foi clara: &#8220;Abrimos mão de muitas coisas importantes ao longo do processo de negociação, mas essas duas pautas são fundamentais para nós. Os trabalhadores também precisam comer quando estão de férias&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-81dbe902abacb78ecad0b3d8c3b1ca09" style="font-size:21px"><strong>Outras reivindicações</strong></h2>



<p>No protesto, houve um exemplo concreto: no caso do auxílio-creche, a TVT reajustou o valor apenas pela inflação, mantendo o benefício abaixo do previsto na Convenção Coletiva de Trabalho dos jornalistas de Rádio e Televisão. Na manifestação, um trabalhador explicou a importância do benefício: &#8220;Sou pai de gêmeos; isso pesa no bolso do trabalhador&#8221;. Na manifestação, diversos jornalistas e radialistas seguravam placas com suas pautas. O caso do registro de trabalho de analistas de redes sociais &#8211; profissionais que exercem atividades jornalísticas &#8211; é gritante.</p>



<p>Historicamente, na TVT os trabalhadores sempre puderam realizar suas assembleias nas dependências da emissora durante o horário de trabalho. Porém, neste ano, após a realização da primeira assembleia desta rodada de negociações dentro da empresa, a TVT passou a permitir que as reuniões ocorressem apenas fora do expediente. Os trabalhadores não se intimidaram e decidiram realizar as assembleias na porta da emissora, durante o horário de almoço.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-ed89a4b938cd71cc5cb8a42017e0f7f8" style="font-size:21px"><strong>Queremos negociação de verdade</strong></h2>



<p>Rafael Benaque, dirigente do Sindicato dos Jornalistas, explicou na manifestação: &#8220;Os trabalhadores da TVT exigem uma negociação efetiva com a direção da emissora. Há muitos jornalistas profissionais contratados com outras funções, mas que exercem trabalho jornalístico e recebem salários inferiores. Uma TV que se apresenta como TV dos Trabalhadores, com origem sindical, nos obriga a fazer uma manifestação como esta. Queremos uma negociação séria e, na TV dos Trabalhadores, queremos todos os profissionais com seus direitos garantidos!&#8221;</p>



<p>O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Thiago Tanji, usou o megafone para declarar: &#8220;Pedimos negociação e, até o momento, não houve diálogo efetivo. Nunca tínhamos feito uma paralisação. É muito importante que radialistas e jornalistas estejam juntos nesta mobilização. Há quatro ou cinco anos falávamos em paralisação, mas nunca a realizamos. Hoje, finalmente, estamos fazendo essa paralisação&#8221;. Logo depois, Thiago submeteu à assembleia a proposta de continuidade da greve e a constituição de uma comissão de trabalhadores que, junto com os sindicatos, negociasse com a direção da emissora.</p>



<p></p>



<p><strong>A.L., correspondente do jornal O Trabalho</strong></p>
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		<title>Depois da Venezuela, Cuba?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 16:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As imagens dramáticas dos blackouts de energia em Cuba e da população cubana sendo obrigada a cozinhar usando madeira como combustível expõem a perversidade do bloqueio imposto pelos EUA, agora ampliado pelo presidente Donald Trump e seu secretário Marco Rubio. Hospitais e escolas sem energia, num criminoso certo a ilha que, em 1959 com a [&#8230;]</p>
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<p><em>As imagens dramáticas dos blackouts de energia em Cuba e da população cubana sendo obrigada a cozinhar usando madeira como combustível expõem a perversidade do bloqueio imposto pelos EUA, agora ampliado pelo presidente Donald Trump e seu secretário Marco Rubio. Hospitais e escolas sem energia, num criminoso certo a ilha que, em 1959 com a revolução vitoriosa, expropriou as máfias oligárquicas associadas aos interesses estadunidenses na ilha. Nesse momento urgente, o Brasil pode fazer a diferença. O presidente Lula, precisa ser fiel ao compromisso histórico do PT de defender a soberania cubana. Lula pode e deve enviar Petróleo para Cuba para evitar uma tragédia humanitária causada pelo bloqueio estadunidense. O Trabalho publica o artigo do companheiro Angel Tubau, originalmente publicado no site do jornal operário espanhol <a href="https://informacionobrera.org/despues-de-venezuela-cuba/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Información Obrera</a>. &#8212; Alexandre Linares</em></p>



<p>Trump ordenou que, a partir de hoje, os secretários de Comércio, Howard Lutnick, e de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos exilados), fiscalizem se algum país entrega, por qualquer via, petróleo a Cuba.</p>



<p>Pressionado pela impressionante mobilização em Minnesota, Donald Trump busca novamente uma ação “destacada” na política externa.</p>



<p>Na quinta-feira, 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva (equivalente a um decreto) na qual afirma: “Considero que a situação relativa a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, e declaro uma emergência nacional em relação a essa ameaça”.</p>



<p>Esse decreto anuncia que seu governo imporá tarifas adicionais a todos os produtos de “qualquer país que, direta ou indiretamente, venda ou forneça petróleo a Cuba”.</p>



<p>Trump determinou que, a partir de hoje, os secretários de Comércio, Howard Lutnick, e de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos exilados), supervisionem se algum país entrega, por qualquer meio, petróleo a Cuba.</p>



<p>Lembremos que, após a agressão militar contra a Venezuela e o sequestro do presidente Maduro e de sua esposa, Trump impôs à presidente “interina”, Delcy Rodríguez, o embargo a todo envio de petróleo a Cuba. A Venezuela era, até então, o principal fornecedor de petróleo da ilha.</p>



<p>Este decreto, portanto, tem um objetivo claro: pressionar o México para que interrompa os envios de combustível (sendo o segundo maior fornecedor até agora).</p>



<p>Trump concluiu dizendo, segundo a agência AP, que não será mais enviado petróleo a Cuba e que o governo cubano cairá. Até o momento, a Secretaria de Energia do México e a diretoria da PEMEX (Petróleos Mexicanos) mantiveram silêncio sobre o assunto; embora a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tenha declarado que o México é soberano e decide por si só com quem comercia, a agência Reuters informa que o México já havia suspenso os envios de petróleo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-9879e61a67f4c77219591695c488bd23" style="font-size:21px"><strong>À beira da asfixia?</strong></h2>



<p>Cuba depende do petróleo para o transporte e para o funcionamento de suas usinas termelétricas. Segundo dados oficiais do governo cubano publicados no jornal Granma (órgão oficial do Partido Comunista), o país atualmente consegue atender, por outros meios, a menos da metade da demanda elétrica.</p>



<p>Nestes mesmos dias, o jornal britânico Financial Times afirmava que Cuba dispõe de combustível suficiente para apenas 15 a 20 dias. Antes da intervenção dos EUA, a Venezuela fornecia cerca de 46.500 barris diários à ilha. O México entregava, em média, 17.200 barris por dia, cujos envios foram interrompidos em meados de janeiro. Outros fornecedores de petróleo incluem a Rússia, que enviou seu último navio em outubro, e a Argélia, que não enviou nenhum cargueiro desde fevereiro do ano passado, segundo a mesma fonte. Agora, de acordo com o New York Times, Cuba recebe apenas três mil barris diários. O país necessita de 100 mil barris diários, dos quais aproximadamente metade é destinada à geração elétrica e o restante ao transporte e à atividade industrial. Qualquer pessoa pode imaginar a catástrofe humanitária que o imperialismo estadunidense está organizando.</p>



<p>“Parece que não conseguirá sobreviver. Cuba não poderá sobreviver”, declarou Trump à imprensa na noite de quinta-feira.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-9bba9ac8952497461a0905c88a56737f" style="font-size:21px"><strong>63 anos de bloqueio</strong></h2>



<p>A vitória da revolução em Cuba em 1959, cujo desenvolvimento posterior implicou a expropriação dos grandes proprietários (muitos deles estadunidenses) e a destruição da ditadura de Batista e de suas instituições, provocou, muito cedo, a intervenção armada estadunidense. Em abril de 1961, a CIA organizou a invasão da Baía dos Porcos, que fracassou graças à mobilização do povo cubano. Desde então, sucessivas administrações estadunidenses impuseram e reforçaram um embargo comercial contra a ilha que, dada a predominância da economia dos EUA e por meio de pressões sobre países terceiros, transformou-se num verdadeiro bloqueio. Esse bloqueio foi condenado pela imensa maioria dos membros da ONU, cuja Assembleia Geral o rejeitou em trinta ocasiões (em 2024, apenas com os votos contrários dos EUA e de Israel).</p>



<p>A difícil situação econômica de Cuba é, em grande parte, resultado desse bloqueio, que impede a ilha de manter comércio normal com todos os países.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-64e5a84d126cb9bdea4b2519bc4a293d" style="font-size:21px"><strong>A defesa de Cuba frente à agressão imperialista</strong></h2>



<p>O jornal mexicano La Jornada conclui seu editorial de 30 de janeiro da seguinte maneira: “Na conjuntura atual, mesmo aqueles governos que nutrem aversão pelo regime político adotado pelos cubanos deveriam estar conscientes de que defender Cuba é, na verdade, defender toda a humanidade contra a arbitrariedade e o imperialismo descarado que o trumpismo sintetiza em seu lema ‘paz pela força’”.</p>



<p>Certamente, todo governo que defenda a democracia (isto é, o direito de cada povo decidir livremente sobre seu futuro sem imposições externas) deveria boicotar a ordem executiva de Trump. Isso inclui o governo de Pedro Sánchez e Yolanda Díaz. Assim como Hitler em 1938, o governo de Trump interpreta cada demonstração de fraqueza como um convite para novas ações. Contudo, não temos garantias de que algum governo venha a defender Cuba diante do império. Tal como ninguém defendeu verdadeiramente a Venezuela.</p>



<p>O que temos plena certeza é que, para todas as organizações do movimento operário e para todas aquelas que se proclamam defensoras dos direitos dos povos, é um dever agir agora em defesa do povo cubano.</p>



<p><strong>Andreu Tubau</strong></p>



<p></p>
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		<title>Acordo Europa Mercosul precisa ser rejeitado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 16:47:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A presidente da Comissão Europeia, Ursula Van Der Leynen, e os representantes do Mercosul assinaram neste 17 de janeiro a minuta provisória do Acordo Comercial entre União Europeia (UE) e o Mercosul. Três dias depois o Parlamento Europeu, numa votação apertada (334 x 324) decidiu enviar os termos do tratado ao Tribunal de Justiça da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A presidente da Comissão Europeia, Ursula Van Der Leynen, e os representantes do Mercosul assinaram neste 17 de janeiro a minuta provisória do Acordo Comercial entre União Europeia (UE) e o Mercosul. Três dias depois o Parlamento Europeu, numa votação apertada (334 x 324) decidiu enviar os termos do tratado ao Tribunal de Justiça da UE para analisar sua legalidade. As negociações já perduram por um quarto de século.&nbsp;</p>



<p>Isso porque os governos europeus, além de nunca aceitarem equilíbrio de condições nas negociações, sempre exigiram cláusulas que atropelam a soberania nacional dos países do Mercosul, limitando seu direito de implementar políticas de desenvolvimento. Por isso, mesmo governos mais entreguistas como FHC ou Temer tinham dificuldades em aceitar os termos impostos. Foi somente em 2019, com a dupla Bolsonaro/Macri, que o Mercosul finalmente acabou por capitular e aceitar as imposições da indústria europeia.</p>



<p>Pois, mesmo na Europa, o acordo é rejeitado pelas massas de agricultores, que sofrerão a concorrência do agronegócio brasileiro-argentino. Elas seguem mobilizando para vetar o Acordo no Parlamento Europeu, ainda antes de sua assinatura final – daí a enorme pressão para barrar o tratado no Parlamento Europeu, judicializando ou de outras formas. É a grande burguesia industrial e financeira, particularmente a alemã, que vem exigindo o Acordo.</p>



<p>Os negociadores do governo Lula em 2023, ao invés de rejeitarem a ilegítima subserviência bolsonarista, aceitaram-na como ponto de partida. As tentativas melhorar um ou outro ponto (sempre muito secundários) deram pouco resultado efetivo.</p>



<p><strong>Desindustrialização e destruição de empregos no Brasil</strong></p>



<p>O acordo eliminará tarifas de importação de mercadorias europeias aos países sul-americanos. O que, nos mercados de produtos industriais, levará a uma brutal e injusta concorrência com as grandes multinacionais europeias, que têm enormes vantagens sobre as empresas brasileiras ou argentinas. As europeias são muito maiores, operam com enormes escalas produtivas e com controle de cadeias globais de produção. Elas têm bem mais capacidade de capitalização e financiamento, com acesso facilitado a crédito mais barato. Ademais têm domínio tecnológico, enormes subsídios e suportes dos Estados europeus.</p>



<p>Já a indústria brasileira, que teve quase todo o apoio estatal destruído nos anos 1990, é obrigada a operar com péssima rede de logística e de infraestrutura (portos, estradas, ferrovias, energia etc). Tem também enorme dificuldade de acesso a crédito – cujo juro é sempre escorchante (o mais alto do mundo). Atua com taxa de câmbio muito volátil – dificultando o planejamento dos projetos &#8211; e frequentemente apreciada, o que tende a elevar custos (em dólares) vis-à-vis os da concorrência internacional. Os impostos de importação, portanto, são uma proteção mínima para compensar &#8211; um pouco ao menos &#8211; tal competição profundamente desigual entre os dois continentes. Ao acabar com eles, o Acordo visa destruir o que resta da indústria brasileira.</p>



<p>A agricultura familiar do Mercosul também deve ser profundamente prejudicada. Pequenos agricultores, que são os maiores empregadores do setor rural, terão de competir com produtos altamente subsidiados pelos governos europeus.</p>



<p><strong>Nenhuma vantagem</strong></p>



<p>O agronegócio é um dos poucos setores da economia brasileira que podem beneficiar-se com o Acordo. E mesmo assim, nem tanto, pois a Europa já há tempos não impõe barreiras ao grosso das&nbsp;<em>commodities</em>&nbsp;brasileiras, como café, soja, milho, minérios e petróleo. E suas cotas (limites máximos) de importação à carne bovina, açúcar ou arroz brasileiros tem sido inofensivas. Mesmo a produtos industrializados brasileiros com mais competitividade, a redução tarifária pela Europa será mínima.</p>



<p>Um dos argumentos falaciosos apresentados em favor do Acordo é a suposta atração de investimentos. O atual Acordo deve, ao contrário, levar a redução de investimentos de multinacionais europeias no Brasil. Elas preferirão investir nas matrizes e exportar ao Mercosul, agora livre de tarifas.</p>



<p>O Acordo ainda limita fortemente a capacidade do Brasil controlar e tributar exportações. O país não poderá mais implementar políticas para garantir ao mercado interno parte da produção de determinadas mercadorias estratégicas (minerais críticos, recursos energéticos etc) ao desenvolvimento nacional ou que garantam a segurança alimentícia ou de saúde da população. E o pior de tudo: se o Brasil aceita este Acordo, outras potências exigirão a mesma mamata e isso levará ao completo estrangulamento da indústria e do emprego de qualidade no país.</p>



<p><em>Alberto Handfas</em></p>
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		<title>Reza Pahlavi, “a solução” da mídia ocidental para o povo iraniano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 20:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A mobilização no Irã continua, assim como a repressão. A mídia não para de promover, como solução para o povo iraniano, Reza Pahlavi, filho do xá derrubado em 1979, que abandonou o país em 1977 para se formar como piloto de avião em uma academia militar dos Estados Unidos. O filho do xá não voltou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A mobilização no Irã continua, assim como a repressão. A mídia não para de promover, como solução para o povo iraniano, Reza Pahlavi, filho do xá derrubado em 1979, que abandonou o país em 1977 para se formar como piloto de avião em uma academia militar dos Estados Unidos. O filho do xá não voltou ao Irã desde então.</strong></p>



<p>Nos Estados Unidos desde sua partida em 1977, o filho de Pahlavi cursou a universidade sem obter nenhum diploma. Finalmente, obteve um diploma por correspondência de uma universidade do sul dos Estados Unidos.</p>



<p>Quando os jornalistas lhe perguntavam como vivia naquela época, já que nunca havia trabalhado, ele respondia que recebia dinheiro de sua família e de apoiadores iranianos. Casou-se com uma iraniana rica, também refugiada nos Estados Unidos.</p>



<p>A mídia o apresenta como o herdeiro da “dinastia” Pahlavi, que não existe. Seu avô, que também se chamava Reza, era pobre e foi acolhido por seu tio após a morte de seu pai. Alistou-se no exército iraniano, nas “brigadas cossacas”, para sobreviver. Subindo na hierarquia, organizou um golpe de Estado em 1921 que lhe permitiu tornar-se o ditador que foi. Em 1925, destituiu o xá (termo que em farsi significa “imperador”) da dinastia Qadjar, que reinava desde 1788. O avô Reza autoproclamou-se assim o novo xá do Irã, mas foi afastado do poder “sob pressão dos aliados” em 1941, devido ao seu apoio a Hitler. Foi exilado na África do Sul. Seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, sucedeu-o como xá.</p>



<p>Em 1943, foi organizada em Teerã a conferência que reuniu pela primeira vez Churchill, Roosevelt e Stalin, que culminou na conferência de Yalta, em 1945. Desde a sua posse, o xá instaurou uma ditadura das mais ferozes, dando continuidade à política do seu pai, chamada de ocidentalização, em particular com a proibição absoluta do uso do véu pelas mulheres.</p>



<p>Naquela época, eram os britânicos que dominavam a extração de petróleo no Golfo Pérsico (do Irã à Arábia Saudita). Os americanos e o Kremlin propuseram-se a ganhar posições. Até então, apenas 8% das receitas do petróleo revertia para o Irã.</p>



<p>Em 1951, sob o efeito das mobilizações e da situação mundial, o primeiro-ministro Mossadegh, líder de um partido nacionalista iraniano, procedeu a</p>



<p>nacionalização do petróleo. Os britânicos protestaram violentamente, enquanto os americanos e os soviéticos tomaram outra decisão.</p>



<p>O partido Tudeh, stalinista e dependente de Moscou, estava muito implantado no Irã. Ele não apoiava Mossadegh, em nome da luta contra a burguesia iraniana (!), mas apoiava a proposta do Kremlin, que queria que os campos petrolíferos do norte fossem explorados pelos russos e os do sul pelos anglo-americanos.</p>



<p>Os Estados Unidos se oferecem, então, como mediadores e a CIA organiza secretamente um golpe de Estado que derruba Mossadegh (1953), abrindo caminho para que as empresas americanas assumam o controle do petróleo iraniano em detrimento das britânicas. Os Estados Unidos também se encarregam de reconstruir o exército iraniano e o país se torna, junto com Israel, o pilar dos americanos na região. Em 1957, o xá cria sua polícia política, a tristemente famosa Savak, que será extremamente violenta e brutal. Em 1972, segundo a Anistia Internacional, havia cerca de 200 mil detidos nas prisões da Savak, sem contar as prisões civis. A tortura era generalizada. A delação se estendeu às famílias, onde ninguém mais ousava falar. Não há números oficiais sobre o número de pessoas assassinadas pela Savak, mas estima-se que tenham sido 60 mil assassinatos políticos. No início dos anos 70, sob o efeito da crise do petróleo e suas consequências no Irã, desenvolveu-se uma mobilização operária entre 1973 e 1978. Greves eclodiram e os trabalhadores tentaram formar grupos independentes opostos aos sindicatos oficiais do regime. Múltiplas provocações, e em particular o assassinato de religiosos, permitiram ao clero xiita apresentar-se como um opositor decidido ao regime.</p>



<p>Em 8 de setembro de 1978, uma manifestação em Teerã foi reprimida sangrentamente, o que provocou uma mobilização maciça em todo o país contra o regime assassino. O partido stalinista Tudeh ficou do lado dos aiatolás, supostamente “anti-imperialistas”. Diante da revolução, que derrubou o regime do xá em janeiro de 1979, a burocracia do Kremlin interveio militarmente no Afeganistão para “restabelecer a ordem”. O objetivo era contrariar os avanços revolucionários no Irã (que tem uma longa fronteira com o Afeganistão, que por sua vez fazia fronteira com a URSS). Para as massas iranianas, o Kremlin aparece como hostil aos povos da região.</p>



<p>E o partido Tudeh emprega todos os meios para impedir a generalização dos comitês de trabalhadores que estão se constituindo nas fábricas e dos comitês de bairro, em nome de uma “frente anti-imperialista” com o clero xiita.</p>



<p>Será necessário um ano inteiro após a queda do xá para que os aiatolás, com a ajuda dos stalinistas, consigam transformar os comitês operários em comitês islâmicos, expulsando todos os dirigentes operários combativos, e transformar os comitês de bairro em comitês do imã (ver box). No entanto, essa militarização da classe operária e da população no Irã não permite ao clero xiita instaurar seu objetivo principal, a saber, um emirado islâmico. Ele é obrigado a se contentar com uma república, certamente islâmica, mas uma república ao fim e ao cabo &#8211; embora a pluralidade dos partidos continue sendo muito limitada, já que eles são obrigados a aceitar as leis islâmicas.</p>



<p>Apesar de tudo, em 1979, ocorreu uma verdadeira revolução popular no Irã que derrubou o regime monárquico pró-imperialista e rompeu suas relações com Israel.</p>



<p>E a lufada de ar fresco que isso representou na região para as massas, confrontadas com os regimes árabes reacionários, obrigou o imperialismo a reagir.</p>



<p>Após o fracasso de uma operação militar dos Estados Unidos no Irã, os imperialismos pressionaram Saddam Hussein, no Iraque, a atacar o Irã, em setembro de 1980, provocando uma guerra que terminou em 1988 e causou, segundo estimativas, entre 300 mil e 1 milhão de mortos no Irã e 200 mil no Iraque. Apesar de sua natureza reacionária, o regime dos aiatolás continua sendo um espinho para o imperialismo. Por isso, após fracassar militarmente em sua tentativa de derrubá-lo, o imperialismo instaura um sistema de sanções que atinge duramente não o regime, mas a população iraniana. É ela que hoje se rebela para garantir sua sobrevivência. É o povo iraniano, e somente ele, que deve decidir seu futuro, e certamente não Trump nem o genocida Netanyahu.</p>



<p><strong>Lucien Gauthier</strong></p>



<p class="has-background" style="background-color:#e7e7e7"><strong>Os comitês revolucionários de 1979</strong><br>No final de fevereiro, o movimento dos trabalhadores para criar organizações de luta, os “sovietes” (conselhos), ganha força em todas as fábricas. O regime tenta desvirtuar e frear esse movimento. As reivindicações dos trabalhadores, em geral, são altamente políticas. Eles querem que os conselhos eleitos controlem a produção, a abertura dos livros contábeis, etc. Os trabalhadores do petróleo exigem o controle da produção petrolífera, a anulação dos contratos, etc. O governo intervém em todos os lugares para impedir o desenvolvimento democrático das eleições.<br>Assim, Bazargan (primeiro-ministro) desloca-se a Ahwaz, onde participa na dissolução do “comitê de greve eleito” e estabelece um “conselho islâmico” cujos membros são mais “designados” do que eleitos. 59 dos 64 membros do conselho serão funcionários e diretores especialmente inclinados a aceitar as decisões da direção. Em outra fábrica (General Motors), o governo e as milícias intervêm no momento das eleições. O conselho é selecionado pela direção e pelo governo, e seus membros são, em sua maioria, operários e funcionários <a href="#khomeinistas">khomeinistas</a>*. Em outras fábricas, os conselhos eleitos são os verdadeiros representantes dos trabalhadores. Nas fábricas onde pôde o governo tenta manter as antigas estruturas (sindicatos policiais) ou pede a seus membros que colaborem com o “conselho”. Dito isso, esses órgãos, às vezes realmente eleitos, às vezes impostos pelo “prestígio” do novo governo, tornam-se um meio para os trabalhadores levantarem a questão de sua organização. Mais tarde, em algumas fábricas, será levantada a reivindicação de novas eleições (mas é preciso dizer imediatamente que, na ausência de um partido revolucionário, o gigantesco movimento — desde o início da revolução — em direção aos conselhos eleitos não leva à sua centralização).<br>[…] Como as forças repressivas (exército e polícia) estão desarticuladas, o regime cria “comitês do imã” que logo passam a controlar os comitês de bairro. Estes últimos são cada vez mais depurados, com a exclusão dos elementos mais combatentes.<br>As pessoas dos bairros são substituídas por fanáticos khomeinistas e até mesmo por antigos agentes da Savak, formando todos eles a “milícia dos comitês”.<br><br>* Seguidores de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ruhollah_Khomeini">Ruhollah Khomeini</a>, líder do movimento islâmico a época, que se tornará o líder supremo Aiatolá Khomeini, de 1979 a 1989.<br><br><strong>Trechos das reportagens de Salimé Etessam, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1979, no periódico francês <em>La Vérité</em></strong></p>
<p>O post <a href="https://otrabalho.org.br/reza-pahlavi-a-solucao-da-midia-ocidental-para-o-povo-iraniano/">Reza Pahlavi, “a solução” da mídia ocidental para o povo iraniano</a> apareceu primeiro em <a href="https://otrabalho.org.br">O Trabalho</a>.</p>
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