A guerra de Trump e Netanyahu tem que terminar!

Ameaça de mais genocídio

No dia 7 de abril, Trump numa ameaça genocida disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, a civilização persa de três mil anos, porque o governo do Irã não capitulou às suas exigências. À noite, ele anunciou e o Irã confirmou um cessar-fogo provisório de 15 dias. Mas já no dia seguinte, Netanyahu, com a complacência de Trump, disse que não estava no acordo e fazia seu mais selvagem ataque ao Líbano – 160 mísseis mataram 354 pessoas em vários pontos do país em menos de 15 minutos. 

Nos dois países já passam de dezenas de milhares o número de mortos e feridos, e mais de um milhão de deslocados. No Irã, o New York Times que analisou registros de satélites, mostra que os destroços são frequentemente causados por ataques em bairros densamente povoados, em particular Teerã, capital com 10 milhões de habitantes, com densidade comparável à Nova York. 

Em resposta ao bombardeio, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do gás e do petróleo produzidos no mundo. As primeiras negociações entre os EUA e o Irã no Paquistão em 11 de abril, fracassaram, mas parecem continuar discretamente. Israel continuou os ataques no Líbano.

Os EUA tentam, agora, fechar o Estreito de Ormuz para os navios vindos de portos iranianos, e não de outros, com o objetivo de bloquear as receitas de petróleo do Irã. O que também é uma ameaça à China que compra 40% do seu petróleo no Irã. 

Durante a guerra no Irã, o foco está no preço do petróleo, não apenas para afirmar, com a ajuda de Israel, seu controle sobre o Oriente Médio, mas também para aumentar a pressão sobre a China, desafiando sua posição no mercado global e tentando afirmar uma “ordem mundial”.

Tudo isso num contexto de crise generalizada, na qual o bloqueio do Golfo já provocou uma nova alta exponencial nos preços do petróleo.

E diante das políticas de Trump e Netanyahu, as manifestações e a rejeição a uma escalada militar ainda maior se aprofundam em todo o mundo, causando contradições e crises em alguns governos — inclusive na administração estadunidense.

Markus Sokol


Resistência e solidariedade no Brasil
No mesmo dia 7 do discurso genocida de Trump, no Brasil, em resposta ao apelo do reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã (IUST), Dr. Mahmoud Mehrdad Shokrieh, 37 sindicatos e quatro sociedades científicas, repudiaram em nota pública (abaixo) as ações bárbaras dos EUA e de Israel. A iniciativa veio dos militantes do DAP no movimento Renova Andes e recolheu amplo apoio. Com relação ao Líbano, fica a demanda de que o governo Lula rompas as relações com Israel.

“Repúdio aos bombardeios dos EUA e de Israel às Universidades e Escolas do Irã
O ataque militar unilateral lançado pelos EUA e por Israel contra o Irã em 28/02/2026 têm escalado a cada dia e cada vez mais alvejado sua população civil e instituições sociais. Várias universidades e centros de estudos do Irã têm sido deliberadamente bombardeadas.
Entre as instituições criminosamente atingidas pelos mísseis dos EUA-Israel, destacam-se a Universidade Imam, Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã e Universidade de Tecnologia de Isfahan.  Logo no primeiro dia desta guerra, aliás, a Escola Feminina Shajareh Tayyebeh (Minab) foi devastada com os brutalmente destrutivos mísseis norte-americanos Tomahawk, tendo mais de 150 de suas jovens estudantes assassinadas. Tais atos de destruição seguem, pois, o mesmo padrão daqueles ocorridos, recentemente em Gaza, quando as Forças Armadas de Israel (FDI) destruíram as 12 universidades ali existentes – o mesmo padrão também contra o Líbano.
Repudiamos com veemência tais ataques e interpelamos toda a comunidade acadêmica brasileira a denunciar o escolasticídio que EUA e Israel têm desenvolvido contra o Irã. Por meio da destruição de escolas, universidades, bibliotecas e centros de pesquisas pretendem apagar a memória, a cultura, a soberania científica e tecnológica e o futuro do povo e da nação iraniana. A barbárie cultural em curso contra o Irã – nação dotada de uma rica e milenar cultura é, definitivamente, um crime contra a humanidade.
Pelo fim imediato dos bombardeios contra o Irã! 
Toda solidariedade aos docentes, pesquisadores, acadêmicos e estudantes iranianos!”

Assinam sindicatos de docentes, associações científicas e dirigentes:
Cláudio Mendonça, presidente do ANDES – SN (Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior); Francivaldo Alves Nunes, presidente da Anpuh (Associação Nacional de História); Beatriz Macchione Saes, presidente da EcoEco (Sociedade Brasileira de Economia Ecológica); Carlos Fidelis da Ponte, presidente do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde); Marisa Silva Amaral, presidente da SEP (Sociedade Brasileira de Economia Política), Adcac (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Catalão); Aduemg (Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Minas Gerais); Aduems (da Universidade do Estado de Mato Grosso do Sul); Aduenp (da Universidade Estadual do Norte do Paraná); Adufabc (da Universidade Federal do ABC); Aduferpe (da Universidade Federal Rural de Pernambuco); Adufepe (da Universidade Federal de Pernambuco); Adufmat (da Universidade Federal de Mato Grosso); Adufms (da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul); Adufop (da Universidade Federal de Ouro Preto); Adufpel (da Universidade Federal de Pelotas); Adufpb (da Universidade Federal da Paraíba); Adufrj (da Universidade Federal do Rio de Janeiro); Adufs (da Universidade Federal de Sergipe); Adufscar (da Universidade Federal de São Carlos); Adufu (da Universidade Federal de Uberlândia); Adunemat (da Universidade Estadual do Mato Grosso); Adunicamp (da Universidade Estadual de Campinas); Adunicentro (da Universidade do Cento-Oeste do Paraná); Adunifesp (da Universidade Federal de São Paulo); Adunioeste (da Universidade Federal do Oeste do Paraná); ApesJF (Associação dos Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora); Apropuc (da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Apur (da Universidade Federal do Recôncavo); Asduerj (da Universidade Estadual do Rio de Janeiro); Sesduem (Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Maringá); Sedufsm (Universidade Federal de Santa Maria); Sindcefet-MG (do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais);Sesunila (da Universidade Federal da Integração Latino Americana); Sindiprol/Aduel (da Universidade Estadual de Londrina); Sinduece (da Universidade Estadual do Ceará);Sinduepg (da Universidade Estadual de Ponta Grossa); Sindunespar (da Universidade Estadual do Paraná); Sindufap (da Universidade Federal do Amapá); SindsIFCE (do Instituto Federal de Educação C&T do Ceará)

Últimas

Mais lidas