França: “O passe sanitário é o passe autoritário”, diz Melenchon

Jean-Luc Mélenchon

Em 25 de julho o deputado Jean-Luc Melenchon, do movimento “França Insubmissa” (LFI), pronunciou-se desde a tribuna do parlamento, durante a votação do passe sanitário. Abaixo trechos do discurso (inter-título da redação):

“O imperador Calígula, dizem, impôs o seu cavalo como cônsul de Roma. Ele testou a resistência do Senado. Emmanuel Macron aplica o passe sanitário. Ele está testando o apego dos franceses às suas liberdades.

O passe sanitário não terá nenhum efeito sobre a saúde dos franceses. (…)

Assim, de uma crise sanitária se cria uma crise política. Com o passe sanitário, para a França, começa a era da liberdade condicional. Ah, tudo continua livre, desde que o regime de Macron, seus estados de emergência e passes de todo tipo deem a permissão. Liberdade condicional, como para os condenados bem comportados, esta é a sociedade de controle permanente. O passe sanitário será verificado cem vezes por dia por todo tipo de pessoa sem mandato, e até mesmo por quem não quer fazê-lo. É o caso dos 200 mil donos de restaurantes e lanchonetes responsáveis ​​por controlar seus clientes. Você os ameaça com uma multa de nove mil euros e com o fechamento do estabelecimento.

Regime opressor de ameaças sociais
Um trabalhador chega ao trabalho sem passe? Seu salário é suspenso. Se ele tiver um contrato de trabalho temporário ou terceirizado, a demissão imediata é possível!

Observo que, com uma ostentação de classe assumida, não se impõe o passe sanitário para a entrada nos conselhos de administração ou nas assembleias de acionistas. Um enfermeiro não vacinado? Suspenso! Ele vai ter que aprender a viver sem salário. É um regime opressor onde ameaças sociais substituem todo diálogo (…)

O vírus está presente em restaurantes, mas não em escolas. Enfermeiros, bombeiros, garçons, cinéfilos, espectadores são vetores de contágio, mas não os policiais. Você obriga ao isolamento as pessoas infectadas, mesmo em suas habitações superlotadas, sem requisitar os milhares de quartos de hotel disponíveis. (…) O passe sanitário é o passe autoritário (…)

No entanto, a liberdade é nosso direito inicial e você não tem nenhum direito contra ela. Claro, toda liberdade tem limites. Mas só se pode determiná-los com escrúpulos e mãos trêmulas. Para os amigos da liberdade, é melhor errar esquecendo de proibir, do que proibir demais.

Não! Não somos um povo de doentes ou criminosos em potencial, mas um povo de cidadãos.

E, enquanto você impõe esses absurdos, você não planeja nada para organizar os rodízios dos horários de trabalho, nada para instalar os purificadores de ar em todos os lugares, nada para fortalecer os hospitais públicos e trazer de volta as 180 mil pessoas que deixaram seu serviço! Nada para o retorno de doze milhões de alunos e seus professores (…)

Neste caso, mais uma vez, será uma honra desobedecer e ser Insubmisso. Aqui, temos apenas um dever: dizer sim ou não, se este texto (o projeto de lei) nos permite enfrentar corretamente a pandemia, nós acreditamos que ele só diminui as nossas liberdades, portanto deve ser rejeitado.”

Artigo anteriorComo fica a juventude com a MP 1045?
Próximo artigoLançamento da Revista A Verdade 108 – debate com Markus Sokol