Governo mente para encobrir irresponsabilidade

Marcelo Queiroga, ministro da saúde do governo Bolsonaro

A pandemia arrefeceu, mas está longe de resolvida. Dados recentes apontam inclusive uma maior taxa de transmissão nos últimos dias e a maior média móvel nos últimos três meses.

Sem ampliar a vacinação e manter testagem não há como vislumbrar a resolução dessa catástrofe. Em meio a isso o Ministério da Saúde suspendeu a vacinação em adolescentes (agora recuou) e milhões em tratamentos e insumos serão incinerados. E na CPI aparece, entre outras barbaridades, o esquema da Prevent, tudo indica, envolvendo o gabinete paralelo do governo genocida.

A suspensão temporária da vacinação dos adolescentes sem comorbidades pelo ministro Queiroga não tem justificativa cabível. O Ministro da Saúde bate continência a Bolsonaro e obedece sua ordem de retirar a vacinação dos jovens sem comorbidades, com a invenção de que a OMS (Organização Mundial da Saúde) seria contra a vacinação dos jovens 12-17 anos. Mentira!

Cientista da Fiocruz, Margareth Dalcomo deixou claro em entrevista à CNN Brasil, que Bolsonaro e Queiroga mentiram. “De modo algum a OMS colocou em questão a segurança e a validade da vacina no grupo etário (adolescentes)”, disse. “Justificar a decisão dizendo que há efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes não corresponde à realidade”. A pesquisadora apontou ainda para a verdade: “Se está faltando vacina, nós temos que providenciar as vacinas no quantitativo necessário”.

A verdade é que apenas 46% da população está vacinada com as duas doses. E diante da inoperância do Ministério da Saúde e da falta de doses pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), o Instituto Butantã em São Paulo passou a vender doses diretamente a estados.

Para além da incompetência em distribuir e fazer a vacinação ocorrer adequadamente, esse mês nos deparamos com as denúncias de vacinas, remédios e testes que serão incinerados por perderam a validade. No total são avaliados o montante de 243 milhões em um cemitério que se encontra em Guarulhos. São mais de 3,7 milhões de itens mantidos em sigilo que começaram a vencer na gestão de Bolsonaro. Itens desde canetas de aplicação de insulina que abasteceriam 235 mil pacientes diabéticos em 1 mês, até medicamentos para hepatite C, câncer, tuberculose, Alzheimer, artrite reumatoide, transplantados…. Alguns itens inclusive estão em falta nas unidades de saúde! Incluem-se na lista produtos, principalmente testes para HIV do programa de DST/Aids (345 mil em testes). Além de dois milhões de testes para COVID-19.

Medicina privada, o caso Prevent
Capítulo recente da CPI do COVID é o desnudamento da situação da prescrição obrigatória de “Kit Covid” pela Prevent Senior. Os pacientes atendidos demonstraram receber a receita contendo medicamentos com resultados não comprovados – cloroquina, nitoxazamida, ivermectina. Muitos inclusive recebiam os medicamentos em casa trazidos por moto boy pelo convênio. As apurações incluem para além de prescrições obrigatórias, que tinham que ser feitas pelo médicos, denúncias de assédio moral, assédio para preenchimento de atestado de óbito retirando a suspeita de COVID. O Sindicato dos Médicos de São Paulo veio a público na última sexta-feira orientar que os médicos não assinem nenhum documento sem consultar o jurídico e que denunciem, no canal anônimo criado para isso, os casos de assédio moral, coerção, retirada de autonomia médica entre outros. Vimos na CPI que a Prevent Senior tenta agora atribuir a responsabilidade da prescrição a cada médico que assinou a receita. Quer transferir a responsabilidade para os profissionais que atenderam os pacientes e foram obrigados a adotar a “política da empresa”. Os relatos integram desde aulas e orientações sobre como prescrever o “Kit”, até ameaças e desligamentos se não o fizessem.

As investigações sobre a Prevent devem continuar, mas desde já que fique estabelecido. A medicina privada, os planos de saúde, buscam o lucro de seus proprietários. A luta para fortalecer o SUS deve ser reforçada.

Juliana Salles

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