Haiti: atentado contra militante

Manifestação no Haiti. Ao lado, o companheiro Resain

Na manhã de 24 de agosto, na capital Porto Príncipe, homens armados atingiram com três tiros o militante Domini Resain, responsável de organização do Moleghaf (Movimento de Liberdade e Igualdade dos Haitianos pela Fraternidade). Ele sobreviveu ao ataque, mas sua vida continua ameaçada.

O crime ocorreu dois dias depois de uma grande manifestação popular contra o governo de Ariel Henry e pelo fim da ingerência da ONU no Haiti, convocada pelo Moleghaf e demais organizações reunidas na frente Konbit (Organização Política, Popular e Sindical).

Nessa manifestação, Domini Resain e outros companheiros repeliram provocações de grupos ligados ao Partido Haitiano Tet Kalé (PHTK) que está no poder desde 2011, sempre com presidentes fantoches impostos pelo imperialismo estadunidense em eleições fraudulentas ou mesmo simplesmente empossados.

Esse é o caso de Ariel Henry, que se impôs como presidente de fato, sem ter sido eleito ou nomeado por nenhuma instituição, após o assassinato de Jovenel Moise, ocorrido em julho de 2021.

Numa nota à imprensa, os representantes das organizações da Konbit, David Oxygène, Josue Merilièn e Guy Numma, denunciam “as ameaças de morte que pesam sobre inúmeros dirigentes da Konbit e a tentativa de assassinato de Domini Resain e o prosseguimento da mobilização até a derrubada desse governo do PHTK”.

O grave ataque contra Domini Resain se inscreve na situação de caos e violência implantada no Haiti pela ingerência estrangeira. As instituições estão em frangalhos, o estado é praticamente inexistente e a capital e outras partes do país estão dominadas por gangues fortemente aparelhadas pelo contrabando de armas que saem de Miami sem nenhum controle, seja na saída dos EUA seja na entrada no Haiti.

Essas gangues disputam os territórios a serviço de empresários e políticos, inclusive, e em particular, do partido PHTK, que utiliza os bandos armados também para reprimir manifestações populares.

Refém das gangues, o povo mergulha na mais abjeta miséria, sem hospitais, escolas e com frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Enquanto isso, máfias empresariais especulam com a cotação do dólar, contratos milionários com o governo fantoche e com os preços de produtos essenciais. A gasolina, por exemplo, tem o preço oficial de 250 gourdes (US$ 1,67) mas só é encontrada no mercado ilegal a 1.500 gourdes (US$ 10,00).

Como reiteradamente vêm declarando o Moleghaf, Konbit e numerosas outras organizações políticas, populares e sindicais do país, o fim da ingerência estrangeira é a condição primeira para que o Haiti se liberte da barbárie.

Edison Cardoni

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