Jornalistas de São Paulo paralisam contra arrocho salarial nesta quarta (10)

Em assembleia virtual neste terça (9), mais de 250 profissionais das empresas de jornais e revistas da capital paulista rejeitaram, por unanimidade, a última proposta de reajuste salarial do sindicato patronal, e reafirmaram que vão cruzar os braços nesta quarta (10), entre 16h e 18h horas. São trabalhadores de veículos como Folha S. Paulo, Estadão, Valor Econômico, da sucursal de O Globo em São Paulo, e de editoras como Abril e Globo.

Os jornalistas insistem no reajuste salarial pela inflação – que atingiu 8,9% da data base da campanha salarial, em 1o de junho. As empresas passaram meses oferecendo apenas metade desse índice (4,45%) para a maior parte da categoria, e percentuais ainda mais baixos para os maiores salários das redações, além da retirada da multa prevista em caso de ausência de programas internos de PLR. Na última rodada de negociação, na segunda-feira, o sindicato patronal apresentou nova proposta, dividindo a categoria em 3 faixas salariais, com diferentes índices. Mas apenas a primeira – com salários abaixo do piso projetado pelo Sindicato dos Jornalistas!– teria reajuste pela inflação.

A assembleia repudiou a tentativa de divisão da categoria, reafirmando a unidade dos jornalistas. Paulo Zocchi, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e funcionário da Ed. Abril, ressalta que esta unidade e mobilização estão sendo construídas justamente num momento em que cerca de 95% dos jornalistas deste setor estão em home office. “O desafio é organizar uma paralisação com quase todo mundo trabalhando de casa. A orientação é que, às 16h, todos parem o trabalho, façam postagem na mesma hora, fechem os celulares para não receber contato da chefia e entrem em uma sala virtual para ficarmos juntos durante a paralisação. São medidas que estamos experimentando, e acredito que a experiência será importante não só para os jornalistas, mas para o conjunto do movimento sindical.”

Ele explica ainda que esta decisão só foi possível por que o Sindicato realizou um trabalho de base prévio, de organização por local de trabalho (por exemplo, com contato direto no Whats App) e a realização desde o primeiro mês de pandemia de assembleias virtuais que reuniam dezenas a centenas de trabalhadores.

A mobilização já é considerada histórica para a categoria. “Fazia muito tempo que a gente não tinha uma assembleia como essa, e a decisão de paralisar numa campanha salarial”, explica Thiago Tanji, presidente do Sindicato e jornalista da revista Autoesporte. “Acredito que essa expressão da categoria é um reflexo do desastre econômico e social e da escalada do autoritarismo no Brasil. Desde março de 2020, nossa categoria vem exercendo um trabalho essencial de amenizar parte da tragédia provocada pelo governo Bolsonaro, diretamente responsável por mais de 600 mil mortes. Os jornalistas não saíram da rua, trazendo informações importantes que ajudaram a população. E a maior parte dos profissionais em São Paulo enfrentou tudo isso passando ainda pela redução de salários em 25%. É por isso que a categoria vê que é somente unido que a gente vai conseguir se fortalecer diante das empresas que demitem, que precarizem, e estão sendo intransigentes. Neste sentido, o movimento já é vitorioso.”

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