Lula livre: continua a luta pela anulação dos processos

A fala de Lula em São Bernardo do Campo, no dia 9, foi acompanhada com entusiasmo pelos participantes do ato que celebrava a sua soltura. O sentimento era o de que a saída de Lula da prisão, após 580 dias, poderá provocar mudanças importantes na situação do país. Na véspera, em Curitiba, ao dirigir-se aos integrantes da vigília quando saiu do prédio da Polícia Federal (PF), o ambiente era semelhante.

Lula foi solto em decorrência da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada por 6 votos a 5, de que pessoas condenadas não podem ser presas até que haja o trânsito em julgado do processo, ou seja, até que sejam apreciados todos os recursos judiciais possíveis. É o que estabelece a própria Constituição, mas uma jurisprudência do STF de 2016 havia possibilitado a prisão após condenação em segunda instância.

A decisão do STF levou também à soltura de Zé Dirceu, ex-presidente do PT, preso em Curitiba desde maio, e à revogação da execução das penas dos dirigentes petistas João Vaccari e Delúbio Soares, com a Justiça determinando a retirada das tornozeleiras que estavam usando em regime de prisão domiciliar.

“Não ganhamos nada”
Em seu discurso no ABC, Lula falou sobre a farsa da Lava Jato e advertiu para o fato de que a luta é pela anulação dos processos que o condenaram sem provas, retirando-o da eleição presidencial do ano passado. A ação ilegal do ex-juiz Sergio Moro (atual ministro de Bolsonaro), que coordenava os trabalhos dos procuradores liderados por Deltan Dallagnol e até da PF, ficou comprovada nas matérias da série #VazaJato, publicadas pelo site The Intercept e outros órgãos de imprensa.

Como foi gritado no ato: “A Lava Jato é armação! É Lula Livre em defesa da nação!”.
Lula chamou Moro de “canalha” e disse que Dallagnol “montou uma quadrilha com a força-tarefa da Lava Jato, inclusive pra roubar dinheiro da Petrobras e das empreiteiras”. Depois, afirmou: “Olhe, nós ainda não ganhamos nada. Porque o que nós queremos agora é que seja julgado um habeas corpus que demos entrada no Supremo Tribunal Federal anulando todos os processos feitos contra mim”. E completou: “Tudo o que o Intercept está falando agora já está escrito na minha defesa há quatro anos atrás. E só tem uma explicação pra que eles façam esse processo: foi pra me tirar da disputa eleitoral”.

O ex-presidente está solto, mas, como pede o abaixo-assinado que coletou apoios em todo o país, a exigência agora é a anulação dos julgamentos.

Governo Bolsonaro
Lula criticou o governo Bolsonaro, que classificou de um governo de milicianos, e centrou fogo em medidas tomadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem chamou de “demolidor de sonhos, destruidor de empregos, destruidor de empresas públicas brasileiras”. Bateu forte contra a política que favorece o desemprego, os baixos salários e o aumento da fome.

Na questão da Previdência, lembrou a luta do povo chileno: “A aposentadoria que o Guedes fez aqui é a que tem no Chile, que está fazendo com que pessoas velhas morram porque não tem salário. É por isso que no Chile o povo está na rua”.

Na fala sobre Bolsonaro, no sábado, algo que destoou foi a afirmação de que “democraticamente, nós aceitamos o resultado da eleição”. Um dia antes, em Curitiba, Lula tinha abordado a fraude eleitoral, ao dizer que Haddad, o candidato do PT em 2018, não foi eleito presidente “porque a eleição foi roubada”.

Em São Bernardo, Lula afirmou também que, se soubermos trabalhar, “em 2022 a chamada esquerda que o Bolsonaro tem tanto medo vai derrotar a ultradireita”. Ora, a luta pelo fim do governo Bolsonaro, o quanto antes, não será a melhor resposta para o povo que sofre com o desemprego, os baixos salários e a fome?

Cláudio Soares

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