Duas frentes da política genocida
O genocídio nunca parou. O Centro Palestino de Direitos Humanos (www.pchr.org), alertou que os ataques diários que se abatem sobre a população de Gaza, conduzidos com tecnologias de vigilância e drones de alta precisão, revelam uma intenção deliberada de infligir o máximo de baixas civis, constituindo uma “continuação direta dos crimes de genocídio e limpeza étnica”. Sistematicamente, o exército israelense justifica seus ataques com a suposta presença de membros do Hamas, que iniciou negociações com Jared Kushner, o enviado especial de Trump. Um pequeno recorte, de agosto, o demonstra. No dia 15, em Khan Younis, vários bairros foram alvo de um intenso bombardeio de artilharia, acompanhado por disparos de helicópteros e por uma intensa atividade de drones. Um adolescente de 14 anos foi morto. Seu corpo só foi recuperado no dia seguinte por meio da Cruz Vermelha Internacional. Outros três palestinos ficam feridos. Várias casas foram destruídas. No mesmo dia, em Deir al-Balah, um drone israelense disparou um míssil contra uma motocicleta que circulava perto de um centro de distribuição de alimentos da UNRWA. Três palestinos ficam feridos, entre eles uma criança. O motorista da motocicleta está em estado crítico. Dia 16, na região de Khan Younis, um drone atacou uma barraca onde estavam deslocados. Sete palestinos ficam feridos. Um deles morreu. Dia 17, Jared Kushner, negociador americano e genro do presidente Donald Trump, pede a Israel que ‘reduza’ seus ataques contra Gaza. Em 18 de agosto, na Cidade de Gaza, aviões de guerra dispararam míssil contra uma instalação que funciona como café perto do porto de Gaza. O local estava lotado de civis. Balanço: sete palestinos mortos, incluindo um menino de 13 anos junto com seu pai, e 15 feridos. No dia 19, novos ataques aéreos mataram dez pessoas. No mesmo dia, um ataque matou oito policiais palestinos e uma menina de 13 anos. Em 23 de agosto, dois ataques aéreos mataram duas pessoas, incluindo uma criança de 4 anos.
74.000 mortos e 174.000 feridos desde outubro de 2023 e as pipas de Gaza
O mais recente pretexto para bombardear e matar palestinos acaba de ser encontrado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, após a descoberta de algumas pipas provenientes de Gaza, nos assentamentos israelenses vizinhos! Katz decidiu considerá-las como armas em potencial e qualquer pessoa, criança ou adulto, que daqui em diante se atrever a brincar com uma pipa na Faixa de Gaza será executada na hora. Enquanto isso, as escavadeiras israelenses continuam freneticamente a destruição dos prédios ainda de pé na zona “amarela”, que representa cerca de 70% da área da Faixa de Gaza. Desde o “cessar-fogo” em vigor desde outubro de 2025, o exército genocida israelense matou pelo menos mais 1.273 pessoas. Desde o início do genocídio, em outubro de 2023, somam-se cerca de 74.000 mortos identificados e mais de 174.000 feridos. Isso sem contar as dezenas de milhares de habitantes, começando pelos mais vulneráveis, que sofrem de desnutrição, doenças respiratórias e cutâneas devido às condições sanitárias catastróficas, além de patologias que não recebem mais tratamento devido ao colapso do sistema de saúde.
Cisjordânia, a mecânica da anexação

Na Cisjordânia, a repressão militar e a violência dos colonos sionistas protegidos pelo Estado israelense têm como objetivo fragmentar a população e desestruturar suas condições de vida para forçar os palestinos a partir ou a ficar confinados em alguns enclaves. Cerco e destruição de casas, bloqueio de acesso à água e à energia e a mercados são comuns, buscando esgotar a população palestina.
De acordo com a Comissão Palestina de Resistência ao Muro e à Colonização, os pogroms (ataques violentos e massivos) não param de se multiplicar: 900 incêndios contra bens palestinos foram registrados entre janeiro de 2023 e 10 de julho de 2026. Dentre eles, 799, ou seja, 88,8%, são atribuídos a colonos e 101 ao exército. Netanyahu se pronunciou recentemente, orgulhoso, diante de colonos, sobre as “104 comunidades que estabelecemos e legalizamos juntos” e das “160 fazendas” criadas com seu governo. Mustafa Barghouti, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, estimou que “o terrorismo dos colonos atinge agora uma média de trinta ataques por dia.
Em 18 de agosto, as autoridades israelenses abriram uma licitação para 1.234 unidades habitacionais, das 3.401 aprovadas entre Jerusalém Oriental e o grande assentamento sionista de Ma’ale Adoumim. Isso separaria ainda mais o norte do sul e isolaria Jerusalém Oriental. Essa aceleração vai além da Cisjordânia. Em 27 de agosto, o ministro genocida Bezalel Smotrich propôs transferir para o Negev e para a Galileia, onde se concentra a população palestina do interior, a “revolução da colonização” conduzida na “Judeia-Samaria” (nome bíblico dado pelos sionistas à Cisjordânia), trazendo para lá mais um milhão de colonos israelenses.
Hebron, o laboratório da anexação
Em Hebron, a fragmentação imposta pelo exército de ocupação gera outra forma de desintegração. Desde o protocolo de 1997, cerca de 80% da cidade compõem a “zona H1”, administrada pela Autoridade Palestina corrupta, enquanto os 20% que formam a H2 permanecem sob controle israelense. O exército de ocupação israelense transformou esse setor de Hebron em refúgio para grupos criminosos armados e traficantes, com o objetivo de instrumentalizar posteriormente esses confrontos para impor a toda a população toques de recolher, bloqueios e punições coletivas. Ao mesmo tempo, a maioria das aldeias do distrito de Hebron é atacada praticamente todos os dias pelos colonos. O governo israelense busca desenvolver um poder clânico, com o objetivo de constituir um “emirado” em Hebron, que não seria nada mais do que um enclave fechado e privatizado, controlado por milícias a seu serviço no âmbito de uma Cisjordânia anexada. Um processo semelhante está se desenvolvendo em Nablus.
É para expressar nossa rejeição absoluta ao genocídio que continua em Gaza, à política de limpeza étnica que se intensifica na Cisjordânia, para denunciar as cumplicidades políticas assumidas e hipócritas com o Estado israelense, e afirmar nosso apoio ao povo palestino, que serão organizados em todo o mundo comícios e manifestações no próximo dia 10 de outubro, por ocasião do terceiro aniversário do genocídio.
Correspondente
Em Israel, manifestação pela libertação das prisioneiras palestinas

No dia 22 de agosto, ativistas antissionistas que atuam no Estado de Israel se reuniram em frente a uma prisão destinada a mulheres palestinas, chamada de Damon. Esses ativistas lançaram em Israel uma campanha pela liberação do doutor Abu Safiya e de todos os reféns palestinos, segundo suas próprias palavras. “Damon se tornou um dos símbolos de um sistema carcerário que humilha e pune as palestinas por serem palestinas e por se recusarem a ficar caladas. Não viemos para falar com os guardas. Gritamos com toda a nossa força, para que as mulheres presas nos ouçam. Para que elas saibam que não estão sozinhas. Que lá fora, há pessoas que se recusam a aceitar a detenção, os maus-tratos, as humilhações e as violências que lhes são infligidas”, declarou uma manifestante.

