Mau passo no Diretório Nacional do PT

Maioria vota estatuto e carta-programa regressiva para Federação

A maioria do Diretório Nacional do PT na reunião em 13 de abril adotou deliberações muito ruins. Depois de, em março, ter votado por maioria a Federação com PCdoB-PV de embrulho numa resolução de conjuntura -“ajoelhou” – agora tirou as conclusões previsíveis – “tem que rezar”.

Quem é a maioria? Ponto prévio, Markus Sokol pediu agora em abril, mas ainda hoje não foi publicada, a lista nominal dos votos pela Federação no DN de março (são membros da CNB e aliados).

Agora, votaram-se dezenas de emendas. 

Nos estatutos da Federação, Valter Pomar propôs, primeiro, limitá-la ao PCdoB, o que rejeitado, com a abstenção do Diálogo e Ação Petista, pois, rigorosamente, o PCdoB é o centro do risco da esclerose burocrática do PT na Federação, mesmo se o PV não é flor que se cheire. Depois, Valter propôs uma emenda de estruturação “pela base” (órgãos municipais e zonais) da Federação com PCdoB-PV. A presidente Gleisi Hoffmann rejeitou a emenda porque “não queremos uma nova estrutura como um novo partido, mas uma associação partidária para fim eleitoral”. Conversa, porque a lei 12.408 de 28/04/2021 define a Federação como “nova agremiação partidária” e se sobrepõe a qualquer estatuto.

O DAP se absteve em toda emendaria, para não tentar consertar o que não tem conserto.

Se fossemos ingênuos, diríamos que é um salto no escuro. Realistas, dizemos que o PT está em risco nesta Federação de cúpula, camisa-de-força sob a tutela extrapolada do judiciário, como explicamos há 6 meses.

Regressão histórica
Já a Carta-Programa, o DAP disputou ponto a ponto. Junto com outros, o DAP integrou uma emenda do Direito à Autodeterminação dos Povos, ausente – crucial na guerra de Putin na Ucrânia – assim como uma emenda de Revogação da contrarreforma Trabalhista no lugar da vaga “revisão”. Nestes temas, a cúpula da CNB, em particular, não estava muito azeitada e acabou apoiando, o que é melhor.

Mas, principalmente, a maioria CNB-RS-MPT-AV rejeitou a principal emenda, pela Assembleia Constituinte Soberana por 49 votos, defendida por Misa Boito (DAP) e Valter Pomar (AE) com 16 votos. Houve 1 abstenção. De modo que a Carta-Programa ficou no limite da atual Constituição, a que prendeu Lula e deu no “inominável”, o que é uma regressão histórica que remete o PT ao desarme programático de real transformação da sociedade, que vigorou ente 1995 e 2016, pois a Constituinte só voltou ao programa em 2017 no 6º Congresso, depois do golpe do impeachment, como Misa explicou.

PSB + Alckmin Vice
Acreditem, pela primeira vez o DN discutiu (a Executiva nunca), a “indicação pelo PSB do ex-governador Alckmin como Vice” na coligação com a Federação de Lula, porque será assim o registro, se não vierem mais coligados. Foram 68 votos a favor do PSB-Alckmin, onde vários eram votos acorrentados (“sabe, a corrente decidiu”).

Três orgulhosos votos do DAP foram pela rejeição da proposta “vinda” do PSB de Alckmin Vice. Outros 13 votos foram dos grupos que se juntaram com a DS (a favor do PSB, mas “não este nome da direita” Alckmin; já um outro, podemos pensar…).

Markus Sokol (DAP) falou pela rejeição, em favor de uma aliança com plataforma anti-obscurantista, indígena, quilombola, camponesa e trabalhadora, “democrática e antiimperialista” (6º e 7º Congressos do PT) que emanasse o vice, uma aliança com PSOL, PCdoB, setores do PDT e do PSB e outros, pela Constituinte Soberana. Desprezou Alckmin por ser a “velha política” que injeta na veia do discurso de Bolsonaro, a que cada pequeno empresário que traz, perde uma fila de ônibus descontente (“se juntam, são todos iguais”). A sua imagem em SP é a da privatização e da violência da PM. Sokol perguntou, ele “dá garantias a quem, banqueiros, latifundiários ou embaixadores?”.

Na próxima edição examinaremos a forma final dos estatutos e carta-programa, a serem referendados pelo TSE até 31/5, enquanto que Alckmin Vice-PSB é proposto pelo DN ao Encontro Nacional do PT de 4-5 de junho (virtual…).

Indicações dadas, as combateremos até o último instante, e desde já, com o DAP, dizemos “O PT Continua!”

J.A.L

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