Mobilização nacional proposta pela CUT, CTB e Intersindical será em 10 de maio

Reunidas após a escandalosa votação na Câmara em 17 de abril da abertura do processo de impeachment contra Dilma, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo delegaram à CUT, CTB e Intersindical apontar uma data de mobilização nacional com paralisações nos locais de trabalho, antes da votação no Senado em 11 de maio de admissão do julgamento da presidente eleita.

Em coletiva de imprensa na manhã de 27 de abril, para anunciar os atos de 1º de Maio em todo o país em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra o golpe, dirigentes das três centrais anunciaram a data de 10 de maio para o Dia Nacional de Luta com greves e paralisações.

Uma medida necessária, sem dúvida, que vai no caminho de preparar as condições para uma greve geral que impeça a consumação do golpe e a concretização do programa do conspirador Temer, a famigerada “ponte para o futuro” que promove um ataque em regra a direitos sociais e trabalhistas e à soberania nacional. A tarefa do momento, portanto, é fazer com que a paralisação de 10 de maio seja a mais ampla possível (leia abaixo).

Centrais pelegas com Temer

Um dia antes, em 26 de abril, conduzidos pelo deputado golpista Paulinho da Força, carne e unha com o gangster Eduardo Cunha, dirigentes de quatro centrais sindicais minoritárias – Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB – foram recebidos por Michel Temer no Palácio do Jaburu, que se transformou em quartel general da conspiração.

A desculpa dada por Paulinho da Força foi a de “apresentar as demandas do trabalhador, já que uma série de empresários e banqueiros têm se encontrado com o vice”. Já Antonio Neto da CSB disse que “estamos a favor do Brasil, qualquer que seja o governo” (jornal O Eestado de São Paulo de 27/04). Apresentar demandas a quem não é presidente da República, antes mesmo de um eventual afastamento de Dilma? Qualquer que seja o governo, seja o eleito pelo povo ou seja o que for fruto de um golpe institucional?

Nenhuma demanda que esses pelegos apresentaram a Temer vai disfarçar seu alinhamento com o golpe em curso, lado a lado com os exploradores da classe trabalhadora.  Essa atitude tende a aprofundar as divisões já existentes nas bases e entre dirigentes da Força Sindical, bem como das demais centrais que se prestaram a esse vergonhoso papel.


 

“Usar os métodos da classe, paralisar a produção”

Trechos da intervenção de Julio Turra na reunião ampliada da Executiva nacional da CUT de 26 de abril:

“Não vou fazer balanço antecipado de um processo ainda em curso. Agora o que se trata é de aprofundar as mobilizações em maio, antes da primeira votação no Senado. (…)

As duas frentes em que a CUT participa pediram a definição de um dia nacional de paralisação. É preciso usar os métodos da classe trabalhadora, paralisar a produção. Não é suficiente botar mais gente nas ruas que os coxinhas –  o que já fizemos em 16 de dezembro e 17 de abril –  é preciso preparar paralisações em todo o país, o que ainda não é a Greve Geral que para 100%, mas que seja ampla como foi o 11 de julho de 2013. (…)

A CUT tem que agir como organização sindical, chamar as CUTs estaduais a fazerem plenárias com os sindicatos filiados, orientá-los a fazerem assembleias, dialogar com a base nos locais de trabalho, mostrando que por trás do golpe contra a Dilma está uma ofensiva do imperialismo e da burguesia contra nossos direitos. O 1º de Maio é pelos direitos e contra o golpe, e não ‘por mais direitos’ ou outras formas genéricas. (…)

Ontem as frentes reuniram-se com a Dilma, que ficou de estudar nossas propostas. É preciso que o governo adote medida emergencial em defesa do emprego, que retire a pauta negativa para nós, como o PL 257 que ataca os servidores. Não estou a favor de falar em antecipação de eleições para presidente agora, mesmo porque não resolve nada quando o principal obstáculo é o Congresso.  A conclusão principal desta reunião é que dia vamos propor a paralisação nacional. “


Petroleiros discutem greve geral

A Federação Única dos Petroleiros (FUP, filiada à CUT), após a votação de 17 de abril na Câmara, adotou uma orientação que reproduzimos abaixo, como um exemplo da reação que se faz necessária em todas as organizações sindicais:

“O povo brasileiro sofreu um grave golpe das forças reacionárias, que, numa aliança espúria entre empresários e políticos corruptos, conseguiram aprovar na Câmara dos Deputados Federais o pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff, sem qualquer fundamento jurídico.

Os parlamentares que atentam contra a democracia são os mesmos que atacam o cidadão brasileiro com projetos que podem fazer o nosso país retroceder décadas em relação aos direitos humanos, sociais e trabalhistas. São os mesmos que se articulam para privatizar a Petrobrás e para acabar com o Sistema de Partilha do Pré-Sal.

A FUP e seus sindicatos, que sempre estiveram na linha de frente de combate ao retrocesso, continuarão na luta, junto com os movimentos sociais e sindicais para barrar a aprovação do impeachment no Senado e impedir o desmonte de direitos que virá no rastro do golpe.

Diante da gravidade do atual momento, encaminhamos aos sindicatos as seguintes orientações:

Realizar Setoriais para discutir a nova conjuntura política, tendo como base o enfrentamento ao documento “Uma Ponte para o Futuro”, elaborado pelo vice-presidente Michel Temer, que aponta a retirada de uma série de direitos dos trabalhadores, assim como a entrega do Pré-Sal para as multinacionais.

Debater a proposta de uma greve geral unificada com as demais categorias.


Artigos publicados na edição nº 785 do jornal O Trabalho de 28 de abril de 2016.

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