O jogo não está jogado

Centrais propõem paralisação nacional do dia 10 de maio; é preciso ir aos trabalhadores.

O bom combate levado contra o golpe, antes da votação do pedido de impeachment na Câmara Federal, foi um esquentamento para os passos seguintes. Afinal, o resultado da votação, com os 367 vendidos e vendilhões votando contra os interesses dos trabalhadores, da nação e da democracia, foi a explicitação estarrecedora do que é esse Congresso.

Com essas instituições podres, que avançam o golpe com a complacência do Supremo Tribunal Federal e a torcida da imprensa burguesa, como virar o jogo?

Antes que o golpe se consume no Senado, é tempo de colocar em cena a classe trabalhadora brasileira – cujos direitos são o primeiro alvo dos golpistas – com sua principal arma de luta, a greve.

A situação está difícil, sabemos. Os trabalhadores sofrem as consequências da crise política, do ajuste fiscal e da máquina de destruição de empregos que tem sido a Operação Lava Jato. O desemprego cresce a renda cai.

Mas não será apenas no terreno do inimigo, isto é, entre as paredes do Congresso Nacional e entre as togas do STF, que o golpe será derrotado.

É preciso ir aos trabalhadores

Ainda não acabou. Está fresco na memória o que ocorreu no segundo turno de 2014. É preciso ir aos trabalhadores e mostrar o que realmente está em jogo.

“O negociado deve prevalecer sobre o legislado”, defende o novo presidente da Anfavea, Antonio Megale, para salvar a pele das montadoras.

Ele, como todos os grandes empresários nacionais e multinacionais, sabem que com o governo Dilma as dificuldades serão maiores para a ofensiva de redução do “custo Brasil”, do custo da força de trabalho, em função da base social que a elegeu, com o PT e com a CUT. Foi por isso que Dilma, dada a resistência da CUT e da bancada do PT, recuou da agenda anunciada de mandar em abril o projeto de reforma da Previdência ao Congresso Nacional.

É preciso ir aos trabalhadores e o 1º de maio de 2016 deve ajudar.

É preciso ir aos trabalhadores nos locais de trabalho, realizar assembleias das categorias e reuniões nas vilas, chamando a luta para impedir o golpe. Isso engaja toda a reponsabilidade da CUT e seus sindicatos, de outras centrais, e também do PT e outros partidos.

A CUT, a CTB e a Intersindical estão propondo uma paralisação nacional em 10 de maio, véspera da data prevista para a votação do impeachment no Senado. Um bom passo. Apesar do atraso, é preciso muito trabalho para recuperar o tempo perdido na mobilização dos trabalhadores por seus próprios interesses. Só assim, com uma paralisação nacional, se pode fazer frente aos patrões, os seus partidos e suas instituições podres.

É tempo de frear o golpe e, ao mesmo tempo, exigir de Dilma uma política de proteção dos trabalhadores e da nação. Para o que, aliás, ela foi eleita e é o que corresponde à democracia, que é soberania do voto popular.

Não é hora de discutir a oposição a um eventual governo golpista de Temer, é hora de barrar o golpe!

Não é hora buscar outra “saída política“– como a antecipação das eleições presidenciais – um passa-moleque no resultado das urnas em 2014. Isso só beneficia os golpistas e setores imperialistas que apóiam o golpe, mas receiam que Temer não tenha condições de impor suas exigências.

A classe ainda não deu a última palavra! É preciso criar as condições para que ela entre plenamente em cena.

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