Obama alimenta desestabilização da Venezuela

Defender a soberania e avançar na ruptura com o imperialismo

Depois de teleguiar a desestabilização da Ucrânia o governo Obama instiga a “oposição” venezuelana e diz – por meio do seu vice Joe Biden que a situação do país é “alarmante”. O que pretendem?

Nicolas Maduro é o presidente constitucional e legítimo eleito, em abril de 2013, por uma margem apertada de votos como tantos outros governantes da própria Venezuela e de todo o mundo, numa eleição cujo resultado não foi até hoje reconhecido pelos EUA, como parte da preparação de sua estratégia golpista.

A deputada Corina Machado é representante da elite burguesa que até a eleição de Chavez, concentrava em suas mãos a renda do petróleo enquanto o povo vivia na miséria. Como todo “opositor”, ela tem espaço garantido na mídia internacional e venezuelana, que goza de total liberdade, ao contrário das mentiras divulgadas pelo imperialismo e seus agentes.

Numa destacada entrevista ao jornal Estado de São Paulo, Carolina Machado reconhece que a constituição da Venezuela coloca à disposição da oposição inúmeras possibilidades legais para questionar e destituir o governo. Mas confessa que por esses meios legais não conseguirão e como Maduro não vai sair espontaneamente (!) (por que sairia antes do fim do mandato?) decidiram derrubar o governo “nas ruas” porque “essa é uma questão de valores, trata-se de defender a família”. Com qual método? Criando distúrbios, provocações violentas, bloqueios e barricadas?

Suas ações violentas já provocaram 20 mortes vitimando tanto partidários da direita quanto militantes chavistas e agentes do governo. Maduro determinou a prisão de 10 membros dos serviços de segurança acusados de agredir manifestantes. Chamou ao diálogo e a uma Conferência de Paz que foi boicotada pelos políticos de direita, mas assistida por grandes empresários. Mas, firmemente sustentada pelo imperialismo e por seus porta-vozes no continente como os ex-presidentes FHC, Lagos, Arias e Toledo, respectivamente do Brasil, Chile, Costa Rica e Peru. Mas a oposição não recua, explorando o difícil momento econômico do país.

Defender a maioria do povo e a nação

De fato, a Venezuela vem se debatendo numa situação de caos econômico com desabastecimento, escassez de alimentos e alta inflação (56% em 2013) – é por essa razão que a direita golpista obtém ressonância popular. O trabalho precário atinge cerca de 40% da população economicamente ativa sendo a juventude o setor mais atingido. Com a economia baseada em 80% na produção do petróleo, a situação combina o contínuo declínio na produção de petróleo causando uma diminuição na entrada de dólares. Com a decisão do Banco Central dos Estados Unidos (FED) de conter a emissão de sua moeda a pressão aumentou sobre a economia e levou Maduro a, assim como outros países da região, desvalorizar sua moeda, o Bolívar.

Com dólares escassos, o governo chavista preferiu dar prioridade aos pagamentos da dívida com os banqueiros internacionais em vez de pagar despesas internas, agravando a escassez e causando a revolta da classe média. O jornal “The Wall Street Journal” explica que a Venezuela “paga os investidores religiosamente. No entanto, o governo deve cerca de 50 bilhões de dólares a empresas privadas que prestam serviços à economia do país”. O fato é confirmado pelo ministro venezuelano Rafael Ramírez que declarou: “o país não deixou e não deixará de cumprir com nenhuma das obrigações em relação à dívida externa” (Financial Time, 25/02).

No passado a Venezuela tomou medidas de defesa da nação contra o imperialismo que foram muito importantes. Mas agora a gravidade da situação exige ir além, sob pena de um grave risco à estabilidade do país. Os acontecimentos atuais tanto na Venezuela como no conjunto da região mostram, uma vez mais, que os países da América Latina só poderão garantir sua soberania, sua liberdade e sua democracia, duramente conquistada contra as ditaduras que os Estados Unidos impuseram em todo o continente em décadas passadas enfrentando esse mesmo imperialismo e rompendo os laços que subordinam suas economias ao capital financeiro internacional. Isso feito, não lhes faltará apoio popular.

O que está em jogo na Venezuela é o direito do povo venezuelano decidir o seu próprio destino. Qualquer organização que defenda os interesses populares, a soberania dos povos e a democracia deve ser incondicional na defesa do governo legitimamente eleito, contra qualquer tentativa de golpe ou ingerência estrangeira.

Sumara Ribeiro

Artigo originalmente publicado na edição nº 744 do jornal O Trabalho -12 a 26 de março de 2014.

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