Pandemia: um ano depois

FOTO: RAPHAEL ALVES 2020

Abril de 2021 e o Brasil permanece foco central da pandemia. Países fecham suas fronteiras e nos colocam como celeiro de vírus mais transmissíveis e letais. A cada dia atingimos marcas recordes de casos e óbitos. Somos o segundo país em número total de óbitos, porém ultrapassamos os Estados Unidos se avaliarmos o número de mortes por milhão de habitantes. No dia 21 o Brasil atingiu 1778 mortes por 1 milhão de habitantes no Brasil. No mesmo dia, nos Estados Unidos o número era de 1708 mortes por 1 milhão habitantes.

Faltam medidas de contenção da pandemia.
Falemos da vacinação. Até hoje, dia 21, são 12,83% da população do país que foi vacinada. O Congresso e o Judiciário brincam com a aquisição privada das vacinas, desconsiderando não só a necessidade de combate do Estado coordenado e rápido, mas desconstruindo o Programa Nacional de Imunizações do SUS. Um passo a mais no questionamento do direito à saúde. Quem pode importar e pagar terá vacina primeiro!

O congresso aprovou uma Lei em fevereiro na qual estados, municípios e entidades privadas possam negociar vacinas, mas no caso das últimas, a exigência era que qualquer compra tenha que ser 100% doada ao SUS até que todos os grupos estabelecidos como prioritários no país sejam vacinados. Depois desse limite de vacinação dos grupos prioritários, ainda 50% das doses teriam que ser doadas. Porém a Justiça Federal em Brasília, na sequência, considera inconstitucional a lei aprovada pelo Congresso, que obriga a doação ao Sistema Único de Saúde de 100%, retirando essa premissa.

Faltam testes
Falemos agora dos testes. O Brasil é um dos países que menos testa. São 78 testes a cada mil habitantes, levando em consideração apenas o RT-PCR. Segundo a plataforma “Our world in data” o país ocupa a posição 81 entre 110 países monitorados.
Na América do Sul, o país só fica na frente de Bolívia e Equador. O país que mais testa aqui é o Chile, com 519 testes/mil-hab. Os países que mais testam entre os monitorados são Reino Unido com 1.469/mil-hab e Estados Unidos com 1.066/mil-hab. Sabemos que a testagem em massa e rastreamento de contatos é crucial pra contenção da doença, porém não sabemos ainda qual o fim dos quase sete milhões de testes apodrecendo em Guarulhos.

Faltam políticas públicas
Retomemos a política de isolamento. É extremamente necessário a dita “quarentena” para todos os sintomáticos e seus contatos. Mas sabemos que a informalidade prejudica a possibilidade de afastamento remunerado, e que os sintomáticos e seus familiares e contatos dos locais de trabalho continuam se expondo, principalmente na falta de diagnostico com testes. E que politicais de lockdown, instituídas por estados e municípios, não dão a contrapartida para o trabalhador conseguir fazer esse isolamento imposto, com renda e outras garantias de sobrevivência.

Passado um ano da pandemia e esse governo Bolsonaro genocida permanece sem implantar de maneira efetiva as estratégias de contenção. Apenas com vacinação já, distribuída pelo SUS público; com testagem em massa; e com políticas públicas e de renda que garantam a sobrevivência da classe trabalhadora, poderemos ter melhores chance de atravessar esse período.

Juliana Salles

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