Para mudar o rumo das coisas

A SITUAÇÃO É GRAVE, MAS A FORÇA DOS TRABALHADORES COM SUAS ORGANIZAÇÕES ESTÁ INTACTA.

A cidade de Rio Grande, polo da industria naval gaúcha com mais de 200 mil habitantes, parou no último dia 12, no movimento puxado pelo sindicato dos metalúrgicos e outros sindicatos ligados à CUT, em protesto contra as demissões e pela reversão pela Petrobras da suspensão da construção de plataformas de exploração de petróleo depois das denúncias de corrupção na empresa.

No mesmo dia 12, milhares de professores, apoiados pelos servidores, numa greve de 100 mil em todo estado Paraná, com seu sindicato (APP-CUT), cercaram e ocuparam a Assembleia Legislativa, depois de enfrentar a PM, obrigaram o governador Beto Richa (PSDB) a retirar o pacote de “ajuste fiscal” que atacava seus direitos.

Assim, neste dia 12, véspera de Carnaval, importantes contingentes de trabalhadores do país deixaram sua marca na situação, depois que, um mês antes, na Volkswagen de São Bernardo do Campo, uma longa greve reverteu 800 demissões e na aviação civil a paralisação arrancou um reajuste real de salários.

Os trabalhadores, apoiados nas suas organizações, estão mostrando renovada disposição de luta. Em várias ocasiões aparece a solidariedade ativa de outras categorias e setores populares.

A CUT convoca uma jornada para o dia 13 em São Paulo e nas capitais do país: “em defesa dos Direitos, da Petrobras e da Reforma Política”.

É, sem dúvida, um ponto de apoio para todos trabalhadores e o povo.

A situação, por outro lado, é complexa e perigosa: com o choque da guinada do recém-reeleito governo Dilma simbolizada no Plano Levy de “ajuste fiscal”, com a ascensão do deputado Cunha ao comando da Câmara de Deputados, com a direita mais reacionária falando em impeachment, mesmo se, neste momento, o faz para arrancar do governo ainda mais concessões ao “mercado”.

As concessões que, segundo a imprensa, o ministro Levy passou o carnaval em Washington (onde mora sua família …) prometendo aos “investidores”, aos homens do FMI, do Banco Mundial e do próprio Departamento de Estado do governo estadunidense (!), em nome do “compromisso forte com a meta do superávit fiscal primário” (jornal Valor, 18/2).

Eta ministro capacho!

A situação é, pois, grave. Mas, como mostra a força das lutas em curso, não está perdida.

Os trabalhadores, com suas organizações intactas, apesar dos problemas que existem, estão aí.

Eles não aceitarão os ajustes fiscais no seu lombo e com sua força podem fazê-los recuar. E, apesar da confusão midiática e da paralisia do principal partido de classe, o PT, pela luta, os trabalhadores começam a abrir um caminho.

“A corrupção se combate com reforma política”, diz a resolução da CUT, “e reforma política se faz com Constituinte Exclusiva e Soberana”, retoma a convocatória do lançamento da campanha em defesa da Petrobras, dia 24; “Constituinte”, ecoa a faixa do ato público ao fim da paralisação em Rio Grande.

Na verdade, é uma nova fase. Mais difícil, mas mais determinada da luta pela emancipação dos trabalhadores, que se anuncia.

O governo Dilma – com a responsabilidade também da cúpula do PT – decidirá se insiste no rumo equivocado em que entrou e pelo qual já paga o um preço alto nas pesquisas de opinião. Ainda é tempo de mudar a política econômica e libertar-se do superávit de Levy, começando pela reversão das Medidas Provisórias 664 e 665!

É possível mudar o rumo das coisas mas, como noutras épocas e hoje mesmo em outros países, será primeiro pela luta de rua.

Os militantes de O Trabalho com os companheiros do Diálogo e Ação Petista não temos dúvida que a hora, agora, é de engajar-se para avançar nas ruas a luta convocada para mudar o rumo das coisas.

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