Peru: suspensão imediata do pagamento da dívida

Em 30 de março a CGTP (central sindical) reivindicou do governo um “Plano de Emergência para a geração de emprego e renda frente à epidemia da Covid-19”.

Em 3 de abril, o jornal El Trabajo (órgão da seção peruana da 4ª Internacional) publicou uma declaração – da qual reproduzimos trechos – defendendo como recursos para esse plano, o estado deve usar “os 14 bilhões de soles (cerca de US$ 4 bilhões) reservados, no orçamento geral deste ano, para o FMI, Banco Mundial e banqueiros internacionais”.

“A dimensão catastrófica da pandemia desnuda a crise à qual o capitalismo conduz a humanidade.
No Peru esse sistema foi aprofundado pelo regime Fujimori (1990-2000), imposto pelo FMI-Banco Mundial.
Ele privatizou a saúde e a educação, entregou as aposentadorias às Administradoras de Fundos de Pensão privadas, destruiu a agricultura camponesa com a contrarreforma agrária, impôs os Tratados de Livre Comércio e o pagamento da gigantesca dívida externa.
O atual governo Vizcarra segue a mesma linha, privatizando empresas e serviços púbicos, atacando e destruindo direitos dos trabalhadores e do povo, aproveitando, para isso, inclusive a crise do coronavirus.
Entre as medidas durante a pandemia, Vizcarra anunciou a liberação de cerca de US$ 500 milhões para conceder uma ajuda aos trabalhadores informais.
Acontece que seu plano é tirar esse dinheiro de um fundo de financiamento das empresas públicas, o que é uma aberta sabotagem ao futuro desenvolvimento dessas empresas.
Ao mesmo tempo será o Tesouro Nacional que vai pagar os quase US$ 200 milhões que o governo pretende dar de subsídio aos empresários.
Está, portanto, colocado um problema de fundo: quem paga a conta? Os trabalhadores e os pobres ou o FMI e os empresários que destruíram a saúde pública e o patrimônio nacional?
A resposta é dada lembrando que os juros e principal da dívida externa pagos ao FMI de 2015 a 2019 foi de US$ 31,5 bilhões. E que para o período 2021-2025 se prevê o pagamento de mais US$ 34,9 bilhões.”

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