“Primeiro prendemos, depois averiguamos”

Operação Lava Jato é o instrumento do golpe em curso

Em 1º de abril, menos de 24 horas depois das manifestações contra o golpe de 31 de março, foi deflagrada a 27ª fase da interminável Lava Jato. Intitulada de “Carbono 14” (material utilizado para pesquisas arqueológicas), ela foi desenterrar o cadáver de Celso Daniel, assassinado em 2002 quando era prefeito petista de Santo André.

Duas prisões preventivas foram feitas: a de Silvinho, ex-secretário geral do PT, liberado dias depois, e a de Ronan Pinto, dono do Diário do Grande ABC, que continua detido. Mais duas “conduções coercitivas”, tal como a de Lula, isto é, sem que houvesse negativa das pessoas a depor, a de Delúbio Soares e a do jornalista Breno Altman.

O que o juiz Moro e seus agentes querem é estabelecer uma relação entre a morte de Celso Daniel, crime comum segundo a Polícia Civil paulista, com o “mensalão” e deste com o “petrolão” para reforçar a tese de que o PT é uma organização criminosa. Provas? Ora, para quê, se existem as delações premiadas e os vazamentos seletivos de depoimentos para a mídia e seus efeitos na opinião pública?

O professor Laymert Garcia dos Santos da Unicamp, em artigo “O intolerável”, diz que há uma “estratégia para desestabilizar o Brasil”.  “Moro e os procuradores de Curitiba são os soldados da desestabilização. Janot e os procuradores de Brasília são o Alto Comando (…). Treinados em seminários e colóquios pelos especialistas em ‘cooperação’, aprenderam as novas tecnologias jurídicas, políticas e policiais do ‘contraterrorismo’, importaram e implementaram a estratégia do caos. ”Ele finaliza perguntando: “vamos continuar tolerando o intolerável? ”

Lauro Fagundes

Artigo originalmente publicado na edição nº 784 do jornal O TRABALHO de 14 de abril de 2016.

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