Queremos estudar

Foto: REUTERS/Pilar Olivares

O ano inicia com o retorno de escolas e universidades pelo país. Estudantes têm se preocupado se ainda permanecerão no ensino remoto e o que os governos têm feito para assegurar condições seguras para as aulas presenciais. O ensino remoto, que se demonstrou excludente, ainda é defendido como única alternativa por setores dirigentes do movimento estudantil e sindical, mesmo após as ruas retomarem em 2021. Mas, a ideia do “fique em casa” já deixou de ser realidade para milhões de jovens que tentam sobreviver em meio à pandemia.

O resultado desse modelo foi a crescente evasão nas escolas e universidades. Segundo a ONG Todos pela Educação, em 2020 aumentou 171% a evasão entre jovens de 9 a 14 anos. Nas universidades particulares, segundo o Instituto Semesp (instituições privadas), quase 3,5 milhões de estudantes evadiram e a taxa de inadimplência cresceu.

Governos devem garantir retorno seguro
Nesse contexto, onde os jovens em meio ao desemprego e ao vírus são empurrados a abrir mão do direito à educação, o governo Bolsonaro segue sua política criminosa de cortar orçamento, nomear interventores nas universidades e não apresenta qualquer política de retorno seguro. É o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que com interventor na reitoria tem retorno programado para fevereiro tendo como únicas “medidas de segurança” o passaporte vacinal, o distanciamento com 50% e, para piorar, o Restaurante Universitário não será aberto.

Segundo a militante da JR do PT Márcia Damke “quando os alunos cobraram resposta do Conselho de Graduação a resposta foi um formulário para envio de marmitas. Por conta disso, os alunos querem se mobilizar e estamos organizando reuniões amplas para defender a reabertura do RU e medidas de segurança na UFRGS como testagem”.

A diretoria da UNE até lançou em outubro de 2021 uma plataforma de reivindicações com exigências justas como vacina, bolsas, dentre outras. Porém, o documento é mais um calhamaço de pautas sem prioridade e sem ação efetiva da diretoria na mobilização de base.

O tempo urge! Como dizem muitos jovens “queremos estudar”! A hora é de construir mobilizações como panfletagens nas escolas e universidades, reuniões e, onde possível, assembleias para cobrar a responsabilidade de governos, prefeituras e reitorias para garantir o direito ao ensino presencial com segurança e qualidade.

Victor

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