Retomada das ruas deve continuar!

Ato em Salvador dia 7 de junho

Sob impacto das mobilizações contra o racismo e a violência policial que sacudiram os Estados Unidos e liberaram a indignação acumulada contra o governo Bolsonaro nesses meses de confinamento “meia bomba”, as ruas de capitais e cidades do interior voltaram a ser palco de manifestações populares no Brasil.

A resistência que já vinha se expressando em ações públicas limitadas – protestos pela reabertura de hospitais em São Paulo, em defesa dos profissionais da saúde em vários estados, de estudantes pelo adiamento do Enem etc  – ganhou uma nova dimensão, com milhares nas ruas em 7 e 14 de junho.

Puxadas por torcidas e pelo movimento negro, as mobilizações envolveram militantes de movimentos populares, sindicalistas e jovens que, com máscaras e álcool gel, buscavam manter distância entre si gritando: “democracia” e “fora Bolsonaro”.

Apesar da nota dissonante da resolução da Executiva nacional da CUT de 9 de junho , sindicatos de sua base, como o Sindsep-DF (federais), os sindicatos dos médicos, dos trabalhadores da saúde e dos jornalistas paulistas, o dos municipais de São Paulo e outros, além de CUTs estaduais, como a gaúcha e a sergipana, convocaram e participaram dos atos, o mesmo ocorrendo com sindicatos de cidades do interior, como Juiz de Fora (MG).

As manifestações de 14 de junho, antecedidas por uma carreata em Brasília no dia 13 de iniciativa do PT-DF e das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, tiveram o apoio explícito do PT e a presença de sua presidente, Gleisi Hoffman e do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, na Avenida Paulista.

Além de colocar os atos dos grupos fascistóides pró-Bolsonaro no seu devido lugar – o de ínfima minoria –, as manifestações da primeira quinzena de junho já deixaram sua marca no cenário político, colocando a luta pelo fim do governo Bolsonaro na ordem do dia.

É preciso continuar esse processo de retomada das ruas pelas forças populares e os trabalhadores, adotando todas as medidas de proteção necessárias, convencendo os que ainda hesitam e criando assim as condições para acabar com o pesadelo chamado governo Bolsonaro.

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