Trabalhadora calçadista relata tensão em fábrica: “não queremos pôr a nossa vida em risco”

Trabalhadores em frente à fábrica DASS de calçados

Em meio ao temor do contágio pelo Coronavírus entre operários e operárias das fábricas de calçados na Bahia, o Sindicato dos Trabalhadores em Calçados (SINTRACAL) fez um esforço por pressionar e negociar com os patrões para suspender as atividades nas unidades fabris  nas regiões que o sindicato atua.

Por meio de nota, afirmava: “fabricar sapatos não vale a vida das pessoas. Desliguem as máquinas! Parem a fábrica!”

Provisoriamente o sindicato conseguiu garantir férias coletivas de 19 de março a 13 de abril, com manutenção dos salários.

Para Edmilson Oliveira, dirigente do Sintracal em Vitória da Conquista, é preciso estar vigilante pois ao findar as férias coletivas, com a nova medida provisória (MP 936) não sabemos qual será a movimentação do patronal.

A crise na indústria de calçados se amplia. No dia 07 de abril, nas cidades baianas de Itarantim, Macarani, Maiquinique e Itapetinga a empresa Renata Melo deu aviso prévio para 1.700 funcionários, base de outro sindicato Calçadista.

Trabalhadoras e trabalhadores preocupados com a perda do emprego e a ameaça de contaminação vivem a angústia da falta de proteção e garantia de seus postos de trabalho e suas vidas, como relata uma funcionária da DASS, em Vitória da Conquista:

“Diante da situação que estamos vivenciando nos últimos meses, o clima, infelizmente, dentro da fábrica é de muita tensão, muito medo, também de muita preocupação, porque sabemos que é um lugar que trabalham muitas pessoas, em um setor mesmo, trabalham mais de 80 pessoas o que não deixa de ser uma aglomeração e de termos o contato direto e imediato com pessoas que vem de fora, pessoas que trabalham lá (na fabrica) que vem de Itambé, que vem de Itapetinga, de Barra do Choça, Barra da Estiva… então são pessoas que vem de cidades vizinhas e nós temos esse contato.

Então é um risco que nós corremos, nós vamos trabalhar e não sabemos como está situação de cada pessoa, como está a saúde, se está contaminada ou não. Então nós estamos vulneráveis, nós estamos susceptíveis a isso… e esperamos que realmente a fábrica, ela tome atitudes mais protetivas… é de… realmente paralisar as atividades porque nós sabemos que em casa nós realmente estaremos mais protegidos.

E as únicas medidas que a fábrica tomou foi em relação ao álcool em gel, tem a distribuição da fábrica em vários lugares pra higienização das mãos, o uso de máscaras em casos de gripe e um atestado de três para casos de gripe acompanhado de febre na qual o próprio médico da fábrica faz a liberação desse atestado.

Mas nós estamos muito preocupados porque nós estamos vivenciando dias de muita tensão, então nós esperamos que realmente a fábrica tome uma postura de paralisar as atividades porque sabemos que em casa nós estaremos mais seguros e também a vida, ela é mais importante. Nós não queremos por a nossa vida em risco.”

Artigo anteriorFrança: dias de luta de classes pela saúde e segurança dos trabalhadores
Próximo artigoAmeaça de pane na saúde e serviços públicos de SP