Um país à deriva frente à pandemia

Campo Grande - MS, filas de espera em Unidade Básica de Saúde

O mundo foi desafiado pela nova variante do Sars-Cov-2, a Ômicron. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 7 milhões de casos foram registrados na Europa na primeira semana de 2022, e estima-se que nesse ritmo, 50% da população será infectada nas próximas seis a oito semanas pela Ômicron.

De acordo com a Our World in Data, o planeta registrou uma média móvel de 2,7 milhões de casos da doença desde final de dezembro, que tinha uma média em torno de 700 mil casos novos. Nos países e regiões com taxas de vacinação baixa, o impacto causado pela Ômicron será mortal.

Enquanto Bolsonaro e seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, conhecido entre os profissionais da saúde como Pazuello de jaleco, ignoram e jogam a favor da pandemia, uma explosão de casos da Covid-19 com o avanço da nova variante, ameaça o controle da pandemia no Brasil. A pressão sobre o sistema de saúde já é uma realidade em sete estados (CE, GO, PE, ES, AM, TO e MT) que atingiram uma taxa de ocupação de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) acima de 70%.

No Brasil, atingimos a marca de 621.578 mortes (317 entre 17 e 18/1) e 132.254 casos novos de infecções, chegando à marca de 23.215.551 casos, ocupando o terceiro lugar no número de mortes no mundo. O país tem uma taxa de letalidade de 2,7%, uma taxa de mortalidade de 295,1 e de incidência de 10.734,7.

Com o agravamento da fome, miséria e desemprego do país, a pandemia encontrou terreno fértil para sua propagação, ceifando tantas vidas, principalmente os pobres e pretos da periferia e vitimando milhares de profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à Covid-19

A última invenção da dupla do Planalto foi submeter a liberação da vacina para crianças de 5 a 11 anos a uma consulta pública, fato inédito na história do Plano Nacional de Vacinação. E só depois de 40 dias da aprovação pela Anvisa é que a vacina começa a chegar no braço das 29,5 milhões de pessoas nessa faixa etária. Os mesmos que ignoram a eficiência e segurança da vacina para as crianças, aprovada pela Agência dos EUA (FDA), não titubearam em diminuir para cinco dias a quarentena e afastamento do trabalho por pressão econômica.

Apagão de dados e falta de testes
Enquanto Bolsonaro e seus ministros agem, o povo sofre e as unidades de saúde estão abarrotadas de doentes. Os profissionais de saúde são obrigados a se desdobrarem pois as unidades têm carência de trabalhadores e faltam insumos e estrutura para o atendimento médico. Indignados os trabalhadores da saúde veem as prefeituras transformarem as Unidades Básicas de Saúde em unidades de pronto atendimento, como vem ocorrendo na cidade de São Paulo.

Sem vacina e testes para todos, somado ao apagão de dados há mais de um mês, o país não sabe exatamente o tamanho da crise sanitária.

Pesquisa da Folha de S. Paulo, mostra que entre os brasileiros com 16 anos ou mais (167,8 milhões de pessoas), 26% (43 milhões) tiveram gripe nos últimos 30 dias e somente 6% dizem que foram testados para a Covid-19.

A testagem, fundamental no combate à pandemia de todos que procuram o serviço médico bem como o afastamento e isolamento, tem o objetivo de “quebrar” a cadeia de transmissão e assim diminuir a transmissibilidade. Isto não está sendo feito, por falta de teste rápido de antígeno e o teste molecular (RT-PCR) demora em torno de sete dias.

O Brasil, de acordo com a Our World in Data, é o país que fez menos testagem na América do Sul, com 0,23 testes por mil pessoas. A Argentina, por exemplo, superou os 2 testes por mil pessoas.

Nesta situação o Ministério da Saúde cancelou a compra de 14 milhões de testes. Assim o vírus continua circulando, contaminando e possibilitando o surgimento de novas variantes. Enquanto o povo doente espera na fila até quatro horas por um atendimento, os profissionais de saúde trabalham de maneira exaustiva e adoecem. E avança o desmonte do SUS público e estatal com a política de entrega de unidades às Organizações Sociais.

É contra as precárias condições de trabalho e o desmonte do serviço de Saúde e pela melhoria no atendimento, que os Médicos da Atenção Básica da Saúde, das 468 UBSs da cidade de São Paulo, estão mobilizados. Também em Juiz de Fora (MG) se desenvolve uma mobilização contra a entrega do hospital regional à uma Organização Social.

Osvaldo Martinez D’Andrade

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