Violência contra crianças e mulheres precisa de um Basta!

O Brasil iniciou a semana com o sentimento de indignação perante os crimes de estupro sofridos por uma criança de 10 anos, que teve como consequência a sua gravidez, assim como a exposição da mesma e seus familiares para que não interrompessem a gravidez.
A criança de 10 anos afirmou ter sido vítima de estupro de um tio, que se encontra foragido.

Ao ser encaminhada para fazer o procedimento autorizado do aborto legal em Vitória-ES, o hospital do Espirito Santo se recusou a realizá-lo. Diante disso a criança foi levada, em um voo que deveria ser sigiloso, para Recife aonde faria o procedimento no Centro Integrado de Saúde Amaury Medeiros – CISAM-UPE, que é referência estadual nesse tipo de procedimento e acolhimento a vítimas.

Ao descobrir o nome da criança e o local que faria o procedimento a bolsonarista Sara Winter postou em suas redes sociais um chamado a um ato contra o aborto legal. O ato ganhou adesão de políticos conservadores, a maioria ligados a bancada evangélica, como Joel da Harpa (PP), Clarissa de Tércio (PSC), Cleiton Collins (PP) e os vereadores Renato Antunes (PSC) e Michelle Collins (PP), além do apoio de grupos religiosos ligados ao movimento “pró-vida” Pernambuco.

Ao descobrir o local que a criança faria o procedimento, se concentraram em frente ao CISAM tentando forçar a entrada, gerando um início de tumulto, xingando a equipe médica de assassina. Na sequência, o Fórum de Mulheres de Pernambuco e mulheres representantes de diversas entidades também foram ao local e realizaram um ato de apoio a realização do procedimento, prestando solidariedade a família e a criança.

Em nota, a Secretária de Saúde de Pernambuco informou que o procedimento foi realizado e a criança passa bem.

Legalizar o aborto – Uma questão de saúde pública e um direito das mulheres

Quando uma criança de 10 anos que terminou engravidando após anos de estupro, tem o seu direito legal de aborto questionado, percebe-se que temos muito caminho a percorrer para a garantia que todas as mulheres que necessitarem realizem um aborto seguro.

A discussão sobre a descriminaliza­ção e a legalização do aborto diz respeito à vida de milhões de mulheres. A Pesquisa Nacional de Aborto de 2016 mostra que 1 em cada 5 mulheres aos 40 anos já abortou.

Toda solidariedade a essa criança e seus familiares.

Joelson Souza

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