Apresentamos a edição 016 do Jornal O Trabalho, publicado em 16 de JANEIRO de 1979, pela Organização Socialista Internacionalista que posteriormente, tornaria-se Corrente O Trabalho do PT. A capa traz o tom desta edição, denunciando o país à venda sob o plano do governo militar, que pretendia vender parte da Amazônia para pagar os 40 bilhões da dívida externa. Também é tratada a luta dos camponeses, luta dos bancários e a defesa dos trabalhadores contra os ataques vindos das chamadas “listas negras”, propondo a criação de um fundo desemprego. Outra importante discussão trazida nesta edição é a importância da criação de um verdadeiro partido operário no país.

📰 Confira a edição na íntegra

Confira abaixo o índice da edição:

– Capa

– O país está a venda.

– Página 2

– Notas
– Oposição nos motoristas
“A greve dos motoristas de táxi, deflagrada em dezembro do ano passado, ocorreu a despeito da omissão da diretoria do seu sindicato. (…) O Movimento de Oposição dos Motoristas de Táxi (Momtax) surgiu da mobilização da categoria durante a greve e pretende, através da uma campanha de sindicalização, iniciar um processo de lutas que transforme o sindicato em uma entidade livre e atuante.”

– Demissões na Sabesp
“Dez trabalhadores da Sabesp foram demitidos nos últimos dias. Não por coincidência, 7 deles eram simpatizantes da Oposição e participaram das eleições para diretoria, no ano passado, (…)Os outros três participaram ativamente na mobilização da categoria (…), eleitos para compor a Comissão Salarial encarregada de representar os trabalhadores perante o empregador ”

– Proposto o centro cultural
“Cerca de cem mil pessoas compareceram ao IV Festival da Música dos Trabalhadores, durante três dias de sua realização em dezembro passado, na Vila Brasilina, em São Paulo. A partir deste festival, alguns grupos musicais uniram-se na perspectiva de organizar um ‘Centro Cultural Independente'”

– Para defender suas terras camponeses criam Associação de Moradores
“Os lavradores do Município de Sete Barras (Vale do Ribeira), que há tempos vem lutando contra a invasão de suas terras pela Companhia Field Comércio e Participação S.A (…) utilizando-se de todos os meios legais possíveis, sem obter qualquer resultado a seu favor, iniciaram agora um processo de organização independente”

– A luta contra os aumentos
“Os estudantes da PUC, FLAM e FMU iniciaram um movimento contra os tradicionais aumentos das anuidades. (…) Desde 1974, isoladamente, os estudantes têm procurado combater a política de exploração do ensino ”

– Eleições e campanha salarial
“Em reunião realizada no dia 14, a Comissão Pró Entidade Única dos professores, de São Paulo, fixou algumas bases para o seu trabalho junto à categoria – há eleições marcadas para abril na Apeoesp, e a CPEU está formando a sua chapa de oposição à atual diretoria. Os professores decidiram, também, dar continuidade à preparação da campanha salarial deste ano”

Página 3

– Greves: A orientação da FIESP e de Lula
“Oficialmente, as campanhas salariais do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Santo André começaram mais cedo este ano. Até agora, porém, pouca coisa de concreto foi encaminhada (…) Tanto os patrões como a direção dos Sindicatos estão se preparando com muita antecedência para a negociação”

– Contra lista negra, fundo de desemprego
“Mais de mil trabalhadores que se destacaram por sua atuação em comissão de fábrica e movimentos de Oposição Sindical durante as greves e campanhas salariais do ano passado, já foram despedidos, muitos deles, sem direitos. E o que é o pior, a maioria tem encontrado dificuldades para empregar-se novamente. (…) As evidências são mais do que claras: os patrões organizam-se para golpear a luta da classe operária. Para isso utilizam-se uma ‘ lista negra’(…) Diante disto, os trabalhadores vêem colocada uma questão a exigir soluções urgentes: como defender-se desta verdadeira ofensiva patronal, sustando este desemprego de caráter político?”

– Bancários cariocas não querem intervenção
“A situação do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro está em suspenso desde a vitória da chapa 2, de Oposição, no dia 10 do mês passado. O DRT ameaça com intervenção depois de ter anulado o pleito, alegando que as urnas não funcionaram até às 20 horas”

Página 4

– PTB de Brizola ou Partido Operário?
“Qual o papel dos camponeses na atual conjuntura política? De que forma eles podem defender seus interesses, rompendo com velhas formas de dominação? Estas questões nunca foram tão atuais numa situação em que avançam as lutas populares (…) ‘O Trabalho’ ouviu Narciso Alves de Moraes, 41 anos, líder camponês de Goáis”

– La vem o bloco
Aqui temos uma obra do cartunista Kico

– Editorial: Fim de festa
“A escolha dos ministros do general Figueiredo teve o sabor de um fim de festa, quando todo os convidados a ocupar os altos e bem remunerados cargos do regime militar (quase 100 mil de salários, verbas complementares e quase 2 milhões) tentavam receber os últimos presentes (…) O revezamento de nomes de todos os governos que o país teve desde 1964 se explica, em primeiro lugar, pelo isolamento do regime ; e mostra que ele não pretende resolver nenhum dos problemas que tomam conta da vida da nação (…) Afinal de contas, a conjuntura política evoluiu bem rapidamente nos últimos meses. O principal resultado do repúdio popular registrado nas eleições de 15 de novembro – onde votos brancos, nulos e do MDB bateram os arenistas por folgada maioria – das greves que passaram a margem da estrutura oficial dos sindicatos e das manifestações que ignoraram os dois partidos oficiais foi o seguinte: o regime se tornou incapaz de se manter apoiado em suas próprias forças”

Página 5

– Quem tem medo da Anistia?
“Antes mesmo do regime militar chegue ao seu fim, já é possível vislumbrar o quadro de brutalidades por ele cometidas ao longo destes 15 anos contra a juventude e os trabalhadores brasileiro. A censura à imprensa, ainda que de forma indireta, e a existência de um aparelho repressivo em franca atividade, impede que todas as arbitrariedades e os crimes possam ser denunciados abertamente”

– Casos do regime
“Sorridente, Shiegaki Ueki, ministro das Minas e Energias assinou no último dia 12 o contrato de compra da Light pelo Brasil. Depois, bateu palma, juntamente com os representantes da multinacional Brascan (proprietária de 83% das ações da empresa), pelo ‘ótimo’ negócio realizado – avaliação feita tanto pela empresa, imperialista como pelo reduzidíssimo número de pessoas do governo que participaram da transação. (…) Por maquinaria obsoleta, a população pagou US$ 380 milhões”

Página 6

– China: Revolução inacabada
“As revoltas camponesas e as lutas contra os países imperialistas – que invadiram e saquearam sistematicamente o território chinês – (…) Em 1925, explodiram greves gerais, concentrações públicas e insurreições operárias, lideradas pelo PCC. Os trabalhadores haviam aderido maciçamente aos sindicatos, tornando-os as organizações mais poderosas do país. Porém, o ímpeto revolucionário se perdeu em decorrência da política traidora adota pelo partido.”

Página 7

– Os últimos dias do xá
“O reinado do Xá Reza Pahlevi tem seus dias contados. Nem ele próprio nem seus principais aliados, os Estados Unidos, acreditam que seja possível sua permanência no poder. Uma greve geral dos trabalhadores nos poços de petróleo e nas refinarias provocou uma violenta queda na produção. (…) As exportações estão paralisadas, há um racionamento no fornecimento de combustível para a população, que sofre com o corte de energia para o aquecimento das residências”

– Polônia: contra o terror policial
“A partir de 1971, a classe operária polonesa reforçou sua resistência contra a burocracia que a oprime. Após a greve geral de 1976, da luta contra a repressão que atingiu os operários de Ursus e Radom, seu avanço político se manifestou pelo aparecimento de grupos de operários que, numa série de cidades, editam, difundem, com apoio dos estudantes e intelectuais, boletins (…) Este movimento de organização independente arrastou as outras camadas sociais”

Página 8

– Atenção: fraude à vista
“Um fantasma ronda as eleições para o Sindicato dos Bancários, marcados para o período de 29 de janeiro a 2 de fevereiro: a fraude eleitoral. Um fantasma, alias, bem atuante na vida do sindicalismo atrelado ao Estado, e as recentes eleições dos metalúrgicos paulistas, onde Joaquim roubou até não poder mais, são o melhor exemplo disso.”

– Todos contra as 8 horas
“(…) 45 anos depois da conquista da lei das 6 horas os bancários novamente iniciam uma mobilização nacional pela sua defesa. Em São Paulo uma Assembléia reúne mais de 200 bancários para dar início a essa campanha, e se depara de imediato com a necessidade de superar os limites do sindicalismo atrelado para levá-la adiante”

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