Queda do PIB, a maior recessão da história do país

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O PIB brasileiro (tudo que se produz no país) caiu 9,7% no 2o trimestre deste ano. Junta-se isso à queda de 2,5% do 1o trimestre e temos a mais profunda recessão da história brasileira.

O pior é que a economia já tinha passado por uma forte recessão durante o golpe, de 2015 a 2016, da qual não se recuperou.

Depois de ter caído 7% no acumulado daqueles dois anos, a atividade cresceu apenas 3% no acumulado dos três anos seguintes (lamentáveis 0,3% por trimestre). E agora afundamos de vez.

O crescimento só não foi até agora mais negativo por causa do auxílio emergencial de R$600,00 aprovado pela oposição – contra a vontade de Guedes, embora Bolsonaro agora tente ficar com os louros. Com 67 milhões de pessoas (em geral mais pobres) recebendo o auxílio, os parcos R$ 179 bilhões gastos até agora pelo governo com ele permitiram reativar um pouco o consumo das famílias e, assim, a demanda.

Essa injeção repercutiu nos segmentos de supermercados e farmácias, responsáveis por segurar a atividade no comércio (que de resto fora muito mal). Dados da pesquisa (Pnad Contínua) do IBGE mostram que, em julho, 4,4 milhões de domicílios sobreviveram apenas com a renda do auxílio emergencial, compensando de conjunto as perdas na massa salarial.

O problema agora é que tal auxílio, bem como outros estímulos (crédito a empresas etc) serão suspensos e não há perspectivas de novos empregos.

Mas mesmo medidas paliativas, como o auxílio emergencial não foram capazes de segurar o setor dos Serviços, que recuaram 9,7% no 2º trimestre (queda anual de 11,2%). Dentro de tal setor, que ao todo responde por quase 70% do PIB, os ramos de “serviços às famílias” (restaurantes, turismo, saúde e educação privadas etc) tiveram recuo trimestral de 19,8%.

A indústria de transformação – o setor estrategicamente mais importante por seus efeitos encadeadores na economia e pela qualidade dos empregos que gera – apresentou queda trimestral de 18,5% e anual de 20%. Tal indústria vem recuando desde as vésperas do golpe. De 2013 para cá, sua produção já caiu 31%.

Falências, desemprego e inflação
E, por conseguinte, os investimentos empresariais – que representam compras de máquinas e construção civil -, despencaram 15,4% no trimestre. Como eles também já vinham caindo fortemente nos últimos cinco anos, seu nível atual retrocedeu para o montante de 2007! E, a despeito da taxa de juros estar baixa, os capitalistas do país seguem com pouca disposição para novos projetos, não apenas devido ao ambiente incerto com enorme desemprego e, portanto, sem perspectivas de demanda a seus produtos, mas sobretudo à baixa lucratividade somada à fragilidade financeira de suas empresas. E isso tudo pode gerar um aumento das falências.

O governo, por sua vez, segue recusando-se a realizar investimentos públicos para compensar a abstinência privada.

Com isso, algumas empresas seguem demitindo e outras já faliram. Um pesadelo às famílias trabalhadoras, que enfrentam a maior onda de desemprego e de informalidade da história recente – são 32 milhões de trabalhadores “sub-utilizados” (desempregados, desalentados e sub-ocupados).

Com renda rebaixada, sofreram também agora os impactos da inflação de alimentos que encarece a cesta básica. A inflação medida pelo IPCA teve altas consecutivas em julho e agosto (a maior desde 2016). Os itens da cesta básica que mais subiram foram os alimentos e os transportes (devido a alta dos combustíveis e do dólar). O preço do arroz subiu 26% nos últimos 12 meses, o feijão, 48% e o leite 19%.

Alberto Handfas