Sem testagem em massa e sem vacina. Tragédia anunciada em Salvador

Ocorreu no dia 11/02/2021, uma audiência Pública com o Secretário de Saúde Leo Prates e a Presidente do COSEMS (Conselho Municipal de Secretários de Saúde), Stela Souza, provocada pelo Comitê Baiano de Vacinação Já pelo SUS!

Os depoimentos, tanto do Secretário de Saúde de Salvador, Leo Prattes (DEM), quanto da Presidente dos Conselhos Municipais de Saúde do Estado da Bahia, Stela Souza, não deixam margem para dúvidas: Estamos à beira de um caos que provocará uma tragédia sem precedentes se não forem tomadas medidas urgentíssimas.

A situação é gravíssima. Os planos de vacinação das Secretarias de Saúde dos municípios e Estado da Bahia não estão sendo realizados porque dependiam do Ministério da Saúde que não cumpriu, em nenhum momento, a entrega da quantidade de doses previstas. A vacina chega a conta gotas, verdadeiras “amostras grátis”. O que está acontecendo é que os profissionais da Saúde estão tendo que definir dentro das prioridades, as prioridades. Estão realizando a “escolha de Sofia” .

Os municípios estão definindo as prioridades dentro das prioridades. Não chegamos nem a 2% da população vacinada na Bahia. Salvador recebeu até agora, em três remessas: 45 mil doses de Coronavac; 35 mil doses da Oxford; 18 mil Coronavac.

A população de Salvador estimada pelo IBGE é de 2.886.698 pessoas [2020]. Para vacinar toda a população, considerando as duas doses, serão necessárias 5.773.396 doses. O que chegou até agora foram 98.000 (noventa e oito mil). Apesar do SUS em Salvador ter infraestrutura para vacinação faltam vacinas.

O Ministério da Saúde do Governo Bolsonaro, com seu incompetente militar Pazuello não está dando apoio nem suporte aos estados e municípios. Foi negado ao Município de Salvador a compra de vacinas. Os gestores presentes na audiência não têm condição de responder quantas doses chegarão, quando chegarão e em quanto tempo o Brasil terminará de vacinar a população. A estimativa é levar até 4 anos, no ritmo atual.  O relato da Presidente da COSEMS deixou evidente que a situação dos municípios do interior da Bahia também é dramática. O agravante é que na Bahia estão aparecendo variações do vírus e o número de casos tem aumentado.

O Comitê concluiu que é necessária pressão popular para que as vacinas de todos os fabricantes sejam adquiridas e disponibilizadas com máxima urgência. Exigir a saída do Ministro Pazuello e demais militares do Ministério da Saúde, para que retornem os técnicos, Sanitaristas e gestores comprometidos com a ciência e o SUS ao Ministério. Exigir a ativação do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) e toda a sua rede de serviços, conhecimento acumulado e sistema de registro e informação.

Acrescentamos que é necessária testagem em massa para controlar o vírus, é preciso quebrar as leis de patentes para que o Brasil fabrique mais vacinas. São necessários mais recursos públicos para dotar os laboratórios científicos brasileiros públicos de condições para produção autônoma. É necessário defender o SUS, com investimentos públicos em infraestrutura e pessoal.

Lutar pelo fim do governo Bolsonaro que é o responsável pela tragédia que estamos vivendo no Brasil.

Celi Taffarel