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	<title>Arquivo de 100 anos da Revolução Russa - O Trabalho</title>
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		<title>100 anos da Revolução Russa &#8211; parte 10: A revolução foi traída mas o legado de Outubro sobrevive</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2017 17:51:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitos se perguntam como ava­liar o legado da Revolução de Outubro de 1917, diante do fato que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fundada ao final da guerra civil em 1922, tenha sido dissolvida em 1991. Os inimigos da revolução socia­lista, defensores do caráter “eterno” do modo de produção capitalista, se comprazem em apresentar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos se perguntam como ava­liar o legado da Revolução de Outubro de 1917, diante do fato que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fundada ao final da guerra civil em 1922, tenha sido dissolvida em 1991.</p>
<p>Os inimigos da revolução socia­lista, defensores do caráter “eterno” do modo de produção capitalista, se comprazem em apresentar as coisas, e o fizeram fartamente neste centená­rio, da seguinte forma: a revolução russa só poderia levar ao desastre, pois Stálin seguiu Lênin ao impor a ditadura do partido único, com o cortejo de mentiras, assassinatos e repressão que foi o stalinismo; como o partido bolchevique tornou-se instrumento de opressão das massas, além de não ser necessário tal tipo de partido, estaria “provado” que a revolução “não deu certo” como demonstra o fim da URSS.</p>
<p>É uma falsa visão baseada em aspectos superficiais, que apaga as contradições e choques internos ocorridos na Rússia soviética que, por sua vez, refletiam a luta de classes in­ternacional. É uma visão interessada em “criminalizar” qualquer processo revolucionário e a própria luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista.</p>
<p>Curiosamente ela é retomada, nes­te ano, pelo governo Putin da Rússia, herdeiro da burocracia stalinista que, através de sucessivos dirigentes do Partido Comunista da União Soviéti­ca (PCUS), desde a morte de Stálin1, continuaram a preparar o terreno para a restauração da propriedade privada dos grandes meios de pro­dução até se chegar à “Perestroika” e “Glasnost” de Gorbatchev e Bóris Yeltsin que terminaram por dissolver a URSS.2</p>
<p><strong> </strong><strong>As bases da contrarrevolução </strong></p>
<p>Um marxista, ao contrário, deve buscar a explicação dos fenômenos históricos, como a degeneração stali­nista do partido bolchevique, da In­ternacional Comunista e da própria revolução russa, em bases materiais e na luta de classes internacional.</p>
<p>Com efeito, logo após a tomada do poder pelos sovietes em outubro de 1917, o imperialismo respondeu com a guerra civil e a intervenção de potências estrangeiras (França, Reino Unido, Estados Unidos, Japão e outras) no território russo ao lado do Exército Branco. Eles se enfren­taram com o Exército Vermelho, organizado por León Trotsky, entre 1918 e 1921, quando são derrotados a partir de um esforço extraordinário dos operários e camponeses para preservar as bases da revolução, a saber, a expropriação da burguesia e da nobreza, a propriedade coletiva dos meios de produção.</p>
<p>Foram quatro anos de penúria e desorganização da produção, que cobraram o seu preço, inclusive no desaparecimento físico de boa parte da vanguarda revolucionária, cons­tituída por operários bolcheviques que ocuparam a primeira fila na guerra civil.</p>
<p>É sobre a base de uma economia em frangalhos, com uma mão de obra de jovens camponeses sem qualificação, com os bolcheviques, que dirigiam o Exército Vermelho, se convertendo em diretores de fábricas com “privilégios” (uso de automóveis, por exemplo), que uma diferenciação social se desenvolveu.</p>
<p>No plano internacional os bolche­viques depositavam esperanças em revoluções na Europa, para romper o isolamento da Rússia soviética e dar uma base material mais avan­çada para o desafio de construir o socialismo. A fundação, em março de 1919, da 3ª Internacional3, em plena guerra civil, para combater pela República Internacional dos Sovietes, é a demonstração cabal de como os bolcheviques consideravam a exten­são da revolução como decisiva.</p>
<p>Ao final da 1ª Guerra Mundial ocorrem revoluções na Alemanha em 1918-19 &#8211; quando Rosa Luxemburgo é assassinada pelo governo social­-democrata (SPD) de Friedrich Ebert &#8211; e de novo em 1923; na Hungria (1919) e Bulgária (1923). A traição dos partidos da 2ª Internacional e a imaturidade de jovens partidos comunistas, entretanto, impediram romper o isolamento da URSS.</p>
<p>As consequências da guerra civil e o isolamento da revolução deram as bases para o surgimento do stalinis­mo como fenômeno contrarrevolu­cionário.</p>
<p><strong>A burocracia stalinista </strong></p>
<p>Entre 1920/21 aparecem os primei­ros sintomas de burocratização, que Lenin irá combater até sua morte pre­matura em janeiro de 1924. É neste mesmo ano que, pela primeira vez, se ouve falar em “socialismo num só país”, que será a bandeira de Stálin para combater Trotsky e a teoria da Revolução Permanente (cujas raízes encontram-se em Marx ao analisar 1848 na Alemanha).</p>
<p>Na verdade Stálin representava uma camada de altos funcionários do partido e do Estado – a buro­cracia – que passara a desenvolver interesses próprios e opostos aos da massa dos operários e camponeses. Seus privilégios decorriam dos cargos que ocupavam e para defendê-los trataram de reescrever toda a história do bolchevismo e até a “inventar” teorias.4</p>
<p>Ao mesmo tempo em que afirmava seu poder na URSS, a burocracia stali­nista passou a controlar a Internacio­nal Comunista, cuja função passou a ser a de “proteger” a “construção do socialismo” na URSS, e não a de fazer a revolução em outros países.</p>
<p>A passagem para a contrarrevolu­ção foi um processo paulatino. Des­de a luta pela sucessão de Lenin em 1924, até os processos de Moscou em 1936, nos quais foi eliminada toda a vanguarda bolchevique da Revolução de Outubro, passaram-se doze anos.</p>
<p>Trotsky fundou a Oposição de Esquerda em 1927-28, visando re­orientar os partidos comunistas e a Internacional. Somente em 1933 ele proclama a necessidade de uma nova Internacional, após o balanço da po­lítica de divisão das fileiras operárias feita pelo stalinismo na Alemanha de 1933, que facilitou a chegada de Hitler ao poder, criando as condições para a 2ª Guerra Mundial (1939-45).</p>
<p>Em setembro de 1938, reivindi­cando o legado político e teórico da Revolução de Outubro, será fundada a 4ª Internacional que hoje encarna os ensinamentos daquela que há cem anos foi a primeira revolução proletária vitoriosa da história.</p>
<p>Viva o centenário da Revolução Russa!</p>
<p><strong>Julio Turra </strong></p>
<p><strong>Notas </strong></p>
<ol>
<li>Stálin, Josef Vissariónovitch Dju­gashvili (1878-1953), secretário geral do Comitê Central do partido bolchevique em 1922, assume o comando supremo na URSS a partir de 1924. Após sua morte, em 5 de março de 1953, seus sucessores mantiveram os pilares do stalinismo, regime de partido único sem democracia operária.</li>
<li>Mikhail Gorbatchev, líder do PCUS entre 1985 e 1991, introduziu “reformas” pró-mercado sendo sucedido, após a dis­solução da URSS, por Bóris Ieltsin como presidente da Rússia (25/12/1991).</li>
<li>Internacional Comunista ou 3ª Internacional, fundada por iniciativa dos bolcheviques vitoriosos na Rússia em 1919. Também conhecida como Komintern, foi dissolvida por Stálin em 1943, prenunciando os acordos com as potências imperialistas do final da 2ª Guerra Mundial de divisão do mundo em esferas de influência.</li>
<li>A esse respeito ver “A Revolução Traída” (1936) de León Trotsky, em particular o Apêndice “O socialismo num só país”.</li>
</ol>
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		<title>100 anos da Revolução Russa &#8211; parte 9: Outubro e o novo poder soviético</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2017 12:40:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com ampla maioria no Congresso dos Sovietes, bolcheviques organizam a insurreição e a tomada do Palácio de Inverno O mês de setembro foi marcado por uma maré bolchevique nos sovietes de toda a Rússia, acompanhada por um recrudescimento de revoltas camponesas. Essa maré se dava ao mesmo tempo que surgiam novos sovietes – chegando a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>Com ampla maioria no Congresso dos Sovietes, bolcheviques organizam a insurreição e a tomada do Palácio de Inverno</h3>
<p>O mês de <span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="http://otrabalho.org.br/100-anos-da-revolucao-russa-parte-8-a-um-mes-da-insurreicao/">setembro foi marcado por uma maré bolchevique</a></span> nos sovietes de toda a Rússia, acompanhada por um recrudescimento de revoltas camponesas.</p>
<p>Essa maré se dava ao mesmo tempo que surgiam novos sovietes – chegando a 900 que representavam 25 milhões de pessoas em outubro – especialmente no campo e entre as nacionalidades oprimidas (o Império Russo contava com 90 milhões de “alógenos”, com os russos sendo 43% da população). Nos dois casos, os sovietes já “nasciam” bolcheviques, dado o desencanto com a política dos socialistas conciliadores sobre as questões da terra e do direito à autodeterminação das nações oprimidas.</p>
<p>O mês decisivo da revolução iniciou-se com o abandono do pré-parlamento por parte dos 66 deputados bolcheviques (de um total de 402) em 7 de outubro, atendendo aos apelos de Lenin e Trotsky, que num primeiro momento tinham ficado em minoria no partido, para boicotá-lo.</p>
<p>Esta saída indicava como única via a preparação da insurreição em nome dos sovietes e contra o que restava do governo provisório ao redor de Kerensky.</p>
<p>Era o que Lênin, que volta de seu refúgio finlandês à Petrogrado em 10 de outubro, agitava desde setembro no seu texto “A catástrofe iminente e os meios de conjurá-la”.</p>
<p>Um organismo soviético específico foi criado em 9 de outubro, o Comitê Militar Revolucionário, para defender a capital contra uma ofensiva dos alemães iniciada no dia 6. Tal Comitê, dirigido por León Trotsky, virá a ser o organizador prático da insurreição.</p>
<p>Para os bolcheviques, convencidos por Lênin da urgência da insurreição (contra os votos de Kamenev e Zinoviev), ela deveria ocorrer em paralelo à instalação do 2º Congresso Pan Russo dos Sovietes em 25 de outubro, o qual iria registrar uma ampla maioria identificada com eles (entre 70 e 75% dos seus 670 delegados).</p>
<p><strong>A noite da insurreição</strong><br />
Na noite de 24 para 25 de outubro – de 6 a 7 de novembro no calendário atual &#8211; os guardas vermelhos, atendendo ao Comitê Militar Revolucionário, ocupam e tomam sem resistência as pontes, estações ferroviárias, o banco central, o correio, a central telefônica, deixando isolado o Palácio de Inverno, sede do governo provisório.</p>
<p>Os insurrectos lançam um ultimato aos “junkers”, alunos de escolas militares que guarneciam o Palácio, enquanto Kerensky fugia dentro de um carro da embaixada dos Estados Unidos!</p>
<p>O Palácio é totalmente cercado e unidades militares revolucionárias não paravam de chegar na noite de 25 de outubro. O encouraçado Aurora, cujos marinheiros haviam se juntado à revolução há muito, inicia um bombardeio (com tiros de festim) como sinal para o assalto final.</p>
<p>Às 2 horas da madrugada, em nome do Comitê Militar Revolucionário, Antonov-Ovseenko (bolchevique fuzilado por Stálin em 1938) entra na sala dos ministros aterrorizados e os declara prisioneiros. Não houve baixas ou mortos na tomada do Palácio de Inverno.</p>
<p><strong>O congresso do novo poder soviético</strong><br />
Ao instalar-se o 2º Congresso dos Sovietes no Palácio Smolny no dia 25, já não existia o governo provisório. O que provocou protestos dos conciliadores (a ala direita dos mencheviques e socialistas revolucionários, SRs), agora minoritários, que foram os primeiros a abandonar o congresso.</p>
<p>Martov, líder dos mencheviques internacionalistas, atacou a ação dos bolcheviques como um complô não autorizado pelo congresso dos sovietes, propondo um acordo com todos os partidos socialistas.</p>
<p>Trotsky o respondeu: “O que aconteceu foi uma insurreição e não um complô. O levante das massas populares não necessita de justificativas&#8230;Nossa insurreição venceu e agora apresentam-nos uma proposta: renunciai a vossa vitória, concluí um acordo. Com quem? Eu pergunto, com quem devemos concluir um acordo? Com os miseráveis grupinhos que saíram daqui? Não há mais ninguém na Rússia atrás deles! ”.</p>
<p>Martov e seu grupo abandonam o congresso que prossegue, até que o bolchevique Lunacharsky lê em voz alta um apelo aos operários, camponeses e soldados: “Os plenos poderes do Comitê Executivo Central conciliador expiraram. O Governo Provisório foi deposto. O Congresso toma o poder em suas mãos&#8230;O Congresso decide que todo o poder, em todas as localidades, será transmitido aos sovietes. ”<strong>¹</strong></p>
<p>No mesmo apelo são anunciadas as medidas que no dia 26 serão votadas e adotadas pelo novo poder: o governo soviético proporá a paz imediata, entregará a terra aos camponeses, dará ao exército um estatuto democrático, estabelecerá o controle da produção, convocará oportunamente a Assembleia Constituinte, assegurará às nações da Rússia o direito à autodeterminação.</p>
<p>No dia 26 se adotam essas primeiras resoluções, o congresso é considerado regular por ampla maioria (com cerca de 150 votos contrários, na maioria de SRs de esquerda) e elege o Soviete dos Comissários do Povo, o novo governo dirigido por Lênin, e um Comitê Executivo Central de 101 membros: 62 bolcheviques e 29 socialistas revolucionários (SR) de esquerda, que depois será completado com representantes dos sovietes de camponeses e de soldados, cabendo às frações que abandonaram o Congresso o direito de enviar delegados ao Comitê Executivo na base de sua representação proporcional.</p>
<p>A ordem do dia do Congresso foi cumprida e o poder dos sovietes é criado por um congresso democrático que nas palavras do seu presidente, Lev Kamenev, “é o órgão supremo das massas operárias e de soldados”.</p>
<p>No capítulo “Conclusão” de sua História da Revolução Russa, escrita já num momento de contrarrevolução stalinista triunfante (1930), Léon Trotsky antecipa algo que continua de enorme atualidade:</p>
<p>“A Revolução de Outubro lançou as bases de uma nova cultura, concebida para servir a todos, e foi por isso mesmo que assumiu, imediatamente, importância internacional. Mesmo que, sob o efeito de circunstâncias desfavoráveis e sob os golpes do inimigo, o regime soviético – admitamo-lo por um minuto – fosse provisoriamente derrubado, a marca indelével da insurreição de Outubro permaneceria de qualquer maneira em qualquer evolução posterior da humanidade”.</p>
<p>E esta marca efetivamente permanece, apesar das décadas de stalinismo e do próprio desaparecimento formal da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991. É do que trataremos na última parte desta série dedicada aos 100 anos da Revolução Russa.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Julio Turra</strong></p>
<p><strong>Notas</strong><br />
<strong>1.</strong> Anatóli Lunacharsky, bolchevique desde 1903, foi Comissário do Povo para a Educação depois da revolução de 1917, morreu em 1933 a caminho da Espanha para onde fora designado embaixador. A citação é extraída da “História da Revolução Russa”, L. Trotsky, Volume 3, capitulo 10.</p>
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		<title>100 anos da Revolução Russa &#8211; parte 8: a um mês da insurreição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Oct 2017 13:21:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>1o de setembro de 1917: a prisão do general Kornilov O golpe de Estado contrarrevo­lucionário do general Kornilov fra­cassou militar e politicamente nos últimos dias de agosto, sem que suas tropas tenham tido sequer o tempo de ter dado um tiro, antes mesmo de ter combatido. Primeiro, as massas do país, cada vez mais politizadas, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>1<sup>o </sup>de setembro de 1917: a prisão do general Kornilov</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O golpe de Estado contrarrevo­lucionário do general Kornilov fra­cassou militar e politicamente nos últimos dias de agosto, sem que suas tropas tenham tido sequer o tempo de ter dado um tiro, antes mesmo de ter combatido.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, as massas do país, cada vez mais politizadas, compreenderam perfeitamente a cumplicidade evidente entre Korni­lov e Kerenski, os dois personagens agora mais detestados do país, “os dois K”. Elas constataram que os bol­cheviques foram o ponto de apoio contra a tentativa de golpe e isso teve peso nas modificações profundas de seu estado de espírito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maré alta bolchevique nos sovietes</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O fato sem dúvida mais impor­tante deste mês de setembro não diz respeito a uma data isolada, veio de uma sucessão de acontecimentos que continuaram em outubro: a compo­sição dos sovietes, suas direções e sua orientação mudam completamente. Na noite de 31 de agosto, o soviete de Petrogrado adotou a resolução apresentada pelos bolcheviques, cha­mando “todo poder aos sovietes”! Em 08 de setembro, a seção operária do soviete de Petrogrado elege uma direção de maioria bolchevique e, no dia seguinte, os delegados lhe dão a maioria. Em 23 de setembro, o co­mitê executivo deste soviete-farol-da­-revolução elege Leon Trotsky para sua presidência. Também no início de setembro, o soviete de Moscou, a segunda cidade do país, se junta a Petrogrado. Em 05 de setembro, ele adota uma resolução bolchevique chamando à tomada total do poder e elege uma guarda vermelha. Ao mesmo tempo, os sovietes de Kiev, Saratov, Tachkent e Odessa dão maioria aos bolcheviques. Em 10 de setembro, começa o 3o Congresso dos sovietes da Finlândia, que se junta à ação dos bolcheviques. Repri­midos e perseguidos no início de ju­lho, os camaradas Lenin e Trotsky se tornam majoritários em todo o país. Durante o verão de 1917, o estado de espírito das massas modificou-se profundamente, correspondendo às transformações no país. Durante os seis meses que seguiram a revolução de fevereiro, as massas constataram que nenhuma de suas reivindica­ções essenciais foram conquistadas. Procuraram uma outra via. Se os dirigentes “socialistas conciliadores” não respeitavam o mandato que os trabalhadores lhes confiaram, en­tão era preciso mudar de política e substitui-los. Essa pressão considerá­vel das massas operárias, soldados e agora camponeses leva um número grande de delegados a se aproxima­rem da posição dos bolcheviques. Ao mesmo tempo, as eleições para a renovação dos dirigentes dos so­vietes destitui muitos pelo voto da democracia operária que se torna plenamente a democracia dos sovie­tes. Eram 400 sovietes em maio de 1917, 600 entre agosto e setembro e 900 em outubro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>13 de setembro de 1917: graves revoltas camponesas nas regiões de Kichinev e Tambov </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com alguns meses de diferença em relação às mobilizações operárias, os camponeses se insurgem. Desde fevereiro, os governos provisórios sucessivos dos ministros socialistas­-revolucionários, habituais defenso­res dos interesses dos camponeses, multiplicaram as promessas de reforma agrária, mas são incapazes de cumpri-la. Os camponeses se apropriam das terras e colheitas dos senhores que respondem violenta­mente: em quase metade do país, setembro vê uma sucessão de vio­lências, saques, agressões físicas por parte dos proprietários. A proximida­de com o luxo se torna insuportável para os que sentiam fome, eram atingidos pelo tifo e por anúncios de suicídios. A revolução camponesa se une ao proletariado industrial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>25 de setembro de 1917: o último Governo Provisório </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O terceiro Governo Provisório, aquele de 23 de julho, foi um go­verno de coalizão, instaurado por e em torno de Kerenski. Seu objetivo era, com os golpes dados no início de julho pela contrarrevolução em setores progressistas do povo russo e bolcheviques, tentar restabelecer a ordem antiga, mas as forças do passado estavam impotentes. A Con­ferência de Estado não consegue o “armistício entre o capital e o traba­lho” buscado por Kerenski, porque só agrupavam partidos e setores da antiga Rússia com interesses muito antagônicos para serem conciliados.</p>
<p style="text-align: justify;">O terceiro Governo Provisório se desagrega completamente no curso do mês de agosto antes de desaparecer no golpe de Estado de Kornilov. Em 26 de agosto, por razões diametralmente opostas, burgueses cadetes e socialistas dos partidos conciliadores lhe deixam bruscamente. Kerenski está sozinho, isolado, e concentra, em sua pessoa, todas as contradições do momento. A direita não está mais a seu lado porque ele não consegue conter a revolução em marcha; a esquerda tampouco porque sua relação com Kornilov é evidente. Ninguém está a seu lado, mas todos precisam dele porque parece ser o único a poder ainda “manter a casa em pé”. Foi necessário então estabelecer um novo Governo Provisório que será o quarto e último. Mas a tarefa se reve­la perigosa. Tergiversações e acordos secretos se sucedem: cai um ministro após outro. No final de um mês de manobras e contramanobras, chega­-se a uma redução do governo que se limita a sua direção, quer dizer, um órgão de cinco membros em torno de Kerenski: um antigo ministro das Relações Exteriores, agente da cola­boração com países imperialistas; o comandante da tropa de Moscou; um general tirado da prisão em que estava com Kornilov; um obscuro menchevique reprovado por seu partido que o excluiu um pouco depois.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>14 &#8211; 23 de setembro: a “Conferência democrática”. Os últimos dias da coalizão </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Kerenski tenta organizar uma última vez uma conferência de paz social entre as forças que não querem mais “colaborar”. A confe­rência foi convocada com o acordo dos mencheviques e dos socialistas revolucionários; ela se reuniu pela primeira vez em 14 de setembro. Tratava-se de concorrer com a con­vocação do Congresso dos sovietes prevista para o fim de outubro. Estes são minoria em relação às administrações locais e aos “coo­peradores”, cuja única legitimidade é sua oposição aos bolcheviques.</p>
<p style="text-align: justify;">O debate: “qual governo é pre­ciso?”. Querem um governo de coalizão, mas sem os cadetes. À direita, a tendência pela coalizão, com Kerenski até os partidários de Kornilov. O primeiro voto é sig­nificativo. Para a coalização, 766 contra 688. Contra a participação dos cadetes 813 votos a 183 e 80 abstenções. Sai daí um organismo bastardo batizado pelo belo nome de “soviete da República”, mas que não terá nada de soviético e levará de fato o nome de pré-parlamento. Foi uma forma de governo aceitável para os aliados imperialistas. Mas os bolcheviques decidirão deixá­-lo em outubro. Como manter a coalização se ninguém mais quer conciliar?&#8230; Neste imbróglio entre a busca por um novo governo e a inanidade do pré-parlamento, a política de coalizão que dominou a vida política oficial do país desde a revolução de fevereiro tem os seus dias contados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trechos de matéria publicada no jornal Informações Operárias </strong><strong>do Partido Operário Independente da França</strong></p>
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		<title>100 anos da Revolução Russa &#8211; parte 7: golpe militar de Kornilov fracassa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2017 14:39:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bolcheviques lideram resistência à contrarrevolução e aumentam sua influência Como vimos na parte anterior desta série, após a violenta repressão às “jornadas de julho”, Kerensky formou o terceiro governo provisório o qual, com a participação majoritária de ministros “socialistas conciliadores”, tinha como chefe das forças armadas o general Kornilov e a função de instrumento da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;">Bolcheviques lideram resistência à contrarrevolução e aumentam sua influência</h3>
<p>Como vimos na parte anterior desta série, após a violenta repressão às “jornadas de julho”, Kerensky formou o terceiro governo provisório o qual, com a participação majoritária de ministros “socialistas conciliadores”, tinha como chefe das forças armadas o general Kornilov e a função de instrumento da contrarrevolução.</p>
<p>No início de agosto as forças políticas estavam assim dispostas: de um lado, todos os partidos e grupos que queriam defender a ordem burguesa – cadetes, gene­rais czaristas, altos funcionários, a hierarquia da Igreja ortodoxa, os diri­gentes moderados dos mencheviques e socialistas-revolucionários (SR). De outro lado, o partido bolchevique, o único que expressava a vontade dos setores mais avançados dos operários e soldados, acompanhado de alguns mencheviques internacionalistas e SR de esquerda.</p>
<p>Kerensky tinha a ambição de ser um “Bonaparte”(1) nessa situação de polarização aguda. Ele convoca uma Conferência de Estado em 12 de agosto para, em suas próprias palavras, instaurar “um armistício entre capital e trabalho”, ou seja, um pacto entre “socialistas” e representantes da burguesia, do qual ele próprio seria o fiador.</p>
<p>Os bolcheviques – com vários de seus líderes presos ou escondidos (como Lênin) &#8211; denunciam esse projeto de Kerensky e recusam-se a participar da conferência.</p>
<p>Com medo do clima político de Pe­trogrado, a conferência é convocada para Moscou. Mas, apesar da repres­são sofrida em julho, ela é recebida por uma greve geral chamada por todos os comitês operários da futura capital soviética.</p>
<p>A luta de classes negava nos fatos a colaboração de classes e o “pacto capital-trabalho” que a Conferência de Estado buscava e a mesma se per­de em discussões estéreis.</p>
<h3 style="text-align: center;"><strong>25 de agosto: o golpe de Kornilov </strong></h3>
<p>Enquanto isso, o “generalíssimo” Kornilov conspirava com o alto co­mando do Exército, com o conheci­mento de Kerensky, a preparação de um golpe de Estado que permitisse liquidar os setores mais revolucioná­rios nas fábricas e nas tropas, esmagar os sovietes e os bolcheviques. Assim se combinavam dois instrumentos da contrarrevolução: o “pacto capital e trabalho” e o recurso ao golpe militar para instaurar uma ditadura.</p>
<p>No “Programa de Transição”, que alicerçou a criação da 4ª Internacional em 1938, Trotsky generalizou a experiência desse momento da revolução russa &#8211; a combinação da colaboração de classes com o golpe de força reacionário -, combinação que reapareceu nos anos de 1930 em processos revolucionários na França e Espanha, com a fórmula: “As ‘Frentes Populares’ de um lado e o fascismo de outro, são os últimos recursos políticos do imperialismo na luta contra a revolução proletária”(2).</p>
<p>Kerensky, que sonhava ser o di­tador que o golpe militar bancaria, se deu conta que Kornilov queria arrasar tudo que desde fevereiro ha­via surgido na Rússia, inclusive com ele próprio! No último minuto, ele denunciou a intenção de Kornilov de acabar com a “democracia”. Mas não foi Kerensky quem barrou o golpe.</p>
<p>O plano golpista era enviar a Pe­trogrado tropas “seguras”, como a “divisão selvagem” e os cossacos (3), que liquidariam os sovietes. Kornilov e o alto comando entregaram a cidade de Riga (4) aos alemães, para criar um clima de pânico na capital que facilitasse o ato de força contra os “agentes alemães” (calúnia contra os bolcheviques lançada pelo governo provisório desde julho).</p>
<p>Diante da ameaça de golpe, que lhes cortaria a cabeça, os dirigentes “conciliadores” do soviete soltaram os líderes bolcheviques presos para organizarem em conjunto a resistência. Em todo o país os sovietes convocam a mobilização para conter as tropas de Kornilov: ferroviários desviam trens com tropas para longe de Petrogrado, operários bolcheviques e mencheviques agitam as tropas estacionadas na capital para barrar o golpe; bolcheviques e anarquistas conclamam os marinheiros de Kronstadt a defender a “capital vermelha”.</p>
<p>Constituem-se em toda a parte “guardas vermelhas” com operá­rios em armas, enquanto as tropas “seguras” com as quais contavam os golpistas sofriam motins e deser­ções, até entre os cossacos. O golpe esfarinhou-se.</p>
<p>O “homem forte” do governo pro­visório, Kerensky, ficou suspenso no ar, pois já não servia nem à contrar­revolução, nem à maré montante da revolução que fez fracassar o golpe de Kornilov.</p>
<h4 style="text-align: center;"><strong>O soviete de Petrogrado adota uma resolução bolchevique </strong></h4>
<p>Na noite de 31 de agosto, uma resolução apresentada pelos bolcheviques no soviete de Petrogrado, dirigido até então por “socialistas conciliadores” com ministros no governo, obtém 279 votos contra 115 e 5 abstenções. Era uma moção de desconfiança no governo provisório, que afirmava que todo poder deveria passar aos sovietes.</p>
<p>O principal soviete da Rússia dizia a todo o país: “Paz agora; Terra aos camponeses; Pão para todos; Todo o poder aos sovietes!”. A partir de setembro, em todo o vasto terri­tório da Rússia, a composição dos sovietes modifica-se em favor dos bolcheviques.</p>
<p>Trotsky, na sua “História da Revolução Russa”, registra um fato que sintetiza a tática bolchevique diante do golpe de Kornilov:</p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>“O comité executivo (do soviete), por telefone para Kronstadt e Vyborg, pediu o envio para Petrogrado de importantes efetivos de tropas. Logo na manhã do 29, os contingentes começaram a chegar. Eram, principalmente, destacamentos bolcheviques (&#8230;). Um pouco antes, cerca do meio do dia 28, por ordem de Kerensky, que parecia mais um pedido obsequioso, a guarda do palácio de Inverno tinha sido tomada pelos marinheiros do cruzador Aurora, cuja parte da tripulação tinha sido encarcerada na prisão de Kresty por ter participado na manifestação de julho. Durante as suas horas de liberdade, os marinheiros vinham visitar os homens de Kronstadt detidos, tal como Trotsky, Raskolnikov e outros. ‘Não é já tempo de prender o governo?’ perguntavam os visitantes. ‘Não, ainda não’, foi a resposta: ‘Apoiem a espingarda no ombro de Kerensky, disparem contra Kornilov. Logo, acertaremos contas com Kerensky.” (</em>5)</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Julio Turra</strong></p>
<hr />
<p><strong>Notas </strong></p>
<ol>
<li>“<strong>Bonaparte</strong>”: Relativo a “bonapartis­mo”, da obra de Karl Marx “O 18 Brumário de Louis Bonaparte” (1852), refere-se a um governo “pessoal” que busca equilibrar-se entre as classes fundamentais em luta como um “árbitro”, em nome do “interesse geral”.</li>
<li>“<strong>Frente Popular</strong>”, governo de colabora­ção de classes baseado numa coalizão entre partidos operários e partidos burgueses, erigido como “último recurso” para frear a revolução. Citação do “Programa de Tran­sição” (1938).</li>
<li>“<strong>Divisão Selvagem</strong>”: criada em agosto de 1914, constituída por voluntários mu­çulmanos, oriundos da região do Cáucaso, foi extinta em 1918.</li>
<li>4. <strong>Riga</strong>: capital da Letônia, então parte da Rússia, que será uma das repúblicas que formarão a URSS até 1991.</li>
<li>León Trotsky em <strong>“História da Revolução Russa”</strong>, Tomo 2: “A burguesia mede-se com a democracia”.</li>
</ol>
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		<title>100 anos da Revolução Russa – parte 6: as “jornadas de julho”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jul 2017 15:45:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tentativa de insurreição precipitada leva Kerensky à cabeça de governo da contra-revolução Em 2 de julho (1), o ministro da Guerra do governo provisório, Kerensky, anuncia oficialmente o fracasso da ofensiva militar. Como vimos anteriormente, ela foi inviabilizada pela recusa dos soldados, apoiados pelo povo, de partir para o “front”. No mesmo dia, os quatro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: center;">Tentativa de insurreição precipitada leva Kerensky à cabeça de governo da contra-revolução</h2>
<p>Em 2 de julho (1), o ministro da Guerra do governo provisório, Kerensky, anuncia oficialmente o fracasso da ofensiva militar. Como vimos anteriormente, ela foi inviabilizada pela recusa dos soldados, apoiados pelo povo, de partir para o “front”. No mesmo dia, os quatro ministros cadetes (2) se demitem do governo, alegando falta de firmeza de Kerensky.</p>
<p>Em 3 de julho, o 1º regimento de metralhadoras, baseado no bairro operário de Vyborg, desfila armado com uma grande faixa estampando “Todo o poder aos sovietes”. Milhares de operários se juntam aos soldados e nova manifestação é convocada para o dia seguinte.</p>
<p>Os bolcheviques, que não haviam convocado tal manifestação, reúnem-se em conferência no mesmo dia 3. A posição de Lenin é que era prematura a tomada do poder, pois a influência dos bolcheviques, forte em Petrogrado e Moscou, devia ainda estender-se a todo o país. Muitos operários bolcheviques não compreendem e pensam que a direção hesita. Alguns chegam a sair do partido e juntar-se aos anarquistas.</p>
<p>A manifestação dirige-se ao Palácio Táuride, sede do soviete central. Trotsky vai a ela e fala aos manifestantes que o aclamam. A exigência de “Todo o poder aos sovietes” domina a multidão e uma delegação é nomeada para levá-la à direção do soviete.</p>
<p>Em 4 de julho, os marinheiros de Kronstadt (3) marcham por Petrogrado em direção ao palácio Táuride, acompanhados por colunas de operários. Mas, ao contrário do dia anterior, em que não houve confrontos, a manifestação é dissolvida numa grande confusão. O governo provisório envia tropas de cossacos que atiram contra os manifestantes. O balanço é de 40 mortos e mais de 100 feridos.</p>
<p>Em 5 de julho, a conferência dos bolcheviques decide usar a influência do partido para colocar um freio à insurreição em curso. Trotsky, tal como Lenin, insiste que se o poder fosse tomado, deveria o ser em nome dos sovietes, mas que isso ainda não era possível, pois seus dirigentes conciliadores não queriam exercê-lo.</p>
<p>No mesmo dia 5, milhares de operários de Petrogrado, dentre eles muitos bolcheviques, prosseguem as manifestações armadas junto com unidades sublevadas do Exército. A influência dos militantes mais só­lidos evitou o pior e permitiu uma retirada organizada.</p>
<p>Os dias 3, 4 e 5 (as “jornadas de julho”) deixam lições importantes. As manifestações começam contra a opinião da direção bolchevique, mas o partido orienta seus militantes a nelas participar, tanto para não abandonar operários e soldados à sua própria sorte, como para tentar freá-las e protegê-las do esmagamento.</p>
<h3 style="text-align: center;">Repressão aos bolcheviques</h3>
<p>A violenta repressão de 4 de julho, levou Kerensky a tentar liquidar os bolcheviques. Uma violenta campanha de calúnias havia sido lançada desde o governo e meios contra-revolucionários: Lenin seria um agente da Alemanha, que teria financiado o seu retorno à Rússia em abril, e com ele todos os bolcheviques eram “agentes do inimigo”.</p>
<p>Uma provocação grosseira, mas que semeou dúvidas e desmoralização junto a operários e soldados. Em poucos dias os efetivos do partido bolchevique diminuíram e até mesmo, quando citado em algum comício, o nome de Lenin é vaiado.</p>
<p>Os locais dos bolcheviques são invadidos e saqueados, sua imprensa é proibida, as prisões se sucedem, como as de Trotsky e Kamenev (Le­nin havia se refugiado na Finlândia) e outros 150 quadros. Mas os bolcheviques estavam preparados, tinham locais clandestinos e a “Pravda” foi substituída por folhetos e depois por outro jornal “legal”. Muitos militantes passam à clandestinidade e utilizam as redes ilegais do partido preservadas desde fevereiro. Duramente golpeado, o partido prossegue sua atividade.</p>
<p>A repressão golpeia também os regimentos militares, com os oficiais levantando a cabeça e desafiando as decisões dos sovietes de soldados.</p>
<h3 style="text-align: center;">24 de julho: Kerensky à cabeça do governo</h3>
<p>Em meados de julho, Kerensky provoca uma crise no governo provisório, apoiando-se na demissão dos quatro ministros burgueses. Ele quer reforçar o regime e manter a Rússia na guerra imperialista. Para tanto precisa do apoio dos socialistas conciliadores (mencheviques e socialistas revolucionários-SR).</p>
<p>No novo governo, que assume em 24 de julho, os “socialistas” são majoritários, com o menchevique Tseretelli como ministro do Interior (segurança do Estado). Kerensky é o presidente e acumula também o ministério da Guerra. Antes mesmo de sua formação, duas decisões do governo anterior já mostravam o caminho a ser seguido: em 12 de julho foi restabelecida a pena de morte no Exército e Marinha, no dia 18 foi nomeado o general monarquista Kornilov, que já havia proposto seus serviços em fevereiro e abril para esmagar a revolução, como chefe das forças armadas.</p>
<p>Assim, o novo governo provisório é organizado como instrumento da contra-revolução. Kerensky empurra o mais à direita possível esse governo, mas o movimento das massas se orienta para a esquerda.</p>
<p>Não só para os operários e soldados mais avançados, mas para as amplas massas do povo russo, fica claro que as reivindicações de “Paz, Terra e Pão” não serão atendidas por esse governo, que será preciso transferir todo o poder aos sovietes.</p>
<p>É exatamente o que dizem os bol­cheviques em toda a parte. Quatro meses depois da derrota das “jor­nadas de julho” virá a vitória de Outubro.</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<ol>
<li>Esta parte 6 da série sobre a Revolução Russa está baseada na compilação feita por Serge Sebban e François Péricard para o jornal “Informations Ouvrières” n° 460. As datas são todas do “antigo calendário” da Rússia, defasado em 13 dias a menos em relação ao calendário atual.</li>
<li>Cadetes, abreviação de Partido Cons­titucional Democrático (KD), principal formação burguesa na coalizão.</li>
<li>Kronstad, fortaleza da marinha russa na ilha do mesmo nome no Mar Báltico, seus marinheiros eram muito populares entre os operários por suas posições destemidas.</li>
</ol>
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		<title>“Abaixo os dez ministros capitalistas” ganha adesão das massas &#8211; parte 5</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jul 2017 15:34:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 1º Congresso dos Sovietes de toda a Rússia se reúne em junho com maioria conciliadora Logo após a formação do segundo governo provisório (Leia artigo parte 4), reuniu-se, entre 3 e 24 de junho (1), o 1º Congresso dos Sovietes de toda a Rússia (“panrusso”). São 777 delegados de 305 sovietes locais, 53 regionais, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://otrabalho.org.br/abaixo-os-dez-ministros-capitalistas-ganha-adesao-das-massas-parte-5/">“Abaixo os dez ministros capitalistas” ganha adesão das massas &#8211; parte 5</a> apareceu primeiro em <a href="https://otrabalho.org.br">O Trabalho</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: center;">O 1º Congresso dos Sovietes de toda a Rússia se reúne em junho com maioria conciliadora</h2>
<p>Logo após a formação do segundo governo provisório <strong><a href="http://otrabalho.org.br/100-anos-da-revolucao-russia-trostsky-chega-a-russia-parte-4/">(Leia artigo parte 4)</a></strong>, reuniu-se, entre 3 e 24 de junho <strong>(1),</strong> o 1º Congresso dos Sovietes de toda a Rússia (“panrusso”).</p>
<p>São 777 delegados de 305 sovietes locais, 53 regionais, de organizações militares do “front” e retaguarda e de organizações de camponeses, representando cerca de 20 milhões de homens e mulheres. Uma força concreta que pesava sobre todo o desenvolvimento da situação.</p>
<p>Desses delegados, 285 são Socialistas Revolucionários (SR), 248 mencheviques e os bolcheviques são minoria, com apenas 105. Logo, a grande maioria (68%) era ligada a partidos que tinham ministros no governo provisório de coalizão com a burguesia.</p>
<p>Assim, no início de seus trabalhos, o Congresso dos Sovietes chegou a recusar uma resolução dos bolcheviques a favor da jornada de 8 horas.</p>
<p>Em 9 de junho, o Congresso é impactado pela convocação de uma manifestação pelos bolcheviques em Petrogrado no dia 10, para exigir melhorias nas condições de trabalho, as quais, desde a revolução de fevereiro, em nada haviam mudado.</p>
<p>A iniciativa tinha sido tomada pela organização militar do partido, refletindo o mal-estar existente nas tropas com as declarações guerreiras do governo. Ela foi apoiada pelo Soviete central dos comitês de fábrica, que reunia a vanguarda mais combativa da classe operária. Os bolcheviques trabalhavam duas palavras de ordem para essa manifestação: “Todo o poder aos sovietes!” e “Abaixo os dez ministros capitalistas!”.</p>
<p>A mesa do Congresso dos Sovietes, controlada pelos conciliadores, exige dos bolcheviques que suspendam a manifestação, proibindo por três dias toda ação de rua com o argumento que soldados armados poderiam dar pretexto para ações contrarrevolucio­nárias.</p>
<p>Ao mesmo tempo, ela envia comissões às fábricas e casernas para expor essa posição, mas elas se chocam com o ânimo dos operários e soldados, que chegam a declarar que só seguiriam as orientações dos bolcheviques.</p>
<p>Em 10 de junho chovem ameaças dos conciliadores contra os bolcheviques no Congresso. Depois de muito tumulto, se chega a um acordo: mencheviques e SR retiram uma moção que pedia o “desarmamento dos bolcheviques” – uma verdadeira provocação que haviam montado para julgá-los no Congresso &#8211; e estes últimos se comprometem a não chamar manifestações por três dias.</p>
<h3 style="text-align: center;">Em 18 de junho, as massas transbordam os conciliadores</h3>
<p>O ministro da Guerra, Kerensky, havia anunciado uma grande ofensiva conjunta com os Aliados (França e Inglaterra) para 17 de junho. A massa dos soldados e o povo eram completamente hostis a ela, pois rejeitavam a guerra desde a revolução de fevereiro.</p>
<p>Preparada desde o início do mês, a ofensiva é adiada várias vezes e, ao final, limita-se a algumas incursões sem resultados militares concretos, salvo vítimas entre os soldados. O Governo Provisório já não tinha controle absoluto sobre suas próprias tropas.</p>
<p>Diante disso, os cadetes, principal partido burguês da coalizão, propõem aos dirigentes do Congresso dos Sovietes uma manifestação “democrática e patriótica” no dia 18 em Petrogra­do para apoiar a política do governo. Tentando jogar as massas contra os bolcheviques, se propunha anunciar então a dissolução da Duma imperial e a convocação da Assembleia Constituinte para 30 de setembro. O tiro saiu pela culatra.</p>
<p>Em 18 de junho a manifestação é imensa, entre 400 e 500 mil pessoas. No palanque, lado a lado, membros do Governo Provisório e os dirigentes conciliadores do Congresso dos Sovietes.</p>
<p>Uma maré de bandeiras vermelhas dos bolcheviques tomou conta da manifestação e as palavras de ordem que submergiram todas as outras foram: “Abaixo a ofensiva!”, “Todo o poder aos sovietes!” e “Abaixo os dez ministros capitalistas!”.</p>
<p>Comentando esse episódio, Leon Trotsky escreveu:</p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>“Os operários que ainda eram hostis ao bolchevismo não sabiam o que lhes opor. Em seguida, sua hostilidade se transformou em neutralidade expectante. Sob as palavras de ordem bolcheviques haviam marchado um bom número de mencheviques e socialistas revolucionários que ainda não tinham rompido com seus partidos, mas que já tinham perdido a fé em suas palavras de ordem”</em><em><strong> (2)</strong>. </em></p>
<p>Os últimos dias de junho são de efervescência. Os operários, em greve permanente, buscam aproximar-se ainda mais dos soldados. Em 22 de junho o comitê central dos bolcheviques chama a suspender o movimento, pois sabia que a hora da insurreição não havia chegado.</p>
<h3 style="text-align: center;">A tática bolchevique nos Sovietes</h3>
<p>A palavra de ordem de “Abaixo os dez ministros capitalistas!” foi elaborada pela direção bolchevique em maio e é incorporada pelas amplas massas, como vimos, em 18 de junho.</p>
<p>Alguém poderia perguntar porque Lênin e seus camaradas não lançaram a agitação por “abaixo o governo provisório”?</p>
<p>Não cabe dúvida que os bolcheviques eram pela derrubada desse governo, mas é aqui que encontramos a riqueza e importância da tática revolucionária.</p>
<p>Os bolcheviques consideravam que a presença dos socialistas conciliadores, que eram maioria nos sovietes, no governo provisório é o que lhe dava vida e criava ilusão ou expectativa nas massas.</p>
<p>Logo, era preciso formular uma palavra de ordem de transição que fosse a expressão mais simples da exigência de uma ruptura da coalizão com a burguesia. Os ministros capitalistas concentravam a hostilidade das massas, que se indagavam por que seus “chefes” mencheviques e SR não rompiam com eles. Daí a sua adesão espontânea, natural, à essa palavra de ordem bolchevique.</p>
<p>Muito longe do “reflexo condicionado” de grupos sectários – “abaixo tudo e todos já” – a tática dos bolcheviques se alimentava de sua imersão nas fábricas, nos agrupamentos operários, construída ao longo de vários anos, que lhes permitia palpar o estado de espírito das massas e as bruscas mudanças que ele sofre numa revolução em curso.</p>
<p>Enfim, se o eixo da política revolucionária era “Todo o poder aos sovietes”, exigir dos conciliadores a ruptura com a burguesia preparava o caminho para os bolcheviques conquistarem a maioria nesses órgãos de poder, condição para a vitória da revolução.</p>
<p>O primeiro efeito da política bolchevique de junho de 1917 se deu no Congresso dos Sovietes. Muitos delegados mencheviques e SR que seguiam seus chefes na abertura de seus trabalhos em 3 de junho, ao seu final vão se reagrupar, seja como “SR de esquerda” ou como “mencheviques internacionalistas”, se aproximando do partido bolchevique e irão com ele marchar até a vitória da revolução em outubro.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Julio Turra </strong></p>
<p><strong>Notas </strong></p>
<ol>
<li>As datas mencionadas são todas do “antigo calendário” vigente então na Rússia, defasado em 13 dias a menos em relação ao calendário atual (assim, 3 de junho equivale a 16 de junho).</li>
<li>Leon Trotsky in “A História da Revolução Russa”.- Tomo 1 – “O Congresso dos Sovietes e a manifestação de junho”.</li>
</ol>
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		<title>100 anos da Revolução Russa: Trostsky chega à Russia &#8211; parte 4</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 May 2017 14:43:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E vai juntar-se a Lênin no combate por “todo o poder aos sovietes” No artigo anterior desta série, vimos como Lênin, desde a sua chegada à Rússia em 3 de abril de 1917 (1), levou uma dura batalha contra a linha aplicada pela direção dos bolcheviques de apoio ao governo provisório, para ganhar o partido [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: center;"><strong>E vai juntar-se a Lênin no combate por “<em>todo o poder aos sovietes</em>”</strong></h2>
<p><strong>N</strong>o artigo anterior desta série, vimos como Lênin, desde a sua chegada à Rússia em 3 de abril de 1917 (1), levou uma dura batalha contra a linha aplicada pela direção dos bolcheviques de apoio ao governo provisório, para ganhar o partido para as suas <strong><a href="http://otrabalho.org.br/100-anos-da-revolucao-russa-as-teses-de-abril-de-lenin-parte-3/">“Teses de Abril”</a>.</strong></p>
<p>Fato que desmente a lenda, construída dez anos depois com a ascensão de Stálin ao poder absoluto, de que os bolcheviques, de forma infalível, sempre guiaram as massas com a política justa. Nada mais longe da realidade.</p>
<p>Lênin obteve maioria na direção e depois na conferência dos bol­cheviques ajudado pela ação das massas nas “jornadas de abril”: O líder do partido “cadete”(2) e ministro Miliukov, ao final de abril, defendeu publicamente que a Rússia deveria continuar na guerra, inclusive com anexações de territórios “inimigos”.</p>
<p>Uma verdadeira provocação que foi respondida, nos dias 20 e 21 de abril, com enormes manifestações, puxadas por tropas estacionadas em Petrogrado e Moscou e engrossadas por operários, que foram marcadas pelos gritos de “abaixo Miliukov” e até mesmo, por influência bol­chevique, por <em>“abaixo o governo provisório”.</em></p>
<p>Além de reforçar a linha de Lênin no debate interno em seu partido, as “jornadas de abril” provocaram a crise do primeiro governo provisório, saldada com a saída de Miliukov em 5 de maio e a formação de um novo governo com a entrada em seu seio dos socialistas “conciliadores” (mencheviques e Socialistas revolu­cionários &#8211; SR).</p>
<h3 style="text-align: center;"><strong>O regresso de Trotsky à Rússia</strong></h3>
<p>É nesse contexto que Leon Trotsky chega, em 4 de maio, em Petrogrado. O dirigente do primeiro soviete de 1905, depois de uma viagem acidentada desde seu exílio em Nova York, passando por uma detenção no Canadá e pela Escandinávia, vai juntar-se a Lênin na batalha por “todo o poder aos sovietes”.</p>
<p>Os dois homens, entre 1903 e 1912, divergiram muitas vezes. Trotsky ten­tara unificar as frações bolchevique e menchevique, pensando que a unidade do partido era necessária para a unidade da classe operária, enquanto Lênin era intransigente sobre a necessidade de um partido com fronteiras definidas. Mas, desde 1914, reaproximaram-se na luta con­tra a guerra imperialista, denuncian­do a falência da 2ª Internacional e tomando posição por uma nova In­ternacional.</p>
<p>Assim que chega à Rússia, Trotsky faz um discurso de ataque ao governo provisório e por “todo o poder aos sovietes”. Em 7 de maio, numa recep­ção organizada pe­los bolcheviques e a organização interdistritos da qual era membro, Trotsky declara ter rompido com seu sonho de unifica­ção de todos os so­cialistas e que uma nova Internacional só poderia nascer da ruptura com os “conciliadores”. No dia 10, encon­tra-se com Lênin, que se apressa em ganhá-lo e a seus camaradas para o partido bolchevique.</p>
<p>Assim, “o partido de Lênin e Trotsky”, como será conhecido po­pularmente na época, vai concretizar a concepção de um partido operário em que a fração bolchevique vai reagrupar outros revolucionários até então exteriores a ela (além dos ligados a Trotsky, incorporou tam­bém muitos mencheviques interna­cionalistas).</p>
<h3 style="text-align: center;"><strong>O segundo governo provisório</strong></h3>
<p>A entrada dos mencheviques e Socialistas Revolucionários (SR) – que eram maioria nos sovietes – no segundo governo provisório, no qual tinham seis ministros (ao lado de outros dez de partidos burgueses) se deu em 5 de maio. Uma coalizão entre o que restava dos representantes da burguesia e os “conciliadores”, para tentar esvaziar o poder dos sovietes e preservar o estado burguês. Ainda presidido pelo príncipe Lvov, esse governo vai ter em Kerensky (3) sua figura principal, como ministro da Guerra.</p>
<p>A composição do novo governo e seu programa foram aprovados pela maioria do soviete de Petrogrado e, em 11 de maio, Kerensky anuncia uma ofensiva militar no “front”, sob pressão dos países imperialistas aliados.</p>
<p>Os sovietes de soldados se divi­dem, alguns apoiam a continuação da “guerra democrática”, mas mui­tos se recordam da ordem nº 1 do soviete de Petrogrado, adotada em 1º de março, por uma “paz sem anexações”.</p>
<p>Tal tipo de “aliança” antinatural vai se tornar um recurso constante ao longo da história posterior da luta de classes mundial no século 20, sob a etiqueta de “frente popular”(4): onde a revolução ameaça, os imperialismos buscarão dirigentes de formações operárias e populares para fazê-los instrumentos da manutenção de seu poder, para, na sequência, liquidá-los de forma violenta.</p>
<p>Mas, na Rússia de 1917 havia so­vietes e o partido bolchevique, mi­noritário ainda, dirige suas baterias contra os socialistas “conciliadores” exigindo que “rompam com a bur­guesia” e tomem todo o poder para se obter a paz!</p>
<p>Como mencheviques e SR se nega­vam a abandonar o semi-cadáver po­lítico da burguesia e sua intenção de prosseguir na guerra imperialista, os bolcheviques vão aumentando cada vez mais a sua audiência e represen­tação nos sovietes e se colocam em condições de lutar pela sua maioria.</p>
<p>De 4 a 28 de maio realiza-se o primeiro Congresso de sovietes de camponeses. Dos seus mais de mil delegados, 571 se declaram SR e apenas 14 são bolcheviques. Sua reivindicação central é dar a terra aos camponeses, o que implicava expropriar os latifúndios.</p>
<p>O governo provisório prometera a reforma agrária, mas a sua realização era remetida à Assembleia Consti­tuinte que não tinha data marcada. A impaciência e a necessidade empur­raram os camponeses e assalariados rurais a ocuparem propriedades de forma crescente após esse congresso. À luta pela paz, junta-se a luta pela terra e pelo pão!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Julio Turra </strong></p>
<p><strong>Notas </strong></p>
<ol>
<li>As datas mencionadas são todas do “antigo calendário” vigente então na Rússia, defasado em 13 dias a menos em relação ao calendário atual (assim, 3 de abril equivale a 16 de abril).</li>
<li>Partido constitucional democrático (KD), principal formação burguesa e pró­-guerra imperialista na Rússia.</li>
<li>Alexander Kerensky, deputado “trudo­vique” (trabalhista) na Duma Imperial, foi ministro da Justiça e ministro da Guerra nos governos provisórios, tornando-se seu presidente em julho de 1917.</li>
<li>Política aplicada nos anos 30 do século 20 na França e Espanha, por exemplo, ou no Chile de 1971-73, que Trotsky definiu como “último recurso, ao lado do fascismo, contra o avanço da revolução”.</li>
</ol>
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		<title>100 anos da Revolução Russa: as Teses de Abril de Lênin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2017 21:50:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A importância decisiva das “Teses de Abril” de Lênin A volta do líder dos bolcheviques do exílio muda o rumo da política do partido. O primeiro mês da revolução iniciada em 23 de fevereiro &#8211; 8 de março, no calendário atual, lembrando que as datas usadas aqui são do calendário vigente na época – foi [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: center;"><strong>A importância decisiva das “Teses de Abril” de Lênin</strong></h2>
<p style="text-align: center;"><strong>A volta do líder dos bolcheviques do exílio muda o rumo da política do partido.</strong></p>
<p>O primeiro mês da revolução iniciada em 23 de fevereiro &#8211; 8 de março, no calendário atual, lembrando que as datas usadas aqui são do calendário vigente na época – foi um período de hesitações para os bolcheviques.<br />
Trotsky assim o descreve:</p>
<p style="text-align: left;"><em>“Sobre o conteúdo social da revolução e das perspectivas do seu desenvolvimento, a posição dos dirigentes bolcheviques não deixava de ser confusa. Chliapnikov (1) conta que: ‘Nós estávamos de acordo com os mencheviques sobre a questão da fase da demolição revolucionária das relações feudais e de servidão, que seriam substituídas pelas liberdades próprias aos regimes burgueses. ’ (&#8230;) O temor de passar as fronteiras da revolução democrática ditava uma política de contemporização, de adaptação e recuo efetivo diante dos conciliadores. ” (2)</em></p>
<p style="text-align: left;">No soviete de Petrogrado, em 2 de março, só 19 delegados, dos 400 presentes, votaram contra a transmissão do poder à burguesia. Os bolcheviques buscavam o consenso com mencheviques e socialistas¬-revolucionários, então majoritários.</p>
<p style="text-align: left;">Em meados de março, regressando da deportação, Kamenev e Stálin (3) assumem a redação do jornal Pravda (4), aprofundando a linha de apoio ao governo provisório “na medida em que este combate a reação e a contrarrevolução”. Sobre a questão da guerra, a Pravda chega a afirmar, em 15 de março, que: <em>“Nós não adotamos a palavra de ordem inconsistente de ‘Abaixo a guerra! Nossa palavra de ordem é a de exercer uma pressão sobre o governo provisório para o obrigar a &#8230; dispor todos os países beligerantes a abrir imediatamente conversações&#8230;, mas, até lá, cada um fica no seu posto de combate! ”</em></p>
<figure id="attachment_6236" aria-describedby="caption-attachment-6236" style="width: 589px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-6236 " src="http://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev.png" alt="lenin-trotsky-kamenev" width="589" height="429" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev.png 900w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev-150x109.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev-300x219.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev-768x560.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev-140x102.png 140w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/04/lenin-trotsky-kamenev-530x386.png 530w" sizes="(max-width: 589px) 100vw, 589px" /><figcaption id="caption-attachment-6236" class="wp-caption-text">Kamenev, Lênin e Trotstky</figcaption></figure>
<h4 style="text-align: center;">Lênin luta para mudar a política do partido</h4>
<p>Em 3 de abril, Lênin, vindo de trem de seu exílio na Suíça, através de território alemão, chega a Petrogrado e inicia a luta para mudar a orientação política dos bolcheviques.</p>
<p style="text-align: left;">Milhares de manifestantes o esperavam na estação Finlândia, onde recebeu as boas-vindas do menchevique Tchkhedze, em nome do soviete de Petrogrado. Em resposta, Lênin se dirige aos bolcheviques criticando toda a tática anterior do partido.</p>
<p style="text-align: left;">No dia seguinte, Lênin apresentou à direção bolchevique as suas Teses de Abril (leia trechos abaixo), acolhidas com oposição pela sua maioria, a tal ponto que foram publicadas apenas com o seu nome. Em 8 de abril, a jornal Pravda publica uma crítica aberta às posições de Lê¬nin que, então, pede uma conferência do partido para discuti-las. A Conferência é realizada as adota no final do mês de abril. Uma decisão que foi essencial para o desenvolvimento do processo revolucionário até a vitória de Outubro.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Julio Turra</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Notas</strong><br />
• Alexandre Chliapnikov (1885-1937): metalúrgico tornou-se bolchevique em 1903. No início de 1917 liderou o Comitê Central em Petrogrado. Foi expulso por Stálin do partido em 1933, exilado, preso e executado em 1937, reabilitado em 1963.<br />
• em “História da Revolução Russa”, L. Trotsky, tomo 1, “Os bolcheviques e Lenin”<br />
• Lev Kamenev (1883-1936): membro do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) desde 1901, opôs-se à insurreição armada de Outubro de 1917, mas após sua vitória é presidente do Comité Executivo Central de Toda a Rússia; em 1927 é expulso do Partido e em 1936 é executado sob as ordens de Stálin. Joseph Stalin (1879-1953): após a vitória da Revolução em 1917, integra o Soviete dos Comissários do Povo como responsável pelas nacionalidades, em abril de 1922 é eleito Secretário Geral do Partido Comunista.<br />
• Jornal Pravda (Verdade), em 1917 era o órgão do Comité Central do (POSDR), fração bolchevique.</p>
<hr />
<h2 style="text-align: center;"><strong>AS TESES DE ABRIL</strong></h2>
<p style="text-align: center;"><strong>Foram publicadas no Jornal Pravda de 7 de abril de 1917, com o nome: “Sobre as Tarefas do Proletariado na Presente Revolução” (trechos):</strong></p>
<p style="text-align: left;">1. Na nossa atitude diante da guerra, que por parte da Rússia continua a ser indiscutivelmente uma guerra imperialista, de rapina, também sob o novo governo de Lvov e Cia, em virtude do caráter capitalista deste governo, é intolerável a menor concessão ao «defensismo revolucionário». O proletariado consciente só pode dar o seu acordo a uma guerra revolucionária (&#8230;) nas seguintes condições:<br />
a) passagem do poder para as mãos do proletariado e dos setores pobres do campesinato que a ele aderem;<br />
b) renúncia de fato, e não em palavras, a todas as anexações;<br />
c) ruptura completa de fato com todos os interesses do capital.<br />
2. A peculiaridade do momento atual na Rússia consiste na transição da primeira etapa da revolução, que deu o poder à burguesia por faltar ao proletariado o grau necessário de consciência e organização, para a sua segunda etapa, que deve colocar o poder nas mãos do proletariado e das camadas pobres do campesinato.<br />
3. Nenhum apoio ao Governo Provisório, explicar a completa falsidade de todas as suas promessas, sobretudo a da renúncia às anexações. Desmascaramento, em vez da «exigência» inadmissível e semeadora de ilusões de que este governo, governo de capitalistas, deixe de ser imperialista.<br />
4. Reconhecer o fato de que, na maior parte dos Sovietes de deputados operários, o nosso partido está em minoria (&#8230;) diante do bloco de todos os elementos oportunistas pequeno-burgueses, sujeitos à influência da burguesia e que levam a sua influência<br />
para o seio do proletariado&#8230; Explicar às massas que os Sovietes são a única forma possível de governo revolucionário e que, por isso, enquanto este governo se deixar influenciar pela burguesia, a nossa tarefa só pode ser a de explicar os erros da sua táctica de modo paciente, sistemático, tenaz, e adaptado especialmente às necessidades práticas das massas.<br />
5. Não uma república parlamentar — regressar dos Sovietes a ela seria um passo atrás &#8211; mas sim uma república dos Sovietes de deputados operários, as¬salariados agrícolas e camponeses em todo o país&#8230;<br />
6. No programa agrário, transferir o centro de gravidade para os Sovietes de deputados assalariados agrícolas. Confiscação de todas as terras dos lati¬fundiários. Nacionalização de todas as terras do país, dispondo da terra os Sovietes locais de deputados assalariados agrícolas e camponeses&#8230;<br />
7. Fusão imediata de todos os bancos do país num banco nacional único e introdução do controle por parte dos Sovietes.<br />
8. Não «introdução» do socialismo como nossa tarefa imediata, mas apenas passar imediatamente ao controle da produção social e da distribuição dos produtos por parte dos Sovietes.<br />
9. Tarefas do partido:<br />
a) congresso imediato do partido;<br />
b) modificação do programa do partido, principal¬mente: sobre o imperialismo e a guerra imperialista; sobre a posição diante do Estado e a nossa reivindicação de um « Estado-Comuna »; emenda do programa mínimo, já antiquado;<br />
c) mudança de denominação do partido.<br />
10. Renovação da Internacional. Iniciativa de constituir uma Internacional revolucionária, uma Internacional contra os sociais-chauvinistas e contra o «centro».</p>
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		<title>100 anos da Revolução Russa: 8 de março de 1917, a centelha – parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Mar 2017 11:33:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[100 anos da Revolução Russa]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Revolução de Fevereiro cria a dualidade de poderes Iniciada pelas operárias têxteis em 8 de março, em cinco dias a insurreição foi vitoriosa. Na edição anterior, abordamos os antecedentes da Revolução de Fevereiro, que, no calendário atual eclodiu em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro na Rússia da época). Neste artigo utilizaremos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>A Revolução de Fevereiro cria a dualidade de poderes </strong></p>
<p>Iniciada pelas operárias têxteis em 8 de março, em cinco dias a insurreição foi vitoriosa.</p>
<p>Na edição anterior, abordamos os antecedentes da Revolução de Fevereiro, que, no calendário atual eclodiu em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro na Rússia da época). Neste artigo utilizaremos as datas do velho calendário, só revogado em 1918 pelo poder revolucionário (1).</p>
<p>Desde 1916, com a Rússia na 1ª Guerra Mundial (1914-18), greves operárias e revoltas camponesas multiplicaram-se contra o envio de 14,6 milhões de homens para o front e a miséria que reinava na retaguarda. Em 22 de janeiro de 1917, aniversário do “Domingo Sangrento” de 1905, 150 mil grevistas demonstraram que não se havia esquecido nem da repressão brutal, nem da experiência que foi a constituição dos primeiros sovietes.</p>
<hr />
<p style="text-align: center;"><strong>As operárias de Petrogrado acendem o pavio </strong></p>
<p>Na manhã de 23 de fevereiro, operárias têxteis de Petrogrado entram em greve e decidem manifestar-se. Elas recebiam salários miseráveis e não conseguiam sequer alimentar seus filhos. Sua primeira ação foi ir ao bairro de Vyborg pedir aos operários que as apoiassem, arrastando muitos deles até a Duma (2) para exigir “Pão”. Trotsky escreveu a respeito:</p>
<p>“O 23 de fevereiro era o Dia Internacional da Mulher. Os elementos social-democratas se propunham a festejá-lo na forma tradicional: com assembleias, discursos, manifesto etc. Não passou pela cabeça de ninguém que o Dia da Mulher pudesse se converter no primeiro dia da revolução. Nenhuma organização fez o chamamento à greve para esse dia. (&#8230;) No dia seguinte, omitindo suas instruções, declararam-se em greve as operárias de algumas fábricas têxteis e enviaram delegadas aos metalúrgicos, pedindo-lhes que acompanhassem o movimento (&#8230;) é evidente, portanto, que a Revolução de Fevereiro começou de baixo, vencendo a resistência das próprias organizações revolucionárias; com a particularidade de que essa iniciativa espontânea esteve a cargo da parte mais oprimida e coibida do proletariado: as operárias do ramo têxtil, entre as quais há de se supor que houvesse não poucas mulheres casadas com soldados.”3</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Os acontecimentos se aceleram </strong></p>
<p>No dia seguinte, a greve ganha toda Petrogrado, somando à exigência de “Pão” os slogans de “Abaixo a Autocracia” e “Abaixo a Guerra”. Diante da multidão, os policiais e cossacos (4) vacilam. Os manifestantes, em particular as mulheres, buscavam dialogar com eles contra a guerra. Ocorrem episódios em que cossacos recusam atirar contra a multidão e se voltam contra seus oficiais, ou de regimentos de soldados que se juntam, até com banda de música, às passeatas.</p>
<p>Em 25 de fevereiro a greve geral atinge 240 mil trabalhadores na capital imperial. No dia 26, a 4ª Companhia do Regimento Pavlosky – os guarda costas de “Sua Majestade” – rebela-se quando oficiais atiram contra manifestantes, prendendo seus próprios “superiores”.</p>
<p>Em 27 de fevereiro os operários se organizam nas fábricas para sair às ruas e, ao mesmo tempo, outros batalhões se amotinam e se juntam ao Regimento Pavlosvky. Tudo converge para uma grande manifestação à tarde.</p>
<p>Em meio à confusão, é designado um “quartel general” com uma dupla função: soldar o bloco de operários e soldados e decidir os pontos estratégicos a serem ocupados: delegacias de polícia, a fortaleza Pedro e Paulo, os arsenais, estações de rádio e o Palácio Tauride, onde se reunia a Duma. Ao anoitecer do dia 27 todos esses objetivos foram alcançados e a insurreição é vitoriosa.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>1º de março: constitui-se o soviete de Petrogrado </strong></p>
<p>Nos últimos dias de fevereiro, nas fábricas em greve e nas casernas já surgiam sovietes, mas a data em que o soviete (conselho) de Petrogrado faz sua primeira sessão foi a de 1º de março: uma assembleia de delegados operários e soldados, eleitos nas fábricas e casernas, que toma medidas de emergência e organiza a distribuição de produtos de primeira necessidade. Exigências, como a jornada de 8 horas, são dirigidas e impostas aos patrões apavorados. Moscou também formou seu soviete e ao final de março as principais cidades da Rússia já haviam elegido os seus conselhos.</p>
<p>O soviete de Petrogrado decreta o “Prikaz 1” (palavra russa para “de­creto” ou “ordem”) com medidas em favor dos soldados, que passam a eleger seus comitês de representantes que devem obedecer ao soviete e são proibidos de entregar suas armas aos oficiais. O decreto proclama também que a questão da paz deve ser resolvida “sem anexações, nem indenizações”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_6077" aria-describedby="caption-attachment-6077" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-6077 " src="http://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado.png" alt="100RR-soviete_petrogrado" width="604" height="316" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado.png 897w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado-150x78.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado-300x157.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado-768x402.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado-140x73.png 140w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2017/03/100RR-soviete_petrogrado-530x277.png 530w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" /><figcaption id="caption-attachment-6077" class="wp-caption-text">Soviete de Petrogrado reunido</figcaption></figure>
<p style="text-align: center;"><strong>O primeiro governo provisório </strong></p>
<p>Deputados da Duma, informados que o czar Nicolau 2º iria anunciar sua abdicação em 3 de março, se apressam em formar, no dia 2, um governo provisório. Presidido pelo príncipe Lvov, um aristocrata latifundiário, com antigas autoridades czaristas e membros dos partidos burgueses “outubrista” e constitucional democrata (KD, daí cadetes), o primeiro governo provisório vai ter Kerensky, “socialista independente”, como ministro da Justiça. O presidente do soviete, Tchkheidzé (menchevique), recusa a proposta de entrar nesse governo.</p>
<p>A abdicação de Nicolau 2º foi por ele assinada diante de uma delegação do soviete de Petrogrado. Ele abdica em favor de seu irmão, arquiduque Miguel, mas este se recusa a exercer o poder. É o fim da dinastia Romanov (5), abalando a Europa e o mundo.</p>
<p>O governo provisório dá anistia aos dirigentes socialistas (bolcheviques inclusive), o que lhes permite entrar nos sovietes. Toma medidas democráticas como as liberdades sindical, de reunião, de imprensa e o fim da pena de morte. Anuncia a convocação de uma Assembleia Constituinte, sem data. Mas mantém a Rússia na guerra, ao lado dos imperialismos inglês e francês, pedindo aos soldados que retornem ao front e aos camponeses que não ocupem terras.</p>
<p>O combate pela paz vai ser um dos principais elementos da situação de dualidade de poderes – opondo os sovietes ao governo provisório &#8211; que vai perdurar até outubro.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Julio Turra </strong></p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: left;">1. O antigo calendário Juliano, vigente no Império Russo, tinha 13 dias de defasagem a menos em relação ao calendário usado no mundo ocidental (Gregoriano). 2. “As particularidades do desenvolvimento da Rússia”, tomo 1 – A Revolução de Fevereiro, in “A História da Revolução Russa” de Leon Trotsky.</p>
<p style="text-align: left;">2. Duma Estatal era uma assembleia de deputados outorgada pelo Czar (Imperador) e a ele submetida, criada após a Revolução de 1905. Existiram quatro Dumas convocadas pelo Czar até outubro de 1917.</p>
<p style="text-align: left;">3. Leon Trotsky in “A História da Revolução Russa”. Lembremos que bolcheviques e mencheviques eram membros do Partido Operário Social Democrata Russo (POS­DR), daí a expressão “elementos social-democratas”.</p>
<p style="text-align: left;">4. Os cossacos, povo originário dos limites da Rússia com a Ucrânia, constituíram tropas de cavalaria a serviço do Czar, em troca de privilégios (como não pagar impostos). As unidades cossacas eram usadas nas guerras e na repressão a manifestações (como ocorreu em 1905).</p>
<p style="text-align: left;">5. A dinastia Romanov governou o Império Russo desde 1613 até 1917, portanto por mais de 300 anos.</p>
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