“Tragam os meninos de volta para casa”

Tentativa de suicídio em porta-aviões dos EUA; 200 famílias pedem o retorno de soldados

“Tragam os rapazes de volta para casa”, essa frase nos Estados Unidos significa: nossos filhos, nossos irmãos, nossos maridos, nossos jovens não devem mais ser enviados para a guerra a 1.000 ou 15.000 km de seu país, não devem mais correr o risco de morrer. Queremos que eles fiquem vivos aqui conosco. Essa é a forma mais simples e popular de rejeição às guerras imperialistas conduzidas desde sempre pelos governos ianques. Esse apelo tornou-se muito poderoso após a Segunda Guerra Mundial.

Em 1950, o presidente Truman decidiu enviar o exército dos Estados Unidos para a guerra na Coreia. No início, essa decisão foi aceita, graças à propaganda, por 80% da população. No total, 1,7 milhão de soldados norte-americanos foram enviados à Coreia. Mas as perdas humanas se acumulam (36.500 soldados americanos voltaram em um caixão) e, em menos de um ano, a opinião pública mudou radicalmente e dois terços da população americana exigia que os rapazes voltassem para casa. “Bring the Boys Home” se tornou um slogan poderoso, primeiro entre toda a juventude americana e depois entre a população, diante do envio de soldados para fazer guerra ao povo vietnamita entre 1955 e 1975. Em ondas sucessivas, mais de dois milhões de soldados norte-americanos foram para a guerra, a 14 mil km de seu país. 58.281 voltaram em caixões. As manifestações em massa da juventude, as mobilizações nos campi, combinadas à formidável resistência do povo vietnamita, forçaram a retirada das tropas americanas e uma derrota militar.

Essa lembrança ressurge, agora, com o porta-aviões Abraham Lincoln, que partiu da costa oeste dos Estados Unidos em novembro de 2025, com 5.000 homens a bordo, para uma missão no Mar da China que se estendeu posteriormente ao Oriente Médio e, em seguida, com a guerra desencadeada por Trump contra o Irã.

Após oito meses a bordo – um período excepcionalmente longo –, os soldados reclamaram da comida estragada, do mofo a bordo, dos banheiros inutilizáveis e dos problemas de segurança. O moral está em franca queda. Um soldado tentou se suicidar ao se jogar ao mar… O caso veio a público nos Estados-Unidos quando as famílias começaram a se manifestar. Duzentas delas escreveram para informar e pedir o retorno de seus “meninos”. A emissora CNN foi enviada ao porta-aviões para fazer uma reportagem. Soldados testemunharam: “Estou ansioso para voltar”, “Sinto saudades da minha família”. Fato totalmente incomum, essas informações foram divulgadas por duas revistas do exército, a Navy Times e a Stars and Stripes…um desacordo com as campanhas bélicas de Trump vindo de dentro do próprio exército.


Por fim, a repercussão na população dos Estados Unidos foi tal que Trump anunciou a substituição do Abraham Lincoln pelo porta-aviões USS George Washington. Na sexta-feira, 21 de agosto, o Ministério da Defesa dos Estados Unidos demitiu
dois responsáveis pelo jornal militar Stars and Stripes.

Bruno Ricque

Secretário do Exército dos EUA renuncia; crise com o chefe do Pentágono

O secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, apresentou sua renúncia à Casa Branca, após meses de tensão com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. Próximo do vice-presidente JD Vance, Driscoll é o mais recente integrante de alto escalão a deixar o Pentágono sob o comando de Hegseth. Driscoll ganhou projeção ao ser escolhido por Trump para participar de negociações sobre o fim da guerra na Ucrânia. O desgaste entre os dois ganhou força depois de Hegseth demitir o chefe do Estado-Maior do Exército, Randy george, em abril. Em junho ele também afastou o comandante das forças do Exército dos EUA na Europa e bloqueou pessoalmente a promoção de oficiais de alta patente da Força. No fundo,há divergências sobre os rumos da guerra contra o Irã, que vêm ganhando força. É crise na cúpula militar!

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