A luta pelo fim da escala tem mobilizado setores dos trabalhadores pelo país em apoio à PEC da deputada Erika Hilton (PSOL) com atos e manifestações. Em especial, jovens que trabalham no setor de comércio e serviços. O vereador Rick Azevedo (PSOL), liderança do movimento VAT (Vida Além do Trabalho), fez um chamado no protocolo da PEC em 25 de fevereiro para um “feriadão prolongado”, no qual os trabalhadores ficariam em casa no dia 2 de maio em protesto. Mas como os trabalhadores farão a greve sem a convocação dos sindicatos, a deliberação em assembleias e a organização por baixo nos locais de trabalho?
A CNTA-CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação – lançou uma campanha pelo fim da escala 6X1. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, fez um ato no dia 14/3 e um dos itens da pauta era fim da 6X1. O que é um avanço pois existe resistência entre os dirigentes sindicais que contrapõe a luta pela aprovação da PEC pela negociação da redução de jornada nos acordos coletivos. Mas, no ato do ABC, nas falas ninguém tocava no assunto da 6 x 1, e se falava muito na “redução dos juros”. Já na CNTA-CUT faltou falar claro que a mobilização, agora, é pela aprovação da PEC de Érica Hilton. É mais do que urgente o movimento sindical organizar este combate, deixando claro que a tarefa da hora é mobilizar os trabalhadores pela aprovação da PEC.
65% do celetistas trabalham na escala 6×1
Não existe um levantamento oficial de quantos trabalhadores atuam na escala 6×1 no Brasil. Um estudo feito a pedido da revista Carta Capital estima que 32 milhões brasileiros com carteira assinada (65,8% do total) atuam na escala 6×1, pois têm contratos de trabalho iguais ou superiores a 41 horas semanais até o limite de 44 horas. Considerando que a jornada máxima diária prevista na CLT é de 8 horas diárias, eles vão trabalhar seis dias por semana para cumprir a jornada. No entanto, este número deve ser maior, pois, um trabalhador pode ter jornada de 30 horas semanais, por exemplo, e trabalhar de segunda a sábado. Por aí se vê a importância da pauta para os trabalhadores.
1º de maio
Em 2025, depois da baixa presença no ato do Dia do Trabalhador de 2024, a CUT discutiu na reunião de planejamento da Executiva (18 e 19 de março) uma jornada para resgatar as origens do 1º de maio. Além de formações sobre o dia, a jornada incluiu a realização de uma Marcha a Brasília em 29 de abril e atos de 1º de maio nas cidades.
Uma discussão necessária sobre a pauta de 2025 é fundamental na base dos sindicatos, junto aos trabalhadores, para não repetir 2024.
A Marcha a Brasília tem um objetivo modesto de 10 mil pessoas, e terá como eixo uma atualização da “pauta da classe trabalhadora” feita pelo Fórum das Centrais, que é uma pauta difusa e repleta de generalidades.
Os atos de 1º de maio precisam organizar os trabalhadores para lutar por reinvindicações concretas, como a revogação das reformas trabalhista, da Previdência, da lei das terceirizações e o fim da escala 6×1. Este é o caminho do combate.
Rene Munaro