Abaixo a guerra na Ucrânia

O “Não à Guerra” será escrito e repetido para organizar a luta, até que sejam retiradas as tropas russas da Ucrânia. Esta edição de O Trabalho está dedicada a este combate. 

Não à Guerra, hoje, concentra a luta contra o sistema da propriedade privada dos grandes meios de produção que empurra a humanidade à barbárie.

Os bombardeios contra os ucranianos, os dois milhões de refugiados, os jovens russos empurrados a matar ou morrer, os 14 mil russos presos por protestarem contra a guerra, os Orçamentos para armamento que se avolumam e as consequências nefastas para os povos de todo mundo, está aí a barbárie que o imperialismo nos oferece! 

Neste momento grave, delimitar-se do imperialismo dos EUA que através da OTAN militarizou países da União Europeia (cujos governos a ele se dobram); delimitar-se de Putin, que se pretende o novo Czar do século 21, sustentado pelas máfias russas originadas com a pilhagem do pais, depois do desmantelamento de todas as conquistas da revolução de Outubro de 1917 após o fim da União Soviética; delimitar-se da ONU que faz tudo que seu chefe, o governo dos EUA, mandar, é questão de sobrevivência para um movimento independente dos trabalhadores, única classe capaz de impedir que a barbárie prossiga. 

A Declaração do Secretariado Internacional da 4ª Internacional, que publicamos na íntegra, excepcionalmente, porque a situação é excepcional (págs,9,10 e 11), está submetida à discussão dos militantes e grupos que diante da gravidade da situação queiram trilhar o caminho da independência da classe combatendo falsos consensos.

Putin desencadeou a guerra usando como um dos pretextos “desnazificar” a Ucrânia. Sim há grupos nazistas na Ucrânia, como os há na Rússia, em outros países, inclusive nos EUA. Aliás, este ressurgimento de grupos nazistas e governos de ultradireita, é adubado pela sobrevivência deste sistema e da incapacidade, até aqui, dada a política de suas principais direções, da classe operária dotar-se dos meios para pôr fim à propriedade privada dos meios de produção. Não tem atalho, não tem convivência pacífica com os que promovem a guerra e a exploração! 

O Brasil já sente os primeiros efeitos da guerra. Com o peso que aqui tem o agronegócio, o país importa 85% de fertilizantes (porque as produção estatal vem sendo destruída), dos quais 20% são da Rússia. O governo Bolsonaro aproveita a guerra para avançar contra os povos indígenas e a Amazônia, com o Projeto de Lei 191 que tramita em regime de urgência na Câmara e é um “liberou geral” à exploração de minérios em reservas indígenas, sob pretexto da necessidade de potássio para produção de fertilizantes. Mentira deslavada! As maiores jazidas de potássio não estão nas áreas da Amazônia.  

A Petrobrás acaba de anunciar aumento de 18% na gasolina e 25% no óleo diesel, justificando em nota a “redução na oferta global de produto, ocasionada pela restrição de acesso a derivados da Rússia”. Estão desmantelando a Petrobrás, desde o governo FHC que quebrou o monopólio, e entregando às multinacionais petrolíferas as reservas do Pré-Sal, e agora quem vai pagar a conta é o povo!?

Nossa luta por Não à Guerra, integra o combate para nos livrar do governo Bolsonaro e para reconstruir e transformar as instituições que geraram e sustentaram o golpe de 2016 e os tenebrosos anos desde então. Para ampliar esta luta o Diálogo e Ação Petista realiza o debate em 19 de março, A crise das instituições e a Constituinte (ver pág. 5).

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