Abre-se um novo ano de lutas e desafios

Este ano de 2022 se anuncia decisivo para o futuro da nação brasileira, que segue buscando a sua verdadeira independência 200 anos depois do “Grito do Ipiranga”, como registra o Calendário da Corrente O Trabalho do PT.

O ano se inicia com a retomada de lutas, como a mobilização médica em São Paulo, que teve o seu direito de greve negado pela Justiça, mas que continua, pois os trabalhadores da saúde, exaustos e desprovidos das condições mínimas para atender a população com a alta de contágios provocada pela variante ômicron, não aceitarão verem esmagados os seus direitos e os do próprio povo de ter um atendimento eficaz. Da mesma forma que os demais servidores públicos, de todos os níveis, que com sua mobilização barraram a aprovação da PEC 32 em 2021 e agora iniciam a batalha por reajuste salarial, coisa que não conhecem desde 2017. Também os trabalhadores da Eletrobras, em greve, se levantam contra a privatização dessa estatal. Com a carestia e alta da inflação, a questão salarial se coloca para todas as categorias e setores nas próximas semanas e meses.

É claro, 2022 é também um ano eleitoral. Ainda que faltem nove meses para as eleições, desde já Lula é favorito em todas as pesquisas. O desastre em todos os aspectos que é o governo Bolsonaro e a fragilidade de uma “3ª via” composta por gente que o apoiou, como Moro e outros, faz o PT recuperar seu prestígio junto a amplos setores populares. Por isso mesmo, a elite quer introduzir os seus “cavalos de Tróia”, como a federação com o PSB e Alckmin na campanha de Lula (ver pág 4).

Quais medidas para reconstruir a nação?

Mas a questão central que se coloca é: diante de um país destruído pela aventura bolsonarista, quais são as medidas necessárias que um governo Lula deve tomar para atender as urgentes necessidades e reivindicações do povo?

Um programa de reconstrução da nação exige a revogação das medidas tomadas desde o golpe contra Dilma contra o povo trabalhador e a soberania nacional, tais como a reforma trabalhista de Temer e a previdenciária de Bolsonaro. Exige reverter as privatizações, garantir empregos e salários decentes, recuperar os serviços públicos destroçados.

É sobre a base de um tal programa que se deveria buscar aliados para implementá-lo, e não o inverso, ou seja, um programa rebaixado para atrair o “centro” ou baseado em “consensos” negociados com aqueles que promoveram a política que levou à situação atual de desemprego em massa, destruição e flexibilização de direitos, aumento da miséria e da fome, violência cotidiana contra a maioria negra do povo nas periferias e favelas.

Reconstruir a nação, num cenário mundial de crise aguda do sistema capitalista, implica romper com o imperialismo e sua política de pilhagem dos povos e destruição da soberania das nações. Implica também reconstruir instituições políticas apodrecidas, como o são as do Brasil, abrindo a perspectiva de uma Constituinte soberana, discussão em curso nos núcleos de base do DAP e que desdobrará numa reunião em São Paulo em 12 de fevereiro.

Sim, temos um ano de lutas pela frente, mas também de desafios e obstáculos a superar. É no terreno da luta de classes que poderemos ajudar o nosso povo a livrar-se do governo Bolsonaro, o quanto antes melhor, e abrir a via para um governo que atenda os seus interesses vitais.

Artigo anteriorJornal O Trabalho n°895
Próximo artigoJustiça proíbe greve médica em São Paulo