Bombas e repressão contra os servidores públicos em São Paulo

Do site do SINDSEP | Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo

Não tem arrego, não vão nos cansar!

Para aprovar o Sampaprev 2, prefeito Nunes e, o presidente da Câmara, Milton Leite autorizam bombas e repressão contra os servidores públicos

Mais de 60 mil servidores públicos municipais lotaram a porta da Câmara dos Vereadores de São Paulo, na última quinta-feira (10/11), para dizer não ao PL 07/21 (Sampaprev 2).

Para garantir que o projeto fosse aprovado, o governo tratou servidores com truculência, lançando tiros de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, deixando trabalhadores feridos como mostram as imagens divulgadas pelas redes sociais e veículos de comunicação.

Uma irresponsabilidade criminosa. O vereador Milton Leite, presidente da Câmara dos Vereadores, não se moveu em nenhum momento para impedir que a Guarda Civil Metropolitana investisse contra os colegas do funcionalismo público municipal, com bombas e tiros. Pelo contrário, manteve a sessão, que foi marcada por agressões verbais de manifestantes do MBL e ofensas contra os servidores públicos, na galeria da Câmara.

No plenário, os debates foram acalorados, com dedos em riste e mais uma vez o vereador Fernando Holiday ofendeu os servidores públicos municipais, chamando-os de “bandidos”, além de voltar a classificá-los de “vagabundos”, para justificar a investida truculenta das forças policias, que estariam defendendo a Casa Legislativa.

Rubinho Nunes (PSL) também chamou servidores de “bandidos”, porque segundo ele, teriam agredido GCMs. Além de debochar dos sindicatos e do trabalho que realizam, o vereador carregou para a Câmara uma claque do MBL (Movimento da Boquinha Livre) para aplaudi-lo e que não descansou na provocação aos trabalhadores municipais na galeria, acompanhando a sessão.

O PLO 07 é uma peça bizarra, que reúne uma sequência de absurdos e irregularidades. Não por acaso, o TCM apresentou relatório técnico, a pedido da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), indicando os inúmeros problemas no projeto apresentado pelo prefeito Ricardo Nunes. Ao que foi respondido pelo presidente da Câmara, Milton Leite, com ameaça de abertura de sindicância contra o técnico do TCM que apresentou o parecer. O que reforça a ação truculenta para aprovar, à toque de caixa, esse ataque a nossas aposentadorias.

O Sindsep não vai aceitar nem um desses ataques, seja a repressão sofrida pelos servidores, seja a violência verbal e física dentro do plenário. É necessário apurar a responsabilidade de quem determinou o ataque, feriu servidores e agrediu os que lá acompanhavam a sessão.

Audiência pública sem governo

Ainda ontem (10/11), horas antes da votação, a audiência pública semipresencial da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal, para debater o PLO 07/21, foi marcada pela falta de representantes do governo. O governo não se compareceu ao debate, bem como Holiday, Rubinho, Janaína; todos se escondendo do debate. Contra fatos não há argumentos!

A luta continua

Por volta das 23h30, o presidente da Câmara, Milton Leite, colocou em votação o PLO 07/21. A proposta obteve 36 votos favoráveis e 18 contrários. Resultando na rejeição do Sampaprev 2, mas, imediatamente, ele tratou de convocar nova sessão extraordinária, antes das 23h59, para conseguir reunir o número de votos mínimo, de 37 favoráveis e 18 contrários. Manobra para atacar a previdência dos servidores municipais. Em seguida, passaram à votação das emendas ao PLO 07, arrastando a sessão até 0h40 de 11 de novembro.

Apesar da violência para que pudessem “passar a boiada”, nossa luta vai continuar. Vamos manter o enfrentamento contra esse governo nefasto e o combate pela reversão destes ataques a nossa previdência. Não vamos esquecer aqueles que confiscaram os aposentados e pensionistas. Vamos derrotar os inimigos do povo e dos servidores de São Paulo.

O Fórum de Entidades reunido após a votação decidiu por encerrar a greve unificada dos servidores municipais, iniciada em 19 de outubro, e encaminhar discussão junto ao governo sobre os dias parados.

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