Chile recebe novo presidente com esperança de que mudanças se concretizem

Os chilenos em geral receberam Gabriel Boric como Presidente da República com alegria e esperança.

Alegria, muita alegria e emoção porque Piñera finalmente deixa La Moneda, embora seu legado sangrento não seja esquecido. Piñera deveria ter deixado seu cargo mais cedo, devido às graves violações de direitos humanos cometidas sob seu mandato, especialmente no “estallido social”¹. Se somam a isso os muitos conflitos de interesse dele e dos que o cercam, mas os mesmos parlamentares sempre o salvaram.

Esperança, muita esperança em um futuro melhor para todos, esperança em um futuro com mais direitos e menos direita, esperança de que as demandas que causaram o “estallido social” sejam ouvidas e as soluções sejam rápidas no tempo, já que o povo, as pessoas não estão dispostas a esperar mais 40 anos, não vai acontecer a mesma coisa que com Aylwin que negociou com a direita e a alegria não veio.

Um gesto importante é a primeira medida de retirada das denúncias pela Lei de Segurança do Estado, que desencadeou a fúria da direita. Outros gestos foram a questão ambiental, a resolução do conflito do estado com os mapuches, a promessa de trabalhar junto com o povo, entre outros.

A direita acabou dividida em decorrência da eleição do presidente do Senado. Eleito Álvaro Elizalde pelo PS, o fato se destacou por ser ele o encarregado de entregar a faixa presidencial a Gabriel Boric. A UDI e a Evopoli aliaram-se à esquerda e votaram em Elizalde, deixando pelo caminho a candidata da Renovação Nacional. Nas entrelinhas está uma aliança para defender o Senado contra a possibilidade de um Congresso unicameral ser aprovado na Convenção Constitucional.

No Congresso de Valparaíso, além da mudança de comando, tomaram posse as novas autoridades governamentais e os parlamentares eleitos nas últimas eleições, com destaque para a primeira Deputada Trans, Emilia Schneider, bisneta do General de Exército Rene Schneider, assassinada pelos militares e a frente direitista Patria y Libertad, liderada pelos EUA na tentativa de impedir que Salvador Allende se tornasse presidente do Chile.

É relevante que entre as manifestações de alegria, os cidadãos não percam de vista as demandas mais sinceras, como a seguridade social, previdência, educação, saúde, reforma das forças armadas e policiais, entre outras.

Como diz o presidente: Continuamos.

Javier M., do Chile

1- “estallido social” é como ficaram conhecidas as manifestações populares de 2019

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