Cinco respostas aos militantes

1. Há uma ameaça de golpe?

Hoje, não. Golpe de quem? As condições para isso podem ser criadas, mas depende da política das organizações dos trabalhadores deixar que frutifique. O objetivo da classe dominante neste momento é empurrar o governo Dilma a multiplicar concessões ao “mercado”, chocar-se com sua base social, desestabilizando-o neste sentido, para “derrubá-lo” nas eleições de 2014.

 

2. É seguro manifestar-se com o fascismo nas ruas?

Não há fascismo, como movimento social organizado, há grupúsculos de inspiração integralista ou nazista, “carecas”, “playboys” etc. muitas vezes setores da própria polícia que se pode afastar com decisão.

Nenhuma confiança nas policias para nossa proteção. A segurança para manifestar-se deve ser criada pelas próprias organizações populares, mas para isso é preciso dar-se o objetivo de auto-organização, ao contrario do culto da “horizontalidade”, “sem partidos” etc.

 

3. É hora de reunir a esquerda ou defender a democracia?

A melhor defesa contra os ataques é reunir as organizações dos trabalhadores e do povo em caráter de emergência, para defender uma plataforma de reivindicações.

Reunir só a “esquerda”, é subjetivo (onde começa e onde termina?) e leva a excluir organizações representativas, ou dissolvê-las em plenariões onde cada ONG de meia-dúzia teria voz equivalente.

Já a defesa da “democracia”, fora do contexto, é a defesa do status quo, que corresponde a recusar demandas de mudança, justamente o que as ruas querem.

 

4. Quem convocaria uma Plenária de Emergência?

A proposta de realização de uma plenária de emergência é uma linha geral a desenvolver “por cima” e “por baixo”. Ela pode dar origem a reuniões de caráter local, regional ou por setores sociais, que adotem plataformas e planos de ação dirigidos às autoridades. Ao mesmo tempo, a discussão de uma plenária de caráter nacional pode e deve ser discutida nas direções de entidades nacionais e nos fóruns nacionais onde elas participam.

 

5. A nota do PT é culpada pela hostilidade aos partidos na Av. Paulista?

Não. Na verdade é um produto de 10 anos de governo adaptado às instituições corruptas (incluindo a não-reação à Ação Penal 470), e com alianças esdrúxulas.

Na luta das tarifas, o PT se omitiu. O espaço foi ocupado por grupos tipo MPL e a extrema-esquerda que, pelos métodos e a hostilidade aos “políticos”, abriram terreno ao sentimento “sem partidos”, que virou “anti-partidos” na Av. Paulista e noutros centros. A nota nacional do PT apoiando a redução das tarifas tão atrasada que pareceu oportunista. A cúpula não queria pressionar seus governos, e só tirou nota após o anúncio da redução.

Artigo de O Trabalho 732

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