França: “Mais 5 anos de Macron, não é possível!”

De Informações Operarias, órgão do Partido Operário Independente (POI), 25/05/22, Paris

Fala Jérôme Legrave, candidato a deputado

“Sou militante do POI. Em 2017, o POI fez campanha nas eleições presidenciais e legislativas para Jean-Luc Mélenchon. Durante todo o mandato de cinco anos de Macron, estivemos ombro a ombro com os militantes da França Insubmissa, ombro a ombro no apoio às posições assumidas pelos parlamentares da França Insubmissa na Assembleia Nacional nas principais lutas contra as medidas de Macron e seu governo.

Portanto, foi de forma natural e lógica que, em setembro de 2021, tomamos a decisão de fazer campanha para Jean-Luc Mélenchon nesta eleição presidencial. E, da mesma maneira, decidimos, em dezembro, fazer parte do Parlamento da União Popular. Aliás, estou muito orgulhoso de termos recebido em nossas instalações os membros do Parlamento da União Popular, em três ocasiões.

Estou muito orgulhoso e honrado de contar, entre nós, nesta campanha, os militantes e dirigentes das seções (diretórios) do PCF de Livry-Gargan, de Clichy, Montfermeil e Coubron; a seção do PS de Livry-Gargan e os militantes da Europa Ecologia – Os Verdes (EELV).

Vou começar por uma coisa: sim, podemos vencer! Existe uma dinâmica. Obviamente é a continuação do que aconteceu no primeiro turno das eleições presidenciais, ou seja, essa enorme e massiva exigência de ruptura. As pessoas, lá fora, estão dizendo uma coisa: mais cinco anos de Macron, não é possível! Porque os preços estão explodindo, os salários estão congelados, a maioria está encontrando cada vez mais dificuldades para sobreviver. Eles estão dizendo: já chega!

“Apoio à greve dos agentes da RATP!”
Amanhã (23 de maio) começa uma greve de todos os agentes da RATP (empresa pública autônoma dos transportes parisienses, NdT), convocada por seus sindicatos, porque eles não aceitam a destruição dos serviços públicos, não aceitam a destruição de seu regime estatutário. Eles têm nosso total apoio. Assim como os empregados e os sindicatos do aeroporto de Charles de Gaulle que estarão em greve no dia 9 de junho para exigir um aumento salarial imediato de 300 euros.

O jornal Ouest-France diz que hoje as pessoas fazem penhores por alguns euros para poderem comprar um sanduíche. Que tipo de sociedade é esta? Na qual os médicos estão soando o alarme porque o verão vai ser terrível nos hospitais. Na qual as associações representativas dos diretores de escolas superiores e secundárias já estão advertindo que o início do ano letivo de 2022 (setembro) será marcado por uma situação sem precedentes e catastrófica.

Foi o governo anterior que cortou 17.500 leitos hospitalares. Foi o ministro Blanquer que, por dois anos consecutivos, deixou de usar centenas de milhões de euros do orçamento nacional da Educação. Esta situação intolerável que temos diante de nós é exatamente o balanço desse governo.

Macron nomeou um novo governo. Há um elemento que concentra tudo, é a nomeação de Elisabeth Borne como primeira-ministra. Borne é a reforma ferroviária de abertura de concorrência para a privatização da SNCF (ferrovias) e da RATP. Borne é a quebra do seguro-desemprego. Para Macron, trata-se de continuar e agravar sua política destrutiva.

Nós podemos levar ao poder um governo com as medidas de emergência que constam do programa sobre o qual todas as forças que compõem a Nupes (Nova União Popular Ecológica e Social) concordaram. A começar pelo congelamento dos preços, o aumento do salário mínimo para 1500 euros (atualmente 1300) e a volta à aposentadoria aos 60 anos.

“Eu não esqueci os jovens de Mantes-la-Jolie obrigados a se ajoelharem na lama”
Tomaremos as medidas necessárias para revogar todas as contrarreformas ultrarreacionárias dos cinco anos de Macron. Vamos revogar o ParcourSup. Eu não esqueci aquela imagem dos jovens de Mantes-la-Jolie que entraram em greve contra o ParcourSup, como aconteceu em toda a França. O que fez o ministro do Interior Darmanin? Ele mandou a polícia. Eles obrigaram esses jovens, que estavam lutando por seu direito a um futuro, a se ajoelharem na lama, mãos na cabeça, entre as fileiras de policiais: isso é Macron, sua política, e é com isso que temos de acabar. Essas pessoas nunca deixaram de incentivar o pior, de tomar medidas para colocar pessoas umas contra as outras, para colocar como alvo populações inteiras. Por isso, entre as medidas urgentes estará a revogação da lei do separatismo*.

Os candidatos da Nupes estão comprometidos para que finalmente haja uma ruptura com esta política que nos leva ao desastre. Isto é possível, existe uma expectativa real. Portanto, temos três semanas pela frente para buscar os votos dos eleitores, para vencer nesta circunscrição eleitoral e em todas as circunscrições eleitorais (do departamento) de Seine-Saint Denis e, com certeza, em muitos outros, para ter uma maioria na Assembleia Nacional. É possível virar a mesa!

  • *ParcourSup, programa rejeitado amplamente pelos estudantes, substituiu o sistema anterior de acesso ao ensino superior, o baccalauréat (bac) constituído de exames ao final do ensino médio.
    ** “Lei que confirma o respeito pelos princípios da República”, iniciativa de Macron aprovada em agosto de 2021, chamada “lei do separatismo”, na verdade, estabelece medidas discriminando a cultura islâmica, favorecendo a estigmatização dos muçulmanos e a suspeita em relação a eles.

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