LIÇÕES DA ESPANHA

Em 22 de maio, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), sofreu uma derrota histórica nas eleições municipais e regionais. Uma semana antes, as praças das principais cidades do país foram tomadas por grandes manifestações, encabeçadas por setores da juventude indignados com a situação econômica e social do país (45% dos jovens no desemprego).

Como outros governos “socialistas” da Europa, como os da Grécia e Portugal, o “socialista” espanhol disciplinou-se às ordens da União Européia, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, na verdade, às ordens de Obama que ligou diretamente a Zapatero para dizer o que tinha que ser feito. Zapatero se dispôs a jogar nas costas do povo e dos trabalhadores espanhóis o preço da crise do sistema capitalista.

Privatizações, redução de gasto público com ataque às aposentadorias, destruição dos serviços públicos e redução de direitos. Medidas tão brutais que Zapatero só pode aplicar com o apoio das direções de duas centrais sindicais, CCOO e UGT, que pactuaram um “Acuerdo Nacional” com o governo, em apoio a tais medidas.

Mas, o que isso tem a ver com o Brasil ?

O objetivo das instituições internacionais é o mesmo em todos os cantos: salvar os capitalistas que criaram a crise para que eles possam seguir especulando e aprofundando a crise. E aí vem a receita: corte de gastos, privatização, retirada de direitos, e sempre procurando associar as organizações construídas pelos trabalhadores a essas medidas num “consenso”.

Em vários Estados e cidades, os professores estão em greve pela aplicação do piso nacional. Servidores públicos, estaduais e municipais, também se mobilizam, com greves e manifestações, como corre no Estado de Alagoas, onde se discute uma greve geral dos servidores públicos estaduais.

O funcionalismo se choca com governadores e prefeitos que justificam falta de recursos e a Lei de Responsabilidade Fiscal para negar as reivindicações.

Enquanto isso, só nos três primeiros meses do ano, o governo federal recheou o superávit primário (dinheiro para a especulação financeira) com R$ 26,0 bilhões, superando a meta prevista para os primeiros quatro meses, que era de R$ 22,9 bilhões.

O governo anuncia também privatizações, como dos aeroportos e do Instituto Brasileiro de Resseguros. Dilma criou a Mesa Permanente de Diálogo, com as centrais sindicais, para discutir medidas de governo, como a desoneração da folha de pagamento, como exigem os capitalistas, para rebaixar o “custo Brasil”.

Nas eleições espanholas, os resultados evidenciam que a classe trabalhadora e juventude que deram a vitória a Zapatero, em 2004 e 2008, disseram basta! O governo brasileiro vai continuar na direção que já sabemos onde vai dar? Setores de trabalhadores no Brasil já dão sinais de impaciência por não terem suas demandas atendidas.

O governo Dilma vai seguir economizando para pagar a dívida, entregando o petróleo com a retomada dos leilões, negando a reforma agrária em “parceria” com os ruralistas do PMDB que acabam de ajustar o Código Florestal aos interesses dos latifundiários? Ou vai ouvir os trabalhadores que em 2002, 2006 e 2010 deram a vitória ao PT?

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