NAS MOBILIZAÇÕES, UM RECADO AO GOVERNO

Na terça-feira, dia 7, “em resposta” aos professores da rede municipal de Fortaleza, que estão em greve há mais 40 dias exigindo o cumprimento da lei do Piso, a prefeita Luizianne Lins acionou sua Guarda Municipal para reprimir uma manifestação em frente à Câmara Municipal. Gases de pimenta e lacrimogêneo, além de cassetetes, foram a resposta de uma prefeitura petista que deveria estar na linha de frente da defesa e aplicação da lei.

No último final de semana o país viu, com surpresa, as cenas do Bope, a tropa de elite, reprimindo a manifestação de bombeiros do Rio de Janeiro, com seus familiares, em luta por melhores salários.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), governo do qual participa o PT, não apenas mandou o Bope atirar e ferir, no dia seguinte, foi à imprensa chamar esses servidores públicos de lumpem e vândalos!

Por certo, merece repúdio a repressão do governo do PMDB, mas que Cabral o faça, está na “ordem natural das coisas”. O mesmo não acontece com uma prefeitura do PT que manda bater em professores. Isso é inaceitável!

Em todo país, uma onda grevista cresce. Professores da rede estadual de ensino entram em greve em novos Estados, exigindo a aplicação do piso nacional da categoria. Em vários municípios e Estados, servidores com mobilização e greve reivindicam aumento.

Suas reivindicações se chocam com uma política de “austeridade fiscal”, orientada pelo Palácio do Planalto.

Em matéria recém publicada, o jornal Valor Econômico apresenta o “bom” resultado de governos estaduais que “ampliam resultado fiscal”.

Dois exemplos. O governo do Rio Grande do Sul, com uma “política severa de contenção de gastos”, aumentou o resultado primário do orçamento, em 210%. Para “reequilibrar as finanças”, agora o governador Tarso Genro (PT) baixou um pacote que entre outras “severidades” ataca a previdência dos servidores, proposta recusada pela CUT-RS.

No Rio de Janeiro, nos primeiros quatro meses, o governo teve um superávit primário de R$ 2,02 bilhões, 25,6% maior do que o do mesmo período de 2010, mas não tem dinheiro para aumentar o salário dos bombeiros que hoje é de cerca de R$950,00!

Política de austeridade é a negação das reivindicações. Nos quatro primeiros meses desse ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central, foi cumprido 49% da meta de superávit primário prevista para todo ano. O que isso significa para os trabalhadores? Menos dinheiro para atender suas necessidades e mais dinheiro para pagar os juros da dívida, que continuarão crescendo como resultado da política do governo de seguir aumentando a taxa básica de juros.

A coisa não para aí. O governo federal, em meio à crise aberta no episódio do ministro da Casa Civil, reafirmou seu objetivo de privatizar os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

Austeridade, privatização…os trabalhadores rejeitam essa política. Os aeroportuários em assembleias decidiram pela greve contra a privatização. Todo apoio à luta em defesa dos aeroportos! Unificar e reforçar a luta dos professores pela aplicação do piso, eis uma responsabilidade colocada à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), como pedem moções aprovadas na base, sugerindo uma paralisação nacional de 48 horas, ainda nesse semestre.

Essas mobilizações são um recado ao PT no governo: chega dessa política que sacrifica os interesses da nação e a maioria oprimida do país. É preciso uma política voltada ao atendimento das reivindicações, como melhores salários, e aos interesses nacionais, como o fim imediato das privatizações.

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