Na luta, os trabalhadores dão o seu recado

O ano começou, na mídia, marcado por movimentos de cúpulas políticas rumo às eleições de outubro, alianças, federações e candidaturas. Com as pesquisas indicando favoritismo de Lula contra Bolsonaro, a polarização não permite, até agora, uma “3ª via”. No povo há expectativas de mudança na vida dificílima, com a volta de Lula à presidência.  

O que a mídia não diz e as cúpulas não querem notar, é o que se mostra na luta direta dos trabalhadores. 

Em janeiro e fevereiro, várias categorias de servidores e estatais, mas não só, fizeram mobilizações e greves. Os trabalhadores da Eletrobrás por 17 dias cruzaram os braços contra a privatização em defesa de seus direitos. Os servidores municipais e os trabalhadores da empresa pública de limpeza de Florianópolis, com uma greve de massas – a 1ª do ano – em sete dias derrotaram as ameaças e a política do prefeito do DEM, obrigando-o a recuar e obtendo a vitória. 

Sim, teremos eleições decisivas para a nação em menos de oito meses, mas até lá teremos muita luta por salários e direitos, já em março.

Enquanto isso Bolsonaro, com a conivência das instituições, segue livre, leve e solto.  

O ministro Facchin, que assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), explicou sua visita a Bolsonaro para convidá-lo à posse, como “gesto” que tem “a mão estendida, eu espero reciprocidade” (FSP,17/2). A CPI da Covid deu em nada, as intimações e “prazos” do Supremo Tribunal Federal (STF) deram em coisa nenhuma, como a centena de pedidos de impeachment no Congresso.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a privatização da Eletrobrás, uma falcatrua, cujas regras ele mesmo havia questionado. 

E as organizações dos trabalhadores, fazem o quê? O PT se enredou na discussão da Federação com o PSB, cujo presidente, Carlos Siqueira, diz agora que foi empurrado ao erro quando 29 dos 32 deputados (!) do PSB votaram pelo impeachment (Uol, 17/2). Erraram e continuam errando! Parlamentares, governos municipais e estaduais do PSB aplicam a política do golpe. O Diálogo e Ação Petista se mantém em campanha de moções à presidente Gleisi contra a Federação com o PSB.

O PT está também atrás de alianças cujo ápice é propor Alckmin como vice, com outros setores golpistas pró contrarreformas de Temer-Bolsonaro.

Ora, a luta dos servidores, dos professores pela aplicação da lei do Piso, dos trabalhadores das estatais, não encontra guarida nestes “aliados”. Alianças são necessárias, mas comprometidas com a reconstrução e a transformação da nação em benefício da maioria oprimida, o que passa pela ruptura com a dominação imperialista que regeu o impeachment e a prisão de Lula.

Agora, e já, é fortalecer as lutas concretas. A mobilização dos trabalhadores é que dará a última palavra, retirando do Planalto Bolsonaro e sua política, e abrirá caminho à soberania popular, com a convocação de uma Assembleia Constituinte Soberana. Um novo governo encabeçado pelo PT, com Lula presidente, pelo que lutamos, poderá avançar assim na recuperação, como os direitos trabalhistas e previdenciários, e em novas conquistas, como as reformas agrária, judiciária, militar e da mídia. 

Este jornal se engaja no debate presencial promovido pelo DAP com lideranças nacionais, sindicalistas e intelectuais, dia 19 de março em São Paulo: “A crise das instituições políticas, sociais e econômicas e a Constituinte Soberana”.

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