O FMI está alarmado

Publicado originalmente no jornal Informações Operárias, do POI francês em 4 de março

Acompanhando o estado de emergência sanitária, em toda a Europa, desenvolve-se intensa propaganda estatal. Duas semanas atrás, nesta coluna, citamos o caso do Ministério do Interior alemão ditando aos cientistas o que escrever e dizer para, nas próprias palavras do ministério, “tomar medidas repressivas”. O mesmo é verdade na França com o “conselho científico”, um órgão de propaganda estatal em nome do governo Macron. Com esta propaganda, eles querem aterrorizar as populações, impor medidas liberticidas sem precedentes e levar a cabo todos os seus ataques: fechamento de leitos hospitalares, fim do bac (“exame de seleção” – NdT), questionamento da Universidade, apoio a planos de reestruturação, etc.

Este governo ao serviço do capital, ao qual concede centenas de milhares de milhões de euros que acompanham todos os planos de reestruturação, teme ele próprio, a reação da população e daquilo que a imprensa chama de “explosão social”. Esse medo se reflete na decisão do Fundo Monetário Internacional de mandatar especialistas técnicos do FMI para estudar esta questão.

Em um desses relatórios, “The Social Impact of Pandemics” (janeiro de 2021), esses especialistas destacam o risco “de transbordamentos sociais (…) (porque uma pandemia) destaca as fraturas existentes em uma sociedade: falta de proteção social, desconfiança de instituições”. Eles apontam que no fundo da pandemia esses movimentos sociais são desacelerados, mas, “no longo prazo, a frequência dos excessos sociais está disparando. (…) O risco de motins e manifestações contra o governo é cada vez maior. O risco de uma crise política séria (eventos que podem derrubar governos que geralmente ocorrem dentro de dois anos de uma grande epidemia) aumenta.”

Outro relatório do FMI, intitulado “Como as pandemias causam desespero e agitação social”, aponta: “As epidemias graves que resultam em alta mortalidade aumentam o risco de tumultos e protestos antigovernamentais.” Este estudo especifica que a pandemia não é a causa inicial: “Os resultados do nosso estudo indicam que forte desigualdade está associada a mais explosões sociais (…) e que a agitação social será tanto mais importante quanto a desigualdade de renda é inicialmente alta.” Não cabe a nós brincar com previsões sobre as possíveis datas de explosões sociais.

O importante é que o FMI, ao encomendar estes estudos, pretende alertar os vários governos para estes perigos. Mas os governos sabem, é por isso que multiplicam propaganda, falsificações, mentiras de Estado com a capa de pseudo “autoridades científicas” para aterrorizar as populações. Eles tomam medidas para prevenir protestos, reuniões e outras ações de massa.

É por isso que o nosso jornal, que é uma tribuna livre para a luta de classes, não deixou, há meses, de demonstrar a real natureza desta propaganda, a natureza deste pseudo “conselho científico” e as mentiras do governo Macron.

Ao fazê-lo, estamos nos colocando totalmente no terreno da defesa da independência da classe trabalhadora do governo e de todas as suas instituições. Sem suporte, sem suporte algum.

Lucien Gauthier

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