Prosseguir o combate

Em 10 de julho a Câmara aprovou, em primeiro turno, a contrarreforma da Pre­vidência. O capital financeiro comemorou o resultado – uma paulada nos trabalhadores, que nada têm a comemorar. A Bolsa subiu, o dólar caiu, mostrando a satisfação com os serviços prestados pelos 379 deputados do Congresso, o mais reacionário desde o fim da ditadura, fruto de um sistema político que deforma a representação do povo. Foram 80 votos a mais que os dados à contrarreforma trabalhista na legislatura anterior!

O avanço de bancadas parlamentares con­tra os trabalhadores e a nação no Congresso Nacional, vem acompanhado do conluio no Judiciário que facilita as condições para que prospere no Brasil a política que interessa ao imperialismo.

Por exemplo, o Judiciário faz ouvido mouco às revelações que desnudam a Lava Jato – cujo rastro é a destruição de setores da economia e a manutenção de Lula como preso político – como uma operação fraudulenta, orques­trada pelos EUA, a quem juízes e promotores prestam contas.

Na ofensiva contra a Previdência, o capital financeiro contou, uma vez mais, com os préstimos da mídia que enxovalhou televi­sões, rádios e jornais alardeando a destruição da Previdência Pública e Solidária, como salvação para o país e as aposentadorias!

São as forças que se conjugaram para dar o golpe de 2016 e forjar o governo Bolsonaro para colocar o Brasil, sem obstáculos, na rota da destruição dos direitos dos trabalhadores e da soberania nacional para alimentar a espe­culação financeira e rapinar nossas riquezas.

São as instituições que servem aos interesses do imperialismo, contra o povo brasileiro, com as quais não haverá saída positiva para o país.

Mas, há que se dizer, na ofensiva contra a Previdência o governo contou com uma ajuda que veio de onde jamais poderia ter vindo. Enquanto a bancada do PT na Câmara cumpriu a decisão do partido de dizer não à contrarreforma, alguns governadores petistas agiram, escancaradamente, para facilitar sua aprovação!

A batalha não acabou, urge uma ação par­tidária para que estes governadores parem de prestar desserviço à classe trabalhadora que mostrou disposição de resistir – numa situa­ção extremamente difícil, com o desemprego campeando solto – na greve de 14 de junho.

Aprovada em primeiro turno, a contrarre­forma da Previdência não é, ainda, um fato consumado. O caminho da resistência, nas fábricas e todos os locais de trabalho, nas es­colas e nos bairros deve ser retomado. Depois de 14 de junho houve um interregno, o que não foi bom. Sem apontar a continuidade da luta, limitando-se à pressão interna no Con­gresso, a resistência fica impotente. Não sen­sibilizou a maioria reacionária no primeiro turno da Câmara, não vai ser muito diferente no segundo, muito menos no Senado. A não ser que uma força maior se levante.

A CUT não pode fugir à responsabilidade de ir à sua base e explicar que a proposta apro­vada em primeiro turno, mesmo se não é a mesma de Bolsonaro, representa a destruição de direitos arduamente conquistados e abre a porta para uma ofensiva maior.

A Confederação Nacional do Trabalhadores em Educação chama para 13 de agosto um dia de paralisação nacional em defesa da edu­cação e da aposentadoria. Neste mesmo dia, chega a Brasília a Marcha das Margaridas que tem em sua pauta a defesa da Previdência.

Dois pontos de apoio que levaram a CUT a convocar o 13 de agosto como um dia nacio­nal de mobilização, com greves e paralisa­ções, contra a “reforma” da Previdência que, depois de votada em 2º turno na Câmara, seguirá para o Senado.

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