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CORRENTE O TRABALHO DO PT

“Ameaças que podem liquidar a causa palestina”

11 de julho de 2016
salah-salah

Israel quer sabotar a projeto do retorno dos refugiados

Publicamos trechos da intervenção de Salah Salah, membro do Conselho Nacional Palestino, na reunião da coordenação do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos (AcIT), da qual também é integrante, ocorrida na Argélia em 28 e 29 de maio.

“Como indiquei em minha carta à coordenação do AcIT, a causa palestina está seriamente ameaçada por inúmeros projetos que tentam privar o povo palestino de sua nação e de seu direito à autodeterminação. Privar os refugiados de seu direito ao retorno às suas casas e propriedades e também conduzir a um reconhecimento, pela Autoridade Palestina (AP), da natureza judaica do Estado de Israel. Isso conduzirá a um êxodo e a uma limpeza étnica de todos os palestinos como ocorreu em 1948 e em 1967.

Os Estados Unidos foram os primeiros a apoiar esses projetos. Essa iniciativa estadunidense, que estava nitidamente alinhada com Israel, fracassou.

De sua parte, a França chamou uma conferência internacional restrita, com a presença da AP, de Israel, de alguns países árabes, dos EUA e de alguns países europeus. A iniciativa francesa consiste em organizar as negociações, cuja duração não ultrapassaria 18 meses, com o objetivo de encontrar uma saída realista para a questão dos refugiados palestinos por meio do pagamento de indenizações e reparações, o reconhecimento da judaicidade do Estado de Israel, a instauração de um Estado Palestino desarmado nas fronteiras de 4 de junho de 1967 (*) com troca de territórios e acordo sobre suas superfícies.

A AP de Ramallah (cidade da Cisjordânia que abriga a AP – Nota do Tradutor) aceitou a iniciativa francesa. Israel rejeitou essa iniciativa, mesmo se ela respondia a todas as suas exigências, pois o Estado sionista quer prosseguir um diálogo direto e sem intermediários com os palestinos, longe de qualquer intervenção e pressão estrangeira, venha de onde vier, mesmo que seja de seu interesse.

Durante o diálogo sobre a proposta francesa, o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, de maneira surpreendente, apresentou sua proposta, que consiste em aproximar os pontos de vista dos diferentes grupos palestinos e ser o intermediário na retomada das negociações de paz entre palestinos e israelenses.

Esse plano anuncia a disposição da Arábia Saudita e de outros países árabes de modificar o que eles chamam de ‘iniciativa árabe pela paz’, apresentada pela Arábia Saudita e aprovada pela Liga Árabe em 2002. As mudanças comportam o abandono de dois direitos fundamentais (as colinas sírias de Golã, território que Israel anexou às suas fronteiras, e o direito dos refugiados ao retorno). A questão que se coloca hoje é: por que todos esses projetos?

  1. A diversificação dos projetos e iniciativas propostas criaram confusão e fizeram fracassar todos os esforços para encontrar uma solução. O que dá a Israel o tempo necessário para prosseguir seus planos de sabotar o projeto do retorno dos refugiados e de instauração de um Estado Palestino.
  2. Permite a Israel arrancar mais concessões à custa dos direitos do povo palestino.
  3. Justificar os esforços árabes e internacionais, em colaboração com a AP, para acabar com a Intifada (reação do povo palestino à ocupação de seus territórios – Nota do Tradutor), sob o pretexto de que a continuidade das negociações exige o fim da ‘violência e do terrorismo’.
  4. Aproveitar as contradições entre e no interior dos regimes árabes para obter mais concessões e normalizar as relações com eles, impelindo-os a abandonar a causa do povo palestino. ”

 

(*) Ao final da chamada “Guerra dos Seis Dias”, que teve fim no dia 4 de junho de 1967, foi dado a Israel o controle das colinas de Golã, do deserto do Sinai, da faixa de Gaza, da Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Porém, mais que territórios, Israel conquistou em 1967 problemas que, quatro décadas depois, continuam tão vívidos quanto a memória da guerra entre os que sobreviveram a ela (nota do editor.

Artigo publicado na edição nº 789 do jornal O Trabalho de 1 de julho de 2016.



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