Entrevista com dirigente da categoria
Os trabalhadores da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) deflagaram greve após assembleias em 10/9. Ouvimos Robson Silva, presidente do sindicato da categoria em Minas Gerais.

OT – Os trabalhadores dos Correios, em campanha salarial, decidiram entrar em greve. Como foi o processo de negociação com a empresa e quais os pontos que motivaram a deflagração do movimento paredista?
Robson – Bom, o processo de negociação com a empresa foi bem conturbado, do ponto de vista que empresa já veio com a intenção de retirar direitos históricos da categoria. Uma negociação truncada o tempo inteiro, onde a empresa ofereceu 0,87% de reajuste, 20% do INPC, um índice que sequer recompõe a inflação e a retirada de um dos principais direitos da categoria que é caso do plano de saúde. Então, a retirada do plano de saúde, do complemento 70% de férias, 200% sobre o repouso trabalhado. Esses foram os motivos principais. Um reajuste que não recompõe sequer a inflação ainda com essas retiradas de direitos históricos.
OT – A ECT enfrenta um intenso ataque privatista, que se intensificou no governo Bolsonaro. Hoje a restruturação em curso da empresa pode resolver esse problema? O que os trabalhadores reivindicam do governo para manutenção da empresa pública?
Robson – O sucateamento é um processo que vem já há bastante tempo na empresa e a reestruturação que está proposta pela nova presidência do Correio, na verdade, é um processo de privatização mais acelerado e propõe fechar mil agências. Venda de imóveis dos Correios, imóveis históricos, os Correios estão sendo entregues na verdade. É uma venda muito abaixo do preço de mercado, então uma entrega dos imóveis e o ataque sistemático ao processo de logística, que já é praticamente tudo terceirizado e entregue à iniciativa privada. A nossa luta é também por uma empresa pública de qualidade para o povo brasileiro, uma vez que o Correio cumpre um papel constitucional que é o de prestar serviço à população. Então o Correio não é um favor para o cidadão, é um direito que o cidadão tem garantido na Constituição Federal.
OT – Qual é a situação da adesão à greve no país?
Robson – Ela segue com uma ampliação. Começou moderada, mas cresceu essa semana, com o fechamento de diversos centros de correspondência e atos programados para os diversos lugares, inclusive Brasília. E é uma greve de resistência nacional, porque tem toda uma campanha contra a greve dos trabalhadores dos Correios e também dos bancários que estão em greve. Mas o ponto principal é a tentativa da presidência e da direção da empresa de retirar o plano de saúde dos trabalhadores e dos seus dependentes. Então a greve tende a aumentar e nesse momento a empresa já entrou com o discídio coletivo, está marcado o julgamento no dia 21 de setembro na SDC, na sessão de discídios coletivos no TST e a greve segue firme até o julgamento.
OT – Essa greve ocorre em meio ao período eleitoral. O movimento tenta uma interlocução para se dirigir diretamente ao Lula?
Robson – Sim, a greve acontece no meio do processo eleitoral, a gente tentou por diversas vezes, né? Chamar a atenção do presidente Lula pra situação, é uma greve que incomoda né, o governo, incomoda a eleição, principalmente porque somos nós que entregamos as urnas eletrônicas. Agora, tem um processo de bloqueio ali, através da Casa Civil com o ministro Rui Costa que ataca diretamente os trabalhadores dos correiros de todo país. Então a situação é delicada, no nosso entendimento o governo deveria recuar de atacar os direitos dos trabalhadores e não fazer o que tá fazendo. Então a direção da empresa ataca os direitos num momento em que deveria assinar um acordo com os trabalhadores, garantir as cláusulas do acordo coletiva, a recomposição da inflação. Mas infelizmente a direção da empresa preferiu o caminho da do enfrentamento.

