Venezuela: jogo bruto do imperialismo para gerar o caos

O último 23 de fevereiro tinha sido anunciado pelo “presidente autoproclamado” Juan Guaidó e seus mentores dos Estados Unidos como o fim do governo de Nicolás Maduro, com a entrada da “ajuda humanitária” levada à fronteira da Colômbia com a Venezuela.

A operação fracassou. Seu objetivo era forçar a entrada de caminhões com o apoio de uma massa que iria buscar a ajuda, o que provocaria a divisão nas Forças Armadas que romperiam com Maduro, o que não ocorreu.

A grande mídia e os governos alinhados com Trump tentaram encobrir esse fracasso com “fake news”, como a que dizia que Maduro era tão cruel que mandara tocar foco em mantimentos enquanto seu povo passava fome! Foi preciso esperar alguns dias até o jornal New York Times divulgar que quem tocou fogo num caminhão na fronteira foi gente paga por opositores de Maduro e do lado colombiano!

Mas o mais importante em 23 de fevereiro foram as grandes manifestações contra a ingerência do imperialismo na Venezuela, em defesa da paz e da soberania nacional que tomaram as ruas de Caracas e outras cidades do país, dando um fôlego para Maduro.

Volta de Guaidó e apagão

O fantoche Guaidó, que havia passado a fronteira em Cúcuta na Colômbia no dia 23, de lá partiu para uma turnê no Brasil, Paraguai e Argentina, onde foi recebido pelos governos pró-imperialistas desses países, antes de regressar à Venezuela em 4 de março, em pleno Carnaval.

O governo Trump apostava numa prisão de Guaidó ao chegar no aeroporto, aonde diplomatas de países que o reconhecem o esperavam, para aumentar a pressão pela saída de Maduro. Mas o governo o deixou entrar e até fazer comícios, tentando isolá-lo como agente de uma guerra que nenhum venezuelano deseja.

Em 7 de março, a maior usina hidrelétrica do país, Guri, teve todo o seu sistema de controle, que é informatizado, atacado por “hackers” que operaram desde Houston e Chicago nos EUA, o que provocou um apagão de cerca de 100 horas na maior parte do país.

Poucos minutos após o início do apagão, Mike Pompeo, assessor de Trump, tuitou “os venezuelanos estão sem comida, sem remédios, sem ener-gia elétrica e logo mais sem Maduro”, prevendo que seria impossível que ele se mantivesse no poder dado o caos que seria criado com a falta de energia elétrica e o efeito que teria no povo e nas Forças Armadas.

Trata-se da chamada “guerra híbrida”, já aplicada pelos EUA em outros lugares, em mais um de seus capítulos. Mas, no fechamento desta edição, a energia elétrica havia sido finalmente restabelecida em todo o território da Venezuela e o governo Maduro seguia de pé. O que não quer dizer que a situação tenha se estabilizado, ao contrário ela segue muito perigosa.

Assim, continua na ordem do dia para todos os democratas e anti-imperialistas, independente da opinião que se tenha sobre o governo Maduro e sua política, a mais ampla campanha em defesa da paz e da soberania da Venezuela e de seu povo contra qualquer agressão externa do imperialismo e seus aliados: Trump, tire suas patas da Venezuela!

Lauro Fagundes