Vladimir se foi, mas nossa viagem continua

Inexorável, a morte é sempre brutal quando retira de nosso convívio pessoas que deveriam continuar entre nós.
Na segunda-feira dia 11 de maio, em uma atividade do Cemap (Centro de documentação do movimento operário Mário Pedrosa), Vladimir Sacchetta indicado para seu conselho consultivo estava presente na sala da Praça da República 468, sala Fulvio Abramo (um militante do trotskismo no Brasil, contemporâneo de Hermínio Sacchetta, pai de Vladimir). Cachecol vermelho e com uma aparência debilitada, sentado no plenário, uma fileira à minha frente, saiu durante o decorrer da atividade, antes de seu fim. E se foi.

Em 15 de maio, consternados, recebemos a notícia de seu falecimento, aos 75 anos.

Filho da história do trotskismo no Brasil, com a atenção voltada para os problemas sociais, Vladimir dedicava-se à documentação e jornalismo, sempre imbrincado ao combate de seu pai. A família Sacchetta é parte estruturante da história do trotskismo no Brasil.

Em 1986, foi esta identidade com o trotskismo que nos levou a nos encontramos na coordenação da campanha de Florestan Fernandes a deputado federal pelo PT. Ali conheci de perto o Vladimir. A campanha de Florestan que coordenamos era um espaço de discussão e iniciativas políticas entusiásticas. Eleito, Florestan Fernandes, sua companheira, dona Miriam, seu filho Florestan Junior, mantiveram uma relação com o comitê que integrávamos que que ajudou na vitória. Desta época, aos dias de hoje, minha estima pelo jovem Vladimir (eu também jovem à época) manteve-se intacta. Lembro quando nos encontrávamos em hotéis de São Paulo enquanto aguardávamos a apuração das eleições presidenciais, evidentemente torcendo pela vitória de Lula, mas ao mesmo tempo preocupados com nossa responsabilidade com as demandas populares. Não havia oba, oba, havia a preocupação com as tarefas do PT com o povo brasileiro. Nós estávamos preocupados com isso. Vladimir, que sempre honrou as sua origem, herdada do pai, também. Foi um baita companheiro de viagem. Sacchetta você se foi, mas nossa viagem comum continua.

Misa Boito

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