A associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI) alerta: o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan de Gaza, preso pelo Estado israelense há mais de 550 dias, corre risco imediato de vida. A PHRI divulgou o depoimento de seu advogado, Nasser Odeh, a quem o Dr. Abu Safiya apareceu durante sua última visita, no início de julho, com as mãos e os pés algemados, apresentando ferimentos recentes e contusões na cabeça, no rosto e no pescoço. O médico também apresentava dificuldades para respirar e falar. Ele se encontrava em um estado de exaustão grave que o fez quase perder a consciência em várias ocasiões. Também foi confirmado que ele é submetido a agressões diárias, que perdeu a consciência várias vezes e que não recebeu os cuidados médicos necessários. O Dr. Abu Safiya disse ao seu advogado: “Esta é a última vez que você vai me ver… Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo vivo. É o fim.”
Mensagem de Orly Noy, jornalista israelense, ativista dos direitos humanos (trecho):
“O Dr. Abu Safiya não é, é claro, a única vítima torturada nas masmorras desse regime criminoso. Muitos, muitos deles já foram assassinados por seus carrascos sem que nós conheçamos seus nomes, sem que conheçamos suas histórias nem ouçamos os gritos desoladores de seus entes queridos de coração partido. Muitos, muitos outros também correm risco de morte, submetidos a torturas sádicas. Se vocês são israelenses e temem viajar para o exterior, olhem para o rosto do Dr. Abu Safiya, leiam o depoimento de seu advogado sobre seu estado e, em vez de se apresentarem como vítimas, juntem-se à luta por sua vida, pela vida de todos os prisioneiros palestinos, e façam ouvir sua voz contra os crimes desse Estado doente e cruel.”
Mais de cem israelenses se reuniram em Tel Aviv no dia 6 de julho

Em faixas e cartazes podia-se ler: “O Dr. Hussam Abu Safiya está agonizando sob tortura na prisão israelense” e “Onde estão as 150 crianças sequestradas?”. Uma declaração da campanha “Libertem os sequestrados palestinos” foi divulgada à imprensa durante o comício. Abaixo:
“Exigimos a liberação imediata do Dr. Hussam Abu Safiya, pediatra e diretor do Hospital Kamal Adwan, que foi sequestrado em 26 de dezembro de 2024 no Hospital Kamal Adwan enquanto exercia suas funções médicas. Seu único “crime” é ser um palestino que se recusou a abandonar seu povo enquanto este era massacrado em Gaza. Ele está hoje em risco de morte devido às torturas que sofreu na prisão. Nas prisões israelenses – que se tornaram campos de tortura –, milhares de outros detidos palestinos continuam presos. Entre eles estão membros da equipe médica que também foram sequestrados em hospitais no âmbito da destruição sistemática do sistema de saúde de Gaza, que faz parte da campanha destinada a aniquilar o povo palestino. Milhares de pessoas foram presas indiscriminadamente, sem controle nem prestação de contas. Sua prisão sem assistência médica, enquanto são submetidos à fome, à tortura e a abusos sexuais, faz parte de um processo de desumanização que visa apoiar e facilitar a destruição do povo palestino. Nosso apelo: Libertem Hussam. Libertem todos eles.”
O genocídio contra a população palestina da Faixa de Gaza acaba de ultrapassar a marca de 1.000 dias
O genocídio contra a população palestina da Faixa de Gaza acaba de ultrapassar a marca de 1.000 dias, quase três anos. Várias estimativas apontam que o número de mortos ultrapassa 100 mil, dos quais um terço são crianças. Há mais de 1,5 milhão de deslocados, que hoje sobrevivem em barracas. Os bombardeios e as destruições cometidos pelo exército genocida israelense são diários.
Quase 10 mil habitantes de Gaza continuam confinados em prisões israelenses, entre os quais várias centenas de profissionais da área médica. Entre esses prisioneiros, 1.320 deles, como é o caso do doutor Abu Safiya, são classificados como “combatentes ilegais” e detidos sem julgamento.
A Cruz Vermelha exigiu visitar Hussam Abu Safiya e Marwan al-Hams, após relatos de atos de tortura e temores pela vida deles enquanto estão detidos pelas autoridades israelenses. Várias petições em todo o mundo reuniram dezenas de milhares de assinaturas para exigir sua libertação. O próprio jornal israelense Haaretz destacou o caso do doutor Abu Safiya, submetido a tortura e privações por seus carcereiros. Como indicam os israelenses que encontramos, e que lutam de dentro contra a política genocida de seu Estado, ninguém no mundo pode ignorar o que está acontecendo em Gaza, na Cisjordânia e nas prisões israelenses, qualificadas por muitos deles como campos de concentração. Macron, os líderes da União Europeia, mas também as associações profissionais de médicos em toda a Europa, ninguém pode ignorar o que estão sofrendo o doutor Abu Safiya e os prisioneiros palestinos.
Assine e divulgue a petição: https://freedrabusafiya.com
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