Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra!
Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa e dos Estados Unidos. Um fim de semana que materializou, indiscutivelmente, uma ampliação e um aprofundamento consideráveis na necessária articulação de todas as forças disponíveis para deter a política de guerra em escala internacional a serviço das necessidades do imperialismo em crise.
A organização britânica Counterfire apresentou um relato do evento que reproduzimos na sequência. Com base nessa força reunida, um elemento atravessou a discussão: a necessidade de passar à ação! Essa é a conclusão apresentada pela conferência de sábado e pelo apelo que nela foi adotado. Sim, a necessidade de passar à ação em nível internacional com as forças capazes de bloquear a guerra, suas entregas de armas, seus orçamentos de guerra, a militarização da juventude e o alistamento obrigatório, seus cortes em todos os orçamentos sociais. “O inimigo de cada um encontra-se, antes de tudo, em seu próprio país”, destacou Lindsay German, da organização Stop the War Coalition, convidando os participantes tanto a ação coordenada em nível internacional como a ação de cada um contra seu próprio governo, pois bloquear a guerra significa bloquear os governos responsáveis pela guerra. Essa é a tarefa central que se trata de organizar.
Relato da organização britânica Counterfire sobre a Conferência (trechos)

Mais de 3.000 delegados vindos de toda a Europa se reuniram no Central Hall de Westminster. Na véspera, um clima de entusiasmo predominava, enquanto cerca de 200 delegados vindos da Europa e de outras regiões se reuniam na sede do NEU (sindicato dos professores da Grã-Bretanha), para a reunião preparatória. Lindsey German, da Stop the War, destacou um ponto essencial: a resposta ao projeto imperialista americano não está no rearmamento europeu, e o principal inimigo de cada um encontra-se antes de tudo em seu próprio país. (…) Militantes vindos da Ucrânia e da Rússia defenderam a solidariedade com os dissidentes dos dois países. Estudantes franceses e alemães engajados contra o serviço militar obrigatório, assim como sindicalistas e organizações de vários países, defenderam a ideia de mobilizar o movimento operário contra os recorrentes cortes orçamentários destinados a financiar gastos militares cada vez maiores. Entre os temas prioritários figuravam a condenação do genocídio em curso na Palestina e a necessidade de prosseguir com a solidariedade internacional. Kevin Courtney, presidente da Cuba Solidarity Campaign, também tomou a palavra para destacar o agravamento da crise em Cuba devido ao bloqueio americano e à crescente ameaça de uma intervenção militar dos Estados Unidos. A situação no Sudão também foi abordada, assim como suas ligações com o imperialismo ocidental. (…)
Exemplos de resistência também foram destacados: as imensas manifestações de solidariedade à Palestina, as greves estudantis na Alemanha contra o serviço militar obrigatório, bem como as ações da flotilha internacional Global Sumud (…). Sukana Rhawani, mãe da prisioneira política de Filton, Fatema Zainab Rajwani, condenada como terrorista por um juiz na semana anterior, prestou um emocionante testemunho sobre o crescente autoritarismo exercido contra o movimento de solidariedade à Palestina no Reino Unido.
Campanhas contra o alistamento militar
Estudantes e jovens militantes se reuniram para discutir o lançamento de uma campanha de massa contra o alistamento militar. Felix Kreklow Rojas, estudante alemão em greve, compartilhou sua experiência na organização de greves estudantis contra o alistamento na Alemanha. Estudantes da França, da Espanha, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos também apresentaram suas campanhas. Parlamentares vindos de toda a Europa denunciaram os aumentos dos orçamentos militares decididos por seus governos.
Baixem as armas e aumentem nossos salários
O encontro também deu voz a vários dirigentes sindicais, entre eles Ian Hodson (BFAWU – sindicato dos trabalhadores da alimentação), Jo Grady (UCU – sindicato das universidades) e Fran Heathcote (PCS – sindicato dos funcionários públicos). Todos mencionaram os efeitos dos salários estagnados e da queda do padrão de vida sobre seus filiados, bem como a necessidade de se opor a novas deteriorações destinadas a financiar as guerras das classes dominantes. Jo Grady, que havia apresentado com sucesso a moção “Salários, não armas” durante o congresso do TUC (central sindical britânica), destacou a necessidade de os sindicatos intensificarem suas campanhas contra o aumento dos gastos militares. O ponto alto desta sessão foi o discurso contundente de Mustafa Barghouti, médico palestino e dirigente da Iniciativa Nacional Palestina, recebido com uma calorosa ovação.
A segunda sessão foi dedicada à escalada das tensões de guerra na Europa. Entre os palestrantes estava Jérôme Legavre, deputado da França Insubmissa, que desempenhou um papel decisivo na organização da conferência pela paz de Paris e denunciou o aumento dos gastos militares decidido por Emmanuel Macron. Os delegados franceses, acompanhados por outros participantes, entoaram “Macron, renuncie”. A conferência continuou pelas ruas ao redor do Central Hall, em uma atmosfera que misturava entusiasmo e determinação.
Chamada para uma campanha de apoio a desertores na Europa

As autoridades da União Europeia discutem atualmente medidas severas destinadas a restringir a entrada de cidadãos russos que participaram dos combates, incluindo aqueles que se recusaram a continuar a guerra. Essas medidas já estão se tornando realidade: vários Estados europeus recusam sistematicamente asilo a desertores russos, acusando-os de “cumplicidade” e privando-os de qualquer possibilidade de refúgio seguro. E isso ocorre mesmo quando muitos cidadãos russos foram forçados a servir no exército — uma pressão que não para de se intensificar.
Ao mesmo tempo, a deserção e o abandono não autorizado de posto dentro do exército russo aumentam em resposta a uma guerra sem fim e aos crimes do regime. Segundo estimativas de jornalistas independentes e da comunidade OSINT, entre 100.000 e 120.000 casos de recusa em participar da violência e dos massacres foram registrados desde o início da invasão em grande escala. Apenas 15% a 20% desses casos resultaram em processos judiciais. A maioria dos desertores permanece na Rússia em medo constante: em caso de prisão, eles correm o risco de tortura, encarceramento, envio para “batalhões de assalto” ou morte na linha de frente. Apenas uma ínfima minoria consegue chegar a um país seguro.
A deserção é um instrumento poderoso contra a guerra: ela enfraquece a máquina militar do regime e salva vidas. Apoiar aqueles e aquelas que escolhem a vida e a paz pode acelerar o fim do conflito e se tornar um forte sinal em favor de mudanças internas na Rússia. Conceder o direito de asilo é uma questão de soberania dos Estados nacionais. No entanto, a Europa lhes fecha quase todas as portas. Mesmo na França, onde a CNDA reconheceu que a deserção pode constituir motivo para asilo, apenas algumas pessoas obtiveram proteção. Na Alemanha, no início de 2026, as autoridades começaram a multiplicar as recusas de asilo dirigidas a desertores russos. Paralelamente, vários países da UE consideram uma proibição total de entrada para todos os cidadãos russos que participaram da guerra, privando assim indivíduos do direito à vida e à proteção humanitária. Da mesma forma, por razões humanitárias, reconhecemos o direito dos desertores ucranianos à proteção na UE. O direito à vida e à liberdade prevalece sobre os direitos do Estado.
Exigimos medidas imediatas:
● Reconhecer a recusa em participar da guerra (deserção e abandono não autorizado de posto) como motivo legítimo para obter o direito de asilo em cada um dos países e proteção da União Europeia. Trata-se de um ato de consciência e de uma recusa em participar de crimes.
● Emitir documentos de viagem humanitários (salvo-condutos) para pessoas sem passaporte internacional, para que possam viajar com segurança para a UE e apresentar um pedido de proteção.
● Informar amplamente a população russa sobre as possibilidades de proteção, para que a deserção se torne uma escolha realmente acessível, e não um ato desesperado.
Cada recusa de proteção coloca uma vida em perigo. Cada porta aberta é uma oportunidade para a paz e para transformações internas. A Europa deve abrir suas portas àqueles que escolhem a vida e a humanidade — e não reforçar a guerra e a repressão.

Apelo adotado pela Conferência
Não à militarização e ao recrutamento obrigatório!
Recursos para o bem-estar, não para a guerra!
Desde esta conferência internacional contra a guerra, elevamos nossas vozes unidas: contra a guerra e o genocídio, contra a ameaça nuclear crescente, e pela paz. Nós nos reunimos para tocar o alarme: para parar o avanço rumo à guerra, assim como o nacionalismo e o racismo que ela gera. Juntos, dizemos NÃO ao rearmamento e ao alistamento obrigatório, e SIM a sistemas de saúde, educação e serviços públicos devidamente financiados, a empregos dignos e a salários mais altos.
Reconhecemos e condenamos a cumplicidade dos governos que facilitaram e continuam a permitir o genocídio na Palestina, que alimentaram o terrível banho de sangue e impediram um cessar-fogo na Ucrânia, que atacaram o Irã soberano, o Líbano e o Iêmen, e que continuam a conduzir guerras e intervenções militares em todo o mundo. Milhões de pessoas morreram ou ficaram feridas, as infraestruturas foram destruídas, vidas e esperanças foram arrasadas, a fim de salvar o sistema capitalista que gera a guerra e a barbárie.
Não aceitamos o regresso ao caos e à guerra, da qual grande parte pode ser atribuída ao imperialismo americano. Rejeitamos absolutamente a intervenção política e militar de Trump na Venezuela, suas ameaças de guerra contra Cuba, e afirmamos nossa solidariedade com os povos de todos os países ameaçados por Trump e seus aliados. Reconhecemos e condenamos também o papel dos governos europeus, em particular os de Starmer, Macron e Merz, na escalada do avanço rumo à guerra: nós rejeitamos sua preparação ativa para a guerra, que se desenvolve em todo o continente, o aumento constante dos gastos militares da Otan, e nos comprometemos a nos opor a isso e a fazê-los recuar.
Rejeitamos a degeneração de nossas sociedades provocada pelo saque das riquezas públicas, retiradas de nossos territórios e de nossos serviços públicos para serem colocadas nos bolsos dos fabricantes de armas. Não somos enganados pela falsa narrativa de que os gastos com armamentos permitiriam regenerar nossas indústrias e nossas economias. Apoiaremos e incentivaremos a mobilização sindical contra os gastos militares. Defendemos investimentos verdadeiros em nossas sociedades, a fim de garantir uma segurança real aos trabalhadores e a toda a população: para nossos sistemas de saúde, para salários e condições de trabalho dignos, para os transportes, a educação e a moradia. Não aceitaremos nem o alistamento militar nem a militarização da educação: não permitiremos que nossos filhos e nossas filhas sejam enviados para matar e morrer.
Enfrentamos obstáculos formidáveis e desafios sem precedentes. Hoje, reconhecemos que a única maneira de sermos eficazes diante das forças poderosas que se levantam contra nós é nos organizarmos internacionalmente e agirmos de maneira estratégica no interesse dos povos. A solidariedade é crucial, assim como é igualmente importante a coordenação internacional, com o movimento operário, para responder aos governos belicistas e ao aumento dos gastos militares. Trabalharemos juntos na elaboração de uma estrutura que permita avançar.
Construir esse movimento é essencial para garantir um futuro para nosso planeta e para a humanidade. Esse é nosso compromisso hoje: organizar um movimento forte pela paz, contra o projeto imperialista americano, e lutar pela vida e pelos meios de subsistência de todos os trabalhadores, por um outro mundo, melhor.
Convocamos a participar de:
– o dia 10 de outubro pela Palestina, para pôr fim a três anos de genocídio e a décadas de ocupação e apartheid;
– um fim de semana de ação contra a militarização e o recrutamento obrigatório, nos dias 21 e 22 de novembro;
– o dia de ação dos trabalhadores portuários contra a guerra, em outubro, cuja data ainda está por confirmar.
Também convocamos a promover o logotipo da conferência – de Paris e de Londres – para dar às nossas ações uma visibilidade e um conteúdo internacionais, e para apoiar as reuniões e iniciativas que se baseiam neste apelo.

