Greve total no metrô de Belo Horizonte contra a privatização

Pela suspensão do leilão marcado para 22 de dezembro, assembleia dos metroviários se dirigiu a Lula e à equipe de transição: “Ainda está em tempo!

Nesta segunda, os trabalhadores do metrô de Belo Horizonte (MG) entraram no sexto dia de greve contra o leilão de privatização do sistema de transporte, marcado para o dia 22 de dezembro – apenas 9 dias antes do fim do governo Bolsonaro-, e pela manutenção do emprego de aproximadamente 1.600 trabalhadores concursados.

“lutamos por novos tempos para a classe trabalhadora e o Presidente Lula em seu discurso na Av. Paulista disse que ´espera não nos decepcionar´”

Em assembleia, os metroviários aprovaram uma carta à Lula e à equipe de transição. Entre outros argumentos, eles afirmam que “a falta de diálogo com os trabalhadores e suas organizações foi a marca do governo Bolsonaro, mas nossas esperanças – depois de tantas desesperanças vivenciadas nos últimos anos – é que tudo seja diferente no governo Lula e, por isso, estamos publicamente pedindo a suspensão do leilão.  A categoria decidiu por chamar a GREVE GERAL a porque não estamos vendo, até o momento, que seremos ouvidos pela Equipe de Transição. Há desesperança ainda que tenhamos combatido pela ESPERANÇA nas eleições passadas elegendo o presidente Lula. Lutamos por novos tempos para a classe trabalhadora e o Presidente Lula em seu discurso na Av. Paulista disse que ‘espera não nos decepcionar’. Esperamos por novos tempos de diálogo e de atendimento das reivindicações da classe trabalhadora, tempo diferentes do que vivemos no governo Bolsonaro. Ainda está em tempo!”


O metrô da capital mineira é operado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), empresa pública federal, e foi uma das poucas exceções às paralisações de privatização adotadas pela equipe de transição do futuro governo Lula. Estão suspensas as entregas do dos Correios, do Porto de Santos (SP), da Dataprev, dos aeroportos do Galeão e Santos Dumont (RJ). No dia 14 de dezembro, primeiro dia da greve dos metroviários, o BNDES publicou edital suspendendo o leilão da Ceasa Minas, reforçando a possibilidade de que o mesmo ocorra com o metrô.

Presidente do Sindicato dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais (Sindimetro-MG), Alda dos Santos nos conta que a categoria acredita no governo Lula. “Através de alguns políticos, temos conseguido fazer a interlocução com o governo eleito e com a equipe de transição. Reforçamos a prioridade na recomendação de suspender o leilão no dia 22/12/22, e estamos na expectativa de negociar com o governo Lula a questão dos empregados e empregadas da CBTU-MG”. Ela explica que os trabalhadores estão tentando salvar seus empregos, “não sabemos o que será feito deles, se houver o leilão, depois que a estabilidade que é de apenas 12 meses acabar.”

Luta se choca com o judiciário
“A adesão da categoria está muito boa. Estamos conseguindo fazer com os trens fiquem 100% parados com a participação de quase 90% dos maquinistas”, afirma Alda. Os trabalhadores enfrentam decisões do judiciário: o Tribunal Regional do Trabalho tentou impor uma escala de manutenção do serviço que, na prática, acabava com o sentido de movimento grevista. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 100 mil por dia. Também há pedidos pela responsabilização dos dirigentes sindicais. Ainda assim, diante da gravidade e urgência, a assembleia dos trabalhadores realizada na sexta-feira (16) decidiu resistir e votou pela continuidade da greve, com 100% dos trens parados.

Outra decisão negativa foi proferida pela Justiça Federal, que negou o pedido de liminar apresentado por deputados e integrantes do PT para suspender o leilão. A ação foi assinada pela presidente nacional do Partido, Gleisi Hoffmann, por deputados mineiros, e pela secretária nacional de Finanças e Planejamento do PT nacional, Gleide Andrade, que afirmou que recorrerá da decisão judicial.

Apoio urgente!

Entidades e personalidades que quiserem se somar a luta contra a privatização podem fazer enviando moções como a proposta no modelo abaixo. Lembramos que os prazos são exíguos: o leilão está marcado para daqui a 3 dias!

Modelo de moção:

Ao Sr. Aloísio Mercadante
Equipe de Transição do governo Lula

Ao Sr. Bruno Westin Leales 
Secretário Especial do Programa de Parceria de Investimentos

Ao Sr. José Marques de Lima
Presidente da Cia Brasileira de Trens Urbanos

1. Nossa entidade (nome) quer manifestar nosso desacordo com o processo   de privatização do metrô de Belo Horizonte e Contagem, unidade da estatal CBTU e nos dirigimos à Equipe de Transição, representando o futuro governo Lula, aos atuais dirigentes da CBTU e da Secretaria Especial encarregada da privatização, para exigir a suspensão do leilão do metrô de Belo Horizonte e Contagem, marcado para 22 de dezembro próximo.

2. Inúmeras irregularidades foram apuradas no processo apresentado pelo BNDES para justificar a privatização, o que levou o TCE-MG a recomendar a suspensão da privatização.

3. A classe trabalhadora e suas organizações não aceitam tal decisão de destruição de uma estatal federal e novamente exigem:

Suspensão imediata do leilão de privatização do metrô de Belo Horizonte e Contagem.
Não à sua privatização!

(Assinatura)”

Enviar para:

Secretaria Especial de Parceria e Investimento
E-mail: agendappi@economia.gov.br

CBTU
E-mail: dir.p@cbtu.gov.br

Aloísio Mercadante
E-mail: webmaster@fpabramo.org.br

Enviar cópia para: sindimetro@sindimetromg.org.br e joaozinho@cut.org.br

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